John Pasche, o designer que fez o logotipo da boca-e-língua dos Rolling Stones, teve trabalho dobrado em 1971. Nesse ano, saiu o primeiro disco dos Stones pelo selo que levava o nome da banda, e a nova gravadora já usava a marca. O disco era Sticky fingers, cujo trabalho gráfico trazia uma capa creditada a Andy Warhol.

Quem fez a capa censurada de Sticky Fingers, dos Rolling Stones

Por sinal, mesmo creditada a Warhol, a capa acabou sendo feita quase que totalmente por um dos maiores colaboradores do artista, Craig Braun. Craig, aliás, também fez os últimos ajustes no logotipo desenhado por Pasche para a gravadora, dando a ele o tom de vermelho que tornou a ideia famosa.

O trabalho gráfico clássico do disco rendeu a Andy Warhol o equivalente hoje a uns US$ 200 mil, uma soma bem grande de dinheiro para 1971. Finalmente, a era das grandes capas de discos, que já tinha sido aberta alguns anos antes com Sgt. Pepper’s, dos Beatles (1967), bombava de vez. Mas, como você leu lá em cima, ainda rolou mais trabalho naquele ano para John Pasche. E por causa da edição espanhola do disco.

Na Espanha, que vivia a ditadura do general Francisco Franco desde 1936 (permaneceria sob as botas dos milicos até 1975), não houve conversa. Em resumo: Sticky fingers chegou às lojas por lá pela EMI-Odeon local, mas a gravadora teve que mudar a capa, considerada obscena. Pasche foi chamado para conceber o novo visual, com a ajuda de Phil Jude, o cara que faria em 1973 a foto da sopa de cabeça de bode do disco Goat’s head soup.

Quem fez a capa censurada de Sticky Fingers, dos Rolling Stones

E a capa “nova” de Sticky fingers, que você já deve até ter visto, é essa daí de cima. Tem uma lata aberta e vários dedos “grudentos” saindo dela. Tem até mais a ver com o título do disco do que o original de Warhol, vá lá.

A censura e a realização dessa capa de Sticky fingers atrasaram em alguns meses o lançamento por lá (na Inglaterra foi em abril, na Espanha só em junho). Mas por acaso a censura também implicou com uma das faixas do disco, Sister morphine, escrita por Mick Jagger e Keith Richards em cima da letra de Marianne Faithfull. Na versão espanhola, ela foi trocada por uma versão ao vivo de Let it rock, de Chuck Berry, gravada ao vivo em Leeds, em 1971.

Por acaso, a edição brasileira de Sticky fingers lançada em 1971 (pela Philips) também suprimiu Sister morphine. Mas não a substituiu por nada e deixou o lado B com uma música a menos.

Já Pasche, após tanto trabalho, tinha outra preocupação, além de atender aos pedidos de jobs que chegavam em seu escritório após criar a logomarca dos Stones. Enfim, ele precisava correr atrás de direitos, após uma mancada grave do grupo. “O logotipo da banda não estava totalmente registrado em todos os países e uma empresa alemã de jeans registrou o logotipo na Alemanha para seus próprios produtos”, contou aqui.

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