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Urgente!: Portugueses do Maquina fazem shows no Brasil ao lado de Exclusive Os Cabides e Janine

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Banda porrtuguesa Maquina

Tem rolê novo de estrada sendo armado para março – e não é só mais um festival de um dia. O Circuito – Nova Música, Novos Caminhos chega à sexta edição tentando justamente o contrário: colocar bandas dentro de uma van e ver o que acontece quando elas convivem por quatro noites seguidas, tocando todo dia em cidades diferentes de SP. E pela primeira vez aparece uma atração internacional no pacote, a banda portuguesa Maquina.

“Depois de um ano e cinco edições, a gente sente que o Circuito atingiu aquela maturidade de projeto que atrai as pessoas não só pelas bandas, mas porque acham que o Circuito em si é um rolê imperdível. Então, estamos ansiosos para começar essa temporada de 2026, inclusive com uma banda internacional”, anima-se o curador Lucio Ribeiro. “Acreditamos que isso acrescenta demais nas trocas, nas convivências com nossas bandas”.

O trio lisboeta Maquina faz sua estreia no Brasil entre 5 e 8 de março, passando por São Paulo, Americana, Sorocaba e, pela primeira vez no projeto, Limeira. A ideia é simples e antiga – banda na estrada – mas meio rara aqui: o mesmo line-up repetido em sequência, com as bandas dividindo palco, viagem e histórias.

O Maquina é tiro, porrada e bomba: o som deles mistura krautrock, techno industrial, noise e eletrônica tocada com instrumentos, sem base pré-programada nem clique. Ou seja: é eletrônico feito como banda de rock, no braço mesmo. O trio tem dois discos (Prata e Dirty tracks for clubbing) e já rodou a Europa nesse esquema de shows intensos ao vivo.

Quem acompanha o pacote brasileiro é um nome já conhecido por aqui: Exclusive Os Cabides, de Santa Catarina, que vem num bom momento desde Coisas estranhas (2024) — disco que apareceu em lista de melhores do ano da APCA e ajudou a transformar a banda em presença constante em line-ups de festivais. Ao vivo eles costumam alternar humor, letras meio confessionais e guitarras com um pé no indie noventista (Pixies, Pavement) e outro na música brasileira sem cerimônia.

Completa o trio principal a carioca Janine, artista que começou a circular mais fortemente depois do EP Muda. O show dela tende a puxar para um rock alternativo mais emocional, com clima de tensão e melodias que crescem aos poucos, acompanhada por baixo e bateria.

Cada cidade ainda ganha uma abertura local — Julieta Social (SP), No Bass No Love (Americana), Crise (Sorocaba) e Dramma (Limeira). Isso faz parte da proposta do projeto: criar uma pequena “cena temporária” em cada parada, em vez de simplesmente chegar, tocar e ir embora.

O Circuito começou em 2025 e nasceu da tentativa de resolver um problema óbvio da música independente brasileira: bandas quase nunca fazem turnês curtas e contínuas porque simplesmente não fecha financeiramente. A aposta aqui é dividir estrutura, público e risco – e transformar a própria viagem em parte do evento.

O roteiro do Circuito #06 começa por São Paulo (SP), no Cineclube Cortina, dia 5/3 (quinta-feira); segue para a Vibes, em Americana (SP), no dia 6/3 (sexta-feira); passa pelo Asteroid Bar, em Sorocaba (SP), no dia 7/3 (sábado), e tem como ponto de chegada o Nosso Galpão, em Limeira (SP), dia 8/3 (domingo).

Ah: se você entrou nos links acima, viu que praticamente todas as bandas acima já apareceram aqui no Pop Fantasma – ou seja: visite sempre a gente pra saber o que tá acontecendo e o que você vai ver depois em shows e festivais! 😉

ROTEIRO:
5/3 – São Paulo – Cineclube Cortina
R. Araújo, 62 – República
Atração local: Julieta Social
Ingressos aqui.

