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Reading e Leeds trocam palco de novos artistas da BBC por “palco de nepo babies”

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Reading e Leeds trocam palco de novos artistas da BBC por “palco de nepo babies” (na foto, Violet Grohl)

RESUMO: Reading e Leeds encerram o palco BBC Introducing após quase 20 anos e criam o Canopy, mas a presença de filhos de celebridades provoca críticas sobre espaço para artistas independentes.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Por quase duas décadas, o programa BBC Introducing funcionou como uma espécie de porta de entrada para artistas independentes nos festivais Reading e Leeds. O projeto, ligado à estatal BBC, levava aos palcos nomes escolhidos a partir de uma rede de programas de rádio regionais e nacionais que recebem músicas de artistas ainda sem grande exposição. Ed Sheeran, Charli XCX, The 1975 e Sam Fender estão entre os músicos que passaram pelo circuito antes de se tornarem estrelas. Agora, entrega o periódico britânico The Guardian, o espaço acabou – e a substituição já está sendo chamada de “palco de nepo babies”.

A mudança aconteceu neste ano, quando a Festival Republic, responsável pelos dois festivais britânicos, retirou o Palco BBC Introducing da programação depois de quase 20 anos e colocou em seu lugar o Canopy, apresentado pela organização como um espaço aberto a “um leque muito maior de talentos emergentes”. A diferença entre a promessa e a escalação, porém, chamou atenção.

Entre os artistas que ganharam espaço no novo palco estão Violet Grohl, filha de Dave Grohl (foto); Gene Gallagher, filho de Liam Gallagher e vocalista da Villanelle; e Cruz Beckham, filho de David e Victoria Beckham. Também está no programa a December 10, boy band formada no reality show The Next Act, da Netflix, criado por Simon Cowell.

Ou seja: a ideia de ampliar o acesso aos novos talentos acabou colocando no mesmo espaço artistas que já chegam acompanhados de sobrenomes bastante conhecidos. Ou de oportunidades já bem manjadas.

A situação provocou críticas de fãs e de gente ligada à indústria musical. O comentarista conhecido como The Secret DJ chegou a denunciar “o nepotismo e o uso crescente de nomes famosos em detrimento de novos talentos, o que está destruindo rapidamente as artes”.

O The Guardian, que questionou a Festival Republic sobre o fim do palco da BBC e não recebeu resposta específica, apelidou o novo espaço de “palco dos bebês nepotistas”. Tommy Dorfman, outro comentarista, já vinha cobrindo a história antes dela estourar, e escreveu no Xwitter: “Tirem o palco dos artistas não assinados. Digam que estão ajudando talentos emergentes. Depois deem os lugares para os filhos de celebridades. A GRANDE HIPOCRISIA CONTINUA”.

A diferença não é apenas simbólica. Para músicos que estão começando, tocar em Reading ou Leeds pode significar justamente o tipo de exposição que dificilmente conseguem obter por conta própria. Juliette Jackson, do The Big Moon, tocou no BBC Introducing em 2015, quando sua banda tinha acabado de surgir. “Era muito importante tocar lá como uma banda nova, sem dinheiro. É enorme quando você está começando – te dá uma oportunidade e te coloca em uma plataforma”, contou ao Guardian.

O modelo da BBC tinha uma característica especialmente importante: o artista não precisava chegar ao festival com conexões na indústria. DJs locais indicavam músicos de suas regiões, e uma equipe da BBC fazia a seleção final. O sistema estava longe de ser perfeito – o ex-apresentador Tom Robinson admite que eventualmente alguém poderia “dar uma dica para alguém” e fazer um artista apoiado por uma gravadora aparecer no palco. Mas na avaliação dele, “no geral, funcionava e era ótimo”.

A Festival Republic defende que o Canopy justamente elimina algumas dessas limitações. Segundo a empresa, o antigo palco dependia dos artistas selecionados pela BBC, enquanto o novo formato permite contratar músicos independentes ou já vinculados a gravadoras, em diferentes momentos de suas carreiras. A organização afirma que sua política é “aberta a artistas emergentes de todas as origens e em diferentes estágios de desenvolvimento”, afirmaram num comunicado geral (não é a resposta das tais perguntas do Guardian, é só um texto distribuído à imprensa).

