Cultura Pop
Várias coisas que você já sabia sobre Blonde On Blonde, de Bob Dylan

No começo de 1966, ano em que os Beatles se preparavam para dar uma guinada mais significativa com Revolver, o nome do meio de Bob Dylan era trabalho. Já devidamente convertido à música elétrica após as vaias no Festival Folk de Newport, o cantor estava em uma estafante turnê montada por seu empresário Albert Grossman, na qual era acompanhado pela banda canadense The Hawks – que depois passaria a se chamar simplesmente The Band. Também arrumava tempo para encarar o estúdio e gravar seu sétimo disco, que seria duplo. E se chamaria Blonde on blonde.
Blonde on blonde representava a virada definitiva de Dylan para o universo pop como ele era conhecido na segunda metade dos anos 1960, época em que Beatles e Rolling Stones disputavam a atenção dos jovens. E começava a haver, no universo do rock, maior demanda por uma música política – se não nas letras, pelo menos na atitude, na poética escolhida. O temperamental Dylan parecia obcecado em dar continuidade à sua carreira combinando ironia, elaboração, poesia, romantismo e sonoridades energéticas. Mas mesmo com as mudanças sonoras, havia um ar de encontro com as raízes no disco novo: lá pelas tantas, Dylan não ficou satisfeito com as sessões iniciais em Nova York e se transferiu para a capital do country, Nashville.
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Entre crises criativas, soluções de mestre, uma certa ajuda dos amigos (Al Kooper, o tecladista, em especial), Blonde on blonde saiu, revelando músicas como Rainy day women nº 12 & 35, I want you, Just like a woman e outras. O disco representou também uma vírgula na carreira de Dylan, já que o cantor sofreria um misteriosíssimo acidente de moto quase um mês após seu lançamento, interrompendo turnês e demais compromissos. A qualidade das canções, o mistério e a capa enigmática (apenas uma foto desfocada, sem nome do artista ou do disco) ajudaram na mística.

E segue aí nosso relatório sobre Blonde on blonde. Ouça lendo, leia ouvindo, essas coisas.
PRIMEIRO DISCO DUPLO? De jeito nenhum: quando Blonde on blonde saiu, o formato de LPs duplos, triplos e até caixas com 4 ou 5 LPs já era largamente utilizado no jazz e na música clássica – especialmente na hora de colocar óperas em vinil. Blonde on blonde é considerado o primeiro LP duplo da história do rock, e por pouco não perdeu o posto. Isso porque Frank Zappa e seus Mothers Of Invention já estavam gravando a estreia Freak out!, e o disco deles saiu uma semana depois do de Dylan.
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ALIÁS E A PROPÓSITO, a Playboy, em abril de 1993, perguntou a Zappa o que ele achava de Dylan, Jimi Hendrix e Rolling Stones. O bigodudo soltou um veneninho justamente para cima de qual disco? “Highway 61 revisited foi muito bom. Então pegamos Blonde on blonde e o som começou a soar como música de cowboy, e você sabe o que eu acho de música de cowboy”, desabou.
TAVA DANDO MERDA. Dylan, lá pelo comecinho de 1966, estava começando a querer ficar livre de seu empresário, o poderoso Albert Grossman, sujeito importantíssimo na consolidação do folk-rock enquanto música “jovem”, e que depois cuidaria da carreira de Janis Joplin. Grossman havia criado com Dylan uma editora chamada Dwarf Music, para publicar as canções de Bob. O cantor, totalmente cabeça-de-vento no que dizia respeito a contratos, nem sequer leu nada que assinou. Depois descobriu que o empresário teria direito a 50% de tudo que ele fizesse em dez anos.
SEMPRE NA ESTRADA. A partir de meados de 1965, Dylan consolidaria sua faceta de drop-out estradeiro, partindo para uma turnê estafante. Grossman agendara a turnê pelos próximos nove meses, para aproveitar a excelente maré de sucesso do cantor, que encontraria datas por todos os EUA. Dylan tinha companhia no novo giro: uma banda canadense chamada The Hawks, composta pelos músicos Levon Helm (bateria), Robbie Robertson (guitarra), Rick Danko (baixo), Richard Manuel (piano, órgão) e Garth Hudson (sax, teclados).
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THE HAWKS. Essa formação, que depois mudaria de nome para The Band, tinha esse nome por uma razão básica: havia sido criada para acompanhar o roqueiro americano Ronnie Hawkins. Ronnie era tão pioneiro do rock quanto Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Carl Perkins, mas havia se mudado para o Canadá no começo da carreira e estabelecera-se por lá. Em 1975, foi convocado por Dylan para interpretar o próprio cantor de Blowin’ in the wind no filme Renaldo and Clara.
