Aquele lugar em que a contracultura resiste. O site Messy Nessy Chic contou a história de uma das raras comunas hippies que conseguiram ir além dos anos 1960, apesar dos altos e baixos – e dos detalhes sórdidos associados ao próprio local. O Santuário Sunburst era conhecido como “a irmandade do Sol” nos anos 1970 e foi se tornando um “negócio de milhões de dólares” (diz o texto), sustentado na base na venda de vegetais, frutas, sucos e granola produzido nas próprias dependências do local – as “fazendas Sunburst”, como o negócio passou a ser conhecido.

Olha aí uma materinha de TV mostrando algumas das atividades do Sunburst. O local foi criado por um pedreiro do Sul da Califórnia chamado Norman Paulsen (1929-2006), que em 1963 estava internado no Hospital Santa Barbara, “ouvindo vozes” por causa de uma overdose de remédios. No fim dos anos 1960, já pensando numa maneira de cair fora da cidade grande, começou a conduzir sessões de meditação num depósito de sorvetes. Em 1917, já com centenas de seguidores, foi para uma fazenda de 160 acres, onde construiu casas, acumulou cavalos e cabras e, com os seguidores, passou a plantar tudo o que fossem consumir. A turma também adquiriu conhecimentos de construção e desenvolveu técnicas para fazer suas próprias casas. Ou para tecer roupas.

A Sunburst tem um (humilde) canal no YouTube, com dicas de meditação e algumas homenagens a Paulsen.

Uma apresentação da comunidade.

A comuna foi autossuficiente durante vários anos (a empresa teve problemas nos anos 1980 e viveu tempos difíceis) e o dia a dia de seus integrantes era bastante misterioso. Os “mistérios” iriam sendo desvendados com o tempo: nos anos 1980, a polícia descobriu várias armas de grosso calibre, estocadas pela trupe “numa curva estratégica da estrada de Gibraltar”. Na época, comentou-se que as armas serviam para proteger a turma do juízo final. Mas todo mundo tinha mesmo era medo de intrusos.

Anos depois, o que veio à tona foi o vício em drogas de Paulsen – e seus gastos exorbitantes, com direito a carros de luxo circulando pelas fazendas. Ainda assim, o grande negócio das fazendas era mesmo a meditação – que Paulsen aprendeu com o homem que levou a yoga para as Américas, Paramahansa Yogananda. O líder da Sunburst costumava falar que a comuna era basicamente uma “instituição cristã sem fins lucrativos”, embora várias crenças fossem misturadas ali.

Pra quem quiser conhecer um pouco da Sunburst, tem o YouTube, a reportagem da Messy Nessy Chic e o próprio site da irmandade, que traz uma série de informações, além de livros do próprio criador da comuna. Ah, vá no texto da Messy para conferir a quantas anda a comunidade hoje e o que aconteceu com ela.