Cultura Pop
Agnes Bernelle: cantora de cabaré e musa da contrainformação

Existe um site dedicado à história da alemã expatriada Agnes Bernelle (1923-1999) informando que ela foi “agente secreto do tempo da guerra, lenda do cabaré, extraordinária artista do croché e a mais antiga punk da Irlanda”.
Na real, a história de Agnes Elizabeth Bernauer, que nasceu em Berlim e viveu os últimos anos de sua vida em Dublin, daria vários livros e filmes, todos repletos de aventuras sensacionais. No universo pop recente, muitos fãs de Marc Almond se recordam que ela dividiu vocais com ele numa faixa extra do quarto disco solo do ex-Soft Cell, The stars we are (1988). Os dois soltaram as vozes em Kept boy, que só saiu inicialmente no CD e no K7 do disco. Olha os dois aí dividindo o palco em 1991, justamente em Berlim.
Filha de um judeu húngaro, Agnes teve sua família perseguida e fugiu, inicialmente com o pai (a mãe seguiu depois) em 1936 para o Reino Unido. Na Inglaterra, teve envolvimento profundo com as transmissões de rádio ultrassecretas das Operações Especiais Britânicas, durante a Segunda Guerra.
Como sabia falar bem tanto o inglês quanto o alemão, Agnes usava o codinome “Vicky” para fazer transmissões secretas que, acima de qualquer coisa, serviam para dar informações erradas e baixar o moral das tropas alemãs. Uma história que costuma ser repetida constantemente sobre Agnes é que uma de suas transmissões fez com que o comandante de um submarino se rendesse. Isso porque ela teria inventado a lorota de que a mulher do cara acabara de dar à luz gêmeos.
A fase de radialista não durou muito tempo: em breve ela estaria casada com o dramaturgo londrino Desmond Leslie. Com o tempo, foi achando seu lugar ao sol como atriz de teatro e cantora. Segundo testemunhas, foi a primeira atriz a interpretar Salomé totalmente nua no West End de Londres. Quando o casal se mudou para Glaslough, na Irlanda, Agnes chegou a comandar uma casa noturna e até um negócio ligado a seus trabalhos de croché. Mas logo Agnes estaria separada e se mudaria para Dublin, onde se tornaria uma artista (e uma cidadã) ainda mais ilustre. Comandou o Project Arts Centre na cidade, e em 1977, gravou seu primeiro disco, já como cantora de cabaré, Bernelle on Brecht and…
Com o tempo, Agnes foi descoberta pela galera do punk irlandês – em especial, a banda The Radiators From Space. O líder do grupo, Philip Chevron, produziu sua estreia solo e o segundo disco, Father’s lying dead on the ironing board (1985). Uma mistura de cabaré, punk e tons sombrios a la Nico, que foi eleita pelo New Musical Express como “o disco mais estranho do ano”.
Esse disco, por sinal, teve produção executiva de ninguém menos que… Elvis Costello, que o lançou por um selinho que ele comandou por alguns anos, IMP Records. Olha aí o trio Agnes, Philip e Elvis na capa da bendita NME. O selo de Elvis lançou discos dele próprio, além de álbuns da banda londrina The Men They Couldn’t Hang.

Olha aí Agnes batendo um papo no programa de TV de Terry Wogan na BBC, em 1985. Ela explica o disco, que tem basicamente textos de poetas alemães traduzidos para o inglês por ela durante os anos 1920 e 1930. Elvis aparece no meio do papo, é apresentado como “o produtor do disco” e corrige o apresentador falando sobre Phillip, que o havia convidado para o projeto. “Esse tipo de música não está no mainstream, não é mesmo?”, pergunta Wogan. “Não ainda!”, zoa Agnes.
Agnes morreu em 15 de fevereiro de 1999, após a batalha contra um câncer. Seu funeral foi “um grande evento de rock com apresentações de Gavin Friday, Mary Coughlan e outros; o coro da igreja cantou Mac the knife“, diz o site dela. E em 2014 sua vida e seu trabalho foram redescobertos para um musical. O jornal Irish Times noticiou que o CoisCéim Dance Theatre criou um espetáculo de dança baseado em sua vida, e na redescoberta da “verdadeira” Agnes por trás de suas histórias e de sua versatilidade. Agnes, o musical, ficou em cartaz justamente no Project Arts Centre, que ela comandou em Dublin.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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