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Cultura Pop

Aquela música do Blondie que você adora, era na verdade do The Nerves

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Aquela música do Blondie que você adora, era na verdade do The Nerves

“Meu Deus, eu não fazia a menor ideia de que Hangin’ on the telephone, do Blondie, era cover”, você pode estar dizendo. Mas era. E da pouquíssimo conhecida banda americana de power pop The Nerves. Olha o original e a versão aí.

https://www.youtube.com/watch?v=ec2KlEEeo78

Em 2016, o L7 também gravou a música num disco chamado Fast and frightening.

Na voz do Hep Alien, banda fictícia da série Gilmore Girls.

O EP único do The Nerves, lançado em 1976, tinha quatro faixas – entre elas Hangin’ on. Foi reeditado em 2008 com vários bônus e o nome de One way ticket. Tá até nas plataformas digitais.

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O grupo veio da cena roqueira de Los Angeles e tinha na formação o guitarrista Jack Lee , o baixista Peter Case e o baterista Paul Collins. O EP saiu pelo mitológico selo californiano Bomp!.

Aquela música do Blondie que você adora, era na verdade do The Nerves

A banda vinha da cena que gerou bandas como The Knack e The Beat. Não teve tempo nem se se tornar “o grupo que não deu certo” da tribo, já que o trio acabou logo após a primeira tour. Lee se separou dos outros dois, que montaram a banda The Breakaways, ao lado de Pat Stengl (guitarra).

Essa aí é uma coletânea dos Breakaways lançada em 2009.

Em 1978, Case formou os Plimsouls. Olha aí Million miles away, incluída em 1983 na trilha de Sonhos rebeldes (Valley girl), que passava na Sessão da Tarde às vezes.

Esse é o Beat, formado pelo baterista Paul Collins, então virado em vocalista, em 1979. O grupo passou a se chamar Paul Collins Beat para não rolarem confusões com a banda de ska The Beat. Fez algum sucesso.

Jack Lee, que por acaso é o autor de Hangin’ on the telephone, fez carreira solo. Em 1981 lançou um disco chamado… Greatest hits vol. 1. Isso porque o álbum trazia canções novas unidas a músicas do The Nerves retrabalhadas.

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A versão do autor para a música.

O relançamento do disco do The Nerves animou Collins e Case (Jack Lee preferiu ficar na dele) a recolocar a banda em turnê. Durou pouco: os dois músicos já haviam tido problemas na tour dos anos 70 (durante a qual abriram para bandas como Ramones) e voltaram a se estranhar. Em entrevista ao site Popmatters, Case deu a entender que Collins desertou da turnê e o deixou na estrada, sozinho.

Seja como for, Collins – hoje um sujeito tão careca quanto o compositor de quem é quase homônimo – continua excursionando solo. Em 2017, lembrou ao site The Vinyl District o quanto o termo “power pop” colocava bandas na marginalidade.

“Em 1979 e 1980, se você fosse uma banda de power pop, o rádio não tocaria você. Ponto final. Eles mal tocaram new wave, eles não tocaram o punk, e os programadores não cairiam nessa de power pop. No começo, era quase como um rótulo nerd: ‘Oh, você toca power pop? É meio boboca, isso’. As pessoas achavam que o som não era pesado o suficiente, e nós falávamos: ‘Foda-se você’. Não havia nada frágil ou nerd no The Nerves. Éramos rock-and-roll, mas definitivamente tinha uma estética que envolvia pop”, contou.

E mais recentemente Peter Case virou um sujeito do blues. Confere aí.

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Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Cultura Pop

Raridade: recuperaram papo de Ian MacKaye para a revista Panacea, em 1994

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Auto-intitulada “a revista brasileira de quadrinhos (e outros bichos)” a revista Panacea fez muitas cabeças nos anos 1990 – na verdade, foi um zine transformado em revista, pela jornalista Gabriela Dias. hoje colunista da Revista Caju. E foi ela quem conduziu um papo com Ian MacKaye (Fugazi, Minor Threat) em 1994, quando o grupo se apresentou no desbravador festival Belo Horizonte Rock Independente Fest (o popular BHRIF).

Encontrar algum número da Panacea dando sopa é complicado – volta e meia aparece algum à venda no Mercado Livre. Em compensação, pegaram a tal entrevista de Ian MacKaye, bateram tudo e subiram no site Issuu. “Em 2003 copiei o texto, diagramei, imprimi e distribui entre alguns amigos. Na época eu não revisei, também não sabia diagramar e muito menos o que era leiturabilidade”, diz a pessoa, que passou horas batendo a conversa.

