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Lançamentos

Blur: viram que, além do álbum novo, tem três músicas novas?

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Ouvimos: Blur, "The ballad of Darren"

Falamos recentemente de The ballad of Darren, novo álbum do Blur, e de como o retorno traz uma banda bastante satisfeita consigo própria e honrando o melhor do brit-pop. E o mesmo continua nas duas músicas novas que o grupo soltou logo depois que o álbum já havia sido ouvido por boa parte dos grandes veículos de música de todo o mundo.

The rabbi e The swan estão, na verdade, na edição deluxe de Darren, mas agora estão no YouTube. A primeira é uma balada com alto potencial de grude, a segunda tem a mesma classe davidbowieófila de várias canções do novo disco. Ouça ambas abaixo.

E tem mais uma música nova do Blur, Sticks and stones, lançada apenas na edição japonesa de Darren, com vocais do guitarrista Graham Coxon (essa o site Popload adiantou, dizendo que também não custa sonhar com o fato do Blur estar vindo fazer shows na América Latina). Sticks soa como uma canção bem mais caseira, quase bedroom rock, inicialmente protagonizada por violões, piano, guitarra slide, bateria simples e muito eco.

Crítica

Ouvimos: Os Fonsecas, “Estranho pra vizinha”

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Ouvimos: Os Fonsecas, "Estranho pra vizinha"
  • Estranho pra vizinha é o álbum de estreia da banda paulista Os Fonsecas, formada por Caio Colasante (guitarra), Felipe Távora (voz), Thalin (bateria) e Valentim Frateschi (baixo).
  • O grupo surgiu em 2019 e lançou o primeiro EP, Fundo de meia, em 2020. Além da banda, os integrantes se dividem em vários outros projetos musicais – Valentim tem uma carreira solo baseada na MPB setentista e Thalin trabalha com hip hop, por exemplo.
  • O selo do grupo é o Seloki Records, definido pela Wire Magazine (na qual eles já foram parar) como uma gravadora “apaixonada por mídia obsoleta, especialmente K7s, e com distanciamento de imagens mercantilizadas de música brasileira”.

Se você quiser uma definição exata pro som da banda Os Fonsecas… Bom, vai ficar querendo. O mais aproximado é dizer que se trata de um pós-punk louco, no melhor dos sentidos, e variado a ponto de se confundir com MPB e psicodelia. Também dá pra dizer que Estranho pra vizinha não vai soar nada estranho para fãs de Mutantes e de Titãs (até 1989), colocando-se com folga naquela estética de rock brasileiro pensado para soar fora dos padrões.

Estranho pra vizinha investe em experimentações rítmicas, letras irônicas (Não peço mais, logo na abertura, já insere o ouvinte no contexto da banda) e influências que vão do punk e do rock sessentista ao jazz. Nessa linha-sem-linha, entram o tom beatle-tropicalista de Olho grego, a quebradeira rítmica e métrica de João e o balanço de Vendaval, logo na primeira metade do álbum.

Fica claro que as diferentes experiências musicais dos integrantes – que vão do hip hop à MPB – dão o tom não apenas das composições como da produção de Estranho pra vizinha, um disco que ainda tem uma pecinha psicodélica cheia de autotune (Pirata), as batidas afropunk de Métrica, o clima de desenho animado de Boca adentro e a MPB pop de Hoje mais cedo, entre outras.

Nota: 8
Gravadora: Seloki Records

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Crítica

Ouvimos: Ugly, “Twice around the sun” (EP)

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Ouvimos: Ugly, "Twice around the sun" (EP)
  • Twice around the sun é o primeiro EP da banda britânica Ugly. O grupo tem Sam Goater (voz, guitarra), Harrison Jones (guitarra), Theo Guttenplan (bateria), Harry Shapiro (baixo), Jasmine Miller-Sauchella (voz, teclados) e Tom Lane (teclados).
  • O grupo se conheceu na faculdade em Cambridge, e já foi um trio e um quarteto antes de assumir a nova formação. O nome Ugly não tem uma razão específica além do fato da banda ter achado que seria legal subir no palco e falar: “Olá, nós somos feios”. Ironicamente, Sam trabalhou como modelo por um bom tempo.
  • Goater cresceu num lar religioso e ouvia muito Simon & Garfunkel, além de música cristã, em casa, com a família. Em 2019 afirmou que se interessava muito por histórias bíblicas, “porque foram uma boa parte da minha infância”.

Não se iluda com a demonstração técnica de floreios vocais que abre o primeiro EP do Ugly. The wheel, a primeira faixa, inicia com várias vozes a cappella voando pelos fones de ouvido. As vozes do Ugly são realmente belas no disco todo, mas início dá uma ideia apenas parcial do que realmente é essa banda de Cambridge, na Inglaterra – e que por sinal teve que acrescentar um UK ao lado do nome, nas plataformas, por causa de um xará metaleiro norte-americano.