O problema é que, num momento em que o BBC Introducing perdeu também seu palco no Glastonbury, o encerramento em Reading e Leeds reduz ainda mais as oportunidades de exposição para artistas que não contam com esse tipo de acesso. Jess Iszatt, apresentadora do programa na BBC Radio 1, resume a preocupação: “Não sei como eles reservaram o palco deles, mas sei como reservamos o nosso. E isso significa nos comprometermos a apoiar artistas independentemente de seus recursos e garantir que haja diversidade em todos os aspectos. Porque isso é justo”.

(e, sim: a BBC tem décadas e décadas de relacionamento com a música independente e o lançamento de novos nomes – nem há muito o que ser dito sobre a autoridade de uma rádio que tem Steve Lamacq e já teve John Peel, nem que descubram coisas horríveis sobre como as bandas são agendadas).

Diz o The Guardian que o BBC Introducing continua existindo e mantém palcos em outros festivais, além de ter ampliado sua atuação para os Estados Unidos. Mas Reading e Leeds eram uma vitrine particularmente importante para artistas britânicos em início de carreira. A discussão, portanto, vai além de alguns sobrenomes famosos numa escalação: é sobre quem consegue chegar primeiro ao palco quando a indústria diz estar abrindo espaço para “novos talentos”.

Aliás, o próprio Robinson, no papo com o Guardian, contemporiza, mesmo jogando um pouco de veneno no assunto: “Deixem os ‘filhinhos de papai’ irem fazer o que fazem de melhor. Se fizerem música ruim, continuará sendo música ruim. Se fizerem música boa, merecem ter sucesso, mas não vamos nos preocupar com eles”. Sei lá.

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Guantas fala dos perrengues da vida adulta em novo single

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Guantas fala dos perrengues da vida adulta em novo single

RESUMO: Em Vida adulta, o Guantas mistura rock, ritmos tropicais e humor para falar de contas, trabalho e sonhos de infância. O single ganhou um clipe sobre as dificuldades de crescer e encarar a rotina.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Trabalho, contas para pagar, geladeira vazia, transporte público lotado e aquela sensação de que a vida adulta não era bem o que a gente imaginava quando criança. É disso que trata Vida adulta, novo single do Guantas, banda paulistana que resolveu transformar os problemas do cotidiano numa música bem-humorada e dançante.

A faixa, lançada em 2 de outubro, também ganhou um clipe produzido pela Nacho Produções. No vídeo, o protagonista enfrenta situações bastante conhecidas de quem precisa lidar com as responsabilidades do dia a dia, enquanto lembra dos sonhos que tinha na infância. O resultado combina as dificuldades de crescer com o humor que o grupo costuma levar para suas músicas e apresentações.

O lançamento também foi celebrado com um show gratuito no dia 3 de outubro, no Gaz Burning Bar, durante o festival itinerante Palco Tarantino. A programação contou ainda com apresentações das bandas Nazireu Rupestre e Indaíz.

Formado em São Paulo em 2015 pelo argentino Nacho Martin, o Guantas mistura referências latino-americanas, ritmos tropicais e rock, com bastante espaço para os sopros e o ukulele. A banda também costuma investir em figurinos coloridos e numa apresentação de palco que não leva tudo tão a sério.

Em pouco mais de uma década, o grupo lançou dois álbuns, Guantas (2017) e Viva la Guantas (2019). A música Countryside entrou na trilha do programa Tá certo, da TV Cultura, enquanto Minha vizinha tocou em emissoras como 89FM, Kiss FM e USP FM. O grupo também passou por programas como Showlivre e por canais como Canal Brasil e Bis.

Agora, o Guantas apresenta uma nova formação, com Nacho Martin (voz e ukulele), Alex Ultra (guitarra), Alexandre Saldanha (baixo), Pedro Coutinho (teclado), Renan Pigmew (bateria), Fabio Bunito (trompete), Giovanni Santoro (trombone) e Abu (saxofone).

