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Uma explicação científica de como os Dead Kennedys faziam sátira no punk rock

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Uma explicação científica de como os Dead Kennedys faziam sátira no punk rock

Teve uma época em que até artistas mais ligados à esquerda faziam sátiras politicamente incorretas, em músicas, textos, etc. Os Dead Kennedys – a banda de músicas como California uber alles e Holiday in Cambodia – eram os campeões nessa modalidade. O canal Polyphonic dá uma explicação científica de como a banda liderada por Jello Biafra abraçou a sátira juvenil como arma política e musical.

“Nenhuma banda foi tão boa fazendo sátiras rebeldes como os Dead Kennedys. Uma das maiores bandas punk de todos os tempos, suas letras brilhantes usaram esse recurso como lãminas bem afiadas, para passar mensagens políticas”, diz o vídeo.

Via Laughing Squid

Lançamentos

Radar: Katia Jorgensen, Máquina Voadora, Outros Bárbaros, Carvel, Pessoa, Garotos Podres

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Katia Jorgensen

Duas músicas do Radar nacional de hoje já são velhas conhecidas, mas ganharam uma ótima recauchutagem: tem remix de Katia Jorgensen e clipe de um clássico quarentão dos Garotos Podres. Mas o que tem mais aqui hoje é novidade – e mesmo o clássico pode se tornar novidade com nova roupagem. Ouça e passe adiante.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Katia Jorgensen): Divulgação

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KATIA JORGENSEN, “MIGALHA” (REMIX BY ANDRÉ PAIXÃO). Migalha, uma das mais realistas, raivosas e teatrais faixas do álbum de Katia, Canções para odiar (que a gente resenhou aqui), volta em versão remix, apropriadamente feita pelo músico André Paixão – conhecido como Nervoso. E ele buscou referências que dessem uma intensificada básica no estresse evocado pela faixa: a eletrônica de Gary Numan, a tensão das trilhas de filmes de George Romero. É para ouvir e amar de cara – e sentir a emoção da música.

MÁQUINA VOADORA, “DOMINGO (OLHARES ACROBÁTICOS)”. O duo paulistano Máquina Voadora lança em breve o disco A grande boca de mil dentes – um lançamento instrumental, cujas músicas são interpretações de poemas do autor modernista Mário de Andrade, publicados no livro Pauliceia Desvairada. Domingo (Olhares acrobáticos), lado B do single Trianon, é pura levada – uma música definida por eles como “fusão cativante de rock guiado pela guitarra e a suavidade do jazz”. O som da dupla tem elementos, não muito discretos, que remetem ao krautrock – aliás Marcelo Garcia e Enrico Bagnato chegaram a tocar numa banda brasileira do estilo, o Kosmovoid. Mas o jazz, ao lado de suas variações mais roqueiras, é o principal.

OUTROS BÁRBAROS, “FORTALEZA HOSTIL”. Pelas ruas das Américas, terceiro disco dessa banda, sai em fevereiro – Fortaleza hostil, som entre a MPB, o indie-rock e o clima setentista (com direito a evocações de Refazenda, de Gilberto Gil), adianta o álbum. E em 9 de janeiro sai mais um single, Nós dois. O trio de Florianópolis – Maurício Peixoto (voz, guitarra e teclas), Eduardo Lehr (baixo) e Marco Mibach (bateria) – também aproveita para lembrar na nova música um grupo do qual Peixoto fez parte, o Aerocirco.

E já que há homenagens a Gil na faixa, não custa citar que o próprio nome do grupo é uma homenagem aos Doces Bárbaros – que passaram por um perrengue justamente em Florianópolis, quando Gil foi preso com maconha em 1976. “O princípio ativo que remete os Doces aos ‘Outros’ é a pretensão de construir algo importante tendo a música como fim. E tudo isso basta”, afirmam.

CARVEL, “PRESO EM VOCÊ”. Vindos de Vinhedo (SP), Guilherme Avelino (voz e guitarra), Lucas Argenton (guitarra), Victor Gonzales (baixo) e João Gabriel Diamantino (bateria), prometem o álbum Ainda é tempo para o começo de 2026, e adiantam o disco com singles e clipes. Já saiu Nós dois sabemos, comentado aqui no Radar, e agora é a vez do samba-indie-rock-reggae (juro, tem tudo isso lá!) Preso em você. Até mesmo pandeiro, cuíca e sopros surgem na nova canção, que teve nomes nacionais como Criolo e Zimbra entre as influências.

