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Cultura Pop

Scream & Yell: site que virou gravadora

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Scream & Yell: site que virou gravadora

Artistas costumam crescer em público. O selo Scream & Yell, que é uma ideia de Marcelo Costa, jornalista e criador do site Scream & Yell (foco de resistência em cultura pop há invejáveis 19 anos), também vem crescendo na frente de sua plateia.

O selo S&Y começou por acaso, como uma ideia do próprio Marcelo, para dar visibilidade a projetos que ele achava bacanas. Foi ganhando forma quando passou a valorizar cada vez mais o mesmo aspecto jornalístico do site. Passou a lançar tributos a artistas, lado a lado com lançamentos exclusivos, sempre em formato digital.

No catálogo do S&Y encontram-se homenagens a Belchior, Engenheiros do Hawaii e Milton Nascimento, entre outros – todos relidos por vários artistas recentes. Os Paralamas do Sucesso ganharam um audacioso tributo com bandas ibero-americanas relendo seu repertório. É Somos todos latinos, com curadoria do brasileiro Leonardo Vinhas e do colombiano Andrés Corrêa. Além, disso, há o especial Temperança – Um manifesto contra o ódio, com canções de artistas/bandas como Marcelo Perdido, Dario Julio & Os Franciscanos e Laranja Label. E um disco ao vivo e exclusivo da banda gaúcha Walverdes. Mais recentemente, a gravadora apostou na “música eletrônica instrumental ruidosa” do Borealis, projeto do jornalista fluminense Marco Barbosa. O terceiro LP do projeto, Omnia, já está disponível.

Marcelo vai tocando o selo tendo sonhos, muitos projetos e buscando parcerias. Por sinal, da mesma forma que tornou o Scream & Yell uma referência importantíssima em cultura pop no Brasil. Como o POP FANTASMA volta e meia vai lá ver o que é que certos cavaleiros (as) solitários (as) da cultura pop e do “faça você mesmo” estão aprontando, aproveitamos para bater um papo com Marcelo sobre a gravadora Scream & Yell e sobre os próximos projetos. E podem vir lançamentos em formato físico aí.

POP FANTASMA: Você diria que o disco novo do Borealis traz mudanças para o selo? No que ele amplia os limites do que vocês estão fazendo?
MARCELO COSTA: Admiro tanto o trabalho jornalístico do Marco Antonio Barbosa quanto seu projeto musical, o Borealis. Quando ele sinalizou que queria lançar o disco pelo selo, para mim foi uma boa oportunidade exatamente de mostrar que nós não seguimos apenas uma linha de pop rock MPB indie, sabe. O Omnia chuta esse limite para longe porque é nosso primeiro lançamento totalmente instrumental e com referencias de drone, ambient e eletrônica que ainda não tínhamos trabalhado. O campo de alcance do selo ampliou.

Marco Barbosa (E) e Marcelo Costa

Como surgiu a ideia de transformar o S&Y também num selo de gravação? É a ideia que surgiu por acaso e que, aos poucos, estamos formatando. A gente já tinha lançado alguns discos no site, um ao vivo da Walverdes que só existe no Scream & Yell e um EP com o Giancarlo Rufatto. Mas a coisa começa a ficar séria quando o Jorge Wagner (jornalista fluminense) produz o tributo ao Belchior. Ele já tinha a experiência de sucesso com o tributo ao Raça Negra, e na hora que fez a proposta de lançar o do Belchior pelo Scream, topei na hora. E esse tributo abriu portas para que outros produtores se animassem a criar conteúdo semelhante para o Scream & Yell. Quando dei por mim já tinha quase 10 discos lançados, ou seja, a gente tinha um selo de música dentro do site e não tinha se ligado nisso. Denominá-lo como tal foi um passo natural.

