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Cultura Pop

Quando a gravadora censurou a capa de Country Life, do Roxy Music, e tentou lucrar com a censura

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Quando a gravadora censurou a capa de Country Life, do Roxy Music, e tentou lucrar com a censura

A história da capa de Country life (1974) quarto disco da banda inglesa de art rock Roxy Music, já foi contada algumas vezes. Até porque, ainda que a banda pusesse modelos nas capas dos seus álbuns desde o começo, a polêmica ficou mesmo  com o disco de músicas como The thrill of it all.

O vocalista Bryan Ferry, que geralmente tomava conta da direção de arte dos discos da banda, já pensava em fazer a foto de Country life (nome tirado de uma revista semanal britânica) num contexto diferente do das capas anteriores, feitas em estúdio. Estava em Portugal dando uma volta com o estilista Anthony Price e o fotógrafo Eric Boman, quando, num bar, todos encontraram duas jovens alemãs, Eveline Grunwald e Constanze Karoli.

Surgiu a ideia de usar as duas na capa, mas o encontro não foi exatamente coincidência. As duas modelos eram fãs do Roxy Music e tinham relacionamentos pessoais com gente da música de vanguarda: Constanze era irmã de Michael Karoli, guitarrista do Can, e Eveline era namorada dele. A foto foi feita no jardim da casa de verão dos pais de Eveline, onde as duas estavam hospedadas. A capa de Country life não era dupla (gatefolds ficaram suspensos por uns tempos, por causa dos altos custos). Mas a imagem da capa continuava na contracapa, com uma folhagem que estava do lado direito das duas modelos.

A preparação da imagem foi (de acordo com este site) bem caseira. Price maquiou as modelos no banheiro. Boman, que depois dessa foto passaria a trabalhar para revistas de moda e decoração, não tinha sequer levado um flash. Todos usaram os faróis de um carro alugado para iluminar a foto, e Price ajudou o fotógrafo segurando uma caixa de sabão em pó para ele definir o foco da imagem. Também precisou retocar a maquiagem usando uma lanterna, por falta de iluminação adequada. Os poucos outtakes da capa que podem ser vistos na web têm iluminação bastante estourada, inclusive.

Na época, o clima soft porn das capas do Roxy Music não passava batido para o mercado que consumia filmes como Emmanuelle e Além da porta verde. Price declarou ao site Inside Hook que a ideia de Country life era flagrar as duas mulheres como se estivessem numa festa safadinha e fossem “apanhadas pelos faróis de um carro”, em fuga. Só que dessa vez, pelo menos nos Estados Unidos, a coisa não deu tão certo. Assim que o disco começou a fazer sucesso, lojistas se recusaram a manter o álbum em estoque por causa da capa e a Atco, que lançou o álbum nos EUA, viu-se obrigada a mudar o lay out.

O curioso da história é que a Atco bancou um anúncio, publicado em jornais e revistas, explicando que decidiu deixar circulando três versões da capa nos EUA. Primeiro saiu a original, depois uma edição coberta por um plástico escuro (que alguns sujeitinhos estranhos tentavam tirar) e depois… Bom, a Atco dizia que “tinha o prazer de anunciar” uma capa “menos controversa” para Country life. Simplesmente botaram a folhagem da contracapa na capa, e mudaram a foto traseira para um outro detalhe do jardim da casa em que a foto foi tirada.

O anúncio segue aí embaixo. Deve ter sido a primeira (e talvez única) vez que a censura a uma capa virou anúncio e tentativa de storytelling. Envolveu até mesmo o empresário do Roxy Music, indignado, e momentos de tensão com o presidente da Atco ordenando a fabricação do LP, gritando: “Faça alguma coisa, mande fabricar o disco, as pessoas querem o disco!” Afinal, eles eram a Atco e não queriam saber de problemas, queriam era vender discos (diz o anúncio, numa honestidade ao melhor estilo Lei de Gérson).

Ah, sim, Country life também precisou ser modificado na Espanha – a capa trouxe só Constanze Karoli, a modelo da esquerda. No Brasil, saiu com a capa original mesmo, só em 1975. E se você nunca ouviu o disco, tá aí.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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