Connect with us

Cultura Pop

Lucio Mauro Filho num papo sobre música (Novos Baianos em especial) e TV

Published

on

Lucio Mauro Filho é ator e guitarrista. Aliás, tem se envolvido cada vez mais com a música, que sempre foi uma paixão, e de certa forma, uma segunda ocupação. Teve uma banda na adolescência “que tocava basicamente Jimi Hendrix, The Doors e Led Zeppelin”, como diz. Já fez trabalhos como DJ, participou da primeira edição da batalha musical de astros Popstar (Globo), aderiu às lives musicais até mesmo antes da pandemia.

Os fãs já estão acostumados à ver Lucio à frente da banda Lucio Mauro & Filhos, todo sábado no Caldeirão, comandado por Marcos Mion. No mesmo dia da semana, além disso, o ator pode ser visto também na Escolinha do Professor Raimundo, fazendo o personagem Aldemar Vigário (que durante vários anos foi interpretado por seu pai, Lucio Mauro) e na novela Quanto mais vida melhor, no papel do advogado Cardoso. Mas quem estiver pelo Rio, neste sábado (5), ainda pode ver Lucio ao lado de Pedro Baby, mais uma vez, como músico. Os dois fazem às 19h o show A lei natural dos encontros, no Bosque Bar (na Gávea, Zona Sul do Rio).

Lucio Mauro Filho num papo sobre música (Novos Baianos em especial) e TV

Divulgação/Nando Chagas

A apresentação é uma desculpa para os dois revisitarem o repertório dos Novos Baianos – e para quem não lembra, no espetáculo Novos Baianos, o musical, que chegou aos palcos em 2020, Lucio fazia o roteiro e Pedro (filho de Baby do Brasil e Pepeu Gomes, e guitarrista) fazia a direção musical. O show do Bosque teve uma estreia em dezembro  retorna agora quinzenalmente, para não atropelar as gravações – e Lucio diz ao Pop Fantasma que o show vai incluir também repertório de outros artistas que têm conexões com a música do grupo que há 50 anos lançava o clássico disco Acabou chorare. E quem quiser se encontrar com o lado DJ de Pedro, até que a situação da variante Ômicron melhore, tem as playlists que ele faz e divulga em seu instagram.

(foto lá de cima: João Cotta/Globo/Divulgação)

Como foi quando vocês estrearam o show e mostraram os sucessos dos Novos Baianos para a plateia?

Foi muito especial. A gente interrompeu a temporada do espetáculo dos Novos Baianos, onde começou nossa parceria, em pleno voo. A gente tinha acabado de fazer São Paulo e Rio, sucesso estrondoso. Depois íamos fazer festival de Curitiba, íamos para Salvador, as perspectivas eram lindas. Veio essa tragédia aí da pandemia. E pra nós foi muito frustrante, porque levantar um espetáculo desses, com essa quantidade de equipamentos, de artistas envolvidos… É tudo muito caro.

E foi tudo sem lei de incentivo (rindo), porque elas foram demonizadas. É carro e arriscado, se é um sucesso, maravilha. Se não é, é perigosíssimo. A gente estava num céu de brigadeiro, fazendo sucesso, lotando as casas. E veio a pandemia e com isso, uma ducha congelante, que bateu em toda a classe. Quando os espaços começaram a reabrir, pra peça voltar, não tem jeito. Tem que refazer o projeto, captar, tem que ter agenda, agenda de todo mundo, quem vai poder fazer, quem não vai pode fazer. Não é um espetáculo que “ah, dá pra levantar semana que vem”. E aí aquele gostinho de relembrar aquela alegria, e ao mesmo tempo, estando eu envolvido com a música por causa do meu trabalho no Caldeirão… E aí numa dessas conversas com Pedro, ele disse: “Vamos levar um som, então, nós mesmos?”.

Imagina, já seria algo pra me inspirar pra caramba. Nosso trabalho no musical foi muito intenso, mas lá eu era autor e ele era diretor musical. Ainda não tínhamos experimentado brincar de música os dois juntos. E como é que podia eu não estar levando um som com ele? (rindo) Falei então: “Vamos inventar logo um show, e aí a gente tem aquele motivo pra ensinar, se encontrar e tal”. Procuramos o Leo, que é amigo de todos nós e tem o Bosque. Nossa prerrogativa era que fosse um espaço ao ar livre, que não fosse um lugar fechado. Foi tudo em duas semanas no fim do ano, e foi um esforço coletivo.