LÁ EM NOVA YORK. Num intervalinho de turnê, no fim de 1965, Dylan foi visitar ninguém menos que Andy Warhol. Concordou em fazer um dos famosos screen tests do esteta pop mas, depois, dando um passeio pelo multi-ateliê de Warhol, deparou com um dos retratos de Elvis Presley feitos por Warhol. Bob insistiu tanto que acabou ganhando uma das serigrafias.
MAS, curiosamente, Dylan zoava a imagem na frente de todo mundo que o visitava em sua mansão em Woodstock, e acabou dando a pintura para a família Grossman. Warhol detestou descobrir isso, mas seria vingado com o tempo: Sally Grossman, mulher de Albert, vendeu o quadro num leilão por 720 mil dólares em 1988.
E OLHA AÍ o teste de Dylan.
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DEMOROU PARA ABALAR. Ainda que o segundo disco de Dylan, The freewheelin’ Bob Dylan (1963) tenha sido feito em várias etapas e com produtores diferentes – um pouco pelas indecisões do artista, um pouco pelos embates entre Grossman e a equipe – Blonde on blonde é tido como o primeiro disco do cantor a ser marcado por regravações, trocas de músicos, mudanças de rota, rasga-rasga de músicas e abandono de originais quando as coisas começavam a não andar.
DEMOROU MESMO. Dylan começou, com produção de Bob Johnston, a gravar Blonde on blonde em outubro de 1965 no estúdio da Columbia em Nova York. Só que as primeiras gravações com The Hawks deixaram o cantor insatisfeito. Após ouvir uma sugestão do produtor, Dylan decidiu fazer as gravações do disco no estúdio da gravadora em Nashville, contra a vontade de Grossman (que ameaçou Johnston com o olho da rua por causa disso).
DYLAN levou apenas Al Kooper (teclados) e Robbie Robertson (guitarra) para a gravação em Nashville. A turma que gravou com ele por lá era liderada pelo experiente guitarrista e gaitista Charlie McCoy. Ele recordou que Dylan queria gravar com músicos de country que não fossem da velha guarda e conhecessem rock.
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O ESTÚDIO em Nashville era um daqueles espaços antigos, amplos, cheios de divisórias. Dylan queria todo mundo junto na sala de gravação, como se fosse um palco. Johnston conta que mandou um dos zeladores arrancar todos os biombos que separavam os músicos “e tacar fogo”.
O QUEBRA-QUEBRA de divisórias no estúdio era, vá lá, uma demonstração de que Dylan tinha poder na Columbia e que a gravadora iria apoiá-lo para que ele fizesse o disco que bem entendesse. Numa época em que qualquer firma grande contava moedas e tentava conseguir mais por menos, a Columbia liberou um disco duplo, e pagou um time de músicos de estúdio para que acompanhasse Dylan até que Blonde on blonde ficasse pronto.
ALIÁS E A PROPÓSITO, Dylan abusou da paciência da Columbia e dos músicos o quanto pôde: chegou no estúdio sem ter músicas prontas e precisou pedir a eles que circulassem pelo local enquanto ele terminava de escrever. Todos haviam sido convocados para ir lá na madrugada, lutavam contra o sono e foram chamados de volta à sala para aprender uma canção nova de Dylan. Era a quilométrica Sad-eyed lady of the lowlands, de onze minutos, que fez Charlie McCoy e seus colegas, todos exaustos, entrarem em estado de aflição.
ESSA MÚSICA, que ocupou todo o quarto lado do disco, “acaba sendo um dos raros momentos de serenidade num álbum que respira a energia nervosa da anfetamina”, escreveu Ana Maria Bahiana num texto sobre Blonde on blonde publicado na Discoteca Básica da Bizz, em agosto de 1986. A musa da canção geralmente é tida como Sara, a esposa quase secreta do cantor – Dylan havia casado quase escondido de seus amigos e alguns deles mal sabiam do relacionamento, que já gerara um filho, Jesse.
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OUTRAS musas possíveis do álbum são a atriz da turma de Andy Warhol, Edie Sedgwick, que teria inspirado Just like a woman e Leopard-skin pill-box hat. E Joan Baez já disse acreditar que Visions of Johanna foi feita para ela. “Muitos veem tanto em “Sad-eyed lady… quanto em Visions of Johanna as primeiras manifestações de sentimento realmente religioso em Dylan, a busca de uma dimensão metafísica, espiritual, para a existência”, continua Ana Maria.
ALIÁS E A PROPÓSITO, Edie é tida como a loura inspiradora do nome do disco, Blonde on blonde. Mas é improvável: testemunhas dizem que os títulos das músicas e o nome do álbum foram dados quase que automaticamente por Dylan, e que alguns foram dados quando Johnston perguntou ao cantor “como você quer chamar essa música?”.
