Connect with us

Cultura Pop

Top 10 de jogos subestimados do Atari: descubra agora!

Published

on

Se tem uma coisa que me irrita é quando nós, nerds saudosistas, nos reunimos e começamos a lembrar dos nossos games favoritos de infância. Quando o assunto é o bom e velho Atari 2600, sempre os mesmos jogos vêm à tona: River Raid, Enduro, H.E.R.O., Pitfall, etc… Mas que povo sem criatividade!

Falando assim, parece até que só existiam esses cartuchos! Aí chega um cara como eu, com uma memória um pouquinho mais abrangente, a cara de espanto é geral e eu me sinto como se estivesse falando sobre algo de outro planeta! Prefiro acreditar que eu não sou o único a conhecê-los, porém como desencargo de consciência nós do POP FANTASMA achamos por bem citar outros dez jogos de Atari que ninguém lembra, mas que são surpreendentemente bem feitos (para os padrões do aparelho, claro) e que até hoje são diversão garantida!

Aproveitamos que hoje é aniversário da Atari (empresa fundada em 27 de junho de 1972 em Sunnyvale, Califórnia) e dividimos nosso Top 10 de jogos subestimados com nossos leitores e leitoras. Ah, e se você tiver discorda dessa lista e lembra de algum cartucho que te marcou, fale com a gente, adoraríamos saber! Agora, sem mais delongas, vamos à lista.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Punhos de Repúdio: num game, muita porrada nos negacionistas

LASER GATES: À primeira vista, trata-se de um típico shmup – corruptela de “shoot ’em up”, ou simplesmente um jogo de tiro descerebrado onde você apenas mata tudo que vê pela frente. Mas analisando mais profundamente, ele inova bastante por você ter que administrar com sabedoria sua energia (ou seja, quanto mais pipoco você dá, mais rapidamente ficará sem energia e morrerá), seu escudo (quanto menos tiver, mais dano os ataques dos inimigos causarão) e o tempo. Desafio e diversão na medida certa!

Advertisement

KUNG FU MASTER: Lançado em 1987, quando o Atari 2600 lá fora já estava morto e enterrado, Kung Fu Master é incrivelmente bem feito e com comandos criativos. Aliás, se hoje em dia tem botão pra pulo, soco, chute e tudo o mais, imagina programar tudo isso tendo apenas um botão à disposição! Tem até trilha sonora, coisa que raríssimos jogos do Atari têm! E o mais assombroso é saber que tudo isso foi feito com apenas 8KBITES (só para efeitos comparativos, o logo do Google tem 6KB)!!

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando fizeram um game em homenagem a Charlie Chaplin

SOLARIS: Quase ninguém lembra desta pequena pérola, que tem gráficos surpreendentes e uma jogabilidade única (você usava os dois controles ao mesmo tempo!). Basicamente nós assumimos o comando de um caça estelar conhecido como StarCruiser. E exploramos vários quadrantes da galáxia em busca do planeta perdido Solaris, que seria a única forma de derrotar o inimigo, uma raça alienígena chamada Zylon.

Como curiosidade, o título original desse game seria The last starfighter, para tentar pegar carona no sucesso do filme com o mesmo nome (batizado aqui como O último guerreiro das estrelas). Mas obviamente a estratégia não deu certo e, ao serem ameaçados de processo, sabiamente resolveram mudar de nome.

Advertisement

PAC MAN JR.: Uma coisa que sempre me intrigou: por que diabos o Pac-Man lançado em 1982 é lembrado sempre com tanta nostalgia, e essa continuação que é mil vezes mais bonita graficamente e fiel ao arcade é sumariamente ignorada? Não dá pra entender!! Os labirintos são muito maiores, mais coloridos, a dificuldade é maior… Enfim, ele é superior ao seu antecessor em todos os aspectos. Mas talvez fosse uma questão de timing ruim. Afinal, ele foi lançado em 1986, no final da vida útil do console por lá (não aqui no Brasil, claro) e isso talvez tenha atrapalhado para ter se tornado mais popular… Pena!

