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Crítica

Ouvimos: Y3LL – “Mais material pra descarte” (EP)

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Resenha: Y3LL – “Mais material pra descarte” (EP)

RESENHA: Y3LL retoma faixas guardadas há tempos em Mais material pra descarte, EP de rap experimental e hipnótico que mistura eletrônica, samples, lo-fi e observações sobre trabalho, dinheiro, cidade e cotidiano.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 14 de agosto de 2026

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Em 2023, o rapper paulistano Y3LL lançou o EP Material pra descarte, seguindo uma ideia de reaproveitar sons que repousavam em algum fundo de HD. Mais material pra descarte, a continuação do disco, traz mais faixas que estava, já há algum tempo guardada – e que mostram um rap experimental, eletrônico, crescendo no ouvido de forma percussiva e hipnótica.

3Reau parte de uma notícia do Jornal Nacional (de um pobre coitado que tentou comprar cigarros usando uma nota de 3 reais) para falar sobre singularidade, em meio a uma base quase psicodélica. Um cara normal é o “viver e pagar boletos” em clima de baladinha soul. Zona Leste traz uma homenagem à área de Y3ll, criado entre Guaianases e Cidade Tiradentes, com alguns segundos de beat e vozes sampleadas, falando sobre uma região que “me prepara para este mundo que não me veste”. Pensamentos comuns de um cara da Linha Coral são anotações feitas em passeios de trem, indo e voltando do trabalho, gravados desde 2021 – ideias sobre gueto, cansaço, contas, trabalho, problemas demais, em duas partes.

  • Mais Y3LL no Pop Fantasma aqui.

O material de Mais material pra descarte é majoritariamente formado por vinhetas – mesmo quando as músicas têm duração maior que um minuto, soam como intervalos, algo a ser absorvido como um insight. Por sinal, tem aqui Intervalo.mp3, um tempo de lesação lo-fi perdido em meio a um antigo comercial do Mappin, com comentários sobre grana, fama, popularidade, tudo misturado. Burro d mais resume em 49 segundos a tosquice e a insanidade dos candidatos do partido de um certo ex-presidente inominável.

No final, os 56 segundos de Pedaço d pau fazem Agnaldo Timóteo, Erasmo Carlos (por intermédio de um sample de Agora ninguém chora mais) e o Chapolim Colorado se encontrarem no meio de uma briga (!). Inacreditável, e bem legal.

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Crítica

Ouvimos: Astro Brat – “Burn it or bury it” (EP)

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Resenha: Astro Brat – “Burn it or bury it” (EP)

RESENHA: No EP Burn it or bury it, o Astro Brat mistura pós-punk, stoner, grunge e punk-metal em faixas curtas, distorcidas e cheias de riffs ferozes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 6 de fevereiro de 2026

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A melhor música desse novíssimo duo norte-americano não está neste EP lançado em fevereiro. O Astro Brat lançou em julho o single Alarm, cruzamento feroz entre pós-punk e stoner rock, marcado por um cowbell e por riffs quase psicodélicos de tão distorcidos (na guitarra e no baixo). Burn it or bury it, por sua vez, é um EP curtinho que transforma sujeira sonora em melodia, a partir de riffs mal-educados, vocais telegráficos e ritmos quase maquínicos.

É pós punk com algo mais, e clima mais sujo, como nos synths apitando e nos riffs ferozes de Pretend, que abre o disco, e no beat acelerado de Coookie cutter – que soa como um Devo heavy metal. Bone dry chega a soar “grunge” (se levar em conta bandas como Melvins), mas no esqueleto pós-punk. O final, com White lies, migra para o punk-metal espacial, só que com uma baita influência do Master of reality (1971), do Black Sabbath.

Pode ouvir que só tem surpresa.

