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“‘Tension’ me ajudou a enfrentar tempos difíceis”, diz Kylie Minogue sobre próximo disco

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"'Tension' me ajudou a enfrentar tempos difíceis", diz Kylie Minogue sobre próximo disco

Existiu um “padam padam” (que se você não sabe, é uma onomatopeia para coração batendo, como o “tum tum” aqui no Brasil) bem antes da canção nova da Kylie Minogue. A música (uma valsa!) foi lançada originalmente em 1951 por Edith Piaf, foi composta pela dupla Henri Contet (letras) e Norbert Glanzberg (música) especialmente para ela, e fala sobre uma pessoa que se recorda de um ex-amante por causa de uma música. Tem versos como “essa música que me obceca dia e noite/essa música não nasceu hoje/ela vem de tão longe quanto eu venho/arrastada por cem mil músicos”, tudo em francês.

A de Kylie já é um pouco mais safadinha, com versos como “este lugar está lotado/acho que é hora de você me levar para fora deste clube/e não precisamos usar nossas palavras/quero ver o que está por baixo dessa camiseta”. E anuncia Tension, disco marcado para sair no dia 22 de setembro. Kylie havia lançado um álbum voltado para recordações da disco music, Disco, em 2020, e afirmou que o disco seguinte talvez fosse voltado para uma onda electropop. “Não estou confirmando, mas é isso que está em ebulição no momento”, contou num papo com a BBC Radio 1.

A cantora chegou a afirmar à Rolling Stone em maio que o disco começou sem uma ideia fixa. “Só tinha uma mente aberta e uma página em branco”, contou, deixando claro que não havia um tema, ao contrário dos dois últimos discos. “Eu queria celebrar a individualidade de cada música e mergulhar nessa liberdade. Eu diria que é uma mistura de reflexão pessoal e euforia melancólica”, afirmou. Biff Stannard e Duck Blackwell, que colaboram com ela já há algum tempo, estão em sete das onze faixas. Mas a cantora garante que muita coisa foi feita remotamente. “Meu estúdio móvel nunca saiu do meu lado por um ano e meio”, disse.

“O álbum é uma mistura de músicas que escrevi e músicas que realmente falaram comigo. Fazer este álbum me ajudou a enfrentar tempos difíceis e celebrar o agora. Espero que acompanhe os ouvintes em suas próprias jornadas e se torne parte de sua história”, completou. O disco, o décimo-sexto de Kylie, sai pela BMG e por sua própria gravadora, Darenote, e tem produção de Duck Blackwell, Jackson Foote, Lostboy (em Padam padam), Oliver Heldens e Biff Stannard.

Muita gente escutou Padam padam pela primeira vez quando a canção foi apresentada durante o final da 21ª temporada do programa American Idol em um medley com Can’t get you out of my head. Pela lista de músicas já apresentada para Tension, ela será a faixa de abertura. Confira a lista abaixo.

Padam padam
Hold on to you
Things we do for love
Tension
One more time
You still get me high
Hands
Green light
Vegas high

10 out of 10 (com Oliver Heldens)
Story
Love train (edição deluxe)
Just imagine (edição deluxe)
Somebody to love (edição deluxe)

Crítica

Ouvimos: Douglas Germano – “Branco”

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Em Branco, Douglas Germano mistura samba, Nordeste e experimentação para cutucar a elite: disco político, inventivo e feito para provocar.

RESENHA: Em Branco, Douglas Germano mistura samba, Nordeste e experimentação para cutucar a elite: disco político, inventivo e feito para provocar.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de setembro de 2025

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“A Zelite não gosta de forró/ A Zelite no samba, que caô”, diz Zelite, samba nordestino do novo disco do paulista Douglas Germano, Branco. A elite (que surge na faixa como trocadilho) fecha os olhos para estilos como o piseiro e para as renovações da música nordestina – mas cai dentro do que pode ser considerado cult, do que tem passe livre. A mesma elite que…

Bom, milhares de eventos poderiam ser citados aqui, mas vale dizer que Branco, novo disco de Douglas, é tudo ao mesmo tempo: experimentação, samba, nordeste, dedo na cara, verdades nada secretas. Douglas disse (num papo com ninguém menos que Tárik de Souza) ter feito tudo sozinho no estúdio, com alguns convidados e parceiros (Luiz Antonio Simas, Roberto Didio e Alfredo Del Penho entre eles), e que decidiu usar instrumentos de percussão onde eles necessariamente não seriam usados.

Com um clima sonoro que soa primo simultaneamente de Tom Zé e João Bosco, Douglas abre Branco com Na ronda, samba de umbanda com sons rangendo em meio aos acordes, ruídos que lembram algo trilhado no aço. Zelite, além de desmascarar pessoas, cria imagens (“surfista de trem faz vagão virar mar”), enquanto a ágil Tudo é samba, com Loretta Colucci nos vocais, lembra algo feito para Elis Regina. Ramo tem orações e diálogos entre o narrador e uma rezadeira, e a percussiva Ruge leão, troveja Xangô ganha ares de samba-enredo. Uma das faixas que mais ganharam beleza com o coral de dez integrantes que surge no disco.

