Pode ver: é só fechar uma livraria, uma boate, uma casa de shows, ou morrer alguém, que as pessoas se dividem em dois grupos proeminentes nas redes sociais. O primeiro é a galera que pranteia o morto. O segundo, mais barulhento e provocador, é a galera que reclama dos chorões, acusando-os de nunca terem ligado para a pessoa-casa de shows-livraria-ou o que o valha enquanto ela estava disponível.

Com ou sem lágrimas de crocodilo, o que não falta desde ontem no Facebook é gente lamentando o fim da MPB FM, a rádio carioca dedicada a sons brasileiros e suas variações, que passou a dar lugar a Band News desde a meia-noite de quarta (1). Gente famosa inclusive: a empresária Paula Lavigne publicou um vídeo no Twitter em que Caetano Veloso, ladeado pelo sambista Mosquito e por Mart’Nália, questiona: “No meu carro vai fazer uma falta horrível. Onde vamos ouvir música brasileira boa?”. Jota Quest, Paralamas do Sucesso e Gilberto Gil também fizeram seus protestos nas redes sociais, em luto pela rádio. Segundo postagens de ouvintes no Facebook, entre as últimas músicas executadas pela rádio antes da troca de emissora, estavam “Panis et circensis” (Mutantes), “Frevo mulher” (Zé Ramalho) e “Noite e dia” (Lobão). “Quem te viu, quem te vê”, clássico de Chico Buarque na voz de Zeca Pagodinho, foi cortado no meio para que entrasse o sinal da Band.

O jornal “O Globo” conversou com Ariane Carvalho, ex-diretora artística da rádio. Ela segue como dona da marca MPB FM e explicou que vendeu 50% da rádio para o Grupo Bandeirantes em 2012. O combinado, no ato, era que a identidade da programação fosse mantida por um determinado tempo – depois disso, a Band que fizesse o que quisesse. Ela também pretende levar programas como Faro MPB, Palco MPB e Samba Social Clube para outras rádios.

Se você ouvia pouco a rádio por não ser muito fã de MPB, vamos lá: até que a MPB FM dava um espaço (dosado) para o pop-rock brasileiro, em alguns programas. Um deles era o “Palco MPB”, apresentado por uma lenda do rádio FM brasileiro, Fernando Mansur. Além de ter as iniciais de “frequência modulada” até no nome, o cara foi da primeira turma da Rádio Cidade FM, em 1977 , e tocou vários hits nacionais em primeira mão.

Humberto Gessinger, por exemplo, esteve por lá divulgando seu trabalho solo recentemente.

Ed Motta subiu ao palco para divulgar o disco “AOR”, de 2013.

A ex-Kid Abelha Paula Toller também foi lá, solo.

Erasmo Carlos lançou por lá o CD “Gigante gentil”, de 2014.

Não foi no Palco MPB, mas tá valendo: os Titãs fizeram seu último show com Paulo Miklos no Circo Voador, aqui no Rio, em noite promovida pela rádio. Foi em julho do ano passado.