A Cheetah Magazine fazia o maior sucesso na Factory, de Andy Warhol. Chega a ser citada em Popismo – Os anos 1960 segundo Andy Warhol, coletânea de diários do artista multimídia creditada a ele e a Pat Hackett, quando ele lembra o que estava acontecendo no escritório no momento anterior à entrada de um sujeito, armado com um revólver, que aparecia para cobrar uma dívida. A revista era a publicação que Susan Pile, uma das figuras ligadas à produtora, estava folheando pouco antes disso – o primeiro número ousava por trazer um pôster de Mama Cass, dos The Mamas & The Papas, sem roupa, em meio a uma cama de margaridas.

O mundo psicodélico da revista "Cheetah"

O mundo psicodélico da revista "Cheetah"Hoje não é das coisas mais fáceis e baratas do mundo achar um número da Cheetah para comprar – de vez em quando aparece um, caríssimo, no eBay. O site Rock’s Backpages, que disponibiliza textos raros da história do rock mediante assinatura, tem alguns textos publicados. A revista durou pouco tempo e foi bastante pioneira – a primeira edição foi para as bancas um mês antes da primeira Rolling Stone, e o formato era bastante parecido, com cobertura da cena pop-rock, e mão pesada total para cima da onda da psicodelia. Não durou muito e seguiu apenas até maio de 1968. Enquanto existiu, cobriu lançamentos como Safe as milk, de Captain Beefheart (a resenha original está aqui) e ajudou a aumentar o culto a Smile, disco engavetado lançado dos Beach Boys, a partir da reportagem Goodbye surfing, hello God!, publicada no primeiro número, feita pela jornalista e escritora Jules Siegel.

O texto de Siegel trazia Brian Wilson pela primeira vez falando que o disco era “uma sinfonia adolescente para Deus”, falava de maluquices como o cancelamento de uma sessão de gravação caríssima porque o artista havia sentido “vibrações ruins” e do medo que Brian sentia do filme O segundo rosto, thriller de ficção científica de John Frankenheimer, com Rock Hudson. Um trecho desse texto está publicado no site da própria Rolling Stone, mas todo o texto pode ser encontrado como e-book.

Por sinal, quem gravou um spot de rádio anunciando o primeiro número da publicação foi ninguém menos que Jim Morrison.