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Courtney Barnett põe disco novo na agulha. E Gelli Haha dá uma de Katy Perry no LSD em single novo.

Courtney Barnett está (você já deve ter visto) de volta. Nesta sexta sai seu quarto disco de estúdio, Creature of habit, que já foi adiantado por alguns singles – entre eles, Mantis, inspirado pela visita de um louva-a-deus que apareceu no batente da porta da sua cozinha.
O último single antes do álbum, One thing at a time, saiu nesta terça (24). A letra fala sobre aquela sensação de ter vários pensamentos chegando na mente de uma só vez, além de vários padrões pessoais de pensamento e atitude (antigos e novos) duelando para sair na frente. Um tema bem próprio de Courtney, que aliás volta no single novo fazendo rock introspectivo e suingado, lembrando um Red Hot Chili Peppers triste – e não por acaso, Flea, baixista do RHCP, toca na faixa.
One thing também ganhou um clipe bacana, dirigido por Lance Bangs, em que Courtney (vista aí em cima em foto de Lindsey Byrnes) toca guitarra e canta em meio a um convescote caótico, e depois sai dirigindo por uma estrada, para conseguir um lugar isolado para tocar.
Creature, aliás, vai sair pelo selo Mom+Pop e vai ser o primeiro lançamento dela depois de fechar as portas de sua gravadora, Milk! Records. Em 2023, num papo com o jornal The Guardian, Courtney Barnett recordou a história da gravadora, que partiu de um negócio totalmente “faça você mesmo” e tornou-se uma das empresas de música mais legais da Austrália, movimentando uma comunidade de músicos.
A gravadora sobrevivia com dificuldades e levou uma calça arriada séria com a pandemia – como aliás todo o mercado, mas no caso de um selo indie, o arraso nas contas foi inevitável. “Um ano atrás ou talvez até seis meses atrás, pensar em fechar o selo teria sido tão impossível e tão difícil e eu teria resistido. Um dia eu literalmente acordei e minha mente havia mudado”, disse ao jornal em 2023.
Ela também afirmou que foi duro anunciar o fim aos artistas contratados da gravadora, mas que a conversa foi gentil. “Mas acho que quase todo mundo dizia: ‘Eu entendo totalmente… nem sei como vocês conseguem’”, disse.
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E adivinha quem também tá de volta na praça? Gelli Haha, autora de um dos discos mais bacanas do ano passado, Switcheroo, acaba de lançar um single novo, Klouds will carry me to sleep – primeiro lançamento dela desde o álbum, com direito a clipe dirigido por David Gutel.
O vídeo é repleto de glitches e de uma alegria psicodélico-circense que lembra a Katy Perry do álbum Teenage dream (2010), só que depois de uns cinco LSD. Se você duvida, olha aí Gelli pilotando uma nuvem e parando no posto do céu para abastecer a caranga voadora.
Até o momento, não se sabe se Gelli vai lançar um álbum novo ainda em 2026 – mas em compensação, ela está em turnê pela América do Norte. Confira as datas no Instagram dela. E pelo que dá pra perceber na música nova, a cantora norte-americana Angel Abaya (nome verdadeiro de Gelli, que ela chegou a usar quando iniciou carreira como cantora folk, há alguns anos) acaba de descobrir a fórmula do pop perturbador e criativo que ela vinha desenvolvendo desde a estreia com Switcheroo.
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Pulp em plena atividade: single com duas inéditas e letras cheias de safadeza

O Pulp vem pra América do Sul em junho – há datas na Colômbia, Chile e Argentina e, por enquanto, nada no Brasil. Quem tiver grana para encarar viagem, hospedagem e ingressos (tem ainda?) que se prepare, porque a turnê Here comes more, que divulga o álbum More (resenhamos o disco aqui) tem sido bastante elogiada.
De qualquer jeito, pelo menos a banda está num pico de produção bem interessante: além de More, e da faixa Begging for change, que saiu na coletânea HELP(2), acaba de sair um single de 12 polegadas com três faixas. A principal música do lançamento já é conhecida: a banda releu The man comes around, de Johnny Cash, em novembro, e ela puxa o disquinho agora.