>>> Veja também no POP FANTASMA: “Pai”, de Fábio Jr., em versão game 16 bits

MONTEZUMA’S REVENGE: Na minha modesta e humilde opinião, é disparado o melhor jogo do console, junto com o badalado H.E.R.O.! Sempre gostei dos pequenos detalhes que tornavam esse jogo diferenciado, como só poder acessar determinados locais depois que obtivéssemos as chaves ou de necessitar de tochas para iluminarmos algumas salas. Eram coisas que parecem corriqueiras em qualquer RPG atual, mas que eram novidade no distante ano de 1984, quando foi lançado.

Advertisement

SMURFS – RESCUE IN GARGAMEL’S CASTLE: Outro caso de game que eu não consigo entender porque é tão ignorado. OK, concordo que ele é bastante repetitivo e a trilha sonora é irritante. Porém não dá pra negar que a jogabilidade é excelente e que seus gráficos são muito bonitos e coloridos. E o resultado final é infinitamente superior a tralhas insuportáveis como Bobby is going home, que sabe-se lá porque fez um sucesso tremendo aqui no Brasil. É, o mundo nem sempre é justo…

CHOPPER COMMANDO: Neste jogo lançado em 1982, assumíamos o controle de um helicóptero, cujo objetivo era escoltar um comboio de caminhões e protegê-lo contra ataques dos inimigo. Era avançadíssimo para a época, porém foi mais um caso de timing ruim que acabou atrapalhando sua popularização. Por ter uma jogabilidade semelhante ao do clássico Defender muita gente achou na época tratar-se de uma imitação e optou por deixar Chopper commando de lado. Uma tremenda injustiça, já que ambos chegaram ao mercado praticamente ao mesmo tempo. E, no aspecto visual, ele deixava o rival no chinelo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Cadê o Howard Scott Warshaw?

PRESSURE COOKER: Nesse jogo, assumíamos o papel de um confeiteiro que precisava fazer bolos de acordo com os pedidos dos clientes, conforme indicado na base da tela. Mas claro que, à medida que o tempo passa, a velocidade vai aumentando até chegar a algo humanamente impossível. Uma coisa que me chamava muito a atenção no game era o fato de ele não seguir o padrão usual dos demais jogos do sistema. Não havia tiros, cenários diferentes a serem acessados, veículos ou vidas. Era bem simples e divertido, como todo o bom game deveria ser!

Advertisement

MOON PATROL: Havia muitas conversões de arcades famosos para o Atari 2600 e 99% delas ficavam muito inferiores ao original. Claro, nem dava para ser muito diferente, haja vista que o hardware do videogame em questão já era obsoleto no início dos anos 1980. Se duvida, é só comparar um game da época com seu similar para os consoles rivais Intelevision ou ColecoVision.

Entre as raríssimas exceções, Moon patrol se destaca. Você vai conduzindo um veículo lunar que patrulha o terreno (daí o título, oras). O jogo é difícil, mas não a ponto de fazer você querer arremessar o cartucho contra a parede. E é bonito e divertido. Pena que não pegou por aqui…

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando transformaram Dolly Parton em personagem de pinball

REAL SPORTS TENNIS: Games esportivos eram quase uma unanimidade negativa no Atari, mas Real Sports Tennis era a exceção que confirmava a regra. Sem falar que, para a molecada que viveu os anos 1980, era um tremendo programão para os fins de semana chuvosos, pois incitava a torcida e deixava alvoroçada a turma do “a de fora é minha” (se você sabe do que estou falando, está ficando velho!). Me trouxe boas lembranças…

Advertisement

>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.

Cultura Pop

Black Sabbath: Vinny Appice encontrou Bill Ward, e agora?

