“Meu Deus, eu não fazia a menor ideia de que Hangin’ on the telephone, do Blondie, era cover”, você pode estar dizendo. Mas era. E da pouquíssimo conhecida banda americana de power pop The Nerves. Olha o original e a versão aí.

Em 2016, o L7 também gravou a música num disco chamado Fast and frightening.

Na voz do Hep Alien, banda fictícia da série Gilmore Girls.

O EP único do The Nerves, lançado em 1976, tinha quatro faixas – entre elas Hangin’ on. Foi reeditado em 2008 com vários bônus e o nome de One way ticket. Tá até nas plataformas digitais.

O grupo veio da cena roqueira de Los Angeles e tinha na formação o guitarrista Jack Lee , o baixista Peter Case e o baterista Paul Collins. O EP saiu pelo mitológico selo californiano Bomp!.

Aquela música do Blondie que você adora, era na verdade do The Nerves

A banda vinha da cena que gerou bandas como The Knack e The Beat. Não teve tempo nem se se tornar “o grupo que não deu certo” da tribo, já que o trio acabou logo após a primeira tour. Lee se separou dos outros dois, que montaram a banda The Breakaways, ao lado de Pat Stengl (guitarra).

Essa aí é uma coletânea dos Breakaways lançada em 2009.

Em 1978, Case formou os Plimsouls. Olha aí Million miles away, incluída em 1983 na trilha de Sonhos rebeldes (Valley girl), que passava na Sessão da Tarde às vezes.

Esse é o Beat, formado pelo baterista Paul Collins, então virado em vocalista, em 1979. O grupo passou a se chamar Paul Collins Beat para não rolarem confusões com a banda de ska The Beat. Fez algum sucesso.

Jack Lee, que por acaso é o autor de Hangin’ on the telephone, fez carreira solo. Em 1981 lançou um disco chamado… Greatest hits vol. 1. Isso porque o álbum trazia canções novas unidas a músicas do The Nerves retrabalhadas.

A versão do autor para a música.

O relançamento do disco do The Nerves animou Collins e Case (Jack Lee preferiu ficar na dele) a recolocar a banda em turnê. Durou pouco: os dois músicos já haviam tido problemas na tour dos anos 70 (durante a qual abriram para bandas como Ramones) e voltaram a se estranhar. Em entrevista ao site Popmatters, Case deu a entender que Collins desertou da turnê e o deixou na estrada, sozinho.

Seja como for, Collins – hoje um sujeito tão careca quanto o compositor de quem é quase homônimo – continua excursionando solo. Em 2017, lembrou ao site The Vinyl District o quanto o termo “power pop” colocava bandas na marginalidade.

“Em 1979 e 1980, se você fosse uma banda de power pop, o rádio não tocaria você. Ponto final. Eles mal tocaram new wave, eles não tocaram o punk, e os programadores não cairiam nessa de power pop. No começo, era quase como um rótulo nerd: ‘Oh, você toca power pop? É meio boboca, isso’. As pessoas achavam que o som não era pesado o suficiente, e nós falávamos: ‘Foda-se você’. Não havia nada frágil ou nerd no The Nerves. Éramos rock-and-roll, mas definitivamente tinha uma estética que envolvia pop”, contou.

E mais recentemente Peter Case virou um sujeito do blues. Confere aí.