https://soundcloud.com/aindasomososmesmos/

Onde começa o trabalho do selo Scream & Yell quando começa a trabalhar determinado lançamento ou artista? Vocês participam de alguma forma do processo de produção? Ou do lançamento digital no Spotify? O trabalho do selo ainda é algo bastante primário. Com artistas, a gente lida muito mais com divulgação e com a estrutura do site, que acaba trazendo certa publicidade a mais. Então o envolvimento do site ainda é pequeno. O que eu posso oferecer é esse suporte de divulgação e de perenidade, afinal o Scream & Yell é um dos raros sites da internet brasileira que tem todo o seu arquivo disponível online, ou seja, os 19 anos do Scream & Yell estão todos no ar. Muitos sites, mesmo portais, mudam de plataforma e acabam perdendo conexão com material antigo – isso no meio independente é praxe. No Scream não. Esse disco do Walverdes que lançamos em 2011 está no ar, com link funcionando e MP3 disponível. Muitos dos tributos independentes legais que saíram nos últimos anos não estão mais disponíveis. Tudo que lançamos pelo Scream está.

Quais são as formalizações para lançar um disco pelo selo? Em termos de direitos como tudo fica dividido? Ou é algo mais informal? Totalmente informal, mas são dois caminhos. Os tributos criados exclusivamente para o site são geridos pelos produtores, e dai cada um faz o acerto que lhe convém tanto com o artista quanto com participantes e os portais de streaming. Neste contexto, os tributos organizados pelo Leonardo Vinhas estão a maioria em streaming, ele agilizou isso. A função do selo é dar o start para esse lançamento existir e divulgá-lo, uma maneira de utilizar o nome do portal para validar e ampliar uma ação de cultura. Já para artistas lançarem discos pelo selo é uma conversa mais delicada, porque precisa existir uma conexão de ideias com o site, e a vontade de que aquele disco ajude a formatar uma ideia de padrão para o selo. Não dá para sair lançando tudo, e curadoria é essencial para saber o que cabe, o que vale a pena. Mas tudo isso começa com um bate papo. Já teve artista que queria lançar o disco pelo selo e orientei: “Seria melhor você lançar por tal selo, conversa com esse cara, porque o som de vocês cabe melhor ali e o resultado da divulgação será muito melhor ali”.

Qual você diria que é a cara do site e do selo nos dias de hoje? O que um artista precisa ter para ser lançado pelo S&Y? Adoro a definição que a Agencia Pública fez do site: “Um site jornalístico sobre cultura pop, com entrevistas, reviews e coberturas de festivais de música, cinema, cerveja. Também produzem e lançam álbuns, fazem podcast e mixtapes e jornalismo musical aprofundado independentemente do apelo do entrevistado: tratando Caetano Veloso, Romulo Fróes e Loomer como iguais, porque todos fazem boa música”. Ou seja, permanecemos com a mesma ideia que fez o site nascer, que é a de não ter amarras e falar do que a gente tem vontade de falar sem precisar ficar limitando. Então, para mim, a cara do site é a de um site pop que pode tanto publicar uma entrevista com uma banda de death metal sueca quanto com Almir Sater. As ideias que eles podem reverberam em entrevistas me interessam mais do que o som que eles fazem.

Marcelo Costa

Há algum investimento financeiro no selo, ou planos para isso? Assim como no site, não há investimento financeiro. Mas já estou trabalhando a ideia de entrar em editais para transformar alguns dos álbuns lançados pelo site em material físico, CDs, quem sabe um livreto contando a história do artista e da produção. Porque tirando os discos que o Leo Vinhas conseguiu disponibilizar em streaming, muita coisa só existe online no Scream & Yell, e eu tenho medo dessa história se perder, de um tributo ao Belchior, por exemplo, deixar de existir daqui 10 anos. Mantendo-o em formato físico, a perenidade aumenta, alguém vai guardar e, quando outra pessoa precisar, ela poderá achar e dar sobrevida. Tenho pensado muito em como tornar esses discos… eternos, sabe. Sei que é papo de velho que tem coleção de discos físicos, mas isso me interessa.