MAS Oliver Trager, que escreveu enciclopédias do cantor, acredita que o nome venha da peça Brecht on Brecht, espécie de retrato no palco do dramaturgo Bertolt Brecht.
DOIDEIRA. Rainy day women, que se tornaria uma das faixas mais queridas de Blonde on blonde, era a música do verso “todo mundo tem que ficar chapado”. Dylan se recusou a gravar a música com todo mundo “careta” e foi logo querendo saber o que é que todo mundo fazia ali pra ficar doidão. Um zelador do estúdio foi comprar coquetéis para a turma num bar e, estranhamente, voltou com a bebida dentro de embalagens longa-vida. Foi o que ajudou a dar o clima maluco da gravação, além de eventuais baseados.
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DYLAN queria dar um clima de charanga, de banda de inauguração de farmácia, para a música. Além da turma permanecer doidona na gravação, os músicos trocaram de instrumentos: Al Kooper foi para a percussão, por exemplo. Henry Strzelecki, originalmente guitarrista e baixista, ficou com os teclados. Existe uma discordância sobre a turma fumou maconha no estúdio ou não. Strzelecki e o tecladista Hargus “Pig” Robbins juram terem fumado bastante. Mas McCoy e Kooper dizem que Grossman não permitiria maconha ou bebidas no estúdio.
APARENTEMENTE, Dylan foi fazendo o disco sem se dar conta de que tinha um excedente de material, e só viu que aquilo tudo rendia um disco duplo na hora da mixagem. Por acaso, a equipe que trabalhava em Blonde on blonde preferiu dar mais atenção à versão mono do que à estéreo, na mixagem – a primeira demorou vários dias para ser concluída.
CABOU. Blonde on blonde foi gravado enquanto Dylan fazia show atrás de show, experimentava drogas (LSD, haxixe e bolinhas variadas) e se divertia, à sua maneira, com os Hawks, que estavam no ponto de assobiar e chupar cana por causa das substâncias lícitas e ilícitas. A heroína começava a fazer parte do dia a dia de Levon Helm, por exemplo. Dylan creditava ao uso de drogas o fato de se manter acordado e ativo em meio a uma bateria nervosa de shows, mas dizia que elas não inspiravam músicas. E por outro lado, Rainy day women 12 & 35 estava sendo banida de algumas rádios por causa das referências a “ficar chapado”.
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A CAPA. Desde o primeiro disco, uma coisa era certa em relação aos álbuns de Dylan: as fotos de capa precisavam ser sensacionais. O estilo de Dylan (boinas, jaquetas transadas, camisetas com estampas cool) era copiado pela juventude dos anos 1960, e as imagens de capa precisavam seguir essa linha. Na foto de Blonde on blonde, clicada em fevereiro de 1966, Dylan usou uma jaqueta de estimação (com a qual ele apareceria nas capas de John Wesley harding, de 1967, e Nashville skyline, de 1969) e posou para o fotógrafo Jerry Schatzberg, que colaborava com revistas como Vogue e Esquire.
PRÉDIO DE TIJOLINHOS. Dylan e Schatzberg, que estavam em Nova York, preferiram não fazem as fotos no estúdio da Columbia. Foram até o Meatpacking District, bairro de Manhattan que na época era um centro de comércio lotado de frigoríficos e já estava bastante decadente. A região passou a abrigar butiques e galerias de arte nos anos 1990. Os dois foram para a frente de um prédio de tijolinhos (que, de acordo com pesquisadores, ficava na 375 West Street) e fizeram as fotos.

FOI O FRIO. A razão pela qual a imagem de Blonde on blonde saiu meio desfocada é bem simples: no dia da foto, estava fazendo um frio desgraçado e Schatzberg estava tremendo. De qualquer jeito, a sessão ainda rendeu outras fotos nítidas e em foco, como a daí de cima, mas Dylan preferiu a que foi para a capa, e assim rolou. Outras fotos da sessão apareceram na capa do single I want you (com Dylan fotografado nas cercanias) e na do CD Bob Dylan 1965-1966 – The cutting edge. Aqui você vê todas as fotos “perdidas” da sessão.
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ALIÁS E A PROPÓSITO, pega aí Schatzberg contando histórias da capa de Blonde on blonde e tentando achar o prédio em que ela foi tirada (a região passou por várias reformas ao longo das décadas).
PROIBIDÃO. A primeira edição americana de Blonde on blonde, nas mãos de vendedores mais careiros, pode chegar a passar dos R$ 5 mil. Tudo porque Schatzberg decidiu incluir na arte interna uma foto da atriz Claudia Cardinale, que ele havia tirado. Só que não pediu autorização a ela para isso. De qualquer jeito, Claudia foi mantida nas edições ao redor do mundo (em tempo: Blonde on blonde nunca saiu no Brasil).
