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Urgente!: E vai ter Shakira em Copacabana de graça em maio

E acabou o mistério, mantido em banho-maria pela Prefeitura do Rio desde o ano passado: Shakira será a atração da edição 2026 do evento Todo Mundo no Rio, marcado para o dia 2 de maio, na Praia de Copacabana. O papo começou na coluna do jornalista Lauro Garcia no jornal O Globo, e foi confirmado depois pelo próprio prefeito do Rio, Eduardo Paes, que já até postou um vídeo da cantora.
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A informação começou a circular ainda nos bastidores, com direito a apostas em U2, AC/DC, Justin Bieber e Britney Spears. Já tem gente bostejando por aí, dizendo que a escolha por Shakira deve ter rolado como um “efeito Bad Bunny”, que provocou mais interesse ainda pela música latina, ou algo assim. Nada a ver porque a negociação para esse tipo de show começa bem antes dos contratos serem assinados (inclusive um passarinho nos contou que a demora para assinar aconteceu porque ela estava com medo de seu novo show não ficar pronto a tempo, e que ela já havia dado um “sim”, mas tinha desistido – e foi convencida a assinar).
Por sinal, teve um “antes”: um vídeo dela já havia aparecido no comecinho do ano no Xwitter de Eduardo Paes, com a frase: “Será? Eu não sei de nada!”. Rolou também um suposto show dela no Todo Mundo no Rio postado na agenda da plataforma de música Deezer e num site de turnês, marcado para o dia 9 de maio. Só serviu para animar os fãs: a apresentação foi deletada logo depois e, de qualquer jeito, não era uma confirmação “oficial”.
Será? Eu não sei de nada! pic.twitter.com/NX1cv8rYWl
— Eduardo Paes (@eduardopaes) January 7, 2026
A escolha final foi bem mais lógica do que parecia. Depois de Madonna em 2024 e Lady Gaga em 2025, a sequência imaginável seria mesmo a de um/uma artista que mistura apelo pop global com identificação local. Shakira já esteve aqui várias vezes e, numa dessas ocasiões, até comeu bolo no antigo programa da Ana Maria Braga na Rede Record, ao lado do boxeador Maguila, da apresentadora Palmirinha e mais uma turma de convidados (você já viu isso até no Pop Fantasma).
Além disso, a cantora está super em alta: na semana passada entrou para o Guinness como a artista latina com turnê de maior bilheteria da história. E nem vamos falar que é ano de Copa do Mundo e geral lembra do tema da copa de 2010 na África do Sul, Waka waka (This time for Africa), que ela cantava.
O show deve começar por volta das 21h45 e será gratuito, novamente na orla de Copacabana. A expectativa interna é repetir a escala das últimas edições: público na casa do milhão espalhado pela praia, hotéis lotados e a cidade funcionando como cenário de transmissão mundial, algo que a prefeitura vem tratando praticamente como política cultural e turística ao mesmo tempo.
A produção vai ficar mais uma vez nas mãos da Bonus Track, empresa de Luiz Oscar Niemeyer, responsável por operacionalizar esses megaeventos internacionais no país. O Todo Mundo no Rio, aliás, já se consolidou como um dos maiores shows gratuitos do planeta – não exatamente um festival, nem só um show isolado, mas um tipo novo de vitrine global da cidade.
Foto: André Arranz / Wikimedia Commons
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Urgente!: Noel Gallagher em estúdio – o que será que vem aí?

Noel Gallagher voltou ao estúdio – e isso, por si só, já basta pra colocar metade da imprensa musical britânica em alerta permanente. A confirmação veio num bate-papo na rádio Talk Sport, dada poucos dias depois do anúncio de que ele será homenageado como Compositor do Ano no BRIT Awards 2026, que acontece em 28 de fevereiro. O músico não abriu a boca desde a volta do Oasis, mas volta e meia está no canal fazendo algumas participações e soltou essa.
O guitarrista não disse exatamente o que está gravando. Pode ser material novo do High Flying Birds, pode ser algo ligado ao Oasis, pode até ser só Noel mexendo em ideias enquanto espera a próxima turnê. Como sempre, a informação é mínima e a especulação é máxima.