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Tropitrônix homenageia Poços de Caldas no clima tranquilo de “Mountain City”

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Tropitronix - Foto: Divulgação

RESUMO: Em parceria com Moonrib, o Tropitrônix mistura soul, jazz, city pop e eletrônica suave em Mountain City. A faixa troca o clima de pista pela contemplação das montanhas de Poços de Caldas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Depois de estrear em 2025 com Sunset feelings, disco que misturava city pop, psicodelia e música eletrônica num clima de rave à beira-mar (e resenhado aqui), o duo Tropitrônix volta com Mountain City. Desta vez, os irmãos João Paulo Scalla Oliani e Breno Scalla Oliani trocaram a paisagem praiana pelas montanhas de Poços de Caldas (MG), cidade natal dos dois e inspiração para o novo single.

Feita em parceria com o músico indie mineiro Moonrib, a faixa mistura soul, jazz e indie com uma levada eletrônica tranquila, próxima do chill-out e do city pop. O andamento é relaxado, com espaço para uma voz processada eletronicamente que canta versos como “We live where the mountain has learned to be still / Echoes in quartz, humming the stone” (“Vivemos onde a montanha aprendeu a ficar imóvel / ecos no quartzo, fazendo a pedra cantarolar”).

O Tropitrônix nasceu da parceria entre os dois irmãos, que trabalham como músicos e produtores, combinando baixo, programação eletrônica e referências que vão do funk ao disco e ao house. No primeiro álbum, a dupla apostava numa trilha sonora imaginária para o pôr do sol, com músicas mais voltadas para a pista.

Em Mountain City, a ideia é outra: menos festa, mais contemplação. A paisagem de Poços de Caldas aparece tanto na letra quanto no clima da gravação.

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Os Alquimistas e akaStefani lembram romances punks em “Tu”

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Os Alquimistas e akaStefani lembram romances punks em “Tu”

RESUMO: Em Tu, o trio sul-mato-grossense Os Alquimistas mistura punk e garage rock para contar uma história de amor e noites intermináveis, ao lado de akaStefani. A faixa antecipa seu primeiro álbum, previsto para 2026.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Um romance entre dois punks que se conheceram no colégio, noites que parecem não acabar e aquela impressão de que o relacionamento está por um fio. Pode ser uma história só ou várias lembranças misturadas. É mais ou menos por aí que vai Tu, single dos Alquimistas, trio de Campo Grande (MS) que prepara seu primeiro álbum completo depois de mais de uma década de atividade.

A música foi composta por Bo Loro, integrante da banda, e akaStefani, artista e produtora musical que ele conhece desde os tempos da cena punk de Campo Grande, e que passou por bandas como Duo Chipa e Manobra Feroz. As guitarras ficaram a cargo do cearense Edson Van Gogh, músico que já trabalhou com Cidadão Instigado, Jonnata Doll e os Garotos Solventes e Lirinha.

Em Tu, Os Alquimistas mostram seu lado mais ligado ao punk e ao rock de garagem, com referências que incluem Ramones, Johnny Thunders & The Heartbreakers e Fidlar. A gravação ainda tem uma curiosidade: um sino de verdade, que estava no Estúdio 45, onde o disco foi registrado, acabou entrando na música.

O título faz referência a uma composição de Edson Vander, artista admirado por Bo Loro. Lançada em 18 de setembro, a faixa antecipa o álbum homônimo do grupo, que reúne influências de psicodelia, punk, garagem e música brasileira, incluindo referências sul-mato-grossenses.

Formado em 2013 por Leotta, Perim e Bo Loro, o trio lançou em 2019 o EP Cidade pequena, que recebeu uma indicação ao Prêmio Dynamite de Música Independente na categoria Revelação. A banda também já passou por festivais como Grito do Rock, Campão Cultural e Som da Concha, além de ter feito shows no Rio e em São Paulo.

O primeiro álbum dos Alquimistas foi gravado com a colaboração do produtor Anderson Rocha, que já havia trabalhado com a banda no EP de estreia. O disco tem lançamento previsto para 2026 e contará com edição em vinil, atualmente em fabricação em São Paulo.

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