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Wavves cancela álbum com Say Anything após acusações contra Max Bemis

RESUMO: Wavves cancela Cherry soda, parceria com a banda Say Anything, após relatos de mensagens inadequadas de Max Bemis a fãs jovens. Nathan Williams diz que não quer ser associado ao músico.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Xi… A banda Wavves cancelou seu próximo álbum colaborativo com o grupo pop-punk Say Anything após alegações envolvendo o vocalista Max Bemis, que teria enviado mensagens diretas inapropriadas para fãs adolescentes. Nathan Williams, vocalista da Wavves, afirmou que não deseja mais ter qualquer ligação com o músico. Cherry soda, o tal disco, sairia dia 18 de setembro e… 10.000 cópias em vinil do álbum já foram prensadas.
“Não quero ser associado a esse cara, então é simples assim”, acrescentou Williams, que pode perder 200 mil dólares nessa história, por causa das cópias já prensadas. “Qualquer perda que eu tenha não importa a essa altura”, afirmou o vocalista, cujas declarações foram compiladas pela revista Paste de uma série de papos com fãs no Patreon.
Ao comentar a situação, Williams disse que não é amigo de Bemis e que teve problemas com o músico pop-punk durante a produção do disco. “Pessoalmente, não conheço o cara. Saí com ele três vezes quando ele estava no estúdio, mas profissionalmente ele foi péssimo”, disse. A tal parceria entre os dois pode parecer, a essa altura, algo bem estranho – já que, segundo Williams, os dois não se deram bem em estúdio – mas o cantor do Wavves disse em julho que tinha ficado entusiasmado com a variedade do som de Bemis e fez o convite a ele.
“Eu queria ver como seria um disco emo do Wavves do início dos anos 2000. Essa era a ideia: fazer um disco emo de shopping”, afirmou Williams. Bemis chegou a dizer que o não-amigo era um cara “doce e sensível”, e que “somos pessoas muito diferentes, mas nos damos muito bem. Como compositores, nos desafiamos. Ele ficou mais emotivo e eu mais no estilo Wavves. Acho que trouxemos à tona algumas coisas que não são tão óbvias um no outro”.
Produzido por Aaron Rubin, o álbum, que teria dez 10 faixas (sete delas com crédito para Bemi) foi apresentado com o single Deathx1k, seguido por Still alive. Mesmo com esses sete créditos, Williams revelou no tal papo com fãs que Bemis só passou três dias no estúdio, enquanto ele passou onze meses.
Na conversa pelo Patreon, alguém teve a ideia de perguntar se Williams poderia regravar Cherry soda sem as contribuições de Bemis. O vocalista do Wavves confirmou que está em negociações a respeito disso e que “não seria difícil”, já que Bemis “quase não escreveu nada”.
Após as primeiras acusações contra Bemis, outros jovens fãs relataram experiências nas quais afirmam que o músico ultrapassou limites. Em uma conversa divulgada no Reddit, um fã de 19 anos mostrou mensagens em que Bemis teria dito que queria beijá-lo. Ao ser questionado sobre a diferença de idade, o músico teria respondido que sentir atração por pessoas mais jovens era “uma tara bastante comum”.
O fã continuou demonstrando desconforto e disse a Bemis que “provavelmente tinha a mesma idade que alguns dos seus filhos”. O vocalista do Say Anything respondeu: “Isso é nojento e não. Eu não gostei do que você acabou de dizer. Minha filha tem 13 anos.” Em seguida, acrescentou: “Eu não acho que você seja uma pessoa ruim de forma alguma, mas você está me fazendo sentir mal simplesmente por ser eu mesmo.”
Depois que os relatos começaram a repercutir, a Say Anything publicou um comunicado no Instagram informando que, “devido à necessidade de priorizar sua saúde mental e bem-estar pessoal”, as próximas apresentações de Bemis na turnê conjunta com a Wavves “foram adiadas”.
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Som friiiio: Kate Schutt canta sobre nevascas no Ártico em “Drumfire of the hurricane”