6/3 – Americana – Vibes Americana
Rua Dom Barreto, 811 – Paraíso
Atração local: No Bass No Love
Ingressos aqui.

7/3 – Sorocaba – Asteroid Bar
Rua Aparecida, 737 – Vila Santana
Atração local: Crise
Ingressos aqui.

8/3 – Limeira – Nosso Galpão
Rua Armindo Tank, 230 – Vila Anita
Atração local: Dramma
Ingressos aqui.

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Elephant Run solta seu monstro interior em “Little monster”

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Elephant Run - Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

RESUMO: Em Little monster, a banda sueco-brasileira Elephant Run explora impulsos reprimidos em single teatral com clipe de terror que antecipa o álbum Infrared.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

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O pequeno monstro do Elephant Run está cansado de ficar preso dentro de alguém que considera comportado demais. Em Little monster, single da banda sueco-brasileira, é ele quem assume a voz e reclama da pessoa que o mantém escondido. Impulsivo, desinibido e pouco interessado nas regras da convivência, o personagem conduz uma música de origem teatral, que antecipa Infrared, álbum previsto para 2027 pelo selo +um HITS.

A ideia vem de uma composição antiga de Amanda Wahlström Plantin, vocalista e pianista do grupo. Ela tinha vinte e poucos anos quando começou a trabalhar na faixa, então mais próxima do cabaré e inspirada por The trial, aquela orquestral última faixa do disco duplo The wall, do Pink Floyd (1979). Nos ensaios, a música ganhou outros arranjos e uma nova letra. O humor caricato deu lugar a um incômodo mais pessoal: o que fazer com esse lado da gente que quer sair e não liga pra convenções sociais?

“A música de hoje é completamente diferente daquela versão antiga. O que ficou foi a ideia de um ‘little monster’ dentro da gente, que tentamos controlar ou manter escondido, mas que quer sair. Na versão nova, o monstro acabou virando um personagem, um lado mais impulsivo, desinibido, meio vulgar e pouco preocupado em se comportar. Ele é o protagonista e é ele quem conta a história. Está preso dentro de uma pessoa que considera chata e contida demais e passa boa parte da música reclamando disso”, conta Amanda.

Little monster é o segundo single do próximo disco. Além de Amanda, o Elephant Run reúne Fernando Coelho (guitarra e sintetizadores), Ladislau Kardos (bateria) e Renato Cortez (baixo). A banda levou o personagem para um clipe dirigido por Fábio Knoll e pelo próprio grupo, filmado no teatro Arka dos Anjos, em São Paulo.

Amanda interpreta uma criatura cuja mordida transforma humanos em monstros. As referências incluem A maldição da besta, de Paul Naschy, e Um lobisomem americano em Londres, de John Landis, num cenário gótico que aproveita o gosto da banda pelo cinema. Amanda e Ladislau também são atores, e ajudaram os colegas a entrar na brincadeira. Outras ideias surgiram nas conversas durante a filmagem.

Fernando, o guitarrista do grupo, idealizou e produziu o vídeo e assina a colagem da capa. O vermelho acompanha o que ele define como uma música quente, enquanto os pássaros representam entidades brasileiras protegendo a personagem de um olhar externo.

Confira abaixo a capa e o clipe de Little monster.

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Solarski estreia com pós-punk tenso e crítica às guerras em “Do you need a riot?”

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Solarski - Foto: Shoot Me Again Webzine

RESUMO: O trio belga Solarski estreia com Do you need a riot?, single de pós-punk tenso e guitarras cortantes que critica guerras, interesses econômicos e manipulação.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Shoot Me Again Webzine

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“Não nos ponha numa caixinha. Somos o Solarski”. É assim que o trio belga Solarski se apresenta, deixando claro que não está muito interessado em rótulos. Mas dá para começar pelo pós-punk, que aparece com bastante força no single Do you need a riot?, primeiro single da banda, formada na região de Namur, na Bélgica. O som é tenso, nervoso, com baixo pulsante, bateria insistente, guitarras cortantes e um vocal áspero, quase sempre no limite entre cantar e gritar.

