Cultura Pop
Mike Love (Beach Boys): “Mick Jagger é um covarde”

Existem várias bandas que nos anos 1960 foram tidas como “rivais” dos Beatles em algum momento: Byrds, Beach Boys, Rolling Stones, quase todo mundo que aparecia em algum momento era envolvida na rivalidade por algum jornalista espertinho – e opa, os Beatles também tinham lá seus motivos para se assustarem com todo mundo que se arvorava a fazer sucesso. Pior que, pelo menos no que dependesse de Mike Love, um dos beach boys, haveria uma bizarra rivalidade entre os bem sucedidos Stones e os vida-torta da banda de surf music da Califórnia. Tudo por causa de um rancor guardado em tonéis de carvalho por vários anos.
No dia 8 de maio de 1966, Mick Jagger, que praticamente nunca foi visto falando dos Beach Boys na vida, foi perguntado pela Melody Maker sobre o que achava da banda. Bom, digamos que o cantor dos Stones foi bastante sincero: disse que odiava o grupo, apesar de gostar de Brian Wilson, o gênio da turma. Um “gostar” que se aproximava mais da zoação paternalista do que da sinceridade pura e simples, diga-se, mas o cantor não parou por aí. “Brian Wilson é um cara legal e diferente deles. Eles são uns caras estúpidos, como vários grupos que começaram junto com eles e agiram feito idiotas todo o tempo”, disse, comparando a banda com “um bando de caras grosseirões que invadem um pub”.
Jagger curtia Pet sounds, por sinal um disco que Brian Wilson trabalhou e retrabalhou, e pelo qual Mike Love historicamente nunca teve muito amor. Ainda assim o disco não levou nota 10 do stone. “Brian é um grande produtor mas poderia variar os sons das vozes. Os sons, não as harmonias, me irritam um pouco”. Dennis Wilson, o baterista, é definido por Mick como um músico que “não poderia manter o tempo das músicas nem para salvar sua vida”. Brian é definido como um bom letrista, mas o resultado final é “inocente”.
Olha aí a arenga do Mick.
"Like a lot of rugger types who come to invade a pub." Mick Jagger on the Beach Boys, Melody Maker, 8 May 1966 pic.twitter.com/y844dkTtwb
— Bowiesongs (@bowiesongs) July 6, 2022
Até que em 1988, na cerimônia do Rock And Roll Hall Of Fame, Mike Love deu novas dimensões à palavra “rancor”. O beach boy soube que Mick Jagger estava na plateia e decidiu incluir o cantor em seu discurso de indução. Bom, “incluir” é apelido – Love chamou o vocalista de “covarde” e desafiou o frontman de uma das bandas mais bem sucedidas do mundo a subir no palco com ele.
A propósito, 1988 foi aquele famoso ano em que Keith Richards preparou seu primeiro disco solo, Talk is cheap, e os Stones “milagrosamente” decidiram conversar sobre uma turnê nova, adiada porque o guitarrista não iria abrir mão do trabalho solo. Ao mesmo tempo, o próprio Jagger (cujos voos solitários já haviam deixado os Stones na mão em outros momentos e tinham emputecido, em particular, Keith) fez sua primeira turnê solo, começando pelo Japão.
Mas ali no palco, o papo foi esse aí: “Os Beach Boys fizeram cerca de 180 apresentações no ano passado”, esbravejou Mike Love. “Eu gostaria de ver Mick Jagger subir neste palco e fazer I get around versus Jumpin’ Jack Flash, a qualquer momento. Eu gostaria de nos ver no Coliseum e Jagger no Estádio de Wembley porque ele sempre foi um covarde para subir no palco com os Beach Boys”.
A tal encrenca Mike Love vs. Mick Jagger, pelo que Love contou numa entrevista, chegou nos bastidores. O beach boy conta que rolou até de ele e Mick atirarem fora os sapatos um do outro. De qualquer jeito, o discurso puto da vida de Mike Love foi gravado e tá até no YouTube.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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