Crítica
Ouvimos: Sons Of Silver, “Runaway emotions”

- Runaway emotions é a estreia do grupo estadunidense Sons Of Silver – na verdade um supergrupo formado pelo vocalista e guitarrista Peter Argyropoulos (que usa o nome Pete RG na carreira solo), o baixista Adam Kury (Candlebox), o guitarrista Kevin Haaland (Skillet), o baterista Marc Slutsky (Splender, Peter Murphy) e a tecladista Brina Kabler, que também foi a técnica de som do álbum (e toca na banda de Pete RG).
- O disco foi produzido pela banda e mixado por Tim Palmer (David Bowie, U2, Robert Plant), que rasga elogios: “A música deles é alimentada tanto por poder quanto por emoção crua, com letras genuinamente profundas. O álbum deles é um tesouro de músicas bem elaboradas e memoráveis”.
- “O disco é um aviso: se continuarmos nesse caminho, estamos condenados, diz Argyropoulos. “Mas o rock ‘n’ roll no seu melhor nos une e celebra o que temos em comum”.
Se o Sons Of Silver fosse uma banda gaúcha ou paulistana, provavelmente carregaria uma aura “histórica” mais evidente e uma reputação casca-grossa daquelas. Mas, sendo uma formação de Los Angeles, às vezes – e só às vezes – o som flerta com aquele rock “alternativo” genérico. Esse problema aparece aqui e ali em Runaway emotions, mas, na maior parte do tempo, a banda entrega um rock honesto, vigoroso e cheio de referências certeiras: punk, metal, proto-punk e, acima de tudo, Bruce Springsteen.
O chefão do rock, aliás, parece um padrinho informal do álbum. Faixas como Running out of words e Baby hang on (essa última com um quê de Dead Boys na abertura) são recomendáveis para fãs de Bruce sem medo de guitarras mais ásperas. O lado mais previsível do Sons Of Silver aparece em Tell me this e Giving it back, essa última trazendo riffs que soam como um tributo (ou empréstimo?) de The Edge, do U2. Mas quando a banda pisa no blues rock de Nobody minds ou no hard rock carismático de Warning signs (pense em algo próximo ao Stone Temple Pilots), a coisa ganha outra força. São aquelas faixas que, mesmo sem reinventar a roda, sempre dão vontade de apertar o play de novo.
Nas letras, a pegada social que aproxima a banda de Bruce e Neil Young se destaca, especialmente em Running out of words. Já Hold tight traz um lado mais sombrio e sofisticado, quase empurrando o grupo para o território dos adoradores do Pearl Jam – mas só quase. A boa e introspectiva balada de piano Friends fecha o álbum, deixando claro que o Sons Of Silver precisa, sim, de um banho de originalidade – mas também sabe seguir direitinho uma receita que, quando bem executada, é difícil de dar errado.
Nota: 7,5
Gravadora: 4L Entertainment
Lançamento: 10 de janeiro de 2025
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Crítica
Ouvimos: Improvement Movement – “Your perfect real life”

RESENHA: No terceiro álbum, o Improvement Movement passeia por psicodelia, prog, yacht rock, soul, pós-punk e indie, aproximando referências tão distintas quanto Television, Beach Boys, Todd Rundgren e Queens Of The Stone Age.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 9
Gravadora: ATO Records
Lançamento: 21 de agosto de 2026
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Vindo de Atlanta, o Improvement Movement é um quarteto em que todos os músicos são multinstrumentistas, e em que a composição ocorre das mais diversas formas: em duplas, trios, em jams, etc. Your perfect real life, terceiro álbum, soa como o encontro definitivo da criatividade dos anos 1970 com o espírito “livre” do 60 – cabendo alguns toques mais modernos. Como se houvesse um “ligue os pontos” unindo Crosby, Stills, Nash & Young, Queens Of The Stone Age e Television – e de acordo com Your perfect real life, há sim.
O terceiro disco do Improvement Movement é o disco de músicas como Still cold, com riff lembrando justamente o Television, guitarra quase ofuscante ao fundo e linhas vocais que parecem brincar com See me, feel me, do Who – só que a letra ainda inclui um “kill me”. Carry on parece um pós-hardcore sem o mesmo peso, graças à zoeira rítmica, só que com vocais meio beatlemaníacos e algo de chamber pop lá pelas tantas. Common place chega a lembrar um Beach Boys indie rock, se é que é possível, e vai se tornando algo bem vertiginoso depois.
A balada I do é igualmente vertiginosa e impressionante: clima sensível e misterioso, com diferentes partes, uma mais contemplativa que a outra. Há ainda um componente yacht rock bem sério no álbum, presente em In the morning e no clima meio Bee Gees de Home again (as referências vocais e melódicas do grupo australiano surgem também no bittersweet de Old friends).
A falta de (vá lá) limites sonoros do Improvement Movement aponta também para um encontro entre o jazz pop a la Todd Rundgren e as guitarras dedilhadas adotadas pela turma do emo Midwest, em Wide world. E também para o curioso futurismo, herdado da mescla de pós-punk e psicodelia (e do clima viajante de bandas como Pond e até Flaming Lips), de 21st century. Uma outra grande surpresa é o soul mágico de Being right, soando como um redesenho chamber pop nas baladas disco – tipo Let’s get it on, de Marvin Gaye. Mas Your perfect real life só tem surpresas
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Crítica
Ouvimos: Satanen – “Rokkii varten & taiteen vuoks”