Published

on

No meio da turnê do disco Heaven and hell, em 1980, o baterista Bill Ward deixou o Black Sabbath. O músico estava um tanto incontrolável no que dizia respeito às drogas e à bebida e vinha tendo problemas de saúde. No seu lugar, o batera Vinny Appice entrou feito um raio, para substituir Bill às pressas.

Vinny Appice nem sequer teve tempo de estudar muito: enfiou todas as peças de seu instrumento no banco de trás de um carro e foi tocar com a banda no Aloha Stadium, no Havaí, praticamente aprendendo todas as canções no palco. E chegou a levar uns papeis com uma cola, para poder tocar músicas que não conhecia. Problema: choveu bastante e caiu água em cima da cola de Vinnie, desmanchando a tinta. O músico se virou como deu. O experiente Appice, que já tocara com John Lennon e Rick Derringer, ficou no grupo até 1982, seguiu com o vocalista Ronnie James Dio para sua banda Dio, e voltou ao Sabbath outras vezes.

O músico revela que passou certa tensão quando encontrou justamente com Bill, quando já estava na nova formação do Sabbath. “Foi durante uma pausa daquela turnê ou algo do tipo no Rainbow Bar em Hollywood, o famoso bar. Bill provavelmente bebeu um monte naquela noite”, afirmou o baterista.

Advertisement

Ele se recordou que Bill estava meio “fora de controle” e chegou a temer levar umas bolachas, mas foi tudo tranquilo. “Eu estava tipo: ‘oh Deus, eu não quero entrar em nenhum tipo de confusão com Bill”, contou. “Ele é o cara mais doce do mundo. Eu amo Bill. Ele foi uma grande influência na forma como eu toco. Ele tocou ótimas coisas, muito criativo”, respondeu.

Via Ultimate Guitar e Wayback Machine.

>>> Nosso financiamento mensal: catarse.me/popfantasma

Advertisement
Continue Reading

Cultura Pop

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Published

on

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Para quem é fã do punk rock clássico, aquele que fez história nos EUA e na Inglaterra do fim dos anos 1970, Stiv Bators é um nome conhecido e celebrado. Vocalista dos Dead Boys, Bators tornou-se conhecido pelas performances viscerais e selvagens que fazia, em muito inspirado por seu ídolo Iggy Pop.

Gimme danger little stranger

Duas histórias notáveis, inclusive, tornaram-se emblemáticas em sua adoração por Iggy Pop. Na primeira delas, Stiv disse aos quatro cantos que foi ele o responsável por entregar o pote de manteiga de amendoim com o qual o Iguana se besuntou e andou heroicamente sobre (literalmente) a platéia no Cincinatti Pop Festival de 1970, algo considerado como pura lenda por seus amigos.

A segunda foi em um jantar em Cleveland em 1977, quando os Dead Boys abriram para o ex-stooge como parte da turnê de seu primeiro álbum. Nervoso por conhecer seu ídolo, Bators ingeriu alguns Quaaludes, como era conhecido o fármaco metaqualona, que fora criado para combater a insônia, mas servia para deixar o pessoal mais, digamos, ousado. Chapadaço da substância, Bators não segurou a bronca e caiu de cara em seu prato de sopa justamente quando jantava com seu herói, em história retratada no já clássico livro Mate-me por favor.

Advertisement
Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

David Quinton Steinberg, Stiv Bators, George Cabaniss e Frank Secich gravando o álbum Disconnected em agosto de 1980 no Perspective Studios, em Sun Valley, Califórnia. Foto de Theresa Kereakes.

Jovem, barulhento e arrogante

Com o grupo, Stiv Bators lançou dois álbuns. O cultuadíssimo Young, loud and snotty (1977), uma das pedras fundamentais do punk americano, e o segundo disco do grupo, We have come for your children (1978), álbum de menor impacto que seu antecessor mas também repleto de petardos enfurecidos da banda de Cleveland, ainda hoje apontada como uma das mais selvagens da sua geração.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Stiv Bators: o “outro nome” do punk em documentário

A selvageria vista no palco não era mera encenação para o vocalista. Na época de Dead Boys, teve um romance com Bebe Buell, que depois se envolveria com o vocalista do Aerosmith, Steven Tyler, com quem teve a filha Liv Tyler. Usou e abusou das drogas e esteve com a hoje famosa turma festeira que frequentava o CBGB e a boemia do Bowery na Nova York do fim dos anos 70.

