A psicodelia, a graça, o charme e o veneno do fim da década de 1960 (e o comecinho da de 1970) bateu seriamente na turma do selo Westminster Records, fundado em 1949 nos EUA por um pequeno grupo formado por empresários da música, um dono de lojas de discos e um maestro. O selo, especializado em música clássica, virou mania entre fãs do estilo por causa de suas gravações muito bem feitas.

No começo dos anos 1960, a gravadora foi vendida para a ABC-Paramount e, em poucos anos, a farra das gravações originais cessou. O Westminster passou a apenas reeditar seu precioso catálogo e, no comecinho da década seguinte, pôs para rodar a etiqueta Westminster Gold, que repôs vários discos lançados várias décadas antes com prensagem nova, além de visual cool, bacana e descolado nas capas.

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O responsável por essa mudança tinha sido um artista gráfico chamado Christopher Whorf, um dos reis das capas de discos dos anos 1960. Whorf tinha feito capas de discos de Isaac Hayes (o clássico Hot buttered soul), Count Basie (Standing ovation) e até a de um disco do ator Leonard Nimoy. Também encapou discos de orquestras (como a de Billy Vaughan) e criou capas para o selo Dot Records. Em 1980, fez a arte de Double fantasy, de John Lennon e Yoko Ono.

No caso da tal série da Westminster Gold, a ideia era aproximar os discos de música clássica da juventude e do comprador popular de discos. O que explica direitinho o clima de “entendeu ou quer que eu desenhe?” no relançamento de Romeu e Julieta, de Berlioz, com a cantora de ópera Regina Resnik e o maestro Pierre Monteux, além da London Symphony Orchestra. Na cama, uma mulher como veio ao mundo, um homem de meias (!).

Olha aí a capa em estilo Hipgnosis (a firma que fazia as capas do Pink Floyd, entre outros artistas) para o Bolero de Ravel, trazendo peças de Manuel De Falla, Paul Dukas e Emmanuel Chabrier como bônus.

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A ópera O anel dos Nibelungos, de Richard Wagner, ficou bem… digamos… você define.

Parece uma capa de disco de girl group dos anos 1990, mas era o invólucro de Rapsódia húngara, de Franz Liszt.

Visual comportado no disco dedicado a três fantasias da obra do britânico Ralph Vaughan Williams.

O uso mais sexy que você poderia imaginar de um busto de Beethoven (aliás, de dois bustos) está na capa desse disco com obras do compositor clássico, com o jovem Daniel Baremboim ao piano.

Mais “entendeu ou quer que eu desenhe?” na capa de A viúva alegre.

Aquela piscadinha e um clima de “que tal nós dois?” na capa da coletânea de Mozart.

E para quem sentiu falta de modelos masculinos, segue o clima meio BDSM de Spartacus, do armênio Aram Khatchaturian.

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