“A letra fala sobre um relacionamento que faz a gente se sentir bem e mal ao mesmo tempo. Sobre estar preso a alguém, mesmo sabendo que talvez não seja o melhor lugar. É um sentimento confuso, mas muito real”, diz Guilherme Avelino, autor da faixa. Já o clipe, dirigido e editado pelo guitarrista Lucas Argenton, foi filmado em diversas locações – sempre valorizando os espaços abertos e a luz natural.

PESSOA, “MAMÃE, NÃO QUERO AGROTÓXICO” / “MEDO DE QUÊ?”. Pessoa, cantor e compositor baiano que une folk, rock e MPB e cujo trabalho é marcado pelas letras bem humoradas, volta com single duplo, em que é acompanhado por Lucas Gonçalves (Maglore) na bateria e de Iago Guimarães nos teclados, e em que cai dentro do rock zoeiro. Mamãe, não quero agrotóxico fala de ecologia, guerra, fome, multimilionários que viajam para “Marte ou para a lua” e de políticos escrotos no poder. Medo de quê?, por sua vez, une grunge, Titãs, blues-rock e várias fobias da modernidade na letra (“todo mundo tem medo de algo / e quando encontra fica paralisado / isso não dá pra esconder /você tem medo de quê?”). Duas músicas bem curtinhas e diretas.

GAROTOS PODRES, “PAPAI NOEL, VELHO BATUTA”. Sabia dessa? Recentemente a veterana banda punk do ABC paulista foi obrigada a depor numa delegacia porque tocou seu clássico Papai Noel Velho Batuta num show. Tudo porque uma turma de extrema-direita que estava lá (num show deles? fazendo o que?) considerou a música um ameaça às “pessoas de bem”.

Para marcar a não-comemoração da tentativa de censura e intimidação em pleno 2025 – e para recordar os 40 anos do disco de estreia da banda, Mais podres do que nunca (1985) – agora Papai Noel tem clipe, com desenhos de Leandro Franco. O vocalista Mao e sua turma se transformam em desenho animado, o Papai Noel entra no clima “entendeu ou quer que eu desenhe?” (ele dá presentes a Trump e Zuckerberg e aparece dando altas cusparadas na direção da tela) e a história da tentativa de censura é contada no começo do vídeo.

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Crítica

Ouvimos: The Spells – “The night has eyes”

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Banda cult dos anos 90, The Spells lança enfim em vinil o inédito The night has eyes: garage rock psicodélico, gótico e minimalista, gravado em 1997.

RESENHA: Banda cult dos anos 90, The Spells lança enfim em vinil o inédito The night has eyes: garage rock psicodélico, gótico e minimalista, gravado em 1997.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 10
Gravadora: Garganta Press
Lançamento: 31 de outubro de 2025

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The Spells é a melhor banda que você nunca ouviu na vida, o maior clássico do rock do anos 1990 que ninguém (a não ser uma turma de sortudos que viu a banda tocando ao vivo) conhece. Nicole Barrick (guitarra e vocais), Marisa Pool (baixo e vocais) e Leni Zumas (drums) uniram-se em 1995 em Austin, Texas, e encerraram atividades em 1998 em Nova York, deixando para trás um disco gravado e nunca lançado, The night has eyes. Que só agora ganha edição em vinil – e no Bandcamp.

  • Ouvimos: Wire – Nine sevens (box set)

The night has eyes foi gravado em novembro de 1997 em Nova York, sob a produção de um cara chamado Gale Talenfield. O som de Marisa, Leni e Nicole era basicamente garage rock com cara sessentista, ambiência quase “perdida” no espaço (som minimalista, com muitos ecos), subtexto gótico e bruxuleante. Lilith abre com beat lembrando os clássicos de Bo Diddley, mas logo ganha aspecto de marcha indianista e psicodélica. Vanishing act tem muito de Kinks, mas os vocais são quase falados – e a guitarra, estlingada, tem muito de Dick Dale e surf music sessentista. A marcial Strange tem baixo à frente e junta universos ligados ao pós-punk e ao pré-punk, simultaneamente.