Com o fim dos Dead Boys, Bators decidiu se reinventar como um cantor de power pop, fechando um contrato com a gravadora Bomp! e se mudando para Los Angeles. Foi dessas sessões que surgiu o álbum Disconnected (1980), apontado como uma obra-prima pouco explorada desse vocalista também pouco celebrado em comparação com alguns de seus contemporâneos e amigos de cena.

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Os músicos de It’s cold outside: Eddy best, Rickbremmer, Stiv Bators e Frank Secich em Los Angeles, abril de 1979. Foto de Donna Santisi.

Do punk rock ao power pop

Para compor o álbum, Bators recrutou o baixista Frank Secich, seu amigo de longa data e conterrâneo de Ohio, estado natal do vocalista, também conhecido por ter sido o baixista da banda de power pop Blue Ash, que chegou a abrir shows para Stooges, Aerosmith, Bob Seger e Ted Nugent, alcançando relativo sucesso no underground americano de meados dos anos 70.

Juntos, Bators e Secich compuseram um punhado de excelentes canções power pop, entremeadas a versões de The Electric Prunes (I had too much to dream) e The Choir (It’s cold outside, que só constou no relançamento do disco de 1987), denotando a paixão de ambos pelos grupos garage dos anos 1960. Uma curiosidade é que boa parte do álbum foi gravado em uma quadra de basquete que ficava ao lado do estúdio, já que, segundo Secich, o espaço oferecia uma sonoridade mais “viva”.

Advertisement
Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Michael Monroe (Hanoi Rocks), Stiv Bators (Dead Boys) e Lemmy (Motörhead)

Outra curiosidade é que Disconnected foi coproduzido por Stiv Bators e Thom Wilson, marcando seu primeiro trabalho na função. Mais tarde, Wilson tornaria-se conhecido por produzir discos clássicos do punk americano como o homônimo dos Adolescents, de 1981, Mommy’s little monster (1983), álbum de estreia do Social Distortion, e os três primeiros discos do Offspring, entre uma longa lista que inclui ainda Bad Religion, Dead Kennedys, Iggy Pop e T.S.O.L., pra ficar só em alguns.

Mas, de volta a Disconnected, o álbum não chegou a ter uma verdadeira turnê de divulgação, e nem atraiu grande atenção da mídia no período. Seu reconhecimento veio com as décadas, em especial de fãs dos Dead Boys e do Lords Of The New Church, banda que Bators formou com Brian James, ex-guitarrista do Damned, em 1980, quando saiu de Los Angeles direto para Londres, onde antes formou o grupo de curta vida The Wanderers, com ex-integrantes do Sham 69.

Senhores da Nova Igreja e morte em Paris

Com o supergrupo gótico, que incluía ainda o ex-baixista do mesmo Sham 69 e o ex-baterista dos The Barracudas, Stiv conheceu o sucesso que tanto buscava. Sua história foi inclusive contada em um recente documentário, do qual já falamos aqui.

A posterior dissolução dos Lords of the New Church, seus outros projetos musicais (incluindo uma curiosa banda com Johnny Thunders dos New York Dolls e Dee Dee Ramone, que terminou em briga motivada pelo vício em droga dos dois), e sua trágica morte após ser atropelado em Paris, onde residia com a namorada em 1990, são parte da mística que envolve o vocalista, morto aos 40 anos e ainda festejado como um dos mais autênticos e simbólicos de sua geração.

Reconectando Stiv Bators: entrevista com Frank Secich

Advertisement

Mais de quarenta anos depois de seu lançamento, Disconnected segue como uma daquelas pérolas que os fãs do vocalista exaltam, mas que não chegaram a ultrapassar a barreira do underground, apesar do evidente potencial pop que dispunha.