DIFÍCIL É A DATA. Oficialmente, Blonde on blonde sempre foi considerado um disco lançado em 16 de maio de 1966. Só que pesquisas feitas posteriormente nas anotações da Columbia puseram a data em xeque. Clinton Heylin, escritor inglês que pesquisa a obra de Dylan, descobriu que a data de lançamento foi, na verdade, 20 de junho de 1966. Em tempo: Freak out, de Frank Zappa, saiu em 27 de junho.
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E AÍ, FICOU LEGAL? Ficou: assim que Blonde on blonde saiu, foi raro ler algo desfavorável sobre ele. Paul Williams, editor da Crawdaddy!, disse que o álbum era “um esconderijo de emoção, um pacote bem tratado de excelente música e melhor poesia”. Em um texto sobre Dylan, Ana Maria Bahiana afirmou que o cantor, em Blonde on blonde e em outros álbuns, “ensinava como expressar e como omitir, como transformar raiva e desprezo em algo bem mais complicado, ou como desenhar amor e paixão com todas as suas ambiguidades”. O disco foi logo para o Top 10 nos EUA e Reino Unido. I want you e Just like a woman viraram hinos.
A TURNÊ 1965/1966 de Dylan foi acompanhada de perto por críticos musicais (alguns deles estavam bastante descontentes com a nova fase da carreira do cantor) e por um público cada vez mais passional. No Free Trade Hall, em Manchester, um fã puto da vida com a eletrificação do repertório acústico do cantor, chamou-o em alto e bom som de “Judas”. A cena aparece até no documentário semi-inédito Eat the document (sobre o qual já falamos). Em Paris, a demora de Dylan para afinar seu violão causou vaias.
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EAT THE DOCUMENT era um documentário que DA Pennebaker, o mesmo diretor de Don’t look back, estava fazendo com a turnê de 1966. Dylan, que andava numa fase em que não se importava em ser agradável nem com amigos, decidiu cortar cenas inteiras e fazer ele mesmo o corte final do filme. A emissora ABC, que queria o filme para exibir, achou que o resultado tinha ficado maluco demais e desistiu dele. Dylan ainda tinha outras coisas para se preocupar: um disco novo que a Columbia exigia, o término de seu livro de poesias Tarantula (que ele quis modificar assim que viu as provas da editora) e as encrencas com Grossman, que tentava renegociar seu contrato com a gravadora.
SÓ QUE o destino se encarregou de colocar uma vírgula nos planos de Dylan. O cantor, em 29 de julho de 1966, sofreu um sério acidente com sua motocicleta, uma Triumph Tiger 100, perto de sua casa em Woodstock, Nova York. O acidente ocorreu em situações meio misteriosas até hoje: Dylan diz que quebrou várias vértebras mas nenhuma ambulância foi chamada ao local. Seja como for, um momento bom para descansar, colocar a cabeça em ordem e fugir do assédio. “Eu tinha sofrido um acidente de motocicleta e me machucado, mas me recuperei. A verdade é que eu queria sair da corrida de ratos”, afirmou em sua biografia Crônicas.
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DYLAN sumiu dos palcos e se enfiou no estúdio de sua casa com a turma da The Band (os ex-Hawks), para gravar uma série de músicas. Varias delas ele estava compondo para outros cantores. O material de estúdio só apareceria em disco em 1975, no LP duplo The basement tapes. Após Blonde on blonde, viria John Wesley Harding (1967), mais um álbum gravado em Nashville, com lembranças do Velho Oeste nas letras. Em 1969, foi a vez do elogiado e bem sucedido Nashville skyline, do hit Lay lady lay, e de Girl from the North Country, gravada ao lado de Johnny Cash.
E é isso. Pega aí Dylan em seu primeiro grande show após o acidente de moto, na Ilha de Wight, em 1969.
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Cultura Pop
Os bastidores do raro “Joy Division – A Malcolm Whitehead Film”, que ganha lançamento oficial

Falamos na semana passada: tá pra sair a caixa Eternal (Live) contendo praticamente tudo que existe do Joy Division ao vivo. O pacote sai em 25 de setembro e é um box com 16 álbuns ao vivo completos, distribuídos em 14 CDs, além de dois DVDs. Um dos DVDs traz uma edição oficial de Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, filme raríssimo da banda, feito em 1979, e que virou uma espécie de “figurinha difícil” do álbum do JD.
