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Crítica

Ouvimos: Ariana Grande, “Eternal sunshine”

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Ouvimos: Ariana Grande, "Eternal sunshine"
  • Eternal sunshine é o sétimo álbum de Ariana Grande, produzido pela cantora do lado de Max Martin, Ilya, Davidior, Aaron Paris, Shintaro Yasuda, Nick Lee, Will Loftis, Luka Kloser e Oscar Görres. O sueco Max Martin foi um dos mais assíduos, deixando sua marca em quase todo o disco.
  • O disco teve seu nome inspirado no filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças, com Jim Carrey. O primeiro single, Yes, and?, saiu em janeiro e até o momento, é o único compacto retirado do álbum – a cantora afirma querer que os fãs ouçam o álbum todo. A música vem sendo considerada uma homenagem a Vogue, de Madonna.
  • Os fãs estão associando o fim do casamento de Ariana (ela se separou recentemente de Dalton Gomez) com a faixa-título do disco, cuja letra fala de um homem infiel e mentiroso. “Quem estiver enviando mensagens de ódio para as pessoas em minha vida, baseado em suas próprias interpretações desse álbum, não está me apoiando”, reclamou ela. Para os fãs, o “bom menino” da letra é o ator norte-americano Ethan Slater, com quem ela está se relacionando.

Ariana Grande vem seguindo uma trilha bastante comum na música pop de hoje – e notadamente, essa trilha vem salpicada de armadilhas que a mídia coloca no caminho de artistas mulheres. Até porque, de modo geral, se um artista homem tem uma vida amorosa bem movimentada ou acidentada (digamos), ele precisa cometer um crime muito sério para oscilar entre a quase beatificação e a quase demonização em pouco tempo.

Traduzindo: a Ariana de antes da pandemia era uma cantora pop “consciente”, que havia visto acontecer um atentado terrorista num show seu em Manchester (onde morreu um número considerável de fãs). Na época, ela reagiu preocupando-se com os fãs, fazendo um show beneficente e admitindo, em entrevista à revista Elle, que “tudo havia mudado” em sua vida, a ponto de ela pensar em parar de cantar. Um pouco mais de movimentação em sua vida amorosa e… surgiram haters, especulações, matérias de tabloides e sites de fofocas, e talvez sua música não tenha sido tão bem avaliada como merecia, embora o pop meio vintage, meio pós-Kylie Minogue que ela fez nos discos Thank U, next (2019) e Positions (2020) continue uma atração bacana nos dias de hoje.

Não é incomum Ariana fazer confidências sobre sua vida particular em músicas – a graça do pop, na real, é essa mesmo. Eternal sunshine, inspirado pelo filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças, de Michael Gondry, é o que é porque Ariana viveu bastante nos últimos tempos. É um disco que fala bastante de vulnerabilidade, de especulações da mídia, de expectativas alheias, de relacionamentos que acabam. Na capa, a mensagem é clara: você só vai saber se chegar perto. E só vai chegar perto se ela quiser.

O som valoriza os vocais emocionados-mas-contidos de Ariana e, basicamente, voa do tecnopop-r&b (em Don’t wanna break up again, Eternal sunshine, The boy is mine) a músicas que lembram a dance music do começo dos anos 1990. Como Bye e o hit single Yes, and?, que basicamente é a tentativa de Ariana de responder a todo mundo que quis saber porque é que seu casamento terminou – com versos como “caso você não tenha notado/todo mundo está cansado/e se recuperando de alguém” e “por que é que você se importa tanto com o p (*) que eu monto?”. No final, amor tranquilo e (de certa forma) empoderamento em Ordinary things.

Ariana Grande esta bem longe de ser uma artista pop que faz discos sem substância e, como vários outros artistas (de Adèle a Nando Reis, passando por Bob Dylan), arrumou uma fonte inesgotável de assuntos para falar: ela própria. No novo disco, ela se esmerou bastante em fazer exatamente isso, em meio a interpretações e melodias certeiras.

Nota: 7,5
Gravadora: Republic

Crítica

Ouvimos: The Libertines, “All quiet on the Eastern Esplanade”

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Ouvimos: The Libertines, "All quiet on the Eastern Esplanade"
  • All quiet on the Eastern Esplanade é o quarto disco dos Libertines, banda britânica que começou em 1997 centrada na parceria entre Pete Doherty e Carl Barât (ambos voz e guitarra), e que é complementada por John Hassall (baixo) e Gary Powell (bateria).
  • O novo álbum é também o primeiro disco deles em nove anos – Anthems for doomed youth, o anterior, saiu em 2015.
  • O material do novo disco foi composto coletivamente pelo quarteto, e produzido por Dimitri Tikovoï (Placebo, Purple Disco Machine, Ghost, The Horrors). O disco foi gravado no velho mocó da banda, os Albion Rooms.
  • Carl diz que o novo disco traz a banda vivendo um momento inédito de união. “Nosso primeiro disco nasceu do pânico e da descrença de que podíamos realmente estar em um estúdio. O segundo nasceu de total conflito e miséria. O terceiro nasceu da complexidade. E neste disco, parece que estávamos todos no mesmo lugar, na mesma velocidade, e realmente nos conectamos”, afirmou.

