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Lollapalooza 2026 – Quem andou aparecendo no Pop Fantasma (1)

Vai aí um pequeníssimo raio X do que vai rolar neste fim de semana no Lollapalooza BR 2026 a partir das lentes (e ouvidos) do Pop Fantasma: uma turma numerosa que vai estar no show foi recentemente resenhada por aqui. Algumas dessas atrações fizeram mudanças substanciais em seu som (o Deftones, por exemplo, é uma das bandas que mais souberam se atualizar nos últimos tempos). Veja, coloque na lista de shows para ver – caso você vá ao festival, ou vá ver pela TV – e ponha na sua playlist. Começando por hoje.
SEXTA-FEIRA
DEFTONES, “PRIVATE MUSIC”. Geralmente mais celebrado como banda de “nu-metal”, Deftones é um grupo de música pesada e de tudo que possa tornar seu som mais intenso. Private music, o novo da banda, tem uma tendência nada ligeira a se aproximar do emparedamento shoegaze em vários momentos. Nos shows mais recentes, pelo menos cinco faixas do disco têm entrado no repertório (resenha aqui).
VIAGRA BOYS, “VIAGR ABIOYS”. Definir o Viagra Boys como uma banda punk-pop, como geralmente rola por aí, é bobagem: o grupo sueco está mais para dance-punk, stoner rock de festa. Sebastian Murphy, o vocalista, é aquele tipo de artista que consegue ser politicamente incorreto sem parecer um escroto – no Brasil, Rogério Skylab pertence à mesma turma (resenha aqui).
BLOOD ORANGE, “ESSEX HONEY”. Deve ser uma curtição ver como o britânico radicado em Nova York Dev Hynes leva seu som para o palco – Essex honey, seu disco mais recente, é um primor de melancolia e experimentação, daqueles discos que quase hipnotizam quem ouve. Um artista que vem mostrando há tempos que o mundo indie é pequeno para ele (resenha aqui).
SABRINA CARPENTER, “MAN’S BEST FRIEND”. A cantora que o mercado norte-americano está criando para ocupar o lugar de Taylor Swift (tem gente que leva isso realmente a sério) fez com que o primeiro dia do Lolla BR esgotasse todos os ingressos. Provavelmente vai levar uma baita Broadway para o palco montado no Autódromo. O disco novo gerou polêmica, e é bom (resenha aqui).
TERRAPLANA, “NATURAL”. Essa banda mineira ajudou o shoegaze a ser, senão uma força, uma onda bem interessante no Brasil – e seguiu uma tendência que vem ficando tão famosa no rock lá de fora, que vem pegando até no design sonoro do pop. As sessions no YouTube são boas e intensas (resenha aqui),
STEFANIE, “BUNMI”. Essa rapper paulista tem duas décadas de carreira, fez participações em álbuns de outros artistas, participou de coletâneas, mas só há pouco tempo saiu Bunmi, seu disco de estreia – e claro, a batalha para chegar até aí se tornou um dos assuntos do álbum (resenha aqui).
MEN I TRUST, “EQUUS CABALLUS” / “EQUUS ASINUS”. Convém ver nos setlists mais recentes qual a faceta que o Men I Trust tá levando pro palco. Seus discos mais recentes, lançados um atrás do outro, vão da melancolia e do tédio ao pop bem referenciado (resenhas aqui e aqui).
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Jovem Dionisio tem novidades, Afghan Whigs também, e Varanda tenta arrumar nova vocalista em clipe (!)

A banda curitibana Jovem Dionisio (vista aí em cima em foto de Fernando Mendes) vai soltando as peças do quebra-cabeça antes do disco inteiro aparecer. Depois do single Melhor resposta, chegam agora duas novas faixas de Migalhas, o proximo álbum: Faz tanto tempo e Saídas, lançadas no dia 18 e já dando uma ideia mais clara do caminho do álbum – previsto para 1º de abril.
Se você faz parte da turma que só conhece o hit Acorda Pedrinho, vai se surpreender muito com a beleza e o clima introspectivo das novas músicas: Faz tanto tempo vai aos poucos e tem cordas que puxam um clima mais emotivo, além de surpresinhas escondidas na melodia.
Já Saídas tem outro pique e tem linhas vocais que sugerem algo de trap e funk – mas tudo misturado com uma melodia que lembra bossa nova e soul. Essa música inclusive ganhou uma versão ao vivo no YouTube, em clima bem mais despojado que na gravação de estúdio.
Um outro detalhe sobre o álbum que está vindo aí é que Bernardo Pasquali (voz), Rafael Dunajski Mendes “Fufa” (guitarra), Gustavo Karam “Karam” (baixo), Bernardo Hey “Ber Hey” (teclado) e Gabriel Dunajski Mendes “Mendão” (bateria) aproveitaram o lançamento do single duplo para revelar a capa de Migalhas (veja abaixo).
E amanhã, sexta, dia 20, a banda faz um show gratuito às 20h na Rua XV (vinte, enfim), em Curitiba, em frente ao Palácio Avenida, já divulgando o álbum. Uma surpresa para os fãs que o grupo conquistou em sua terra natal.