Malcolm era o chefe da Ikon/FCL, braço cinematográfico da Factory Records. Para fazer Joy Division, que tem 17 minutos de duração, ele compilou imagens em super-8 feitas durante a gravação da estreia Unknown pleasures (1979), e no show dado no Bowden Vale Youth Club em 4 de março de 1979 – por acaso, foi a primeira vez que um show do grupo foi filmado. Há também uma entrevista com a banda.
Se você fizer uma busca no YouTube, acha apenas trechos desse material, em péssima qualidade de som e imagem – alguns trechos estão com outra trilha sobreposta, ou surgem editados em vídeos feitos por fãs. Joy Division – A Malcolm Whitehead Film foi feito apenas para ser exibido em setembro de 1979 na primeira edição do Factory Flick, no cinema Scala, em Londres.
O Factory Flick foi um evento criado por Malcolm e Tom Wilson, dono do selo. A ideia era apresentar bandas da Factory Records em um formato que misturava cinema experimental, videoclipes, documentário e arte de vanguarda. Era algo muito alinhado ao espírito da Factory, que nunca quis ser apenas uma gravadora – e não foi apenas o Joy Division que ganhou seu curta, já que filmes sobre bandas como A Certain Ratio, Orchestral Manoeuvres in the Dark e The Durutti Column estavam também nos programas do evento. Só que, como o JD virou objeto de culto após a morte de Ian Curtis, o filme deles virou lenda.
Não foi só isso que tornou o filme uma lenda: Whitehead não fez um simples filme-concerto e decidiu dar – por conta própria – dimensões políticas ao Joy Division.
Ele enquadrou o Joy Division como uma resposta ao clima social britânico do fim dos anos 1970, à ascensão do thatcherismo e ao autoritarismo. O filme intercala imagens da banda com entrevistas com um sujeito chamado James Anderton, chefe de polícia da Grande Manchester e tido por artistas, jovens e membros da comunidade gay local como um agente da repressão.
Há também referências ao romance House of dolls, de Yehiel Dinur, que popularizou o termo “joy division” (como referência aos grupos de mulheres judias aprisionadas em campos de concentração, que se prostituíam para soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial). Já era algo que causava polêmica, mas quanto à visão do JD como resposta ao autoritarismo, muita gente reclama que Whitehead impôs um viés político à banda.
Em 2007, o documentário Joy Division, dirigido por Grant Gee, mostrava a história da banda a partir de entrevistas inéditas e imagens nunca vistas ou bem raras. Malcolm não apenas foi um dos entrevistados como também teve imagens de seu curta incluídas no filme.
A revista Arts & Music fez uma entrevista com Malcolm na época, e descreveu Joy Division – A Malcolm Whitehead Film como um retrato de uma “Manchester perdida”. O site FactoryRecords.org resgatou o papo com Malcolm, feito pelo repórter Jamie Holman. E nós reproduzimos abaixo. Pra entender mais o que está por trás do filme, é importantíssimo.
Como surgiu seu filme? Aconteceu porque eu já era amigo do Rob (Gretton) desde que trabalhávamos no aeroporto e depois quando ele era DJ no Rafters. Eu costumava ir lá assistir bandas e o Rob acabou empresariando uma banda chamada The Panik. Eu estava começando como cineasta na época, autodidata, filmando em 8mm.
E começamos um filme que não deu em nada. O show do The Panik na última noite do Electric Circus. Estava muito escuro e a filmagem ficou péssima. Acabou ficando de lado. Aí o Rob me ligou e disse: “Estou empresariando uma banda nova chamada Warsaw e me perguntou se eu queria ir vê-los no The Factory”.
Fui vê-los no antigo Russell Club e eles foram absolutamente incríveis; me arrepiaram. Quis fazer algo com eles naquele instante. Fui falar com o dono da loja de discos local e contei a ele sobre o clube Bowden Vale em Altrincham, onde eu tinha visto inúmeras bandas em 1963-64, e disse que ele deveria voltar a promover shows.
Mais tarde, apresentei-o ao Rob, que tinha um monte de cópias do primeiro EP da banda que sobraram. Eles estavam sem dinheiro, então venderam tudo para o dono da loja de discos, e ele as colocou para tocar em Bowden Vale. E era isso que eu queria desde o início, sabe? Eu queria filmar a banda. Então, aluguei alguns andaimes e equipamentos e fiz tudo.
Com que equipamento você filmou? Bom, tudo custou setenta e duas libras, o que eu achei um absurdo! (risos) Filmei com uma câmera de cinema Hannimex baratinha, a primeira câmera que tive. Usei um filme da Agfa que lançaram na época, que tinha uma faixa de som, mas vinha num cartucho silencioso e o som era adicionado depois, no projetor. Então filmei sem som e gravei o áudio num gravador de rolo. Era para sincronizar depois, mas não funcionou! Filmei a vinte e quatro quadros por segundo, mas só funcionou a dezoito.
