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Cultura Pop

Relembrando: New Order, “Technique” (1989)

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Relembrando: New Order, "Technique" (1989)

“É verão/dormir até acordar/almoço na hora do jantar/escola?/Não!/Fala que eu não vou”, já dizia um velho comercial de uma certa empresa de fast food que não patrocina o Pop Fantasma. Pois bem, em meio a excessos, noitadas, idas a Ibiza para conhecer a dance music local, e brigas nariz-com-nariz entre o lado mais roqueiro e a faceta mais eletrônica do quarteto, o New Order concebeu seu álbum “de verão”, que dá exatamente a sensação de poder dormir até acordar, nem que seja durante dois meses. É Technique (janeiro de 1989), último álbum de estúdio lançado pela banda na Factory Records.

Technique, para quem é fã de Low life (1985) e Brotherhood (1986), ou mesmo do rascunhado (opinião nossa) Power, corruption and lies (1983), tinha algo meio… Bom, talvez “estranho” fosse uma maneira de definir. Ou quem sabe o estranho ali era que, depois de invadir o mercado norte-americano (e o brasileiro!) com a coletânea de remixes Substance (1987), o New Order ousava tentar acertar. Low life, de músicas como The perfect kiss e Love vigilantes, era de um equilíbrio ímpar – o rock era dance, as canções dançantes tinham peso. Brotherhood separava “rock” e “eletrônico” entre lado A e B, e evitava atritos conceituais. Principalmente evitava atritos pessoais entre os integrantes.

Technique era o siri com Toddy: tudo junto e misturado. As canções dançantes vinham herdadas das mudanças climáticas promovidas pela acid house. Em alguns casos, poderiam tocar tanto numa boate comum quanto num baile funk. E davam a entender que o New Order poderia virar um grande concorrente ao trono dos Pet Shop Boys, mas sem a grandiloquência herdada da Broadway da dupla. Afinal, era o disco de Fine time, Round & round (cujo clipe era uma coleção de modelos fazendo teste de imagem), Mr Disco, músicas de batidas frenéticas, grandes refrãos, grandes aprendizados. Era também o disco da escapista Vanishing point.

O grupo abarcava uma versão própria do pós-disco, além das batidas fortes do Hi-NRG, e usava tudo isso para promover uma espécie de enterro particular do pós-punk. O baterista Stephen Morris, vendo de perto em Ibiza o que muita gente jamais conferiria, desfazia ilusões: segundo ele, os clubes da região tocavam muita acid house, e depois emendavam com um sucesso do Queen (!). Peter Hook, baixista, era quem pegava no pé da turma, lembrando a todos que o NO era um colega de Beatles e Rolling Stones. Bernard Sumner, voz e guitarra, fazia letras, e Gillian Gilbert, teclados, pegava pesado na construção de atmosferas.

A faceta “roqueira” de Technique parecia brigar por colocações nas paradas de sucesso, com canções fáceis de ouvir e repletas de violões (tendência durante os anos 1980, vale dizer). Tinha o som meio The Cure de All the way, o lado levemente hispânico e nostálgico de Love less, uma cara meio Smiths em Guilty partner... E o disco termina em clima de chacundum com a animadinha Dream attack. Uma música cuja letra punha mais dúvidas que certezas no dia a dia do New Order. Era quase um Blue monday roqueiro, otimista e safadinho: “Eu não pertenço a ninguém mas eu quero estar com você/eu não posso ser propriedade de ninguém/o que devo fazer?/não consigo ver o sentido em sua partida/tudo que preciso é do seu amor para acreditar”.

Technique era um daqueles discos dos quais não se tinha a menor dúvida. A crítica foi só elogios e o recebeu como o momento em que o New Order realizou o sonho da identidade própria, do som reconhecível a quilômetros de distância (em Low life, opinião nossa, eles já eram assim). Acabou sendo o modelo para quase tudo que a banda – entre idas e vindas – faria depois, em momentos bacanas, outros nem tanto.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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