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Cinema

“Incubus”: um filme de terror falado em Esperanto

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Incubus

Relacionadíssimo com o espiritismo kardecista e criado em 1887 pelo polonês L.L. Zamenhof com o objetivo de ser uma língua mundial e promover a paz, o Esperanto foi a língua falada num obscuro e misterioso filme de terror (!) de 1966, Incubus. Era uma produção de baixo orçamento, em preto e branco, dirigida por Leslie Stevens. E que trazia como ator principal ninguém menos que William Shatner. Isso antes de comandar a nave USS Enterprise em Star trek. Olha aí o trailer.

Obviamente, a intenção de Incubus ao usar o idioma criado por Zamenhof não era promover a paz mundial. Era dar um clima mais assustador ainda a um filme que já era estranho por natureza. Shatner interpreta um soldado que se apaixona por um súcubo, numa aldeia imaginária onde os viajantes usam um poço mágico com propriedades de cura. Ninguém no filme falava Esperanto e a equipe teve que se virar usando anotações fonéticas, enquanto era ajudada por especialistas. Incubus chegou a ganhar um prêmio do Festival de Cinema de San Francisco em 1966, ao estrear lá. A exibição na mostra acabou atraindo um grupo de esperantistas. Que riu e vaiou a cada momento em que os atores erravam a pronúncia da língua.

O problema é que a questão do Esperanto nem é o que chama mais a atenção no filme. Um detalhe mais complexo: o filme é dado como amaldiçoado. Um dos poucos que escaparam da zica foi justamente Shatner, que se tornou muito bem sucedido. Ainda assim, nos extras do DVD, ele conta uma história das mais estranhas. Um sujeito de visual hippie se aproximou da equipe quando chegavam para trabalhar em Big Sur, Califórnia, e começou a fazer perguntas. A turma reagiu com hostilidade à aproximação do hippie e o sujeito teria jogado uma praga na turma. Alguns teriam se assustado com isso, outros não.

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Seja como for, lá vai a lista de pragas, de fazer Poltergeist parece filme da Turma da Mônica. A atriz Ann Atmar, que fez um dos súcubos da produção, cometeu suicídio depois do término da filmagem. Milos Milosevic, que fez o Incubus do nome do filme, matou sua amante, que era a ex-esposa do comediante Mickey Rooney, Carolyn Mitchell. Depois se matou na cama de Rooney. Em 1968, sequestraram e assassinaram a filha da atriz Eloise Hardt. Acredita-se que a “família Manson” tenha assassinado a menina.

E para quem gosta de teorias da conspiração, vale informar que a atriz Sharon Tate, assassinada pelos maníacos comandados por Charles Manson, tinha ido ao lançamento de Incubus com o namorado Roman Polanski.

Mais: Incubus, que foi o segundo filme lançado no mundo tendo o Esperanto como língua (antes teve o francês Angoroj, de 1964), encontrou problemas para conseguir distribuição. Isso rolou um pouco por causa da língua estranha, um pouco por causa do crime de Milos Milosevic. Acabou passando apenas na França e chegou a ser dado como perdido por décadas. Dizia-se que os negativos e as imagens haviam sido destruídos num incêndio. Em 1993, o produtor Anthony Taylor quis lançar o filme em homevideo e foi avisado disso. Poucos anos depois, uma cópia em péssimas condições foi achada na Cinémathèque Française, restaurada e, finalmente em 2001, lançada em DVD. Hoje de vez em quando dá para achar Incubus em mostras de cinema (e está no YouTube na íntegra).

Via Quartz (roubado da amiga Ana Resende).

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Cinema

Urban struggle: tem documentário raro sobre punk californiano na web

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Sabe aquele vizinho fascista que você detesta, e que também tem uma relação péssima com você? Pois bem, o conto dos vizinhos que se odeiam mutuamente ganhou proporções astronômicas e perigosas com o relacionamento bizarro entre dois bares californianos: o boteco punk Cuckoo’s Nest e o bar de cowboys urbanos Zubie’s. Os dois ficavam um ao lado do outro na cidade de Costa Mesa, localizada em Orange County, região com cena punk fortíssima.

O Cuckoo’s Nest era um local importante para o punk da Califórnia, a ponto de bandas como Black Flag, Circle Jerks, Fear e TSOL teram tocado lá. E do primeiro show do Black Flag com Henry Rollins no vocal ter acontecido na casa, no dia 21 de agosto de 1981. Bandas como Ramones e Bad Brains, ao passarem pela cidade, sempre tocavam lá. Já o Zubie’s, lotado de playboys no estilo country, costumava ser um problema para os punks: os cowboys invadiam o local, arrumavam brigas com os punks e os insultavam usando termos homofóbicos.

Vale citar que mesmo dentro do Cuckoo’s Nest as coisas não eram fáceis, até porque “movimento punk” significava uma porrada de gente reunida, com motivações diferentes e estilos de vida conflitantes. Tipos violentos e machistas começaram a frequentar o local e a arrumar briga com os frequentadores. E quem viu o documentário The other f… word, da cineasta e roteirista Andrea Blaugrund Nevins, recorda que o rolê punk na Califórnia era muito violento.

Flea, baixista dos Red Hot Chili Peppers – e que tocou no Fear por alguns tempos nos anos 1980 – lembra em The other f… word que, no começo dos anos 1980, uma cena comum nos shows do Black Flag eram as inúmeras brigas nas quais os fãs eram esmurrados e nocauteados, apenas por terem o cabelo ou a roupa assim ou assado. “As pessoas não somente tomavam porrada, elas acabavam no hospital. Havia ambulâncias transportando os fãs após os shows a todo momento!”.