Só descobri depois! Filmei tudo com uma câmera e só tinha dinheiro para três cartuchos. Cerca de nove minutos. Filmei duas músicas e meia de uma vez e depois fiz cortes, tentando não incluir instrumentos para poder inseri-los como cenas adicionais sobre o que já tinha filmado. Então, fiquei com os três cartuchos e uma fita de rolo com o show inteiro. Eu já tinha começado as outras partes do filme antes do show.
Isso é a parte técnica da atuação. Mas qual é o significado do filme como um todo? O que você estava tentando fazer? Começa com New dawn fades. Você sabe, essa é a música que está tocando, e ela simboliza esse novo amanhecer do fascismo com James Anderton, o chefe de polícia de Manchester na época. Ele foi um precursor de Thatcher, pois era de extrema-direita, religioso e queria reprimir os jovens.
Então o filme passa de “O Desvanecimento de uma Nova Aurora” para o tema nazista. Mas não era uma nova aurora, era um retorno ao passado. Ouvimos discursos de Adolf Hitler misturados com Anderton falando sobre campos de trabalho forçado em uma entrevista que ele deu a Tony Wilson, curiosamente (o criador da Factory era apresentador de talk shows na TV). Ele dizia coisas como: “Eles serão obrigados a trabalhar como nunca trabalharam antes”, e isso leva a uma montagem de anúncios e cenas de ruas do centro de Manchester. Este é o consumismo – o novo fascismo! Nesse ponto, era algo local, mas dava a sensação de que algo muito ruim estava acontecendo e que se tornaria maior.
Então você tem essa coisa de lei e ordem, esse fascismo corporativo, e aí eu corto para a banda na sala de ensaio. Parece ótimo, bem underground. Sabe, underground no sentido político, tipo a resistência francesa. Mas esse era um underground cultural. Eles eram a resistência contra tudo isso lá fora.
O que era que havia de tão especial no Joy Division? Eles eram simplesmente poderosos demais. Eu sabia que eles iam bombar. Não havia motivo para pensar isso, na verdade, só tinha umas dez pessoas no Factory Club. Eu não conseguia acreditar. Eu simplesmente sabia que aquilo era a nova onda. Era isso. Eles eram muito mais do que o punk tinha se tornado, que basicamente era só uma banda para substituir as bandas de pub rock. Aquilo era algo maior e artisticamente mais significativo do que o punk. Pelo menos para mim.
O que aconteceu com o filme quando foi editado e sincronizado? Foi exibido pela primeira vez no antigo cinema Scala, em Londres – um cinema de verdade!
Qual foi a reação a isso? Bem, eles fizeram três exibições ao longo de um dia, e todas estavam lotadas; houve aplausos e tudo mais, o que foi estranho, já que eu nunca tinha exibido um filme em público. Foi realmente emocionante.
Onde mais foi exibido? Bem, um cara me ligou de Berlim e, honestamente, eu era tão inocente na época que mandei o filme para ele. Não dava para fazer cópias decentes. Então ele foi para Berlim, e tinha gente fazendo fila na porta para assistir. Eles exibiram e exibiram, sabe-se lá quantas vezes. Por sorte, eu tinha coberto o filme com preservativo e antirrisco. Tinha umas perfurações amassadas quando recebi de volta, mas não era nada demais. Na verdade, não causou problemas de verdade até bem recentemente, quando restaurei o filme com Brian Nicholson (associado de longa data da Ikon, ‘confidente e cúmplice’; ‘guardião do que alguns chamam de arquivo’).
Há alguma filmagem ou trilha sonora que não entrou no filme? Tem o áudio completo do show, exceto New dawn fades, porque eu estava ajustando os níveis naquele momento. Também tem uma tentativa de entrevista que deu errado porque eles não queriam falar! Então eu gravei essa parte, já que o filme era muito caro e não dá para desperdiçar. Tem também uns trinta minutos de áudio da sala de ensaio. Eu também entrevistei o Rob no meu apartamento. Essa entrevista está em uma fita cassete, acho que tem trinta minutos.
A banda viu isso? O Ian adorou; o resto da banda não entendeu muito bem. Eles desceram para falar com um amigo meu, mas o Ian ficou e depois disse que tinha entendido e achado ótimo, e isso significou muito, já que era o Ian que eu queria para dar o aval. Quando foi transferido para vídeo, nós o exibimos algumas vezes em shows — A Certain Ratio — e a primeira versão, que é uma porcaria, é o bootleg que você vê na internet. É realmente uma porcaria, essa cópia, e só tem a performance do Joy Division.