E como tá sendo escolher o repertório, já que Novos Baianos é esse universo todo?

Na verdade, o que acontece é o seguinte: a ideia é cada vez mais tocar de tudo. Os Novos Baianos foram estratégicos porque eram as músicas que a gente já estava trabalhando por causa do espetáculo. Eram um porto seguro para a gente começar um projeto musical com esse tempo exíguo, tão curto, e com os protocolos. A gente queria inventar um negócio que demandasse no máximo dois ensaios de estúdio para não ficar enfurnando todo mundo. Tem uma série de coisas que você tem que botar na balança na hora de estrear um projeto como esse. A gente quis ir dando um passo de cada vez, não estávamos com as condições ideais para iniciar um projeto já com um super repertório vasto, que todo mundo ia ter que ensaiar, estudar.

Nesse sentido, a gente sabia que as músicas vinham no automático. É uma homenagem ao que nos uniu. Mas também aproveitamos para fazer um set de Jorge Ben, já que nós somos discípulos dele. Tivemos a oportunidade de tocar um Tim Maia, e apontamos para novidades que a gente quer vir trazendo a cada show. Mas respeitando aquela proposta de uma festa, muito mais do que um show, de ficar de exibicionismo, queremos simular quase o DJ com a banda, no que diz respeito ao flow da pista. É uma coisa que a gente curte, eu tenho meu trabalho de DJ há muito tempo. Tenho essa cabeça do bpm, de você pensar na noite, num crescendo. Foi fundamental para pensar no show, que é uma festa-show, onde não tem tantas interrupções, tanto papo. A ideia é que as pessoas realmente dancem e curtam como numa festa.

Você falou do Jorge Ben, ele tem um ponto de ligação com Novos Baianos que é o Dadi, que foi baixista dele e da banda… Surge a ideia de juntar a música de um artista com a do outro, no show?

Sim, claro! E quando a gente está ensaiando, a gente fica muito atento a isso, aos tons, às canções que combinam, muitas combinam. Da mesma maneira, canções de Marisa Monte, Tribalistas… Se a gente for ver são artistas complementares. Todo mundo bebe um pouco no Jorge Ben, que foi um cara fundamental pra nossa história, ele começa a mistura do samba com o rock, que depois os Novos Baianos vão lá e dão um passo a frente, trazem o choro a bossa nova, João Gilberto. E Marisa Monte é discípula dos dois. Quando você vai fazer o que eu chamo de dramaturgia da noite (rindo) é uma história que se conta. A gente toca Barato total, de Gal Costa, e Pepeu Gomes foi guitarrista dela, aí casa com Baby e vai pros Novos Baianos. São universos complementares. Se o cara for mais leigo, vai dançar, curtir o show, mas o cara mais antenado em música tem outras possibilidades…

É toda uma história que está sendo contada ali, da música popular brasileira de verão, certo?

Exatamente. Tocamos inclusive coisas do repertório solo do Pepeu. Tocamos canções de Baby do Brasil. De uma certa maneira nada ali está desencaixado, ou é aleatório. É uma história a ser contada todas as noites.  A gente quer sempre diversificar, toda vez que tiver a festa, trazer uma novidade, e até músicas atuais que estejam antenadas com aquilo. Nada nos impede de trazer um arrocha, um piseiro… De certa maneira o que tá acontecendo, a eletrificação do forró é um fenômeno que você vai de Luiz Gonzaga a Barões da Pisadinha.

A música nordestina acaba tendo uma influência muito grande no nosso pensar musical. Ambos somos filhos de nordestinos. Minha mãe é baiana, meu pai é paraense. Pedro é filho de Pepeu e da Baby, que é a niteroiense mais baiana do planeta (rindo). Todo esse universo, de Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Daniela Mercury, Carlinhos Brown, a gente orbita. A gente vai pinçando, vendo como a pista reage.

E como tá sendo ter um espaço semanal pra mostrar seu trabalho como músico, no Caldeirão?

Cara, é um desafio absurdo, né? Eu sempre flertei com a música, acho que minha vida inteira. Ela sempre esteve ali presente, todo trabalho. Fiz musicais, fiz Mágico de Oz, participei do Popstar na televisão, cantando. Tenho meu show de bossa nova com Celso Fonseca, que é bossa nova e comédia. Fiz meu evento de bossa nova com o BossaCucaNova, no Copacabana Palace. A música estava sempre ali. Sempre fui metido a tocar meu violãozinho sarapinha (rindo), e de repente o que acontece é que isso ficou represado já lá da época do Popstar. Porque virou um grande treinamento pra mim, mesmo na correria que eu tava – eu estava fazendo a Escolinha e a Malhação.  Mesmo assim eu aprendi absurdamente, meu produtor no Popstar era Marcelo Sussekind. Cada dia de estúdio com ele era uma universidade.