Rapidinho, na mesma faixa (que tem mais de sete minutos), entra uma espécie de pesadelo musicado, que serve de ponte para uma das coisas mais progressivas que você vai escutar em 2024. A canção ganha ritmos quebrados, ambientação sonora que lembra uma mescla de hard rock e sons latinizados (mais ou menos como o Yes ou o Focus) etc. Mas tudo parece meio maníaco e variado, mais próximo de uma variação atual das viagens art rock dos anos 1970 – ou uma espécie de prog que fãs de indie rock e até de punk podem ouvir.

Sha, na sequência, parece um soft rock feito de maneira bem independente, quase para não tocar no rádio – ou tocar numa rádio bem alternativa. Icy windy sky lembra algo entre MPB dos anos 1970, Beach Boys e Steeleye Span, com solos de violão e vocais melódicos e fortes, mas prosseguindo com partículas de ruído em momentos escolhidos. Sherpherd’s Carol é o progressivo mais formal do álbum, e lembra um desvio post-rock da mescla com jazz rock dos anos 1970, que pegou bandas como Yes, Genesis e O Terço. Hands of man abre partindo da sombra do rock dos anos 1990, mas vai ganhando outros tons em seguida. I’m happy you’re here, que encerra o disco, tem tantos momentos diferentes, do folk lo-fi ao som mais viajante e puro, que nem me atrevo a colocá-la num rótulo.

Apesar de ser considerado pela banda como um EP, Twice around the sun tem mais de trinta minutos e seis músicas. Mas já daria para ser tido como um álbum inteiro, até pela quantidade de surpresas contidas nele. É o tipo de disco que não cabe em definições fáceis e que precisa ser ouvido várias vezes.

Nota: 9
Gravadora: Independente.

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Crítica

Ouvimos: Kasabian, “Happenings”

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Ouvimos: Kasabian, "Happenings"
  • Happenings é o oitavo disco da banda britânica Kasabian, e o segundo após a saída do vocalista Tom Meighan, condenado por violência doméstica. Hoje a banda é formada por Serge Pizzorno (voz, composições, guitarra, teclados), Chris Edwards (baixo, teclados, vocais), Ian Matthews (bateria) e Tim Carter (guitarra, teclados, vocais).
  • O disco novo foi definido por Pizzorno numa entrevista ao New Musical Express como “um disco pop, de certa forma – é apenas uma grande música após a outra”, diz. “Eu sempre gostei muito de músicas que te viram de cabeça para baixo. Você está em uma boate, consegue ouvir algo acontecendo e uma porta se abre”.

Com raras exceções, os discos do Kasabian sempre me fizeram achar que estava todo mundo ficando maluco. De uma hora pra outra, uma turma enorme tinha passado a gostar de uma banda que mexia em clichês do indie rock, sem acrescentar nada de tão brilhante assim. Há exceções na discografia: o primeiro álbum (epônimo, 2004) tem pérolas das festas indies, como Reason is treason e Club foot. O segundo disco, Empire (2006), deu uma dimensão quase stoner ao rock da Inglaterra na faixa-título e em Shoot the runner. Mas fora isso, havia pouca coisa de parar o trânsito ali, e muitas ideias boas desperdiçadas com soluções fáceis. Os fãs, bastante numerosos, nunca pareceram se importar.

Os números no Spotify do álbum anterior da banda, The alchemist’s euphoria (2022), mostram claramente que rola uma operação salva-Kasabian após os problemas enfrentados pelo grupo (o vocalista Tom Meighan foi saído após declarar-se culpado de agredir sua noiva, o guitarrista e principal compositor Serge Pizzorno decidiu assumir os vocais). A quantidade de reproduções das faixas é diminuta se comparada a de discos anteriores. Já Happenings, o novo disco, ainda não chamou tanto a atenção do público, como dá pra ver na própria plataforma. Mas destaca-se por ser o começo de uma fase nova para o Kasabian, que volta disposto a atirar longe até mesmo o conceito básico de “banda de rock”. E retorna mais inspirado ainda por hip hop, disco, música eletrônica, e toques new rave que aproximam o grupo de novidades como Master Peace.

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O disco abre mergulhado no synth pop em Darkest lullaby. Referências de estilos eletrônicos mais hardcore surgem aqui e ali em faixas como Call e How far you will go. Já Coming back to me good é um indie rock dançante tão bom, que soa mais como o começo de uma banda nova do que como uma tentativa de resgatar um grupo que já tem vários álbuns na discografia. O mesmo não acontece com Italian horror, no mesmo estilo, mas que soa mais como lembrança de grupos como Foster The People e Arctic Monkeys. Já a bacaninha Passengers traz o Kasabian tentando soar como um The Killers mais introspectivo, ou como um Coldplay menos derramado.

Happenings é marcado pela concisão – são músicas curtas e o álbum tem somente 28 minutos. Da mesma forma que discos grandes podem aporrinhar o saco pela falta de edição, um álbum curto precisa de menos pontes e de discurso direto. Com uma barriga a menos e uma coisa ou outra mais bem colocada, o Kasabian teria voltado na medida. Voltaram numa onda de “banda legal” e nada mais do que isso.

Nota: 6,5
Gravadora: Sony

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