Todo mundo conhece os hinos dos grandes clubes do Brasil e volta e meia aparecem umas discussões em sites, revistas e jornais sobre qual deles seria o mais bonito. Pois bem, mas e quanto aos mais diferentes e inusitados? Por que é que ninguém nunca parou para pensar a respeito??

Foi exatamente essa pergunta que nós do POP FANTASMA fizemos e exatamente por isso elaboramos esse Top 10 dos hinos mais estranhos. Lembrando, claro, que o objetivo aqui não é ofender ninguém, certo? Dito isso, vamos lá.

CANTO DO RIO (RJ). Vamos ver se vocês advinham: o que os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro têm em comum com o Canto do Rio? A resposta é simples. Todos esses times tiveram os hinos compostos por Lamartine Babo, famoso por ser também o autor de inúmeras marchinhas carnavalescas que até hoje fazem sucesso nos bailes. O curioso é que em nenhum momento a letra fala do time, mas sim de uma morena “queimada de praia” torcedora fanática que, quando o time perde “chora que dói e foge de Niterói”! A princípio alguns historiadores pensaram que a tal morena fosse a namorada do Lamartine na época, mas depois viu-se que não tinha nada a ver.

ÍBIS (PE). O autodeclarado pior time do mundo, por uma ironia do destino, tem um dos hinos mais legais também. Punk rock nervoso com um vocal feminino rasgado (e cujo timbre lembra um pouco a Pitty). Mas isso, por incrível que pareça, não é o mais estranho de tudo. O que realmente me intriga é como ninguém percebeu que aos 0:22 segundos, algum engraçadinho fala “O Íbis é um horror!” no meio da música….

VILHENA (RO). Duas coisas chamam a atenção aqui. Primeiro, alguns versos e também a melodia parecem demais com os dos hinos do Palmeiras e do São Paulo (nesta entrevista de 2014, o autor garante que tudo não passou de coincidência). E segundo, o fato de a gravação ser a capella. Faltou grana para contratar uns músicos? Nunca saberemos… Atenção especial à ameaça explícita no primeiro verso (“Quando surge o Vilhena imponente / A torcida vai dando o recado / Sabe bem o que vem pela frente / Se a vitória não for resultado”)!

GOIÂNIA (GO). Um dos meus favoritos! Uma melodia ao melhor estilo Jovem Guarda com teclados à moda do Lafayette, tendo como fundo galos cantando e um coral fazendo “piriripipi!”. Como não amar?

PORTUGUESA (SP). Se você pensava que somente os clubes do Rio de Janeiro e o Grêmio tiveram seus hinos compostos por ídolos da música brasileira, pensou errado! Se bem que no caso aqui, não foi exatamente um ídolo nacional. Até meados dos anos 1970, o hino era esse aqui. Porém um torcedor ilustre chamado Roberto Leal (sim, aquele do Bate o pé) achou a letra boba demais e compôs esse outro, mais forte e que acabou ficando mais popular.

MOGI MIRIM (SP). Tá mais para samba-enredo, mas está valendo mesmo assim! O belo e contagiante refrão “Ê, ô, sapo” gruda na cabeça que é uma beleza:

CRAC (GO). É um mistério para mim como os compositores não sofreram um processo. A melodia é idêntica à do hit Eu te amo, meu Brasil de Dom e Ravel!

RIOVERDENSE (GO). Outra prova cabal que a cara de pau desconhece limites: Simplesmente pegaram o hino do Bahia (que já teve até versão gravada por Caetano Veloso e Gilberto Gil) e cortaram os trechos onde o clube soteropolitano era citado!

JI-PARANÁ (RO). É realmente assustador como está tudo fora do tom e os instrumentos estão completamente desafinados! Não é possível que não tinha NINGUÉM para dar um toque nos caras!

PICUÍ (PB). Uma pérola! Nenhum outro hino narra a história do clube com tanta riqueza de detalhes! Em determinado trecho informa até como surgiu o jumento mascote do clube! A melodia axé no melhor estilo Luis Caldas também merece destaque.

AGRADECIMENTO ESPECIAL AOS AMIGOS SAMIR MAUAD E ALEXANDRE XAVIER PELAS SUGESTÕES.