Para saber mais sobre a concepção e gravação do disco, conversamos via e-mail com Frank Secich. Escute o disco e confere o papo aí embaixo:

Como você conheceu Stiv Bators, e como a ideia de tocar em seu disco solo surgiu?

Conheci Stiv em uma casa de hippies na faculdade de Youngstown, Ohio, em 1967. Nós viramos amigos rapidamente. Costumávamos ir às boates e casas de shows para adolescentes de Youngstown, como o Carouseel Teen Clubs, o Freak Out, o Champion Rollarena, o Bug Out e outros onde vimos bandas como The Human Beinz, Pied Pipers, James Gang, New Hudson Existe e The Holes In The Road. As primeiras bandas de Stiv, como Steve Bator Band e Mother Goose frequentemente abriam para minha banda Blue Ash no começo dos anos 1970.

Advertisement

Depois que os Dead Boys acabaram em 1978 após gravarem seu segundo álbum, Stiv queria fazer algo diferente. Em outubro de 1978, começamos a compor canções juntos. Em novembro daquele ano, nós (Stiv, Jimmy Zero, Johnny Blitz [todos membros do Dead Boys] e eu) fizemos demos de The last year, It’s cold outside e It’s alright no estúdio After Dark, em Cleveland. Stiv então acompanhou sua namorada da época, Cynthia Ross, em uma viagem para Los Angeles, onde tocou as demos para Greg Shaw (dono da gravadora Bomp!), que ficou de queixo caído com as músicas. Alguns meses depois, Greg ofereceu um contrato para mim e Stiv.

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

O single alemão de It’s cold outside da Line Records, de 1979

Vocês escreveram ótimas canções juntos. Como foi este processo?

Nós fazíamos de diferentes maneiras. Para The last year, Stiv tinha o título, o começo da melodia e o refrão. Eu o ajudei a terminá-la e compus a ponte. Nós dois escrevemos as letras. Not that way anymore e Circumstantial evidence eram basicamente canções minhas nas quais Stiv ajudou com as letras. Em I wanna forget you (just the way you are), Stiv surgiu com o título e escreveu a maior parte da letra, e eu escrevi a música e a melodia, e foi igual com Ready anytime. Nós sempre fazíamos diferente, mas Stiv era mais um compositor de letras e eu era mais alguém da melodia, apesar de ambos sabermos fazer as duas coisas. Uma das melhores canções do LP é Bad luck charm, que foi composta por David Quinton Steinberg e George Cabannis.

Tem uma história ótima por trás dessa música. Antes de gravar o álbum nós estávamos fazendo uma turnê naquele verão, e, em Nova York, Johnny Thunders se juntou conosco no palco do Heat Club. Thunders tinha um colar com o que parecia ser a pata de um alce pendurado. No camarim, David e George vieram até mim e disseram: “O que é aquilo no pescoço do Johnny?”. Eu disse: “É seu amuleto de má sorte! Vocês deviam compor uma música sobre isso”. Eles então a fizeram e é uma excelente música. Isso era um pouco do nosso processo criativo!

E como foi o processo de gravação do Disconnected? O álbum segue sendo cultuado por seus fãs e entusiastas de power pop em geral.

Nós nos divertimos muito gravando Disconnected no estúdio Perspective em Sun Valley, na Califórnia, no fim de agosto e começo de setembro de 1980. Greg Shaw da Bomp! Records nos deu liberdade para gravar o álbum e eu o amei por aquilo. O disco foi gravado em uma quadra de basquete que era adjacente ao estúdio. O piso de madeira tinha um som extremamente “vivo”, então fizemos a maior parte das canções ali. Funcionou especialmente bem para músicas como Evil boy, Make up your mind e Bad luck charm.

Advertisement
Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

A foto da contracapa de Disconnected, de 1980. Fotos de Theresa Kereakes.