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O Cuckoo’s Nest ficou aberto de 1976 até 1981 e nunca deixou de ter problemas. O proprietário Jerry Roach lutava para manter a casa aberta, dialogava da maneira que dava com policiais, com clientes e até com a turma enorme de hippies, cabeludos e malucos que pulava de galho em galho na Califórnia.

E essa longa introdução é só pra avisar que jogaram no YouTube o documentário  Urban struggle: The battle of the Cuckoo’s Nest, dirigido em 1981 por Paul Young.  Infelizmente sem legendas.

Tem uma edição melhor no Vimeo. Sem legendas também.

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Num dos depoimentos do documentário, Jerry define a atitude dos punks como “foda-se, vivo de acordo com minhas regras”. Mas diz que não vê hippies como sendo pessoas da paz e do amor o tempo todo, e muito menos enxerga punks como odiadores contumazes. “É só um conflito de gerações”, disse Jerry, que – você talvez já tenha imaginado – batizou o local em homenagem ao filme Um estranho no ninho, de Milos Forman (o nome no original era One flew over the cuckoo’s nest).

Tanto os músicos quanto Jerry falam bastante a respeito de brigas com a polícia – o dono do local relata as vezes em que conversou com os agentes – e reclamam da violência policial. Por acaso, um dos agentes é entrevistado, e os meganhas locais, seguindo o exemplo dos cowboys, não tinham o menor apreço pelos punks. A luta de Jerry para manter o local aberto também está no doc. Mas se você quer sair fora das discussões, o documentário ainda tem apresentações bem legais do Black Flag, Circle Jerks e TSOL.

Paul Young, o autor do filme, era um estudante de cinema que tinha sido contratado por Jerry para filmar as invasões da polícia ao local. Acabou sendo responsável pelo documentário, e anos depois acabou ficando bastante indignado quando viu o filme We were feared – The story of The Cuckoo’s Nest, de Jonathan WC Mills, e reconheceu várias de suas imagens lá.

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Cinema

Mostra de cinema e música Curta Circuito vem aí e estamos nela!

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Tem um festival unindo música e cinema, cuja 21ª edição começa hoje, e nós estamos nele. O festival Curta Circuito começa nesta segunda (11), online e que e traz sete filmes brasileiros que contam a história da música e de músicos. Com direção de Daniela Fernandes e curadoria de Andrea e Carlos Ormond, o evento acontece online pelo site da mostra, entre 11 e 17 de outubro, com filmes disponíveis a partir das 20h em cada dia e participação gratuita. Nós (enfim, eu, Ricardo Schott, editor deste site) estamos lá participando de um debate sobre o filme Ritmo alucinante, de Marcelo França (na quarta, dia 13, ao lado do diretor de fotografia Jom Tob Azulay)

“Em anos anteriores debatemos filmes populares (2017), violência (2018), fé, magia e mistério (2020). Nosso recorte da curadoria conta não especificamente a história da música, mas histórias de música – e de músicos. Em todos os filmes, existe um ponto convergente: os músicos são protagonistas de experiências e emoções, levando de carona o espectador”, explica a curadora Andrea Ormond. “Esta edição do Curta Circuito vem como mais um alento a todos aqueles que resistem. A programação está recheada de histórias e da presença de personagens femininos marcantes da filmografia brasileira, dos anos que trazem som, cor, vivacidade, liberdade e postura”, completa a diretora Daniela Fernandes.

O filme Ritmo alucinante mostra trechos do festival Hollywood Rock de 1975, realizado no antigo Estádio de General Severiano, em Botafogo, com participações de Rita Lee, Vímana, O Peso, Erasmo Carlos, Raul Seixas e Celly Campello.

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Entre os outros filmes da mostra estão Bete Balanço (1984, dir. Lael Rodrigues), Um trem para as estrelas (1987, dir. Cacá Diegues), Corações a mil (1983, dir. Jom Tob Azulay, com Gilberto Gil e Regina Casé) e Roberto Carlos e o diamante cor de rosa (1970, dir. Roberto Farias).

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Cinema

Um canal de vídeos mostra como foi que Roger Rabbit uniu desenho e vida real

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Um canal de vídeos mostra como foi que Roger Rabbit uniu desenho e vida real

Daqui a bem pouco tempo, Uma cilada para Roger Rabbit (1988) vai fazer 35 anos – e como o tempo voa, logo logo faz 40. O filme de Robert Zemeckis inovou por misturar desenho animado e realidade, e deixou todo mundo intrigado não apenas pelo filme, mas também pelas suas imagens de making of, já que não havia quem não quisesse saber como aquilo foi feito.

Quem ficou de olho nas imagens de bastidores (o Cinemania, da Manchete, e o Fantástico exibiram muita coisa) viu que a produção usou máquinas para mexer os objetos “movidos” pelos desenhos animados (sim, porque ninguém abriu mão de usar objetos de verdade). E que os personagens humanos de Roger Rabbit precisavam fazer força para fingir que “contracenavam” com os desenhos animados, principalmente nas cenas de ação – que eram inúmeras.

O canal kaptainkristian localizou três regras importantes na animação de Uma cilada para Roger Rabbit, e que tornaram o filme um prodígio, feito numa época em que nem havia tecnologia suficiente para unir tão bem assim desenho e realidade. Dica: o uso de luzes e sombras contou bastante para ajudar o filme a se tornar o que é.

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