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Cultura Pop

Quando Mick Ronson foi tocar com Bob Dylan

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Quando Mick Ronson foi tocar com Bob Dylan

Ian Hunter, criador do Mott The Hoople e bastante sacudido aos 82 anos, faz uma coluna de perguntas e respostas em seu site oficial, em que tira dúvidas dos fãs. Por acaso, fizeram uma pergunta bem interessante a ele, sobre o fato de seu amigo Mick Ronson ter reclamado que Bob Dylan nunca lhe dirigiu a palavra quando ele foi guitarrista da turnê Rolling Thunder, em 1975 e 1976.

A tour Rolling Thunder já gerou um excelente documentário que está à disposição na Netflix. E foi campeã de número de músicos ocupando um palco. Dylan convidou muita gente, entre acompanhantes, velhos amigos (Joan Baez e Joni Mitchell entre eles). E até atrações extramusicais, já que o poeta Allen Ginsberg lia textos nos shows – mas depois teve suas aparições diminuídas e chegou a dar uma de roadie.

A ideia de Dylan era tocar em cidades pequenas, em auditórios com pouca capacidade e, de certa forma, subverter um pouco a regra normal do mercado. Que afasta bandas e artistas grandes de seu público, colocando-os apenas em enormes estádios, com preço altíssimo e palco enorme.

>>> Veja também no POP FANTASMA: MC Bob Dylan

Entre um e outro show, mal havia tempo para trocar ideias, e as coisas mudavam em poucos minutos. Dylan é um sujeito reservado e não interagia muito. Hunter diz crer que o amigo Mick Ronson não foi tratado com frieza pelo novo chefe. “Acho que Mick adorou tocar na tour. Ele tinha muitos outros amigos nova-iorquinos e West Coasters. Bob Dylan não conversa muito. É o jeito dele. Foi uma grande turnê e as pessoas estavam ocupadas, mas eu sei que ele gostou do jeito de tocar de Mick”, afirmou.

Uma matéria publicada na Uncut dá conta de que as coisas não iam lá muito bem para Ronson até o momento de ser chamado para tocar com Dylan. Mas o guitarrista ia levando. Mick Ronson era o fiel escudeiro de David Bowie na fase Spiders From Mars, mas desde o disco The man who sold the world (1971) passava por momentos de desprestígio bravo. Suas colaborações com Bowie deram cara própria a muitas canções do camaleão, mas o guitarrista nunca recebeu crédito de coautor.

Após Bowie desistir da banda que o acompanhou até Aladdin Sane (1973), Mick – com o apoio da mesma empresa que cuidava da carreira do patrão, Mainman – lançou dois discos pela RCA. Foram Slaughter on 10th avenue (1974) e Play don’t worry (1975). Os álbuns não fizeram sucesso e o cantor não se segurou na gravadora.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando os fãs malucos de Woodstock meteram medo em Bob Dylan

A amizade com Ian Hunter gerou também um trabalho em conjunto, que durou vários shows e alguns (excelentes) discos, como Yui orta (1990). Mas muito do desencanto de Ronson já podia ser sentido em músicas como Play don’t worry. Aliás, a letra era praticamente um recado dele para ele mesmo (“toque, não se preocupe/não pense mais sobre eles/comece novamente seu sonho de amanhã”).

O contato de Ronson com Dylan surgiu quando o guitarrista começou a frequentar os bares de Greenwich Village, em Nova York e a fazer contato com os músicos da cena. Acabou numa noite tomando uns drinques com o cantor folk Bobby Neuwirth e com Dylan. O cantor de Lay lady lay, inesperadamente, sugeriu que Ronson seguisse a turma na estrada. No começo, nem Mick achou que aquilo fosse de verdade. Mas Dylan ligou para ele dias depois avisando que os ensaios começavam no domingo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: O documentário quase secreto de Bob Dylan

Ronson não estava tão acostumado assim com o repertório de Dylan, ou com as mudanças de arranjos e de set list dos shows do cantor – que são tradicionais há décadas. No começo, teve problemas para se adaptar e ficou chocado de ver que a turma já tinha um menu enorme de canções, e ainda escolhia entre 100 e 150 músicas todas as noites. Mas passou a adorar o repertório à medida que os shows foram acontecendo e recordou que músicos como Dylan, Neuwirth e T-Bone Burnett foram nota dez com ele.

Depois disso, as mudanças na banda de Dylan e a chegada de novos trabalhos tiraram Ronson da banda. O músico chegou a gravar com Roger Daltrey e David Cassidy em 1977, e depois voltou a trabalhar com o amigo Ian Hunter.

Olha aí Mick Ronson no palco com Dylan (à esquerda, lá atrás e fazendo altos solos) tocando Maggie’s farm. A gravação foi feita para um especial de TV da NBC que gerou o disco ao vivo Hard rain, de 1976.

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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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