Nós fizemos um monte de experimentos e gravamos bastante de forma improvisada. Às vezes funcionava bem, como quando Cynthia Ross e as fabulosas B-Girls do Canadá vieram à cidade para colocar harmonias e palmas em Swinging a go-go, e no som de explosão de Too much to dream, quando Stiv e eu derrubamos um amplificador Fender Twin Reverb (alugado, é claro) de uma escada e gravamos.

Quando estávamos gravando Ready anytime, Stiv não estava conseguindo alcançar o vocal que queria. Ele disse que tinha que ir até Hollywood para se inspirar. Nós fizemos os overdubs até ele voltar quatro horas depois muito bêbado com uma garota. Ele então foi até a cabine do microfone e começou a gravar enquanto ela “performava” nele na nossa frente. E usamos aquela gravação.

Às vezes não funcionava. Para culminar com o verdadeiro clímax do álbum, eu queria um final do tipo Abertura de 1812 (de Tchaikovsky) para I wanna forget you (Just the way you are) – grande, bombástico e que se destacasse. Era para ser uma canhonada de áudio das Guerras Napoleônicas! Nós pedimos a nosso amigo Kent Smythe que trouxesse centenas de fogos de artifício. Colocamos microfones estrategicamente posicionados em volta deles e o produtor Thom Wilson começou a rodar a fita enquanto eu e Stiv os acendemos, no que foi uma falha de cálculo da nossa parte.

Enquanto os fogos queimavam para fora, o estúdio rapidamente ficou cheio de fumaça. No meio de todas as explosões, Stiv e eu não conseguiamos enxergar ou respirar. Estávamos nos sufocando e tossindo e tivemos que literalmente nos arrastar até o lado de fora do estúdio para sobreviver enquanto David, George, Thom Wilson e Kent estavam caindo no chão de tanto rir. Nós passamos o resto da sessão tirando a fumaça do estúdio. Quando tocamos para ver, soava uma bosta, e não conseguimos usar. A famosa fotógrafa de rock Theresa Kereakes estava lá o tempo todo e registrou muito daquela insanidade para a posteridade.

Stiv falava com orgulho dos Dead Boys?

Sim, ele tinha muito orgulho de ter sido um Dead Boy, e com razão. Eles foram uma banda lendária e absolutamente fantástica ao vivo e a cores. A fusão de guitarras de Cheetah (Chrome) e Jimmy Zero era muito legal, e eles eram ótimos compositores, e Johnny Blitz era um incrível baterista que sabia conduzir o som. Stiv tinha uma presença marcante e carismática. Eles eram originais e únicos, e é por isso que seguem sendo lendários até hoje. Eu tive a felicidade de ser parte disso por um tempo (Secich realizou uma turnê com os Dead Boys por um curto período, quando substituiu o baixista Jeff Magnum).

Advertisement
Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Frank Secich e Stiv Bators na festa de Kim Fowley para a banda Orchids, em 1979. Foto de Lisa Secich.

Nós ouvimos histórias de como Stiv era um “verdadeiro rock star” e um punk rocker selvagem. Ele era assim o tempo todo?

Stiv era um cara bem tranquilo, como Clark Kent, quando não estava no palco. Ele era sempre muito gentil com os fãs e sempre tinha tempo para dar autógrafos e posar para fotos, ou só para bater papo. No palco, ele era um performer consumado e um verdadeiro homem selvagem! Você nunca sabia o que esperar de um show para outro. Nunca havia tédio.

Vocês mantiveram contato ao longo dos anos? Como soube da morte dele?

Nós mantivemos contato durante os anos 1980 até sua morte. Ele me mandava cartões postais hilários e cartas de todos os cantos do mundo quando estava em turnê com os Lords of the New Church. Logo depois que Stiv morreu, eu recebi um telefone de um amigo em comum, Bobby Brabant. Ele disse: “Frank, eu tenho péssimas notícias”. Eu soube pelo tom em sua voz. Eu perguntei: “Como ele morreu?”. Foi um dia muito triste.