Por que nunca foi lançado pela Factory ou pela Ikon? Por que não está na Here are the young men? (coletânea de vídeos do grupo). Bem, este era o meu filme. Não era um filme do Joy Division nesse sentido. Era o meu filme e eu nunca pensei que estivesse terminado; ele seria muito mais longo. E havia um problema com a questão nazista. A banda estava farta disso, e eu não ia tirar. Significava algo. Eles estavam cansados de serem associados ao fascismo. Mas eles não eram, sabe? O nome sugere o que eles realmente eram: antifascistas. E então o assunto não foi discutido por mais de vinte anos.
Então, quem é o proprietário agora? A Cherry Red Records comprou. Quer dizer, não me importa quem seja o dono, eu só queria que fosse restaurado corretamente.
Quem o restaurou? Eu e Brian Nicholson. Eu e Brian trabalhamos juntos como uma parceria cinematográfica há vinte e seis anos. Ele restaurou e transferiu o filme para a emissora Granada, e eu o reeditei e o estendi para incluir três músicas completas.
Você algum dia vai se livrar do Joy Division e seguir em frente? Bem, senti essa responsabilidade ao longo dos anos e espero poder passar todo o resto adiante. E com o lançamento do novo documentário, pelo menos sei que parte dele finalmente está sendo visto e que existe uma cópia remasterizada decente por aí.
Cultura Pop
“Salt of the Earth”: o filme que surge no clipe de Tom Morello

Quem assistiu ao clipe de Adjourn it, single novo de Tom Morello (que tem participações de seu filho Roman Morello, na guitarra, e do cantor do System Of A Down, Serj Tankian, nos vocais) reparou que há várias cenas em preto e branco, com greves, manifestações e gente sendo presa. Dirigido por Isabella Margolis, o clipe intercala cenas do trio em estúdio, com trechos do filme Salt of the Earth, lançado em 1954, e que conta a história real de mineiros mexicano-americanos que lutaram contra a opressão e o racismo.
Salt of the Earth tem muita história: para começar, ele foi dirigido por Herbert Biberman (1900-1971), um cineasta que fazia parte da lista dos “dez de Hollywood” – um grupo de dez roteiristas e cineastas de esquerda, que estava sendo vítima de uma caça às bruxas. Ou melhor, de uma caça a supostos comunistas, realizada no começo da guerra ideológica entre Estados Unidos e União Soviética.
Biberman chegou a ficar encarcerado durante seis meses, e ao sair da prisão, decidiu dirigir um filme ficcional sobre a greve dos mineiros do Condado de Grant, no Novo México. O tal filme acabou ganhando roteiro de Michael Wilson e produção de Paul Jarrico – e ele é justamente Salt of the Earth, uma produção que já inovava por ser totalmente independente, off-Hollywood.
O filme acabou sendo uma das principais aparições na telona da atriz mexicana Rosaura Revueltas – por sinal, durante as filmagens, ela foi presa por uma suposta violação de passaporte e acabou sendo proibida de trabalhar nos Estados Unidos, um baque nunca superado em sua carreira. Ela interpreta Esperanza Quintero, a esposa de um mineiro, que faz parte de um grupo de manifestantes mexicano-americanos – a queixa deles era que a Delaware Zinc, Inc, para a qual trabalhavam, não dava a eles a mesmas condições que dava aos mineiros anglo-saxões.
Pra acompanhar a história é melhor ver o filme (tá no YouTube), mas vale dizer que Esperanza fica grávida, seu marido acaba preso e ela se junta a um grupo de esposas de mineiros, que faz piquete no lugar dos maridos. Um detalhe importante sobre Salt of the Earth é que só cinco atores profissionais estavam no elenco: Biberman e a produção convocaram mineiros de verdade, além de moradores do Condado. Nas cenas que você vê no filme, muita gente viveu aquilo de verdade.
Se você está achando que isso foi uma ideia para dar mais veracidade ao filme, não foi nada disso: os sindicatos de atores e de profissionais de Hollywood simplesmente proibiram seus associados de ter qualquer relação com Salt of the Earth, e a equipe ficou sem ter com quem contar. Houve quem notasse que aquela situação era absurda, já que eram sindicatos prejudicando um filme que fazia basicamente uma apologia ao movimento sindical. Mas isso não ajudou em nada, até porque veículos como Hollywood Reporter e Newsweek já estavam falando barbaridades como “filme de comunistas anti-americanos” e outras babaquices.