RESUMO: Inspirada pelo relato de Christiane Ritter sobre uma tempestade no Ártico, Kate Schutt compõe Drumfire of the hurricane durante uma expedição a Svalbard.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Natalie Deryn Johnson / Divulgação
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Já pensou passar uma temporada solitária e friorenta numa cabana no Ártico, e ainda enfrentar uma tempestade de inverno, sem ninguém pra ajudar? Bom, a escritora austríaca Christiane Ritter passou por isso e contou a experiência em 1934 no livro Drumfire of the hurricane. E a cantora, compositora e produtora americana Kate Schutt inspirou-se nessa história para seu novo single, o meditativo Drumfire of the hurricane (mesmo nome do livro, enfim),
A música parte justamente do momento em que Christiane percebe que a tempestade já tá rolando e ela vai precisar sair dessa sozinha – e ela ainda teve tempo de descrever a tempestade como “o furioso toque de tambor do furacão”. “A frase de Ritter é perfeita, diz Schutt. “A escrita dela é muito visceral e captura a sensação de estar dominada pelo medo e pelo terror de uma grande tempestade de inverno. Espero que minha música acrescente outra dimensão à história incrível e marcante de Ritter”.
A composição nasceu em 2024, durante uma viagem a Svalbard, no Ártico, que fazia parte do programa Arctic Circle. Kate já conhecia o livro de Ritter e levou essa referência para a expedição. A faixa começou a ser escrita a bordo do navio MV Ortelius, durante um dos dias de mar mais agitado da viagem. “Fiquei isolada na minha cabine e comecei a juntar pedaços de ideias para letras e melodias”, conta. Dias depois, ela apresentou uma primeira versão para artistas da residência, guias e tripulantes. O saxofonista e escritor dinamarquês Benjamin Koppel participou da apresentação no sax alto.
A faixa inicialmente seria apenas voz e violão, mas ganhou banda completa durante a produção, por sugestão do coprodutor Jay Newland. “Mudei de ideia quando Jay sugeriu que uma banda completa poderia ajudar a criar a atmosfera do frio, do gelo e da tempestade. E ele estava totalmente certo”.
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Lóca une passado, presente e futuro em “Composto de tempo”

RESUMO: Em Composto de tempo, Lóca explora memória, passado e futuro com mudanças de andamento e compasso, misturando indie rock, jazz, música erudita e MPB.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Lucas Micheluzzi / Divulgação
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“O que é o passado senão a memória do passado?”. É a partir dessa pergunta que Lóca, projeto solo do músico catarinense Lucas Micheluzzi, constrói a música Composto de tempo, seu single mais recente. A nova faixa mexe com a ideia de passado, presente e futuro – e faz isso também na própria música, que muda de andamento, compasso e clima o tempo todo.
A inspiração veio de uma frase atribuída ao mestre sufi Omar Ali-Shah, segundo a qual seria possível modificar o passado e o futuro. Lóca levou a ideia para um terreno mais próximo da psicanálise e do autoconhecimento, assuntos que aparecem com frequência em seu trabalho. E a ideia não é explicar o conceito, é fazer quem ouve sentir essa instabilidade. Quando parece que a música encontrou um caminho, ela muda de direção e quebra a expectativa.
“Assim que parece que vai iniciar um novo ciclo, igual ao outro, uma nova surpresa aparece no caminho do ouvinte, tirando-o do lugar esperado”, explica Lóca, que precisou lidar com compassos ímpares enquanto cantava. A intenção não era transformar a música numa aula de matemática musical, ele completa. “Quero tornar o arranjo como se fosse um discurso recitado com a cadência que cada sentença necessita para ser entendida”, diz. No som, essa mistura de ideias aparece numa combinação de indie rock, jazz, música erudita e MPB.
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British Birds mistura garage-punk e humor ácido em “Lie down with dogs, stand up with fleas”

RESUMO: O British Birds antecipa Murmurate, oscillate com Lie down with dogs, stand up with fleas, faixa garage-punk que combina referências sixties, humor e crítica à passividade política inglesa.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Provavelmente, Lie down with dogs, stand up with fleas, single mais recente da banda British Birds, tem os melhores “oooohs” do ano (na tradição do “xiouuu” de Making plans for Nigel, do XTC). Funciona bem como canção de rock retrô, e como artigo pop. digamos assim. E esse som em clima meio garage-punk, meio sixties, com lembranças de B-52’s e Devo comprimidas num arranjo simples, abre caminho para o terceiro álbum da banda, Murmurate, oscillate, previsto para 16 de outubro pelo selo Skep Wax Records.
Vindos de Lancashire, Inglaterra, os irmãos Bobby e Emma Townson (que formam o grupo) decidiram colocar na música seu saco cheio com a passividade do povo inglês – no qual têm visto um comportamento meio barro, meio tijolo, todo mundo tendo comportamentos absolutamente bovinos diante da política bem estranha da Inglaterra. A ideia é tratar assuntos sombrios sem abandonar o senso de humor.
Os irmãos sempre operaram no total do it yourself: Bobby grava e mixa as músicas, enquanto Emma cuida das artes. Os dois primeiros discos foram lançados pela própria banda e vendidos principalmente em shows e em algumas lojas selecionadas. A Skep Wax, selo que vai lançar o próximo disco, é a gravadora de bandas como Heavenly, Foglights, Swansea Sound e Special Friend. A gravadora tá animada – até define os British Birds como uma banda que “não esperou por permissão para alçar voo. Eles simplesmente seguiram em frente”.
A onda dos British Birds ainda pega outros assuntos bem sérios: Polka dot eyes fala sobre rapazes de Lancashire que entram pro exército e voltam para casa traumatizados – uma música que a banda define como “perturbadora e engraçada ao mesmo tempo”. Just like them fala de pessoas introvertidas e Scary movie traz uma lembrança bem curiosa da infância dos dois: o avô de Bobby e Emma costumava mostrar filme de terror (!) a eles quando eram crianças. Já Lie down with dogs, stand up with fleas, você confere aí.
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