Aparentemente, os editores da antiga Playboy nacional dos anos 1980 não chegaram a pensar na ideia de unir marcas ligadas à música ao seu jornalismo. Na falta de Spotify, chegou a ser publicada em alguns números da revista uma seção chamada A fita de Playboy, que mostrava as novidades musicais (além de algumas velharias) do comecinho dos anos 1980. Mas sem merchan de nenhuma fabricante de fitas K7 virgens.

A Fita de Playboy: quando não tinha Spotify

O capricho era tanto que tinha até uma capinha para você recortar – estragando sua revista, obviamente – e usar na fitinha.

A Fita de Playboy: quando não tinha Spotify
Para curtir numa boa

A fitinha em questão é a da edição de abril de 1982 (Carla Camurati na capa). Apesar de boa parte dos primeiros punks ter tido seus discos lançados aqui até aquela época, e de a pleiboizada estar ouvindo The Police direto, não espere nada muito pesado na seleção musical. O reggae também tinha espaço em discotecas mais descoladas, mas nada de Bob Marley ou Peter Tosh – que já tinham vindo ao Brasil por aqueles tempos. A ideia da fitinha era formar “um fundo musical exclusivo” ou “mandar um recado direto para o coração da garota que conheceu no sábado à noite”, diz o texto. “Uma fita otimista, gostosa, com bons momentos de swing e alguns outros mais close to heart”.

Close to heart

Não dava nem para incluir um Led Zeppelin? Não. O repertório era bem mais tranquilo, incluindo formações folk pop como os Street Boys, o jazz fusion dos Crusaders e do Manhattan Transfer. Ou o som de Livingston Taylor, brother mais novo de James Taylor, que teve alguns hits naquele período. De rock, tinha o som mais acessível de Jim Capaldi, Rolling Stones e Crosby, Stills & Nash, além do progressivo dos Moody Blues.