A homenagem no BRITs também não passou sem ruído: o próprio Noel afirmou que não escreve músicas novas há cerca de dois anos (em 2024 ele ganhou crédito em três canções do disco Ohio Players, do Black Keys, e só). Ele respondeu com o humor típico – meio blasé, meio sincero – dizendo que também não entende muito bem como ganhou, mas aceitou. O argumento oficial passa pelo catálogo: só no último ano, suas músicas venderam cerca de um milhão de cópias, e o Brit Awards é dado a artistas de sucesso comercial.
“Nem levantei do sofá pra vender tanto e não sei se tem outro compositor capaz de falar a mesma coisa”, contou, aproveitando para convidar para uma conversa os compositores que estão insatisfeitos com o fato de ele ter ganhado o prêmio. “A gente resolve isso no meio do tapete vermelho. Se algumas dessas equipes ‘mela cueca’ de composição, todos os 11 membros da equipe, quiserem compor uma música em conjunto, quiser resolver no tapete vermelho, estou lá”.
O pano de fundo é óbvio. Desde a reunião do Oasis para a turnê Live ’25, qualquer movimento dos irmãos Gallagher vira automaticamente pista de possível material inédito. O empresário Alec McKinlay já tratou de esfriar as expectativas em outras ocasiões, mas Liam segue dizendo que o destino do grupo depende apenas dos dois. Só vendo.
Foto: Freschwill / Flickr
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Urgente!: Anna Calvi convoca Iggy Pop e Laurie Anderson para novo EP, e já solta single

Anna Calvi apareceu discretamente no ano passado ao lado de Perfume Genius, numa releitura bem legal de I see a darkness, de Bonnie “Prince” Billy, que gerou até um clipe. Aquilo, ao que parece, não era um gesto isolado: a faixa acaba de ser confirmada como parte de Is this all there is?, EP novo que chega cercado de convidados-estrela.
Além da música com Perfume Genius, o trabalho junta Anna Calvi a Iggy Pop, Matt Berninger (The National) e Laurie Anderson. O primeiro encontro a ver a luz do dia é God’s lonely man, gravada com o padrinho do punk, já liberada nas plataformas. A música soa como a união exata de glam rock e punk, e lembra o som do próprio Iggy. E God’s também ganhou um clipe dirigido por Luigi Calabrese e Dominic Easter – em que só ela e Iggy contracenam, numa performance bem intensa.
“Iggy é disruptivo, cru e honesto, uma força singular. Sua presença foi perfeita para a narrativa desta música”, diz Anna, que ainda levou a rainha da experimentação musical Laurie Anderson para reler um hit do Kraftwerk, Computer love (1981), numa versão que – chute nosso – não deve ter nada de reverente.
Is there all there is? é o primeiro volume de uma trilogia de discos que tratam a identidade como algo em mutação constante, e sempre afetado pela experiência da paixão. Anna afirma que o disco foi bastante inspirado no fato de ela ter se tornado mãe, e que perguntas do tipo “como resgatar a intimidade?, “o que significa se sentir verdadeiramente desperto?” estão nas quatro faixas.
“Ter um filho foi tão transformador que me fez considerar a possibilidade de que tudo na vida possa mudar, e isso é assustador, mas incrivelmente libertador. Eu não queria mais dar nada como garantido. Quero existir da melhor maneira possível para o meu filho. Eu queria fazer a pergunta humana mais básica: é só isso que existe?”, disse no texto de lançamento.
Is there all there is? sai no dia 20 de março pela Domino, e a capinha do disco, você conferiu ali em cima. A lista de faixas e os clipes de God’s lonely man e I see a darkness seguem aí embaixo.
God’s lonely man (Part. Iggy Pop)
I see a darkness (Part. Perfume Genius)
Computer love (Part. Laurie Anderson)
Is there all there is? (Part. Matt Berninger)
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Urgente!: Bad Bunny, política, memória, identidade e denúncia no Super Bowl

O que rolou com Bad Bunny ontem no Super Bowl já estava mais do que previsto em Debí tirar más fotos, seu álbum mais recente. Quando resenhei o disco, afirmei que se trata, antes de tudo, de um disco movido a memórias: de amores antigos, de crescer em Porto Rico, de Nova York ser o ponto de encontro de todos os latinos nos Estados Unidos (o hit Nuevayol trata exatamente disso).
