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Cultura Pop

Renato Zero: glam pop na Itália nos anos 1970

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Renato Zero: glam pop na Itália nos anos 1970

No Brasil, Renato Zero é mais conhecido por causa de um xará – ninguém menos que Renato Russo, que gravou sua Più o meno no segundo disco solo, Equilíbrio distante (1996). O artista italiano começou sua carreira nos anos 1960 como ator, ainda na adolescência. Chegou a participar de festivais e a cantar em boates, e fez até um papel pequeno num filme soft-porn, Brucia ragazzo, brucia, de Fernando Di Leo.

O nome verdadeiro dele é Renato Fiacchini. Mas o pseudônimo Renato Zero já existia desde 1968. Aliás, era uma afronta às plateias e aos críticos – que volta e meia repetiam “você é um zero” para o garotão adolescente. Mas ele ficou conhecido de verdade nos anos 1970, quando deu atenção para a emergente onda glam e passou a adotar roupas chamativas no palco.

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Confira abaixo um clipe dele de 1974. Aliás, o som de Renato não é exatamente um glam rock, e tem dimensões sonoras que o fazem parecer mais um Queen da Itália. Tem também um certa breguice (no bom sentido).

Outro som de 1974, Invenzioni, numa onda meio (vá lá) folk-prog.

Renato lembrou em algumas entrevistas que começou motivado por uma certa vontade de “ser alguém”. “É preciso um pouco de ambição. Arrastar até o último a uma igualdade de ideias e energias”, chegou a contar. “Ainda recomendo a coragem, e sou o primeiro a fazê-lo justamente porque minha coragem me ajudou a resgatar aquela parte de mim que estava adormecida”. O fato de volta e meia aparecer usando peças femininas, e de parecer um flamboyant no palco volta e meia já fez com que ele fosse visto como imitador de David Bowie, Marc Bolan (esse, bastante) e muitos outros da era glam.

Olha aí o visual de Renato em 1979 lançando o hit Triangolo, em plena era disco. Essa canção safadinha fala sobre um cara que dá em cima de uma garota, vai até a casa dela e… recebe uma proposta de uma noite a três com ela e o namorado.

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Um dos primeiros grandes sucessos de Renato rolou um ano antes disso, com o álbum Zerofobia (1977). Sim, o som parece muito com as investidas meio soft rock, meio disco music feitas aqui no Brasil. E o visual do Pablo, do Qual é a música, parece tirado dele.

Depois, em 1978, Zero lançaria o disco Zerolândia. É o disco que tem a música lá de cima, Triangolo, e gerou uma turnê bastante popular. Tem um show inteiro dessa tour no vídeo abaixo.

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Em 1979, Zero chegou a alugar uma tenda de circo, para montar um espaço próprio para seus shows, a Zerolândia. Usou a lona quase até metade dos anos 1980, época em que virou apresentador de TV na RAI (emissora italiana). Incrivelmente, Renato esteve ausente de um dos eventos mais conhecidos da Itália, o Festival de San Remo, até 1991, quando se apresentou lá cantando Spalla al muro, de Daniela Nava (mas não ganhou).

De lá para cá, a carreira de Renato Zero teve mais sucessos do que quem não acompanha o pop italiano pode imaginar. Ele apresentou programas, gravou vários discos, descobriu o mercado de DVDs, participou de filmes, lançou vários álbuns ao vivo e recentemente gravou uma fileira de discos produzidos por Trevor Horn, ex-Buggles – inclusive um de 2019, Zero il folie. Aos 71 anos, mesmo impedido de dar shows por causa da pandemia, continua se apresentando na TV e dando muitas entrevistas. Num papo recente, falou sobre religião, homofobia, relacionamentos amorosos e sobre música.

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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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