Eu estava pronto para acabando o programa, sair em turnê, e inclusive com a banda pronta. Porque os meus parceiros da minha banda no programa eram figuras espetaculares, apaixonantes. Só cheguei na final porque tive a ajuda desses monstros: Serginho Melo, que é batera do Lulu Santos, Artur de Palla, que é baixista do Djavan… Você sair em turnê com esse pessoal, não tem universidade que te entregue isso. Mas eu estava fazendo a Malhação, e na segunda precisei voltar a minha vida normal de funcionário da TV Globo (rindo). E minha mulher estava grávida, foi uma gravidez temporã que a gente teve. Então tive que abrir mão de, naquele momento, continuar a brincadeira com a música. Aquilo ficou represado, guardado para algum momento. Não foi nada que eu falasse: “pô, perdi uma chance”, porque minha vida é muito dinâmica. Continuei trabalhando com música de um jeito ou de outro.

Mas aí aconteceu esse fenômeno das lives da quarentena. A princípio parecia uma coisa mais por diversão, até porque eu já fazia lives anteriormente à quarentena tocando uma viola, que eu chamava de “roda de violão virtual do Lucinho”.

Sim, eu lembro…

Eu chegava de madrugada, tocava um violão, os amigos pediam música. Com o advento do confinamento, essas lives começaram a ser mais regulares, virou algo terapêutico… Daqui a pouco a Teresa Cristina, de quem eu já era amigo, começou a fazer. Eu frequentava a live dela, ela frequentava a minha, um dia ela me chamou pra cantar. Daqui a pouco um dia ela fala: “Você não quer fazer uma live inteira comigo, a gente fazendo uma batalha de música?”. Daqui a pouco a gente tava fazendo batalha das décadas, batalha do rock (rindo). Toquei de Elba Ramalho a Total eclipse of the heart (Bonnie Tyler), porque os temas das batalhas faziam com que eu tivesse que ensaiar para não fazer feio na hora da live.

Isso foi me dando uma cancha muito grande e as pessoas foram vendo que eu tocava um pouco de tudo, me arriscava. E um dos frequentadores assíduos das lives era o Boninho, que estava sempre ali, fazia um comentário e outro. Aí o povo enlouquecia, pedia vaga no BBB (rindo). O Boninho, que foi o diretor geral do Popstar, acho que de alguma maneira ele ficou: “Pô, olha aí o Lucinho, hein?”. Ficou comigo na gaveta, uma bola quicando na cara do gol. Quando veio o projeto do Caldeirão, veio esse fenômeno que começou com a ida do Faustão para a Band, e essa dança das cadeiras, o Lu (Luciano Huck) querendo ir para domingo… Aí tudo bem, resolveu um problema, mas abriu outro que era sábado, e o Mion veio e resolveu o problema. Quando foram preparar o programa do Mion, tinha que ter uma banda. “Mas que banda vai ser?”. E falaram: “Vamos chamar o Lucinho pra essa brincadeira”. Porque eu estava um pouco com essa expertise não só de tocar, e de cantar, mas também de produzir, por causa do espetáculo dos Novos Baianos. Testamos mais de 300 artistas, selecionamos essas figuras, dirigimos.

Um dos grandes talentos do Boninho é enxergar o profissional que encaixa em cada lugar. Ao mesmo tempo é um cara do acolhimento, e descobriram que eu tinha uma relação de amizade com o Mion. E falaram: “Não, é o Lucinho que tem que estar ali!”. Porque o Mion merecia também ser acolhido, aquela estrela que vem de São Paulo, para aquele mundo da Globo. O Mion já era gigante independentemente disso. Mas ele chegou num lugar em que não tinha intimidade, e foi bacana ter um amigo para trocar, e eu já estou ali há vinte anos, trabalhei em todos os setores. E um programa de variedade trabalha com todos os setores: artistas, esportes… Já tinha essa expertise por ter trabalhado ali com teledramaturgia, comédia, variedades, com música, show. Foi o bom e velho estar certo, na hora certa. E preparado para um desafio, que é enorme!