Mais climas nordestinos surgem em Ode do pode ou não pode, 19 de março e nas evocações de Lenine na melodia e no arranjo de Xaxará. Bala perdida é um samba sombrio, comparando traçantes a luzes na escuridão, enquanto Desbancando Gordon Banks é um samba agitado, cuja letra visita vários mundos ao mesmo tempo. Uma surpresa é Branco, ijexá tocado no piano – cuja mixagem destaca o instrumento como condutor das melodias.

E já que as plataformas digitais não dão ficha técnica, não tem problema: Branco é encerrado com Branco áudio encarte, trazendo todos os créditos do disco em meio a violão e percussão. O fim de um disco feito para cutucar consciências.

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Crítica

Ouvimos: These New South Whales – “Godspeed”

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Godspeed mostra os australianos do These New South Whales fazendo um caldeirão de punk: pós-punk, Ramones e anos 1990, som instintivo, cheio de referências.

RESENHA: Godspeed mostra os australianos do These New South Whales fazendo um caldeirão de punk: pós-punk, Ramones e anos 1990, som instintivo, cheio de referências.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 28 de novembro de 2025

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Vindo da Austrália, o These New South Whales faz parte de uma geração mais recente do punk – na qual entram também grupos como Home Front e Spiritual Cramp. No caso deles, que lançam agora o quarto álbum, Godspeed, o resultado está mais para um cozidão bem feito e bem atualizado de referências. Ainda que até faça falta a procura de uma onda mais inovadora (território, por sinal, do Home Front), é um som mais instintivo – por sinal, Instinct, segunda faixa de Godspeed, tem guitarra estiligando e sonoridade que une Iggy Pop e Ramones.

A romântica Miss her varia entre pós-punk e Buzzcocks + Ramones. Big machine (a melhor do disco e a que tem mais cara de hit) e R.I.P. me aludem à nova leva de bandas pós-punk. Músicas como a faixa-título e Ecstasy aludem ao rock dos anos 1990, unindo punk, grunge e evocações de Pixies e Therapy?, enquanto a ágil Birdbrain alude a T.S.O.L. e a New Model Army.

Uma curiosidade em Godspeed é Nobody listens, uma espécie de punk sofisticado levado adiante por piano, voz e cordas, e que faz lembrar Changes, hit do Black Sabbath. Já as letras do álbum seguem o mesmo esquema de apelo aos instintos, recomendando mandar um foda-se para as expectativas alheias (Be what U wanna be e justamente Instinct), afastar FDPs de plantão (R.I.P me e a faixa-título) e coisas do tipo. O fato de unir referências e fases do estilo faz o TNSW soar às vezes como uma colcha de retalhos punk – mas os acertos são maiores.

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Crítica

Ouvimos: Jubba – “Caminhos tortos” (EP)

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Jubba estreia com o EP Caminhos tortos, lo-fi e shoegaze à la Mac deMarco e DIIV, transformando inquietações em canções deprês e sensíveis.

RESENHA: Jubba estreia com o EP Caminhos tortos, lo-fi e shoegaze à la Mac deMarco e DIIV, transformando inquietações em canções deprês e sensíveis.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Slowrecords
Lançamento: 28 de novembro de 2025

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Inspirado em nomes como Mac deMarco e nos cenários lo-fi e shoegaze dos anos 2010 – e volta e meia lembrando a música de bandas como DIIV – Jubba estreia no EP Caminhos tortos pondo música e barulho em deprês, inquietações e altos e baixos pessoais.

O conceito do disco é basicamente a busca de caminhos pessoais, ainda que de forma totalmente distante dos padrões. Tanto que a abertura é com os ruídos e o beat eletronico leve de Ode aos esquisitinhos, música de versos como “eles esperam que eu caia / que eu fique na merda pra sempre” e “não vou mais fingir quem sou”. Climas deprês e vibes da “vida de artista” surgem em Empregos reais, balada de guitarra e de percussão eletrônica, que acaba ficando próxima do pós-punk e do eletrorock, com direito a citação de Teatro dos vampiros, da Legião Urbana.

Há algo de Legião também em Flores no meu quarto, música com beat eletrônico seco, que depois vira algo quase ambient, com guitarras e teclados – quase na cola do final de Fábrica, penúltima música do segundo álbum do grupo, Dois (1986) – e cuja letra fala sobre beleza na amargura e no isolamento. Sensível ganha ares de trip hop, com direito a uma segunda parte bem mais hipnótica. Climas herdados do hip hop lo-fi surgem nos efeitos sonoros de A sensação. No final, a triste balada experimental Eu não sei dizer adeus propõe seguir em frente.

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