Em 1969, o Supertramp era uma banda nova da onda do rock progressivo, que tinha quatro integrantes (Roger Hodgson no baixo e vocais, Rick Davies nos teclados, Richard Palmer na guitarra e Keith Baker na bateria), um futuro mais ou menos incerto e um catatau de dinheiro, vindo do financiamento de um milionário holandês chamado Stanley ‘Sam’ August Miesegaes.

Vídeo raro do Supertramp em 1970 tocando "All along the watchtower"

Os dois álbuns dessa fase, “Supertramp” (1970) e “Indelibly stamped” (1971), ambos gravados já com mudanças na formação, não são unanimidade nem entre os fãs mais roxos – no caso do segundo, Hodgson chegou a afirmar que o disco foi feito apenas para que a banda sobrevivesse. “Não havia nem sequer um tema a ser trabalhado nele”, contou. Era uma banda bem diferente daquele grupo que fez muito sucesso entre 1974 e 1985. E esse filme raríssimo aqui mostra bem isso: o Supertramp em 1970, tocando uma releitura de “All along the watchtower”, de Bob Dylan (bem na cola da versão hard-psicodélica de Jimi Hendrix) para uma plateia aparentemente meio aleatória, no PN Club, em Munique. O som lembra aquelas versões turbinadas de músicas dos Beatles e de Paul Simon que o Yes fazia no começo da carreira.

Vídeo raro do Supertramp em 1970 tocando "All along the watchtower"

O filme em questão se chamou “Supertramp Portrait 1970” e foi uma das criações do grupo e de Miesegaes para mostrar o trabalho do Supertramp para um público maior – e não era uma ideia absurda, já que muitos artistas da época investiam em filmetes ou até longas, para serem exibidos antes da atração principal ou em pequenas salas e alavancar as vendas de discos e shows. Na época o grupo tinha vindo de uma série de ensaios, estava fazendo ume temporada no tal PN Club e passou um tempo usando o nome de Daddy, até decidir por Supertramp. O diretor do filminho foi o alemão Haro Senft.