Você acha que Stiv teria seguido um caminho musical diferente se estivesse vivo?

Eu tenho certeza que ele seguiria trilhando caminhos e sendo criativo. Ele possivelmente teria feito mais filmes. Ele era um vocalista muito bom e conseguia sempre se expressar bem. Estava sempre três passos à frente do seu tempo e sabia o que fazia. Ele conseguia se reinventar em qualquer cena musical. Ele teria amado a internet e todas as suas possibilidades.

Advertisement
>>>Foto do abre da matéria: a banda que gravou Disconnected com Stiv Bators em agosto de 1980. David Quinton Steinberg, George Cabaniss, Frank Secich e Stiv Bators. Foto de Theresa Kereakes.
>>> Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma
Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Stiv Bators em 1979

Continue Reading

Cultura Pop

DGC Records: descubra agora!

Published

on

Criada em 1990 pelo empresário David Geffen como um selinho à parte de sua Geffen Records, a DGC Records era tida por muita gente como uma espécie de purgatório da gravadora. Funcionava num escritório menor, com poucos funcionários, e basicamente dava abrigo a bandas mais experimentais, pesadas e alternativas.

O nome DGC, você deve saber, significa David Geffen Company. Mas dentro da gravadora maior, que tinha sob contrato best sellers como o Guns N ‘Roses, funcionários mais maldosos chamavam a pequena DGC de “Dumping Ground Company” (“companhia lixão”). Também diziam que as bandas menos viáveis eram atiradas lá para não sujar o nome da gravadora.

>>> No podcast do POP FANTASMA, Nevermind + Badmotorfinger + Screaming Trees + Tina Bell

A biografia de Kurt Cobain Mais pesado que o céu, de Charles R. Cross, afirma tudo isso e completa ainda dizendo que vendagens de 50 mil cópias eram comemoradas efusivamente na DGC – uma vez que o Sonic Youth vendeu mais que o dobro disso com Goo (1990). Quando o Nirvana foi contratado pela Geffen, a expectativa era que a banda se localizasse no patamar do Sonic Youth. O final da história, você já sabe. E as expectativas de um selinho indie (e ligado a uma gravadora que começara indie mas fora absorvida pelo mainstream) foram bastante ultrapassadas.

A DGC durou ate 2003 (voltou depois em 2007 e ficou ativa até 2010). E marcou época. Confira abaixo alguns nomes ligados a ela (além do Nirvana e do Sonic Youth, que você já sabe).

Advertisement

DIAS DE TROVÃO. A trilha do filme de Tony Scott, com Tom Cruise, Nicole Kidman, Robert Duvall e grande elenco saiu pela DGC em 1990. Só clássicos: You gotta love someone, com Elton John, Long live the night, com Joan Jett, e Knockin’ on heaven’s door, de Bob Dylan, com o Guns N’Roses.

JOHN DOE. O criador da banda punk X vinha ensaiando carreiras solo como cantor e até como ator, até que em 1990 foi contratado pela DGC e lançou um (bom) disco unindo country e punk, Meet John Doe. Mas não duraria muito por lá e acabaria indo para selos menores, como o Yep Rock.

THE SUNDAYS. Essa simpaticíssima banda de dream pop era contratada pela Rough Trade no Reino Unido, de onde eles vinham. Mas o disco Reading, writing and arithmetic (1990), por exemplo, saiu pela DGC nos Estados Unidos.

Advertisement

LITTLE CAESAR. Banda de hard rock estilo motoclube vinda de Los Angeles, caiu nas graças do produtor Bob Rock e do executivo John Kalodner e teve passagem-relâmpago pela DGC, com dois LPs lançados no selo entre 1990 e 1991. O grupo existe até hoje, mas está na independência.

SOUTHERN CULTURE ON THE SKIDS. Essa banda de Chapel Hill, Carolina do Norte, une estilos como rockabilly, surf music e country, e existe desde 1985. Boa parte do repertório é satírico e mexe com clichês e estereótipos do universo caipira. São mais um grupo que teve passagem rapidinha pela DGC, com dois discos a partir de 1995.