Claro que a pós-produção e o lançamento de Salt of the Earth não foram nada tranquilos: a equipe teve dificuldade de achar laboratórios que terminassem o filme e ele foi censurado e incluído na lista anti-comunismo dos EUA (foi o único filme incluído lá, aliás). Pauline Kael, uma dessas críticas de cinema que tiravam o sono dos cineastas, desprezou o filme e ainda escreveu que ele não passava de “uma peça de propaganda comunista tão clara quanto qualquer outra que tivemos em muitos anos”. Com o tempo, o filme foi sendo descoberto, e ganhou lançamentos em formatos como laserdisc e DVD. Uma matéria recente do The Guardian traz uma declaração de Biberman dizendo que ele foi “o primeiro longa-metragem já realizado nos EUA pelos trabalhadores, sobre os trabalhadores e para os trabalhadores”.
“Salt of the Earth foi um poderoso ato de desafio em sua época e, mais de meio século depois, seus temas continuam a ressoar no cenário político atual. Adjourn it canaliza o legado de resistência do filme, reforçando a importância da solidariedade para unir as pessoas contra o medo e a divisão”, escreveu Tom Morello num dos textos de divulgação do clipe. E os dois (clipe e filme) estão aí embaixo.
Cultura Pop
Chapterhouse: “O termo shoegaze era depreciativo”

O Jesus and Mary Chain deu uma de Padre Quevedo indie e explicou numa entrevista ao site Stereogum que isso aí de shoegaze “não existe” – para Jim Reid, em particular, isso não passa de invenção de “algum palhaço do New Musical Express“. Pois bem, num papo com a newsletter First Revival, Stephen Patman, guitarrista, vocalista e fundador do Chapterhouse, uma espécie de “banda de shoegaze original” (que por sinal vem ao Brasil em setembro), deu mais detalhes sobre a origem do termo. E ainda lembrou que não era exatamente um orgulho ser chamado de “olhador de sapato” (shoegazer significa exatamente isso em português).
“O termo shoegaze era um comentário depreciativo, uma provocação”, recorda ele, lembrando que inicialmente, um jornalista chamado Steve Sutherland, da Melody Maker, escreveu que o Chapterhouse e bandas como Moose e Lush eram “a cena que celebra a si própria”. “Basicamente, porque tínhamos o mesmo empresário que o Moose e o Lush (Howard Gough), então saíamos bastante com eles e íamos aos shows uns dos outros. Também conhecíamos o Ride e o Swervedriver de Oxford, porque era bem perto de Reading”, contou.
Ele lembra de uma nomenclatura de tiro curto que surgiu: “Antes disso, chamavam de ‘cena do Vale do Tâmisa’, que incluía nós, Ride, Swervedriver e Slowdive. Então, era assim que chamavam, depois ‘a cena que se celebra'”, diz. “E aí o Andy Ross , que era o chefe da Food Records, estava assistindo ao show do Moose, e os quatro estavam lá parados olhando para baixo. Foi ele quem criou o termo ‘shoegaze’. A Polly (Birkbeck), assessora de imprensa da Food, provavelmente comentou com alguém, e a notícia chegou à imprensa musical, e aí eles começaram a usar o termo”.
Só que o termo – surgido, na prática, de uma postura tímida e mal-ajambrada de palco – acabou se revelando um feitiço que se virou contra um monte de feiticeiros do barulho. “Quando houve uma espécie de mudança na imprensa musical após a euforia inicial de 1991 em torno de tudo, eles (os jornalistas) de repente se voltaram contra nós, e passaram um ano inteiro zombando de nós. E como também saíamos juntos, os jornalistas nos viam reunidos e escreviam colunas de fofoca tirando sarro de nós de alguma forma”, continua. “Foi aí que ouvi o termo shoegaze pela primeira vez, e era um comentário depreciativo, uma provocação”.
“Mas, de certa forma, ele foi ressignificado ao longo dos anos e se tornou um gênero, o que eu acho bem curioso. Nós nunca nos consideramos uma banda shoegaze. Para ser sincero, não somos exatamente fãs de shoegaze. Não ouvimos esse tipo de música”, diz Patman. “Mas principalmente porque a maioria era de artistas contemporâneos, dos quais você não se torna fã por ser amigo. Então, sim, era um termo pejorativo que chegou à imprensa e eles começaram a usá-lo”.
“E agora o conceito se expandiu, com tantas bandas que nem de longe eram consideradas shoegaze, como The Verve, Kitchens of Distinction e Catherine Wheel, agora são consideradas assim. Eles até chamam The Jesus and Mary Chain e Cocteau Twins de shoegaze”, continua Stephen, que também não gosta do termo dream pop para definir qualquer tipo de música com alguma distorção e reverb. “É ainda mais repugante”.
E pra saber mais sobre o show do Chapterhouse no Brasil, só ir aqui.








































