Cultura Pop
Albert Pla: Lou Reed em espanhol

Nascido em Barcelona, o roqueiro espanhol Albert Pla pode ser visto como uma daquelas pessoas que não têm medo de pegar em fios de alta tensão. Ou como um artista sem noção, mesmo. Já compôs músicas como La colilla (algo como “a bituca”) cuja letra fala de um cigarro que caiu no chão, e que põs fogo em todos os Estados Unidos. Teve também La dejo o no la dejo, sobre um rapaz que está em dúvidas sobre ficar com a namorada ou denunciá-la por terrorismo (!).
Em vários momentos de sua carreira, Albert Pla lançou canções de humor bastante duvidoso – por causa de canções como Joaquín el necio, Pla foi chamado de racista, sexista e vários outros nomes que derrubariam carreiras em poucos minutos. Em certa ocasião, colocou-se do lado do movimento pela independência da Catalunha e declarou que sempre havia tido “nojo de ser espanhol”. Por causa disso, viu espaços para shows rarearem depois de certo momento.
Pla iniciou a carreira no fim dos anos 1980 (grava desde 1989) e imediatamente começou a fazer muito sucesso na Catalunha – aliás, parte de seu repertório é cantado justamente em catalão. Isso fez com que seu som fosse imediatamente identificado com o rock feito por lá, que era bastante politizado e quase sempre voltado para promover a região e o idioma local. Se ele já provocava polêmica como cantor, imagina quando decidiu ser escritor. Albert escreveu livros como Espanha de merda, satirizando o país, os anos de ditadura da Espanha e a maneira como a cultura é tratada por lá. Aliás, nem os movimentos de independência de regiões do país saem impunes do livro.
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Mas esse longo introito é só para lembrar daquela vez que… Albert Pla gravou Lou Reed em espanhol. Sim, ele fez uma versão (bem fiel às histórias do original) de Walk on the wild side. A releitura de Pla se chama El lado mas bestia de la vida. No clipe, Albert, com um corte de cabelo irregular de fazer inveja ao Joey Belladonna (vocalista do Anthrax) tenta interpretar os versos mostrando vários objetos para a câmera.
A versão de Pla foi single do disco Supone fonollosa, de 1995. E era uma exceção, já que o repertório do álbum era tomado por canções feitas em cima de textos do poeta barcelonês José María Fonollosa (1922-1991). E como tudo na vida de Pla, não poderia deixar de rolar um drama. Supone foi gravado e lançado quando a gravadora de Albert, a BMG, mandou engavetar o disco Veintegenarios en Alburquerque. Como o disco tinha a tal música La dejo o no la dejo, a empresa entendeu a canção como “apologia ao terrorismo” e ficou com medo de represálias. Veintegenarios saiu só dois anos depois, numa edição meio bizarra que incluía até palmas para dar falsa impressão de “ao vivo”.
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Em 27 de outubro de 2013, Lou Reed morreu. Lá se foi o diário catalão Ara Balears procurar Pla para bater um papo com ele sobre a importância do roqueiro, e sobre a versão lançada alguns anos antes. Aliás, para começar, a maneira como a música foi gravada pelo roqueiro catalão é bem sui generis. Os empresários dele tentaram por um tempinho falar com o agente de Lou Reed sem sucesso. Até que descobriram o telefone da casa de Lou, falaram direto com ele e, para a surpresa de todo mundo, o ex-Velvet Underground liberou a regravação sem problemas.
Pla disse que talvez tenha feito a versão da música de Lou porque seus músicos já haviam feito o arranjo secretamente “e me forçaram”. Mas revelou que era fã do Velvet e de Lou desde a adolescência. “Beatles ou The Rolling Stones? Eu responderia: The Velvet Underground. Eu era um adolescente, ouvia Candy says, Femme fatale, Pale blue eyes. Significava que eu poderia cagar em deus sem gritar”, praguejou.
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Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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