Imagino…

Mesmo assim, estou tendo que correr muito atrás. Ali é programa, não pode parar. Eu tinha que estar preparado para me comunicar com a banda de uma forma muito dinâmica. Me comunicar com o Mion, ajudar, entender o projeto. De um lado a banda, do outro Boninho, a direção. É uma novidade. Mas isso é a síntese da minha carreira: eu estar desafiado, é uma coisa que eu procuro o tempo inteiro.

Eu passei 14 anos num lugar só, né, bicho? (faz referência à série A Grande Família) Isso é um perigo danado, você vai ficando numa zona de conforto perigosíssima. Enquanto dura é uma maravilha, mas quando acaba, pode te destroçar. Se você não estiver preparado psicologicamente e articulado para seguir em frente… Porque um sucesso desses não se repete. Tem gente que fica a vida inteira atrás de um sucesso desses e não experimenta uma vez sequer. E de repente você está ali experimentando aquilo e alimenta uma expectativa de que vai ser sempre assim, e não vai. Mas eu tinha um Marco Nanini, uma Marieta Severo, para alertar: “Isso que a gente tá vivendo é tipo um sonho, tá? Mas mantenhamos sempre o pé na realidade”. Esse meu pé na realidade é o tal do desafio.

Quando vem uma coisa que me tira da zona de conforto que me tira pra estudar. Sempre fui aquele estudante preguiçoso, precisava estar na recuperação, ou precisando da nota pra estudar… Aí eu brilhava (rindo).

Sei bem o que é isso…

Não é? Isso já era um indicativo na minha vida de que eu precisava de desafios, para me manter ativo, não subir no salto, achar que tá tudo ganho e não está. O próprio Boninho me colocou isso de forma muito clara: “Maninho, você tem todo o direito de dizer sim ou não para esse projeto, mas uma vez que você disse sim, já saiba: vai ser ralação!” (rindo). E eu disse sim de olho fechado, nem deixei ele terminar de dizer a frase. E você trabalhar numa equipe que você confia, que você admira as pessoas, é fundamental.

E lá tem uma equipe de profissionais com os quais eu venho trabalhando há vinte anos em diferentes produtos. Quando ele falou “a equipe é essa, é essa, essa”, eu: “eita, tá louco, tô em casa!”. É a importância das boas relações que a gente faz na vida, a vida vai lá e devolve, e te junta de novo com aquelas pessoas. E agora tem essa lua de mel linda com o Mion, já tínhamos trabalhado em projetos com participações pequenas e havia uma afinidade muito grande. Passamos agora cinco meses de muito afeto e profissionalismo. Já era fã dele, mas agora eu assisto de camarote. Fico ali naquele palquinho pensando em tudo, trabalhando em tudo, e ao mesmo tempo assistindo, e ele é um artista com muita ferramenta.

E sobre A Grande Família, como foi fazer parte de um programa de TV que as pessoas já tinham como garantido? Para muita gente, não havia semana sem A Grande Família…

É um fenômeno. Quando a gente decidiu terminar A Grande Família, mesmo assim teve que durar dois anos. Você tem que avisar pro mercado, tem que preparar o mercado. Você tá tirando um produto que agrega patrocinadores, tem os melhores patrocinadores. E que querem botar dinheiro naquilo, porque é um retorno garantido. É um assunto universal, que é família… Aí junta um assunto que gera um manancial de histórias praticamente inesgotável, grandes artistas da televisão, um nível de qualidade acima da média, grandes diretores, grandes produtores, grandes figurinistas… Todo mundo que passava por ali era top, de primeira.

É um momento raríssimo. Uma sorte também. Claro que não é só sorte, quanto mais a gente trabalha mais sortudo a gente fica. Mas eu acho que é o sonho de qualquer artista, profissional, em qualquer área, formar uma baita de uma equipe e passar um tempão no topo. Uma coisa é chegar ao topo, outra coisa é manter. É um troço delicado, que demanda muita conversa, muita luta, muito equilíbrio. Foi muito especial.

E ainda demos a sorte de viver aqueles anos pré-rede social. Nem sei como seria hoje em dia uma Grande Família com rede social, poderia ser um sucesso também, não dá para garantir. Mas digo isso porque quando as pessoas perguntam “o que você creditaria como um dos pilares do sucesso da Grande Família?”, eu acho que um dos pilares era o fato de que ninguém se expunha na mídia. A gente tinha um elenco em que não tinha ninguém que aparecia na Caras, que ficava mostrando a vida pessoal. A gente sempre foi muito preservado nesse lugar.

