Já ouviu falar do Dadabots? Se você já está pensando “que grupo é esse que eu nunca ouvi antes?”, calma. Apesar de eles terem lançado um CD de black metal chamado Coditany of timeless, não se trata de uma banda. É uma plataforma para artistas artificiais que, por meio do método de “deep learning”, compôs as cinco faixas do álbum. Olha aí o disco do, er, grupo para você ouvir.

E como foram feitas as faixas? A plataforma pegou as músicas de uma banda de verdade, Krallice, lançadas no disco Diotima, de 2011. Tudo foi quebrado em 3.200 pedaços de oito segundos, que serviram para alimentar a rede neural artificial. Trata-se de um sistema de algoritmos que faz simulação da rotina dos neurônios humanos, e estabelece redes de conexões que respondem a estímulos externos e internos. Nisso, a máquina utilizou um processo matemático conhecido como Cadeia de Markov para prever a próxima nota musical baseando-se apenas na atual. Resumindo, como diz o The Outline, o tal algoritmo é burro musicalmente o suficiente para não conseguir sequer ganhar uma resenha negativa na Pitchfork, mas é inteligente o suficiente para capturar a estética do som.

Tá aí o disco que foi a fonte do Dadabots nesse projeto.

Já isso aqui é um disco chamado Deep the Beatles, que mexe e subverte com tudo na obra dos quatro de Liverpool. É como se um ser humano estivesse mexendo num dial de rádio e tentando achar os sons do grupo. É outro disco, er, curioso do Dadabots.

Isso aí é o que CJ Carr, um dos criadores do algoritmo, classifica como “revolução de aprendizagem profunda na arte”, na tal matéria da The Outline. Ele diz que no começo, os sons produzidos eram “muito barulhentos, grotescos e texturizados”, mas que fazendo suposições sonoras aos borbotões – foram cinco milhões ao longo de três dias – o som começou a se parecer mais com uma banda de black metal comum.