Vocês lançaram também tributos a artistas como Engenheiros do Hawaii, Skank, etc. No que esses tributos ajudaram outras gerações a conhecer melhor tais artistas? Os homenageados deram algum retorno? É uma porta de entrada para um novo público, isso é inegável e é um dos fatores que movimenta esses lançamentos. O pessoal do Skank acompanhou toda a produção do tributo Dois Lados, e o Pedro Ferreira, responsável pela produção, tem um olhar aguçado para a divulgação – acho que o Skank nunca tinha saído em tanto caderno de cultura do país como saiu com esse tributo. Eles estavam meio céticos, e fizemos o lançamento (que era duplo) em duas semanas. Após o lançamento do primeiro volume eles ficaram impressionados com a repercussão, e quiseram até se envolver na promoção do segundo volume, mas a coisa já estava toda adiantada da nossa parte. Foi bacana ver que surpreendemos eles. No caso do Engenheiros, que é nosso recorde com 26 mil downloads, o produtor Anderson Fonseca mostrava as músicas para o Humberto, e ele ficou muito feliz o resultado. Chegou a adotar um dos arranjos para tocar ao vivo! O tributo ao Paralamas também foi acompanhado de perto pelo trio numa relação que começou muito antes, quando lançamos um tributo com artistas brasileiros cantando músicas de artistas latinos, e o Herbert nos mandou um vídeo elogiando a iniciativa e dizendo o quanto era importante nos aproximar dos países vizinhos.

Como foi produzir esses discos, que com certeza envolveram um trabalho executivo mais detalhado? Alguma história a respeito disso que você se recorde? Como editor e criador do Scream & Yell, tento não envolver tanto na produção porque minha palavra acaba tendo um peso muito forte. Se eu digo “pô, seria legal ter esse artista” parece soar uma obrigação para o produtor tê-lo, então tento deixa-los o mais livre possível para fazer o trabalho que eles querem fazer, e não para atender a minha expectativa. Confio neles e sei que a partir do momento que decidimos dar start em algo, alguma coisa muita boa vai nascer dali.

O que vocês aprenderam com as grandes ou pequenas gravadoras, no que diz respeito a fazer um lançamento? Estamos aprendendo ainda. E mais do que aprender com outros selos, aprendemos com nós mesmos. O trabalho de planejamento que o Pedro Ferreira (que produziu para o Scream os tributos ao Milton Nascimento e ao Skank e, ainda, fora do site, o do Los Hermanos) faz é sublime. Ele começa a me mandar os prints de cadernos de cultura do país e eu fico de queixo caído! É um padrão que eu queria para todos os lançamentos, mas que nem sempre consigo. Queria, por exemplo, que o disco que lançamos com exclusividade da banda portuguesa Os Lacraus tivesse mais repercussão do que teve, mas fazemos o que a gente consegue fazer.

Já pensaram em fazer um lançamento em LP ou CD? Aliás, como vê a presença (ou ausência) do CD no mercado? O lance de participar em editais é exatamente atender a essa demanda. Eu quero! E quero fazer tanto CD quanto vinil. Há público, principalmente para tiragens pequenas, que se transformam em itens de colecionador. Eu sou colecionador. Tenho aqui meus quase 1000 vinis, uns 10 mil CDs, um punhado de edições em boxes. E gostaria de adquirir mais do que tenho adquirido, mas a situação financeira do país não está permitindo extravagancias. Mas que existe público, existe.

Qual a receita para o site Scream & Yell durar tanto, em meio a todas essas mudanças na internet? A receita é ao menos tempo boa e má: ele se concentrar em apenas uma pessoa, no caso, eu. Muitos sites independentes bacanas acabaram por serem projetos de amigos, e quando a coisa desanda, ninguém acaba assumindo. Sites como o Scream & Yell, o Trabalho Sujo e o Senhor F resistem porque são centradas em uma pessoa cada um deles, e ao redor dessas pessoas gira um número enorme de colaboradores que fazem o site respirar. Eu não seria nada se não tivesse um grupo sensacional de pessoas compartilhando paixão por cultura comigo. O site existe por causa delas também. E isso é bom. O ruim é que pesa demais pruma pessoa só tocar isso. Ou seja, não há muita saída: é difícil manter um site em sociedade por muito tempo e é difícil tocar um site sozinho por muito tempo. A segunda funcionou para mim, mas já perdi a conta de quantas vezes pensei “vou acabar com o Scream & Yell”. Durar 19 anos (e contando) é inacreditável e quase um milagre. Porém, vez em quando chega um elogio, um email querido, ou olho algo que fizemos e que me dá orgulho, e um sopro de energia surge. E assim seguimos sabe-se lá até quando.

