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Cultura Pop

David Bowie e Bing Crosby: aquele encontro bizarro de natal

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David Bowie e Bing Crosby: aquele encontro bizarro de natal

O próprio Bing Crosby nunca viu seu dueto com David Bowie ir ao ar. O encontro dos dois foi filmado em 11 de setembro de 1977, para o especial de natal Merrie Olde Christmas de Crosby. Foi ao ar em 3o de novembro de 1977 pela CBS. Entre uma data e outra, no dia 14 de outubro, o cantor e entertainer americano, ídolo da geração imediatamente anterior à de Bowie, morreu de um ataque cardíaco, após uma partida de golfe.

Quem viu na TV (e reviu no YouTube) deve ter achado tudo muito bonito, mas estranho: dois astros que não tinham rigorosamente nada a ver um com outro, com direito a Bowie vestido com sobriedade (não era do feitio dele naquela época), cantando Peace on Earth/Little drummer boy. Bowie admitiu numa entrevista à revista Q, em 1999, que sua ida ao programa tinha sido a experiência mais bizarra de sua vida, e que não sabia nada sobre Crosby, além do fato de que sua mãe gostava dele.

A Rebeat Magazine publicou um artigo sobre a aparição de David no especial de Bing e, no texto, demonstrou que tudo ali estava meio errado. Estava mesmo: “Provavelmente, a coisa mais estranha sobre a apresentação é a configuração anterior de como os dois músicos se encontram. Bowie toca a porta de Crosby e depois o insulta perguntando se ele é o novo mordomo! A ideia de Bowie de ‘caras mais velhos’ na época era John Lennon e Harry Nilsson. O papo entre os dois é tão leve e bem-humorado quanto possível. Imagine alguém como Paul Anka tentando ter uma conversa com Marilyn Manson, e você verá o que quero dizer”. O “personagem” de Bowie estava na verdade andando por ali e tinha passado na casa do vizinho para tocar piano.

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Outra coisa meio bizarra que aconteceu na ocasião: Bowie entrou na gravação “vestido de Bowie”, com maquiagem, casaco de pele e cabelo vermelho, ao lado da esposa Angie. Nathaniel, filho de Crosby, era fã de Bowie, e lembra que apesar das exigências do participante, a gravação quase não aconteceu, e que alguém da produção pediu para David maneirar no visual. Mary, filha de Crosby, se recorda que Bowie estava nervoso.

Tinha duas coisas acontecendo ali durante a gravação do especial natalino de Crosby. A primeira é que o veterano estava em turnê na Grã-Bretanha e o tema do especial era “comemorar o natal na Inglaterra”, daí a produção achou por bem chamar astros ingleses para abrilhantar o número. A modelo Twiggy e o ator Ron Moody aceitaram sem problemas.

Bowie foi difícil de topar, não gostou de (aliás odiou) Litte drummer boy e perguntou se não havia mais alguma música. Buz Kohan, Larry Grossman e Ian Fraser, responsáveis pela produção musical do programa, acrescentaram Peace on Earth num medley, e o cantor topou. Bowie cantou também seu sucesso da vez, Heroes, e Crosby disse que o “garoto” foi um “excelente trunfo” para a atração.

A segunda coisa que rolava ali (e que foi percebida neste artigo aqui) é que Bowie estava passando por uma metamorfose altamente necessária na carreira. Ele estava vivendo em Berlim e abandonara as drogas, após um período tão complicado de vício em cocaína, que ele mal se lembrava das gravações do disco Station to station (1976). Teve também aquela época em que Bowie andou envolvido com alguma coisa que lembrava fascismo e nazismo: foi visto fazendo algo parecido com uma saudação nazista para uma multidão em Londres, mas anos depois negou tivesse feito isso.

Seja lá o que tenha acontecido ali, ou quão cagada fosse toda aquela experiência, era bem interessante para Bowie aparecer num programa de TV “dedicado à família” (como os especiais anuais de Roberto Carlos e o sofá da Hebe Camargo). Com isso, ele poderia fugir da barca furada da associação às drogas e ao fascismo. Também mostraria que seu som podia ser ouvido por outros tipos de público. O que David Bowie não esperava era que o dueto dele com Crosby chegasse… à era da MTV.

Isso aconteceu porque no natal de 1981, ano de lançamento do canal, a emissora começou a tocar direto o dueto. Tocou tanto que animou a RCA, gravadora do cantor, e com a qual ele já estava tendo um relacionamento meio ruim, a relançar a música num single, tendo Fantastic voyage (do disco The lodger, de 1979) no lado B. No livro The complete David Bowie, Nicholas Pegg afirma que isso aí foi a razão de Bowie sair da RCA, após o relacionamento com a gravadora azedar de vez, já que ele não gostava da gravação. Muito tempo depois, em 1995, a Kodak lançou uma fitinha K7 de brinde de Natal, e uma das músicas era o fonograma de Little drummer boy, com Bowie e Crosby, que a empresa havia conseguido licenciar.

Uma outra situação inesperada era que, naquele mesmo ano de 1977, em agosto, Bowie tinha ido participar do programa que Marc Bolan apresentava na TV. E no dia 16 de setembro, pouco depois da gravação, o líder do T. Rex morreu de acidente de automóvel.

E em janeiro de 1978, a revista britânica Zig Zag foi lá bater um papo com Bowie. O jornalista John Tobler lustrou a cara de pau e perguntou ao cantor se ele não via nada de sinistro no fato de ter participado de dois programas cujos apresentadores morreram, em sequência. “Você realmente quer que eu … o que eu digo?”, disse o cantor, antes de negar que visse algo de sinistro e de revelar que estava trabalhando com uma banda nova chamada Devo – que ele produziria.

E segue aí o especial inteiro de Crosby. Feliz natal!

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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