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Crítica

Ouvimos: Westside Cowboy – “It goes on”

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Resenha: Westside Cowboy – “It goes on”

RESENHA: No primeiro álbum, It goes on, o Westside Cowboy equilibra country, pós-punk e indie rock, aproximando The Cure, Pixies e The Fall sem abrir mão de uma identidade própria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Island
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Com EPs bem experimentais que apontam para uma mescla de country e pós-punk bem bacana (leia aqui e aqui), a banda britânica Westside Cowboy estreia em álbum com It goes on e parece ter equilibrado as coisas mais para o segundo lado – sem que o primeiro seja esquecido. Na real, chegou a uma noção de indie rock em que a faceta contemplativa da banda convive mais ainda com referências de The Cure, Pixies, Strokes e grupos afins.

Essas três referências convivem em faixas como Kick stones (The boys), Paperchains, Well done kid, you did it, o blues-rock Dobro – todas elas buscando uma nova saída para a união punk + country e ainda por cima revelando o que havia de mais “tradicionalista” na música desses grupos. Em algumas faixas, há um “suingue” que não é exatamente funkeado – parece algo bem maquínico e rápido, que pode levar o público mais a pular do que a dançar, e que talvez lembre o The Fall. E sons como Worried age parecem levar contemplação noturna à sonoridade do começo do The Cure.

Se a lentinha Big wheels tem algo de Pixies, o rockão Pin up boys mostra que o Westside Cowboy já criou uma cara própria – que deveria explorar mais, para soar “clássico” e indie ao mesmo tempo. Lembra o David Bowie de The man who sold the world (1970), algo do grunge e até certas coisas da era baggy. O lado baladeiro rende belezas como Patchwork e o country rascunhado de Take my leaving as I love you – que parece com alguém gravando enquanto compõe a música, uma canção de despedida.

You could have died there on the dancefloor, uma das melhores faixas da história do grupo, encerra It goes on com a ideia de ser a faceta Velvet Underground do Westside Cowboy – ou pelo menos uma demosnstração de como eles assimilam as influências do Velvet. Tem quem ande comparando também com Horsegirl, e faz todo sentido. Na real, é uma música em que a banda assume que é o que é, e tá tudo bem, e é “sobre isso”. O Westside Cowboy conseguiu se tornar uma banda bastante discutida sendo exatamente aquilo que sempre quis ser. Deve haver alguma lição nisso.

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Crítica

Ouvimos: Red Recluse – “Orange”

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Resenha: Red Recluse - "Orange"

RESENHA: O misterioso Red Recluse lança Orange, disco que mistura punk, Stooges, stoner, country-punk e hard rock setentista em uma coleção de faixas sujas e perigosas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Transient Industries
Lançamento: 4 de julho de 2026

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Mais underground que o próprio underground, o Red Recluse se define como “uma espécie de gravação de campo com um elenco global de convidados: correm rumores de que ex-integrantes do Drunks With Guns, Thee Hypnotics e Drones (de Melbourne) estão entre os participantes”. A banda é criação de um sujeito chamado Red Graves, que trabalha ao lado de colaboradores.

O projeto tem dois discos, White (de 2023, com capa branca) e este Orange – o som é basicamente punk sob uma perspectiva rocker, que se assemelha a Stooges, Iggy Pop, bandas de stoner rock, algo de rock pauleira, vibes de country-punk e coisas do tipo. Uma união que rende clássicos da leseira gelada como Knock it off, o country-jazz-punk de Billy Bad Ass, o true crime de Skin walker. Além da pauleira anti-militarista Lick my boots, do som marcial de Red Recluse stomp, e do mistério pós-punk-metal de The elegy of hop head.

Funcionando como uma marca registrada da banda, as músicas têm efeitos sonoros e riffs de baixo distorcido, além de um clima de perigo herdado do hard rock dos anos 1970. Por acaso, olha só que banda eles escolheram pra fazer uma cover: The Sensational Alex Harvey Band tem sua Midnight Moses relida pelo Red Recluse, com a participação de amigos como James McCann (James McCann and Selfish Gene, Death Groupie) e Stuart Gray (Art Gray Noizz Quintet).

Na segunda metade de Orange, uma vibe bem mais próxima do desert rock passa por músicas como Black daisy e a percussiva e hendrixiana Circe, além da noturna e blueseira Let’s build an ark. Encerrando, algo entre Iggy Pop e The Cars, em All atomic blonde.

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