Se bobear nem mesmo os próprios Libertines estavam esperando um retorno tão bacana, embora os fãs do grupo já estejam acostumados a surpresas. Afinal de contas, depois das brigas de dar medo entre os líderes Pete Doherty e Carl Barât, era para os dois estarem se detestando até o fim da vida. E o fator “vida”, para um sujeito que já cometeu tantos abusos quanto Doherty, é uma escolha a ser feita diariamente.

O grupo só havia lançado dois discos em sequência: a estreia Up the bracket, de 2002 e The Libertines, de 2004. Anthems for doomed youth, de 2015, o terceiro disco, veio depois de uma superação de briga de dez anos. O retorno All Quiet on the Eastern Esplanade, com seu título aludindo à Primeira Grande Guerra, amplia bastante o leque do quarteto. O grupo retorna refletindo crises e questões atuais, já que faixas como o single Run run run, Merry Old England e Baron’s claw são o dia a dia de uma existência apertada entre crises, saudades de uma época de ouro (que já faz tanto tempo…) e recordações de misérias passadas.

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Em termos de som, aquela banda que lembrava uma mescla perfeita de Clash e Television Personalities volta unindo, com classe, praticamente tudo que o rock britânico trouxe de muito bom em sua história pós-1960. Tem bandas como The Who, Beatles, Clash, The Jam e Smiths servindo de ponto de união em faixas como Run run run, o power pop Mustangs, a punk e poderosa Oh shit, o misto Clash + Smiths de So young.

Tem também o brit pop épico de Night of the hunter, com riff inspirado no Lago dos cisnes, de Tchaikovsky, com linhas vocais unindo algo de Oasis e algo parecido com As tears go by, sucesso que Mick Jagger, Keith Richard e Andrew Oldham compuseram para Marianne Faithfull. Man with the melody, por sua vez, traz lembranças da fase entertainer de David Bowie, da época de seu primeiro disco. A classuda e bela Merry Old England parece coisa do Style Council ou de Paul Weller solo.

É cedo para dizer se o novo dos Libertines vai ser ouvido daqui a alguns anos como um manual musicado de sobrevivência, como os discos do Clash. Provavelmente isso não vai acontecer – os tempos são outros, as pessoas não estão esperando mais serem salvas pelo rock. Mas a banda volta disposta até a meter o dedo nos números estranhos do streaming, em Songs they never play on the radio, dos versos: “enquanto as teias de aranha caem no novo disco/a agulha pula uma ranhura (…)/músicas que eles nunca tocam no seu rádio/você pode baixar de graça e economizar algum dinheiro”.

Nota: 9
Gravadora: EMI

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Crítica

Ouvimos: Hawkwind, “Stories from time and space”

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Ouvimos: Hawkwind, "Stories from time and space"
  • Stories from time and space é o 36º álbum da veteraníssima banda britânica de space rock Hawkwind. O grupo hoje é um quinteto, apresentando o fundador Dave Brock (voz, guitarra, teclados) ao lado de Richard Chadwick (bateria), Magnus Martin (guitarra, teclados), Thighpaulsandra (teclados) e o novato Doug MacKinnon (baixo), que entrou em 2021. O disco tem versões em CD e vinil duplo e a banda já está em turnê. No Bandcamp dá pra acompanhar tudo.
  • Você deve lembrar: Lemmy Kilmister, que depois fundou o Motörhead, foi baixista do Hawkwind por alguns anos na primeira metade da década de 1970. Na primavera de 1975, o grupo estava em turnê, e partia dos Estados Unidos para o Canadá, quando o músico foi pego pela polícia com anfetaminas. O músico foi preso por dois dias, e depois foi expulso do grupo. Brock contou ao jornal The Telegraph que quando o carro da banda foi abordado pela polícia, o baixista estava trêbado, encostado na porta, e caiu no chão assim que os meganhas abriram o veículo.