Por aí já dá para ter uma ideia do que essas três aprontavam, musicalmente falando. Só que ainda tem mais: a valsa garage rock ritualística de Snow White’s coffin (“o caixão de Branca de Neve”), o cruzamento de Breeders e Coven de The night has eyes, a vibe Patti Smith + PJ Harvey da sussurrada e assustadora Isadora e as vibes herdadas de Velvet Underground das quilométricas If the world should end tonight e Yumiko – essa, com letra falada e cantada, na onda de The gift, do Velvet. Apesar do minimalismo sonoro, cordas e teclados dão as caras em momentos especiais e escolhidos do álbum.

The night has eyes ficou para trás após o fim da banda (num papo com a It’s Psychedelic Baby Mag, a banda conta que a separação se deu por causa de “maus hábitos que pioraram”) e nunca saiu. Recentemente, uma cópia da fita original foi encontrada pelo grupo (as três ainda são amigas) numa caixa de sapatos – Greg, o produtor, foi procurado pelo trio e disse ter o master original. The night has eyes sai numa edição completíssima, em que se destaca um livreto de 16 páginas com fotos inéditas do grupo, tiradas nos anos 1990 por Nick Zinner, guitarrista do Yeah Yeah Yeahs. Antes tarde do que nunca, chega a público a cara mutante e garageira do rock novaiorquino noventista.

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Crítica

Ouvimos: Jade – “That’s showbiz baby!”

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Na estreia solo That’s showbiz baby!, Jade troca traumas do Little Mix por pop dançante e empoderado, com bons momentos e letras às vezes ingênuas.

RESENHA: Na estreia solo That’s showbiz baby!, Jade troca traumas do Little Mix por pop dançante e empoderado, com bons momentos e letras às vezes ingênuas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Sony Music
Lançamento: 12 de setembro de 2025

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O Little Mix, banda da qual Jade Thirlwall fez parte, deu a ela uma boa dose de alegrias – mas também altas doses de aporrinhações, traumas e coisas do tipo. Girl groups sob a tutela de gravadoras e empresários costumam ser verdadeiros moedores de carne, e ela vem falando em entrevistas que as situações de bullying que costumavam acontecer com ela desde a adolescência, por causa de sua ascendência árabe, só fizeram aumentar com o trabalho. Se That’s showbiz baby!, a estreia solo de Jade, tem uma vantagem extra-musical, é a de que agora ela se sente verdadeiramente empoderada e faz questão de colocar isso nas músicas.

That’s showbiz baby!, apesar do título, está bem longe de ser um inventário de mágoas – até porque Jade costuma falar de suas dores fazendo dançar. Por outro lado, é estranho ver que às vezes Jade soa meio fora da realidade até no universo pop que ela conhece bem – como na ingenuidade de letras como FUFN (Fuck you for now), que diz “te amo mas você me decepcionou / não tenho mais palavras” e Plastic box (nessa, ela reclama que achou cartas antigas do namorado para uma ex, todas escritas antes de ele e Jade se envolverem, e fica com ciúmes retroativos).

  • Ouvimos: Luvcat – Vicious delicious
  • Ouvimos: Angélica Duarte – Toska

Isolando esse lado, que torna o disco de Jade uma experiência bem menos imaginativa do que, por exemplo, os álbuns de Lana Del Rey, That’s showbiz baby! entra na tendência do pop para fazer dançar, sem margem de culpa. Rola no r&b + eletrorock Angel of my dreams, no clima sacana de Lip service, na ostentação do rap It girl, na dance music noturna e sexy de Midnight cowboy e no clima Bruno Mars + Prince de Fantasy – esta, uma das melhores do álbum. Unconditional passou por sessões de queimação de mufa que valeram a pena: Jade fez uma música em homenagem à sua mãe, diagnosticada com lúpus – só que é uma dance music com clima oitentista, chegando a lembrar o dance-pop de artistas como Tiffany.

Glitch, dance music baseada em erros de gravação – que dominam letra e música – é uma das mais criativas do álbum. Agora, os tempos de Little Mix surgem devidamente comentados na balada blues Natural at disaster, desomenagem a uma amiga tóxica (provavelmente a ex-colega de banda Jesy Nelson, com quem está brigada após uma série de lavações de roupa suja). Versos como “é difícil te amar quando você se odeia / não consigo estar presente para você sem afetar negativamente minha saúde mental” soam meio estranhos, como se tivessem sido escritos de forma a tornar a letra mais “intelectual” do que propriamente pop – mas ninguém duvida que Jade se esforçou para tornar That’s showbiz baby! uma experiência com a qual muita gente pode se identificar.

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