A versão tinha sido feita para a trilha da série de true crime The hack, que detalhava o escândalo dos grampos telefônicos do jornal News Of The World – rolou em 2011, quando a empresa que publicava o periódico foi acusada de escuta ilegal, tráfico de influência, subornos, etc.
Na voz de Jarvis Cocker, cantor do Pulp (e colega de iniciais de Johnny Cash), The man se tornou uma canção bem dramática, que faz direto lembrar ninguém menos que Leonard Cohen. E o espírito do autor de Haleluia paira sobre as outras duas faixas do single, gravadas nas sessões de More. São elas Marrying for love e Cold call on the hot line.
Os lados B do Pulp, quem conhece sabe, sempre foram fonte de muita alegria para os admiradores do grupo. Nas duas faixas, Jarvis encarna, além de um filho espiritual de Cohen, uma espécie de Bryan Ferry do século 21, com vocal cafajeste e majoritariamente falado, e uma musicalidade perto do pop cafona – Cold call chega a lembrar Não quero ver você triste, de Roberto Carlos.
Detalhe: se a primeira letra dispara versos que falam coisas como “armagedom adiado, paraíso reconquistado, dez mil saxofones tomam as ruas” e ainda fala sobre “renascimento erótico”, a segunda é uma canção bem louca (e igualmente declamada) sobre um maluco que tenta transformar uma chamada de vendas (cold call) em sexo por telefone. Politicamente incorreto ao extremo, mas Serge Gainsbourg adoraria.
Foto: Tom Jackson / Divulgação
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Segundo Ed O’Brien (Radiohead), tem disco solo de Thom Yorke vindo aí

Depois que começou dar várias entrevistas para anunciar o álbum solo Blue morpho, que lança em breve, Ed O’Brien, guitarrista do Radiohead, não apenas anda falando pelos cotovelos, como também tem entregado as novidades da banda. Virou quase um serviço público: sempre que aparece, O’Brien solta alguma notícia. Na mais recente, deu um spoiler que interessa direto aos fãs: Thom Yorke deve lançar um novo disco solo ainda este ano.
Antes (e você já leu sobre isso aqui mesmo no Pop Fantasma), Ed tinha concedido uma entrevista à Rolling Stone, na qual revelou que o Radiohead volta a cair na estrada em 2027. Dessa vez, o tal solo de Thom Yorke foi revelado por ele numa conversa com Kyle Meredith para o podcast Consequence Of Sound. O’Brien disse que o Radiohead funciona como uma “nave-mãe”, já que os integrantes têm seus projetos pessoais – e soltou a info.
“O mais legal é que parece que os dois projetos podem coexistir. O Radiohead pode sair em turnê — e esse é o projeto principal, eu acho, para todos nós. Mas temos esses pequenos satélites. Sabe, tem o Smile, e o Thom tem um álbum solo que vai sair ainda este ano, eu acho. E o Jonny tem os projetos dele, e o Philip (Selway) tem os dele, e o Colin (Greenwood) está tocando com o Nick Cave and the Bad Seeds”, contou.
O disco solo mais recente de Thom, Anima, saiu em 2019. De lá pra cá, ele lançou discos com o The Smile, colaborou com Mark Pritchard no disco Tall tales e ainda assinou a trilha de Confidenza (2024). E, enfim, Ed disse que “eu acho” que o tal solo de Thom sai ainda neste ano. Só vendo.
Foto Thom Yorke: anyonlinyr / Wikimedia Commons
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O que já se sabe sobre “Peaches!”, próximo disco dos Black Keys

Os últimos anos têm sido cruéis para o Black Keys, uma das melhores e mais produtivas bandas recentes. Após o lançamento do ótimo Ohio players (2024), Dan Auerbach e Patrick Carney, vistos ali em cima em foto de Romeo Okwara, tiveram que enfrentar vendagens baixas, uma turnê pouco concorrida, cancelamento de shows, substituição de arenas por lugares menores, rompimento com os empresários. O ano seguinte viu nascer o razoável No Rain, no flowers, justamente na época em que Auerbach cuidava do pai, que tinha sido diagnosticado com câncer de esôfago – e morreria em seguida. Brabeira.