Não se deixe enganar pela primeira faixa desse Stories from time and space, já que Our lives can’t last forever é uma balada pianística lembrando Van Der Graff Generator ou Emerson, Lake and Palmer. O Hawkwind, que permaneceu muito vivo após a saída do ex-baixista Lemmy Kilmister – que, você deve saber, notabilizou-se mais por ter criado o Motörhead – fica mais reconhecível a partir da segunda faixa, um space rock tribal chamado The starship (One love one life). Entre canções completas, passagens instrumentais e vinhetas, o Hawkwind que surge ainda é psicodélico, ainda prega sustos no ouvinte, ainda alterna odisseias espaciais e bad trips como em discos dos anos 1970. Dave Brock, líder, vocalista e fundador da banda, aos quase 83 anos, fala no disco novo sobre vida, morte e o que existe entre uma coisa e outra.

Para quem do Hawkwind só conhece a lenda, ou no máximo lembra de músicas como Silver machine (que tem até clipe!) vale a informação de que a banda é extremamente ativa – só de 2016 para cá foi quase um disco por ano. Aquele grupo que unia progressivo, psicodelia e pré-punk, e que foi definido por Mick Jones, do Clash, como “a banda progressiva que os punks podiam gostar”, hoje soa como um King Crimson mais distorcido no prog jazz de What are we going to do while we’re here), lança mão de outras baladas espaciais (nas belas Till I found you e Re-generate, e na épica Traveller of time & space). Também une tramas de guitarras e teremins apitando, na psicodélica The tracker, e encerra com um trio de faixas, The black sea, Frozen in time e Stargazers, que dão mais reforço ainda à ideia de “aventura espacial” do disco.

Para gostar do Hawkwind hoje em dia você precisa ser um pouco mais fã de rock progressivo do que a média – aquele grupo esquisito, que chegou a ter um baixista vida louca (Lemmy, enfim), ficou no passado. Mas é interessante notar em algumas passagens do disco novo o quanto bandas como Melvins e Queens Of The Stone Age devem ao estilão do veterano grupo britânico.

Nota: 7,5
Gravadora: Cherry Red

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Ouvimos: The Dandy Warhols, “Rockmaker”

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Ouvimos: The Dandy Warhols, "Rockmaker"
  • Rockmaker é (pode acreditar) o décimo-segundo álbum de estúdio dos Dandy Warhols, banda norte-americana conhecidíssima por causa do hit Bohemian like you.
  • O grupo formado por Courtney Taylor-Taylor (voz, guitarra, teclado), Peter Holmström (guitarra, backing vocals, teclados, baixo), Zia McCabe (teclados, baixo, percussão, backing vocals, guitarra) e Brent DeBoer (bateria, guitarra, baixo, backings) está vindo ao Brasil – toca no dia 13 de junho, no Carioca Club, em São Paulo. E (pode acreditar também!) está completando 30 anos.
  • O disco tem participações de Frank Black, Slash (Guns N Roses) e Debbie Harry (Blondie).

Dandy Warhols, os caras de Bohemian like you. Aquele hit que você já dançou um trilhão de vezes na pista – se bobear, esteve na semana passada numa festa em que o DJ soltou essa pérola, que soa quase como se o Blur decidisse abraçar uma mescla de rock dançante e toques glam. Problema é que esse é só um lado (e talvez o mais público) do DW, uma banda que sempre teve uma relação de amor e ódio com uma banda bem esquisita, o Brian Jonestown Massacre, e cujos álbuns são pérolas da neo-psicodelia e da variedade. Aquele tipo de disco que começa de um jeito, acaba de outro, e passa por várias nuances sonoras no meio do caminho.

Não custa lembrar que esse Rockmaker marca a volta do grupo para as canções, após o quarteto fazer um álbum de três horas (Tafelmuzik means more when you’re alone, de 2020) que tinha uma faixa de trinta minutos. E não deixa de ser um disco bem maluco e experimental. Rockmaker não tem nenhum hit óbvio como Bohemian like you, que na prática é um dos raros hits óbvios deles. O disco atira para o rock herdado do punk e do glam, com tendências “espaciais” (graças à gravação de vocais e aos ruídos disparados por guitarras e teclados), especialmente no single Danzig with myself (com Frank Black fazendo vocais), em I’d like to help you with your problem (que traz solos de guitarra de Slash e soa como Jimi Hendrix Experience pré-punk), ou em canções loureedianas como Teutonic wine.

Para rolar na pista de dança, o álbum traz a precisão rock-eletrônica de The cross, o punk melódico Love thyself, e o boogie-punk irônico de The summer of hate, com vocais no estilo de Iggy Pop. O lado stoner da banda surge na bizarra Alcohol and cocainemarijuananicotine e na estranheza de Real people. Debbie Harry dá o ar da graça em I will never stop loving you. Uma canção (er) galante, que soa quase como uma vinheta tamanho-família, encerrando o álbum – e poderia ter alguns minutos a menos.

Nota: 7,5
Gravadora: Sunset Blvd/Beat The World

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