RESENHA: A banda finlandesa Satanen cruza punk, garage, stoner, metal e blues-rock em Rokkii varten & taiteen vuoks, com ecos de Ramones, Motörhead, AC/DC, Black Sabbath e The Clash.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Svart Records
Lançamento: 21 de agosto de 2026
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“Para o rock e para a arte”. Não sabemos finlandês, mas diz o Google Translator que Rokkii varten & taiteen vuoks, nome desse álbum do Satanen, significa isso aí. Voltados para uma mistura bem louca de punk, garage e stoner, eles soam quase sempre como uma mescla de Rancid, Ramones, Motörhead e loucuras motobiker, com outras referências no meio.
Rokkii varten abre com a onda meio punk, meio metal da faixa-título – uma música em duas partes que ganha um clima mais rocker das antigas lá pela metade. Vauhtikone vai ganhando aumento de velocidade, oscilando entre Lemmy e Joey Ramone, com vocal feminino. Mulkun elkeet pula de um clima meio metalzão anos 1980 para um boogie à AC/DC.
Numa onda sonora que interessa tanto a fãs de metal quanto a gente que ouve rock bem antigo, o Satanen chega perto do som de bandas como Nazareth e o próprio Black Sabbath na extrovertida Daddy issues, em Kuulit kyll e no blues-rock de Kkii. Só que ainda tem uma vibe bem hardcore em Chimera e algo que faz lembrar The Clash em Kiasma, música de várias partes e pura diversão, que encerra o álbum.
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Crítica
Ouvimos: Soft Science – “Sand”

RESENHA: No quinto álbum, Sand, o californiano Soft Science cruza shoegaze, psicodelia, darkwave e pós-punk em guitarras atmosféricas, com ecos de Ride, Catherine Wheel, Beatles e Echo & The Bunnymen.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 9
Gravadora: Shelflife
Lançamento: 4 de setembro de 2026
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Assumidamente influenciado por bandas como Ride, Stereolab, The Mighty Lemon Drops, Catherine Wheel, My Bloody Valentine e Pale Saints, o Soft Science é um quinteto de shoegaze “das antigas” que vem da Califórnia – e que com Sand chega ao quinto disco. Especificamente a citação (feita por eles) do Ride tem bastante a ver com o som do álbum, ainda mais lembrando do clima imersivo dos primeiros discos do grupo inglês.
Entre paredes de guitarras (de doze cordas!), sons próximos da psicodelia (especialmente a voz de Katie Haley, imersa em meio à instrumentação) e partículas de darkwave, Sand abre com o clima quase meditativo de Spinning e Go, segue com recordações de Catherine Wheels e Psychedelic Furs em Fade, e recria de maneira própria o universo de Tomorrow never knows, dos Beatles, em Without.
Um clima meio Beatles, meio Stone Roses, dá as caras na faixa-título, enquanto Everything, Thread e Understand mandam bala num pós-punk luminoso, herdado tanto do já mais do que citado Ride quanto de Echo and The Bunnymen. O final tem o power pop + shoegaze de Hope e o clima hipnótico de Sway, com sons de teclado que provocam viagens musicais.
O Soft Science, em especial, mostra que shoegaze não é sinônimo de guitarras sujas. A música de Sand é cheia de climas atmosféricos e uterinos, e de ambientes em que você gostaria de ficar – e é repleta de uma beleza que pouca gente vai querer se aventurar a discutir. Ouça hoje mesmo.
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