Também é um disco de apagamentos e explorações: Lo que le pasó a Hawaii, cantada por Ricky Martin no evento, faz parte do repertório do álbum e traz Bad Bunny pregando que não quer que Porto Rico torne-se mais dominada ainda pelos Estados Unidos, como aconteceu com o Havaí (“eles querem tirar meu rio e minha praia também / querem meu bairro e que seus filhos vão embora”, diz a letra, e o eles, você já imagina quem são). A cigana Pitorro de coco (que não foi cantada no show) parece uma canção de dor de corno etílica como qualquer outra, cuja letra diz “na minha vida você era turista/você só viu o melhor de mim e não o que eu sofri/você foi embora sem saber o motivo das minhas feridas”. Só parece: ele diz que a letra fala na verdade dos turistas que vão à Porto Rico e saem de lá sem conhecer os problemas locais.
Mais do que isso: Debí tirar más fotos entrega um passeio pela musicalidade e pela identidade portorriquenhas – e esfrega na cara do mercado fonográfico que ele não tem nenhuma vontade de soar mais “americano” (estadunidense, enfim) para bombar nas paradas. No Halftime Show de ontem, com um pedaço de Porto Rico sendo montado no palco do Levi’s Stadium, na Califórnia, essa esfregação na cara foi tão forte que – claro – um certo presidente alaranjado sentiu o efeito, e decidiu divulgar uma mensagem abilolada afirmando que a apresentação de Bad Bunny foi “uma afronta à grandeza da América” e “um show absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos”.
Nem adianta mais o tal presidente reclamar, já que o show de Bad Bunny, coadjuvado por nomes como Lady Gaga e Ricky Martin, foi a apresentação mais vista da história do evento americano. Um levantamento da NBC diz que Bad Bunny teve audiência de 135 milhões de pessoas em todo o mundo. O recorde anterior era de 2025, quando o show de Kendrick Lamar bateu 127 milhões de espectadores em todo o mundo. Quem não viu ontem, pode se dirigir ao YouTube da NFL, ou ouvir o single que a Liga já jogou nas plataformas com o áudio da apresentação.
Não apenas isso: ao que consta, a ideia da NFL, que promove o Super Bowl, era aumentar o interesse global pelo evento – incluída aí a comunidade latina nos Estados Unidos, mais de 50 milhões de falantes de espanhol nos Estados Unidos. Deu certo a ponto do show chegar em muita gente que num caso normal nem sequer estaria ligando pro Super Bowl (numa análise bem reduzida, veja entre seus amigos e parentes quantas pessoas que nunca tinham visto o evento pararam para assistir ontem), de perfis espertinhos nas redes sociais estarem aproveitando o evento para dar conselhos de marketing e branding, coisas do tipo.
O que rolou ontem foi, mais do que um show, uma catarse: moradores da América do Sul e da América Central, quando viram o desfilar de bandeiras e países do final da apresentação, estavam na verdade vendo a si próprios – e aplaudindo a si próprios, como uma enorme comunidade. Aliás, dizem por aí que uma das palavras de 2026 é “comunidade”, tanto que já tem curso ensinando criadores de conteúdo a enxergar seu trabalho como uma formação de comunidades, etc.
E, bom, se você se sentiu, nem que seja por alguns segundos, fazendo parte de alguma coisa durante o show de intervalo do Super Bowl, já entendeu tudo a respeito desse negócio de comunidades. Até Trump percebeu isso – tanto que colocou a tal mensagem nas redes sociais reclamando do show, e botou a turma do invasivo e desquerido ICE para ficar à espreita no Levi’s Stadium. Bad Bunny deu um baita show ontem, e não foi só de música: mandou muitíssimo bem em temas como política, identidade e pertencimento. E ainda avisou a vários jovens latinos, em espanhol: “Meu nome é Benito Antonio Martinez Ocasio, e se hoje estou aqui no Super Bowl 60, é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você. Você vale mais do que você imagina”. Isso é tudo que Trump não quer que a América – a de verdade, e não a que só existe na cabeça dele – ouça.



