O Solarski é formado por três músicos experientes, que dividem baixo, guitarra e bateria. Os integrantes já passaram por palcos importantes da Bélgica, como o Cirque Royal, o Botanique e o festival Dour, em projetos anteriores. Agora, apostam num som que mistura pós-punk e indie rock, mas com uma urgência que lembra mais uma banda tocando à beira de um ataque de nervos. Há pouco espaço para descanso: a música avança com uma tensão quase permanente, sustentada por uma cozinha pesada e guitarras que parecem querer aumentar ainda mais a pressão.

E o assunto não é dos mais tranquilos. Do you need a riot? (“Você precisa de uma revolta?”) fala de um mundo em que guerras e conflitos parecem cada vez menos ligados a ideais e cada vez mais aos interesses de quem controla petróleo, dinheiro e recursos naturais. A letra mistura referências a guerras econômicas e religiosas, manipulação de informações e uma ordem mundial que parece ter perdido qualquer regra. No refrão, a banda repete uma frase simples, quase como palavra de ordem: “Não precisamos de guerra”.

“Queríamos escrever uma música que não dissesse às pessoas o que pensar, mas que as obrigasse a perguntar quem tem interesse em ver o mundo pegar fogo”, explica o trio.

Gravada, mixada e masterizada pelos próprios integrantes, Do you need a riot? é a primeira amostra do álbum de estreia do Solarski, ainda sem data anunciada. A banda prefere não ser colocada numa caixinha, mas já dá para perceber que o pós-punk é sua arma para falar de um mundo que anda difícil de engolir.

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Smile: poesia falada e desespero punk em “Gotta run”

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Smile (Foto: Divulgação)

RESUMO: Em Gotta run, o Smile mistura punk, pós-punk e poesia falada numa música sobre traumas e sobrevivência. Single antecipa o álbum Gun-shy, de 2027.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O Smile tem uma vocalista que diz preferir “entoar suas histórias poéticas, repletas de reflexões pessoais” em vez de simplesmente cantar. Mas é bom não se acostumar: no single Gotta run, Rubee True Fegan começa com uma voz blasé, quase falada, e depois solta o desespero. A banda acompanha com um som elegante e ruidoso, mais punk do que pós-punk (embora definam-se como pós-punk), até mudar de assunto no meio da música. Ou melhor: mudar a maneira de tratar o mesmo incômodo.

Formado por amigos durante a pandemia, o grupo reúne músicos dos Estados Unidos e da Alemanha, hoje espalhados por Amsterdã, Berlim e Colônia. Rubee, também artista performática, põe histórias e reflexões pessoais em letras que nem sempre precisam de uma melodia para funcionar. O EP I hate it here (2022) e o álbum Price of progress (2023) apresentaram esse encontro de poesia falada, guitarras e vontade de experimentar.

Gotta run antecipa Gun-shy, segundo álbum, que sai em 22 de janeiro de 2027 pela Siluh Records. A faixa começa correndo, com bateria rápida e uma urgência que combina com o título. Depois desacelera e vira quase outra música, mais arrastada e cheia de tensão. Rubee levanta a voz, e aquela aparente indiferença do começo vai para o espaço. A fuga ganha um peso que a velocidade inicial ainda permitia disfarçar.

A letra trata do que um sistema violento ensina ao corpo, inclusive depois que a pessoa consegue escapar. Sair de um lugar não resolve automaticamente o que ele fez com você: sobram reflexos de defesa, medos e hábitos que acabam entrando nas relações amorosas e familiares. Dá para desaprender o que foi necessário para sobreviver?

No clipe, Rubee circula por Albuquerque, sua cidade natal (no Novo México), vestida de poodle rosa. A figura absurda atravessa uma paisagem marcada por desigualdade, carros e ruas, com imagens de câmera de mão. O disco foi gravado com Olaf Opal em Colônia, aproveitando demos feitas também em Albuquerque e preservando algumas primeiras tomada. Tudo com uma boa dose de aspereza.

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