Carney teve uma ideia para, simultaneamente, ajudar o amigo a superar o luto e voltar a criar música: sugeriu que os dois mexessem em suas coleções de discos e tocassem covers. “Eu procurava discos de 45 rotações especificamente para tocar em encontros de colecionadores, mas às vezes encontrava uma música e pensava: ‘Isso seria divertido para mim e para o Pat tocarmos ao vivo'”, disse.
Foi daí que veio Peaches!, disco de regravações previsto para 1º de maio, pela Easy Eye Sound / Parlophone. A banda cuidou da produção e da mixagem e é um álbum em que todas as dez faixas são gravadas ao vivo, sem separação. E aí que quem sentia saudade do estilo “meta-Black Keys” (aquele blues-rock de hipster dos primeiros álbuns) já pode comemorar, porque é exatamente isso que Dan e Patrick são flagrados fazendo nos dois singles que já brotaram do álbum.
No dia 6 de fevereiro saiu o primeiro single, You got to lose, blues composto por Conde Hooker (1930-1970), guitarrista de blues de Chicago – e imortalizado por George Thorogood and The Destroyers. Em 20 de março, saiu o single Where there’s smoke, there’s fire, blues-soul composto e gravado originalmente pelo cantor de funk-soul William Griffin, que foi cantor dos Miracles. Ambas as faixas já ganharam clipes em que a dupla aparece tocando em pubs pequenos, daquele tipo em que tudo acontece ao mesmo tempo: garçons passando, a banda tocando, gente jogando sinuca, brigas na plateia, etc.
Tem um nome que volta a fazer parte das fichas técnicas da banda em Peaches!, que é o irmão de Patrick: Michael Carney fez as capas dos dez primeiros discos dos Black Keys (sim, se você piscou o olho e deu mole, Peaches! é nada mais nada menos que o 14º álbum) e volta para fazer o design da capa nova. A imagem que aparece na capa desenhada por Michael foi clicada pelo fotógrafo estadunidense William Eggleston, tido como um dos descobridores da fotografia colorida como forma de arte. O original da capa de Peaches! é uma foto sem título, tirada por Robert em 1973 (ou em 1971, segundo algumas fontes), mostrando o luminoso gasto (e o teto todo cagado) de um bar em Greenville, perto do Mississippi.
E sim, antes que você pergunte: a arte de Eggleston já surgiu em outras capas de discos. A foto do teto vermelho com uma lâmpada (uma imagem cujo nome é nada mais do que O teto vermelho) que aparece na capa do segundo disco do Big Star, Radio city (1971), é dele também. Alex Chilton, um dos artífices do grupo, estreou solo em 1979 com o disco Like flies in sherbert, que também trazia uma foto dele na capa – com bonecas no capô de um Cadillac.
Mais: a capa de Give out but don’t give up, disco de 1994 do Primal Scream, foi igualmente feita a partir de uma foto dele. E ora ora, Delta kream, disco do Black Keys de 2021, também trazia uma foto de Eggleston na capa (e no mesmo clima da de Peaches!).
Pouco antes do lançamento de Peaches!, vem a estrada. A dupla está se preparando para lançar sua turnê mundial Peaches ‘n kream a partir de 24 de abril, com todos os artistas de abertura escolhidos entre os artistas da gravadora Easy Eye Sound, de Auerbach. Dan, aliás, considera que o novo disco é o mais “natural” da dupla desde a estreia, The big come up, de 2002.
E tá aí a lista de faixas de Peaches!, e a capa do disco.
01. When there’s smoke, there’s fire (Willie Griffin)
02. Stop arguing over me (Paul “Wine” Jones)
03. Who’s been foolin you (Arthur Crudup)
04. It’s a dream (Neil Young)
05. Tomorrow night (Sam Coslow, Wilhelm Grosz)
06. You got to lose (Conde Hooker)
07. Tell me you love me (Frank Zappa)
08. She does it right (Wilko Johnson)
09. Fireman ring the bell (R.L. Burnside)
10. Nobody buy you baby (Junior Kimbrough)







