Fotos: Divulgação

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“Salt of the Earth”: o filme que surge no clipe de Tom Morello

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“Salt of the Earth”: o filme que surge no clipe de Tom Morello

Quem assistiu ao clipe de Adjourn it, single novo de Tom Morello (que tem participações de seu filho Roman Morello, na guitarra, e do cantor do System Of A Down, Serj Tankian, nos vocais) reparou que há várias cenas em preto e branco, com greves, manifestações e gente sendo presa. Dirigido por Isabella Margolis, o clipe intercala cenas do trio em estúdio, com trechos do filme Salt of the Earth, lançado em 1954, e que conta a história real de mineiros mexicano-americanos que lutaram contra a opressão e o racismo.

Salt of the Earth tem muita história: para começar, ele foi dirigido por Herbert Biberman (1900-1971), um cineasta que fazia parte da lista dos “dez de Hollywood” – um grupo de dez roteiristas e cineastas de esquerda, que estava sendo vítima de uma caça às bruxas. Ou melhor, de uma caça a supostos comunistas, realizada no começo da guerra ideológica entre Estados Unidos e União Soviética.

Biberman chegou a ficar encarcerado durante seis meses, e ao sair da prisão, decidiu dirigir um filme ficcional sobre a greve dos mineiros do Condado de Grant, no Novo México. O tal filme acabou ganhando roteiro de Michael Wilson e produção de Paul Jarrico – e ele é justamente Salt of the Earth, uma produção que já inovava por ser totalmente independente, off-Hollywood.

O filme acabou sendo uma das principais aparições na telona da atriz mexicana Rosaura Revueltas – por sinal, durante as filmagens, ela foi presa por uma suposta violação de passaporte e acabou sendo proibida de trabalhar nos Estados Unidos, um baque nunca superado em sua carreira. Ela interpreta Esperanza Quintero, a esposa de um mineiro, que faz parte de um grupo de manifestantes mexicano-americanos – a queixa deles era que a Delaware Zinc, Inc, para a qual trabalhavam, não dava a eles a mesmas condições que dava aos mineiros anglo-saxões.

Pra acompanhar a história é melhor ver o filme (tá no YouTube), mas vale dizer que Esperanza fica grávida, seu marido acaba preso e ela se junta a um grupo de esposas de mineiros, que faz piquete no lugar dos maridos. Um detalhe importante sobre Salt of the Earth é que só cinco atores profissionais estavam no elenco: Biberman e a produção convocaram mineiros de verdade, além de moradores do Condado. Nas cenas que você vê no filme, muita gente viveu aquilo de verdade.

Se você está achando que isso foi uma ideia para dar mais veracidade ao filme, não foi nada disso: os sindicatos de atores e de profissionais de Hollywood simplesmente proibiram seus associados de ter qualquer relação com Salt of the Earth, e a equipe ficou sem ter com quem contar. Houve quem notasse que aquela situação era absurda, já que eram sindicatos prejudicando um filme que fazia basicamente uma apologia ao movimento sindical. Mas isso não ajudou em nada, até porque veículos como Hollywood Reporter e Newsweek já estavam falando barbaridades como “filme de comunistas anti-americanos” e outras babaquices.

Claro que a pós-produção e o lançamento de Salt of the Earth não foram nada tranquilos: a equipe teve dificuldade de achar laboratórios que terminassem o filme e ele foi censurado e incluído na lista anti-comunismo dos EUA (foi o único filme incluído lá, aliás). Pauline Kael, uma dessas críticas de cinema que tiravam o sono dos cineastas, desprezou o filme e ainda escreveu que ele não passava de “uma peça de propaganda comunista tão clara quanto qualquer outra que tivemos em muitos anos”. Com o tempo, o filme foi sendo descoberto, e ganhou lançamentos em formatos como laserdisc e DVD. Uma matéria recente do The Guardian traz uma declaração de Biberman dizendo que ele foi “o primeiro longa-metragem já realizado nos EUA pelos trabalhadores, sobre os trabalhadores e para os trabalhadores”.