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Pulando do alt pop nacional para o indie rock clássico dos Estados Unidos: Afghan Whigs voltaram nesta quinta (19) com sua primeira música autoral inédita em quatro anos. Desde o disco How do you burn, de 2022, não saía nada realmente novo deles, embora Greg Dulli e seus camaradas tenham lançado em dezembro um single com covers do Poliça (Fake like) e do Still Corners (Downtown).
A música nova é House of I, mixada e produzida por Dulli ao lado de Christopher Thorn em Nova Orleans e Joshua Tree. “Estávamos procurando por uma música animada e sentimos que encontramos aqui”, conta o músico. House of I é sim, uma música alegre – mas antes de tudo é um som pesado e grudento, que deve tanto a Joy Division quanto a Rolling Stones.
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E a poucos dias de tocar no Lollapalooza Brasil (sobem ao palco montado no Autódromo de Interlagos no sábado), a banda mineira Varanda lança o clipe da faixa Não me – uma das músicas lançadas no EP Rebarba, do ano passado. Perto de “um show muito importante” (como a banda costumava brincar nas redes sociais), o Varanda fez ontem uma nota oficial em seu instagram para avisar que… hoje ao meio-dia faria uma nota oficial (!) sobre o futuro do grupo.
A tal nota é o lançamento do clipe de Não me, que traz a banda escolhendo uma vocalista para o lugar da titular Amélia do Carmo – e a música-teste é a ótima valsa-blues lançada pelo grupo no EP. A própria Amélia (que por acaso dirigiu o clipe) participa do teste, disfarçada, o que rende umas risadas. Veja tudo aí e divirta-se.
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Death Cab For Cutie larga major, abraça indie e volta com novo single

O Death Cab For Cutie voltou, no começo do ano, às suas raízes independentes. Depois de duas décadas e seis álbuns com a Atlantic, a banda – que nunca deixou de ser uma força musical indie, mesmo presente no elenco de uma das maiores gravadoras do mundo – decidiu largar tudo e assinar contrato com a ANTI- Records, uma subsidiária da Epitaph com pegada, digamos, diferente.
A tal “diferença”: nomes como Snocaps, Lido Pimienta e Waxahatchee, que unem garage rock, country, soft rock e estiilos afins, pertencem ao elenco da ANTI-, que é um selinho muitas vezes bem mais “ilustre”, em termos de prestígio e até de números, do que a própria nave-mãe. Mas enfim, I built you a tower, próximo disco do Death Cab, sai em 5 de junho – e, na frente, saem o single e o clipe de Riptides.
Dá para perceber o estilo explosivo e cheio de texturas do produtor John Congleton na gravação + mixagem do single – tem algum peso, além de clima pós-punk atualizado e maquínico, soando como um The Police robótico em alguns momentos. Benjamin Gibbard, o vocalista, contou que a faixa fala “sobre o desafio de lidar com lutas pessoais enquanto o mundo ao nosso redor vivencia tragédias e perdas em uma escala inimaginável. E como, quando esses dois elementos se entrelaçam em nossa psique, a sensação é de completa paralisia”.
I built foi gravado durante três semanas no estúdio de Congleton em Los Angeles, o Animal Rites – os integrantes da banda fizeram também gravações em suas casas em Seattle, Bellingham, Los Angeles e Portland. Jason Lester dirigiu o clipe de Riptides, que você vê abaixo.
Foto: Shervin Lainez / Divulgação
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E a música nova do Modest Mouse?

E eis que o Modest Mouse volta – mas daquele jeito: uma volta rápida, meio torta e com um certo gosto amargo. O grupo lançou o single Look how far…, primeira música inédita desde o álbum The golden casket, de 2021. A faixa já vinha aparecendo em alguns shows recentes, mas agora ganha versão oficial. Por sinal, uma música curta e urgente, com menos de dois minutos, e letra quase declamada.
A gravação traz um detalhe curioso na formação: a bateria é de Janet Weiss, conhecida por seu trabalho no Sleater-Kinney e atualmente no Quasi. A presença dela dá à música um ritmo nervoso e preciso, enquanto Isaac Brock conduz a faixa com seu habitual sarcasmo.
A letra parece um recado muito bem dado a pessoas que se acham ungidas por algum poder divino: “Você disse que é parente de antigos reis ou czares / por que você não constrói uma máquina do tempo e mostra a eles o quanto você caiu? / veja o quão longe chegamos / meu deus, somos tão burros”.
O lançamento novo tem peso simbólico: a banda completa três décadas de discos em 2026. Desde o começo com This is a long drive for someone with nothing to think about, em 1996, até a popularidade indie alcançada com o álbum Good news for people who love bad news (2004), o Modest Mouse atravessou várias fases sem perder o gosto pelo desconforto e pela ironia.
Look how far… parece lembrar exatamente disso — uma banda veterana que continua olhando para o mundo com o mesmo olhar meio torto de sempre. Pode ser que 2026 veja brotar mais lançamentos do grupo. Talvez, quem sabe.
Foto: Divulgação








































