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Cultura Pop

Tudo sobre o primeiro EP dos Buzzcocks, que completa 40 anos

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Com dez minutos de duração e quatro faixas, “Spiral scratch”, primeiro EP da banda punk britânica (de Manchester) Buzzcocks, fez quarenta anos no dia 29 de janeiro, Ok, poderia ser uma pautinha-efeméride como outra qualquer, mas lá vão alguns detalhes bem interessantes e bacanas sobre o disco:

 

1) “Spiral scratch” é o único lançamento oficial de estúdio do Buzzcocks com seu primeiro vocalista e co-fundador, Howard Devoto. Dentro de poucos meses ele sairia do grupo, insatisfeito com as limitações e simplicidades do punk, e montaria o Magazine, bem mais experimental e já ligado ao pós-punk. Formação do Buzzcocks no disco: Devoto (vocais), Pete Shelley (guitarra e vocais), Steve Diggle (baixo) e John Maher (bateria).

Tudo sobre o primeiro EP dos Buzzcocks, que completa 40 anos

2) É o terceiro lançamento de uma banda punk britânica – antes, em 1976, saíram os singles de “New rose”, do Damned, e “Anarchy in the UK”, dos Sex Pistols.

https://www.youtube.com/watch?v=g9GGyCumoD0

 

3) É tido como o primeiro disco britânico realmente “feito em casa”. A banda pegou 600 libras emprestadas,, alugou um estúdio com gravador de 16 canais e lançou por uma gravadora própria, New Hormones, que montaram com o empresário Richard Boon. E é tido como o segundo disco independente (por independente entenda-se lançado às próprias custas) do punk. O primeiro foi “(I’m) Stranded”, da banda australiana The Saints.

4) Boa parte do dinheiro que financiou “Spiral scratch” veio do bolso do pai de Pete Shelley: trezentas libras. Dois amigos de Boon, Sue Cooper e Dave Sowden, completaram o resto com 150 cada.

5) Na época da gravação do EP, Devoto já pensava em largar tudo e voltar para a faculdade – onde montaria o Magazine. “O futuro parecia incerto e pensamos: precisamos documentar essa nossa fase, vamos fazer um disco”, recordou Boon nas liner notes do CD “Auteur labels: New Hormones”, que coletava faixas de bandas do selo (clique aqui para conhecer o CD).

6) Os Buzzcocks assinariam com o selo United Artists após o primeiro EP. O selo New Hormones só faria mais um lançamento em 1977, e não era um disco, era um fanzine de colagens dos artistas Linder Sterling e Jon Savage, “The secret public”, que viraria raridade no meio punk britânico da época. O selo Boo-Hooray chegou a fazer recentemente uma reedição de luxo limitada a 500 cópias (saiba mais aqui).

Tudo sobre o primeiro EP dos Buzzcocks, que completa 40 anos

7) Muitas bandas mandaram demos para o New Hormones, como Cabaret Voltaire, The Fall e Gang Of Four. “Só que a gente não podia fazer nada a não ser colocá-las para abrir os shows dos Buzzcocks”, lamentou Boon. Do The Fall, Boon gostou tanto que financiou as gravações do primeiro EP, publicado depois pelo selo Step Forward. “Eu teria lançado se tivesse dinheiro”, contou Boon. Entre 1980 e 1982, sob o comando do empresário, o selo voltaria a lançar discos.

8) Responsável por discos de bandas como Joy Division, the Durutti Column, Magazine, John Cooper Clarke, New Order e Happy Mondays, e sócio de Tony Wilson no selo Factory, Martin Hannett cuidou da produção de “Spiral scratch”. Foi uma de suas primeiras produções. Na contracapa, Hannett assinava o trabalho como “Martin Zero”.

9) Os Buzzcocks conseguiram agendar a data no estúdio Indigo Sound, em Manchester, por intermédio de um amigo, em 28 de dezembro de 1976, finzinho do ano,”quando o chefão do estúdio estaria longe e talvez desse para conseguir tempo extra. Eu precisava de um tempo parado, mas não tive coragem de recusar”, lembra Phil Hampson, técnico de som que gravou o EP e se assustou com a barulheira dos rapazes. “Eu estava acostumado com ruídos altos, mas aquilo era especial. Eu falei: ‘Está totalmente distorcido… Aliás, tudo está distorcido’, e eles: ‘É isso aí, ótimo!'”, escreveu em seu site www.philhampson.com, onde contou detalhes da gravação. “Distorção era tudo que um técnico de som deveria evitar, era um pecado. Só que a outra regra básica era que o cliente sempre tinha razão. E o Martin disse: ‘É isso que eles querem'”.

10) Ok, Hampson fez o que a turma queria, mas tratou de se armar. “Expliquei que se havia distorção, teria que ser uma distorção boa, ou cada microfone captaria tudo o que estava sendo tocado alto”, conta. Aproveitou que o Indigo tinha várias salas individuais, posicionou os músicos em lugares bastante separados e resolveu o resto na mesa de som. Hampson diz também que não é verdade que o grupo teve tempo contado de estúdio por causa da falta de grana. A galera chegou a voltar ao Indigo para remixar as músicas em janeiro de 1977, pouco antes do EP sair.

11) “Spiral scratch” continuou por alguns anos no catálogo da Virgin, creditado a “Buzzcocks com Howard Devoto”. Só saiu em CD em 1999 pela Mute Records.

12) Aqui você confere a banda tocando “Boredom” em 1980 em Boston.

13) E aqui o grupo, com Howard Devoto, em 2012, tocando o disco na íntegra no Apollo.

https://www.youtube.com/watch?v=AekZpRkT0HM

14) “Boredom”, claro, foi a base para “Fast cars”, do primeiro LP do Buzzcocks, “Another music in a different kitchen” (1978)

15) Aproveite e pegue aí os Buzzcocks ano passado, no festival da Ilha de Wight, tocando o hit “Ever falling in love”.

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No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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