Advertisement

THE POSIES. Pouco antes do Nirvana, esse grupo de power pop que também é da região de Washington foi contratado pela DGC. O segundo e o terceiro disco, Dear 23 (1990) e Frosting on the beater (1991) saíram por lá. O hit Dream all day, até hoje uma das mais populares do The Posies, foi lançado pela DGC.

NELSON. Lembra deles? Os filhos do astro do pop americano Ricky Nelson também foram parar nas mãos de John Kalodner e da DGC, que por sinal esperava um grande sucesso para a dupla de rock farofa: botaram produtores e compositores para ajudar no amadurecimento musical dos meninos. O Nelson, no entanto, só aguentaria dois álbuns lá e tentaria fazer uma virada deprê no terceiro, Imaginator (1996), recusado pela gravadora.

LORI CARSON. Queridinha do cenário indie-folk do fim dos anos 1980, essa novaiorquina do Queens estreou na DGC com o disco Shelter (1990), elogiadíssimo, mas só fez esse disco lá. Entre 1992 e 1994, ele fez parte do Golden Palominos, aquela banda casa-da-sogra (com alta rotação de integrantes) liderada pelo Anton Fier.

Advertisement

THE THROBS. Essa banda novaiorquina de hard rock e glam punk teve vida curta (três anos) e estadia na DGC mais curta ainda.  Lançaram o primeiro disco, The language of thieves and vagabonds (1991), não venderam nada, e seis meses depois estavam fora da gravadora. Em 2001, o baixista Danny Nordahl foi parar no Faster Pussycat e tá lá até hoje.

THE NYMPHS. Liderada pela cantora Inger Lorre, essa banda promoveu certo escândalo e alguma controvérsia (Inger era do tipo que não tinha papas na língua), e gravou uma pérola chamada The Nymphs, produzida por Bill Prince e lançada pela DGC em 1991, além de um EP em 1992. Inger, brigando com a heroína, fez xixi na mesa do cara do A&R da DGC, Tom Zuzaut. O grupo ficou sem gravadora e se separou.

Advertisement

BECK. Quase tudo de Beck lançado durante seu contrato com a Geffen saiu com selo DGC, embora o selo da empresa-mãe tenha aparecido em algumas edições pelo mundo – até mesmo quando Mellow gold (1993), o primeiro disco, saiu no Brasil em LP. Disputado a tapa com outros selos, o compositor americano vinha com uma proposta lo-fi e independente – a ponto de ter mantido sob contrato que poderia lançar álbuns por selos menores mesmo enquanto contratado da DGC.

WEEZER. Não tem como esquecer deles. A banda foi contratada quando a DGC ouviu a Kitchen tape, gravada em agosto de 1992, numa cozinha (daí o nome), usando o gravador de 8 pistas do vocalista Rivers Cuomo, e que já tinha músicas como The world has turned and left me here e My name is Jonas. Os selos DGC e Geffen foram sendo alternados na discografia do Weezer até 2009, quando saiu o sétimo disco, Raditude.

TEVE MAIS. Discos como Bandwagonesque, do Teenage Fanclub (1991) ganharam edições pela DGC – nesse caso, inclusive no Brasil. Love hurts, último disco da Cher pela Geffen (1991) teve edições em alguns países com esse selo. A estreia epônima da banda britânica Elastica (1995) foi também um lançamento DGC nos Estados Unidos.

Advertisement

E DEPOIS? Bom, a DGC foi reativada em 2007 como parte da grandalhona Interscope e durou mais alguns anos. Nesse retorno, a empresa pôs nas lojas o retorno do Blink-182 (com Neighborhoods, em 2011), a estreia do Them Crooked Vultures e álbuns de bandas como All Time Low. Nevermind, do Nirvana, continua sendo o disco mais vendido da gravadora.

>>> Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Trending