Cultura Pop
Mini-Pops: bem antes do The Voice Kids

Nos anos 80, crianças-prodígio também participavam de programas musicais e concursos, com o intuito de ganhar visibilidade, fama internacional e contratos milionários com gravadoras. E na Europa, o programa de maior visibilidade para expor talentos infantis chamava-se The Mini-Pops.

Antes de se tornar um programa de TV, o Mini-Pops era somente um grupo de crianças britânicas que cantava covers dos grandes sucessos do início dos anos 1980 e também hits de décadas anteriores. Lançados pela gravadora canadense K-Tel em 1982 (pelas mãos do produtor Martin Wyatt) o vinil The Mini-Pops trazia a turminha reverenciando até mesmo a cena new wave-new romantic. Olha aí eles cantando Video killed the radio star, do grupo britânico The Buggles.
A música, você sabe, tornou o The Buggles um one hit wonder e foi o primeiro vídeo a estrear na inauguração da MTV americana, em 1980. E rendeu umas pinimbas entre os autores. A versão infantil é que não emplacou muito, obtendo apenas a posição 30 nas paradas de sucesso do Reino Unido e da Europa.
Mas uma criança em particular, Joanna, filha caçula de Martin, balançou o coração dos franceses. E, fazendo cover de Stupid cupid, originalmente lançada por Connie Francis (no Brasil, você sabe, Celly Campelo gravou a canção em português), a garotinha conseguiu a proeza de ficar em primeiro lugar nas rádios da França, tirando a vaga de Ebony and ivory, lendária canção de Paul McCartney e Stevie Wonder.
Mas, ainda assim, apesar de a ideia ser boa – crianças fazendo covers de canções de sucesso – o mainstream só chegou para elas quando o produtor de TV do britânico Channel 4, Cecil Corer, e o produtor musical Mike Mansfield transformaram o disco em um programa de TV com as crianças caracterizadas tais como os artistas originais, incluindo figurinos, trejeitos e maquiagem. Para eles, as crianças da época seriam influenciadas pelos cantores mirins e entenderiam melhor os gostos musicais de seus pais e avós. Santa ingenuidade.
Realmente, o show, transmitido em 1983, foi um tremendo sucesso, atingindo mais de 2 milhões de telespectadores naquele ano. Porém, constatou-se que os telespectadores eram, em sua grande maioria, marmanjos. Em uma das performances, a filha de Martin, Joanna, a mais nova do casting, de 7 anos, aparece em uma camisola quase transparente, com maquiagem carregada, cantando Nine-to-five,de Sheena Easton, uma canção repleta de referências sexuais como “fazer amor”. Eita.
Mas o fim da picada foi o cover the Turning japanese, da banda punk The Vapors, que era uma referência sutil à masturbação! Embora houvesse performances mais “suaves” como crianças imitando os trejeitos de Shakin Stevens (Green door) e da banda de ska Madness (Baggy trousers), a imprensa britânica e a opinião pública ficaram escandalizadas com a “sexualização” de crianças e pré-adolescentes. Mesmo assim o programa deslanchou as vendas de discos, que continuaram a ser lançados com outras versões até 1985.
Após apenas um ano no ar, o programa musical The Mini-Pops foi cancelado, seu produtor foi sumariamente dispensado e o pai de Joanna, Martyn Wyatt, sofreu muitos problemas pessoais e judiciais por ter exposto sua filha às performances. No Reino Unido, até hoje, pessoas se recordam do ”programa musical infantil que fazia apologia à pedofilia e à sexualização de crianças e pré-adolescentes”, rendendo programas no estilo “Por onde anda…” e até um livro sobre os bastidores do polêmico programa.
Recentemente, mais precisamente em 2005, a K-tel lançou, no Canadá, um Mini-Pops repaginado, cujo foco é lançar novos talentos fazendo covers e performances em eventos e shows. Mas agora é tudo na base do politicamente correto.
Ah, sim: o primeiro disco do Mini-Pops, com Video killed the radio stars, 9 to 5 e outros hits, saiu no Brasil. Olha aí.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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