A gente não teve isso. Poderia ter, nem é uma crítica, mas o fato é que não tinha. No meu modo de enxergar, quanto mais a gente se interessa pelos personagens e menos pelo artista, mais longevidade vai ter um projeto de teledramaturgia. Quando a gente começa a se interessar mais pelo artista, ele fica mais interessante que o personagem. Então você não está querendo saber da obra, dos projetos dramatúrgicos. Quer saber mais o que o cara faz por fora. Como a gente não tinha isso, fica mais fácil preservar uma magia em torno dos personagens.

Só que mais uma vez, repito, não é uma crítica a quem gosta de se divulgar, de divulgar a vida. Hoje em dia isso é uma coisa que é dramaturgia também, já até mudou. Mas para aquela época em que A Grande Família aconteceu, a discrição daquele grupo foi com certeza um pilar para manter a magia durante tanto tempo.

Cultura Pop

Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

Published

on

Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

Published

on

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

Qual é a do The Coverups, banda de covers de Billie Joe (Green Day) e amigos?

Published

on

The Coverups: Billie Joe recebe Bruce Dickinson (Foto: Reprodução Internet)

Antes de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, aparecer de surpresa no palco em Québec, o The Coverups já dava muitos sinais de vida havia anos. O projeto paralelo de Billie Joe Armstrong continua funcionando exatamente como nasceu: como uma desculpa para tocar músicas que seus integrantes amam, sem a pressão de lançar discos ou sair em turnê.

Criado em 2018, o grupo reúne integrantes e colaboradores do Green Day em apresentações pequenas, normalmente em clubes da Califórnia. A formação original contava com Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e voz), Jason White (guitarra), Bill Schneider (baixo) e Chris Dugan (bateria) – Mike e Jason são os únicos que fazem parte também do Green Day, sendo que Jason atua como músico de turnê. Nos últimos anos, porém, Dirnt deixou de participar dos shows, e o The Coverups passou a atuar como quarteto.

O repertório é uma carta de amor ao rock e ao punk. Clássicos de Ramones, David Bowie, The Clash, Cheap Trick, Joan Jett, Tom Petty, Misfits, Nirvana, Rolling Stones e até Strokes costumam aparecer nas apresentações, que muitas vezes são anunciadas poucas horas antes de acontecer. Diferentemente de outros projetos paralelos de Billie Joe, como Foxboro Hot Tubs e The Longshot, o The Coverups nunca teve a intenção de gravar músicas próprias. A proposta é apenas revisitar clássicos em um ambiente intimista, recriando um pouco da atmosfera dos primeiros dias do Green Day nos clubes da região de Berkeley e Oakland.

Mesmo sem lançar um único álbum de estúdio, a banda conquistou um público fiel justamente por isso: oferece a rara oportunidade de ver Billie Joe tocando as músicas que ajudaram a moldar sua formação musical, longe das grandes produções e da rotina de estádios do Green Day.

Nos últimos meses, o The Coverups voltou a fazer apresentações esporádicas na Califórnia, mantendo esse espírito despretensioso. Não havia qualquer indicação de mudanças de rumo, nem anúncios de gravações ou turnês. A maior novidade acabou sendo justamente a participação-surpresa de Bruce Dickinson em um show realizado em Québec. Sem aviso prévio, o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco para cantar All the young dudes, clássico do Mott the Hoople escrito por David Bowie, num encontro improvável que reuniu dois dos nomes mais conhecidos do rock em um contexto bastante informal.

Houve uma outra novidade recente, que rolou durante o show da banda no Roxy, na Califórnia, dia 21, uma segunda-feira. Antes de tocar Drain you, clássico do Nirvana (do disco Nevermind, de 1991), Armstrong dedicou a música a Jennifer Finch, baixista do L7, que morreu recentemente. Antes, Adrienne Armstrong, esposa do músico, havia doado US$ 5 mil para uma campanha criada para ajudar a custear o tratamento de Finch.

De qualquer jeito, Bruce fi a primeira participação especial de grande repercussão na história recente do The Coverups e, naturalmente, chamou muito mais atenção do que os próprios shows da banda. Ainda assim, tudo indica que o projeto continuará exatamente como sempre foi: um grupo de amigos reunidos para tocar os discos que mudaram suas vidas, sem maiores pretensões além da diversão.

Ah, sim: importante falar que All the young dudes faz parte do repertório solo de Bruce há bastante tempo. Ele a havia regravado em seu primeiro álbum solo, Tattoed millionaire, de 1990. Na época, teve até clipe da faixa.

Foto: Reprodução Internet

Continue Reading

Acompanhe pos RSS