Na abertura do papo, Gabriela explica que Ian é “obsessivo, gentil, atencioso”, mas “simples, direto e ríspido”. Os dois lados do músico, conhecido pelo mergulho total na atitude punk e pelo “não se vender” levado à máxima potência, ficam bem claros no papo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Guy Picciotto (Fugazi) cantou enfiado numa cesta de basquete

MacKaye recusa-se a dar conselhos aos repórteres sobre como fazer a cena independente funcionar no Brasil (“vocês não precisam de um americano para dizer como fazer as coisas”, esbraveja) e foge de fazer comentários sobre colegas, mesmo que positivos. Mas diz que Henry Rollins, quando foi cantor do Black Flag, foi roubado pelos donos da gravadora SST. E reclama que as majors, uma tentação a qual o Fugazi nunca cedeu, são ambiciosas demais. “A especialidade delas é pegar um pedaço de merda, dar uma polida e fazer um disco”, diz ele, por sinal amigo de Rollins desde a infância.

“Não é interessante ser parte de uma major. É chato. Às vezes eu penso: ‘Deus, todos os meus amigos são milionários e famosos, e eu sou este carinha que é fiel ao próprio mundo. As pessoas pensam que uma banda como Rage Against The Machine é que é radical. Como se pode ter raiva da máquina quando se é parte dela?”, prega Ian.

Tá aqui a conversa toda. Leia antes que suma.

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Cultura Pop

Bob Dylan elogiando Madonna

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Bob Dylan elogiando Madonna

Em 1991, Bob Dylan afirmava à American Songwriter que desprezava o pop. O cantor, que tinha lançado um ano antes o disco Under the red sky, elogiou compositores como Brian Wilson e Randy Newman, e disse que ninguém deve se guiar pelas canções de um arista pop. Mas falou bem de ninguém menos que Madonna.

“O entretenimento pop não significa nada para mim. Nenhuma coisa. Você sabe, Madonna é boa. Madonna é boa, ela é talentosa, ela une todos os tipos de coisas, ela aprendeu suas coisas … Mas é o tipo de coisa que leva anos e anos da sua vida para você ser capaz de fazer. Você tem que se sacrificar muito para fazer isso. Sacrifício. Se você quer se tornar grande, você tem que sacrificar muito. É tudo igual, é tudo igual”, disse, rindo.

Bob também fez um comentário bem interessante sobre Jim Morrison quando ouviu que o hoje negacionista militante Van Morrison o considerava o maior poeta vivo. “Os poetas costumam ter finais muito infelizes. Veja a vida de Keats. Olhe para Jim Morrison, se você quiser chamá-lo de poeta. Olhe para ele. Embora algumas pessoas digam que ele está realmente nos Andes”, afirmou.

O repórter da revista perguntou se ele achava que isso era verdade e Dylan saiu fora da resposta. “Bom, nunca passou pela minha cabeça pensar de uma forma ou de outra sobre isso, mas você ouve isso por aí. Pegando carona nos Andes. Montando um burro”, disse.

Uma revelação que Bob fez no papo é a de que ele prefere, no piano, as teclas pretas para trabalhar. “E elas soam melhor na guitarra também. Às vezes, quando uma música tem uma tonalidade bemol, digamos Si bemol, leve para o violão, você pode querer colocá-la em Lá”, diz. “Quando você pega uma música de tecla preta e a coloca no violão, o que significa que você está tocando em lá bemol, muitas pessoas não gostam de tocar nessas teclas. Para mim não importa”.

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Cultura Pop

Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

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Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

A Melody Maker, publicação britânica de música, tinha o hábito de pedir a artistas conhecidos que comentassem lançamentos da época. Em 1967, Paul McCartney chegou a fazer uma resenha (falando bem) de Purple haze, single do Jimi Hendrix Experience. E caiu para ninguém menos que o novato (na época) Syd Barrett analisar um single de um cantor mais novato ainda: Love you till tuesday, de David Bowie.

Segundo a Far Out Magazine, algum emissário da revista visitou o Pink Floyd durante a gravação do single Bike, levou a canção para Syd ouvir e extraiu dele várias opiniões sobre o disco. “Sim, é um número de piada. Piadas são boas. Todo mundo gosta de piadas. O Pink Floyd gosta de piadas”, escreveu/falou o cantor da banda. “É muito casual. Se você tocar uma segunda vez, pode ser ainda mais uma piada”.

A animação de Barrett terminou aí. O cantor ainda disse que as pessoas iriam gostar da letra e de suas brincadeiras com os dias da semana. Mas… “Muito alegre, mas não acho que meus dedos do pé estavam batendo”, afirmou. Ironicamente, Barrett era uma das maiores referências de Bowie em sua primeira fase de carreira, e continuaria sendo uma sombra enorme no trabalho dele por vários anos. Olha Bowie nos anos 1970 cantando See Emily play, do Pink Floyd.

“Syd foi uma grande inspiração para mim Ele era tão carismático e um compositor surpreendentemente original”, afirmou Bowie em 2006, quando Barrett morreu. “Além disso, junto com Anthony Newley, ele foi o primeiro cara que ouvi cantar pop ou rock com sotaque britânico. Seu impacto em meu pensamento foi enorme. Um grande pesar é que nunca o conheci. Um diamante, de fato”.

Seja como for, nem Love you till tuesday nem o primeiro disco de Bowie, The world of David Bowie (1967) fizeram sucesso algum. E olha que o cantor e seu empresário tentaram, já que saiu até um filme com pequenos clipes do disco. A gente falou disso aqui.

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