Salt of the Earth foi um poderoso ato de desafio em sua época e, mais de meio século depois, seus temas continuam a ressoar no cenário político atual. Adjourn it canaliza o legado de resistência do filme, reforçando a importância da solidariedade para unir as pessoas contra o medo e a divisão”, escreveu Tom Morello num dos textos de divulgação do clipe. E os dois (clipe e filme) estão aí embaixo.

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Chapterhouse: “O termo shoegaze era depreciativo”

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O Jesus and Mary Chain deu uma de Padre Quevedo indie e explicou numa entrevista ao site Stereogum que isso aí de shoegaze “não existe” – para Jim Reid, em particular, isso não passa de invenção de “algum palhaço do New Musical Express“. Pois bem, num papo com a newsletter First Revival, Stephen Patman, guitarrista, vocalista e fundador do Chapterhouse, uma espécie de “banda de shoegaze original” (que por sinal vem ao Brasil em setembro), deu mais detalhes sobre a origem do termo. E ainda lembrou que não era exatamente um orgulho ser chamado de “olhador de sapato” (shoegazer significa exatamente isso em português).

“O termo shoegaze era um comentário depreciativo, uma provocação”, recorda ele, lembrando que inicialmente, um jornalista chamado Steve Sutherland, da Melody Maker, escreveu que o Chapterhouse e bandas como Moose e Lush eram “a cena que celebra a si própria”. “Basicamente, porque tínhamos o mesmo empresário que o Moose e o Lush (Howard Gough), então saíamos bastante com eles e íamos aos shows uns dos outros. Também conhecíamos o Ride e o Swervedriver de Oxford, porque era bem perto de Reading”, contou.

Ele lembra de uma nomenclatura de tiro curto que surgiu: “Antes disso, chamavam de ‘cena do Vale do Tâmisa’, que incluía nós, Ride, Swervedriver e Slowdive. Então, era assim que chamavam, depois ‘a cena que se celebra'”, diz. “E aí o Andy Ross , que era o chefe da Food Records, estava assistindo ao show do Moose, e os quatro estavam lá parados olhando para baixo. Foi ele quem criou o termo ‘shoegaze’. A Polly (Birkbeck), assessora de imprensa da Food, provavelmente comentou com alguém, e a notícia chegou à imprensa musical, e aí eles começaram a usar o termo”.

Só que o termo – surgido, na prática, de uma postura tímida e mal-ajambrada de palco – acabou se revelando um feitiço que se virou contra um monte de feiticeiros do barulho. “Quando houve uma espécie de mudança na imprensa musical após a euforia inicial de 1991 em torno de tudo, eles (os jornalistas) de repente se voltaram contra nós, e passaram um ano inteiro zombando de nós. E como também saíamos juntos, os jornalistas nos viam reunidos e escreviam colunas de fofoca tirando sarro de nós de alguma forma”, continua. “Foi aí que ouvi o termo shoegaze pela primeira vez, e era um comentário depreciativo, uma provocação”.

“Mas, de certa forma, ele foi ressignificado ao longo dos anos e se tornou um gênero, o que eu acho bem curioso. Nós nunca nos consideramos uma banda shoegaze. Para ser sincero, não somos exatamente fãs de shoegaze. Não ouvimos esse tipo de música”, diz Patman. “Mas principalmente porque a maioria era de artistas contemporâneos, dos quais você não se torna fã por ser amigo. Então, sim, era um termo pejorativo que chegou à imprensa e eles começaram a usá-lo”.

“E agora o conceito se expandiu, com tantas bandas que nem de longe eram consideradas shoegaze, como The Verve, Kitchens of Distinction e Catherine Wheel, agora são consideradas assim. Eles até chamam The Jesus and Mary Chain e Cocteau Twins de shoegaze”, continua Stephen, que também não gosta do termo dream pop para definir qualquer tipo de música com alguma distorção e reverb. “É ainda mais repugante”.

E pra saber mais sobre o show do Chapterhouse no Brasil, só ir aqui.

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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