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Cinema

14 clássicos da “Sessão das Dez”, do SBT

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Sessão das Dez

Quem cresceu nos insanos anos 1980 deve se lembrar com carinho da extinta Sessão das dez, exibida nas noites de domingo no SBT. Em 99,9% do tempo eram exibidas tralhas simplesmente inacreditáveis, muitas vezes reprisadas à exaustão, mas que apesar da ruindade geral (ou talvez por causa dela, vai saber…), ficaram marcados na memória. Portanto,com o objetivo de manter viva essa lembrança afetiva (ou de irritar você que há muito queria esquecer tais obras), reunimos a nata dessas pérolas e, pra melhorar, ainda colocamos os links no Youtube para revê-los (nem todos estão dublados ou legendados, mas vocês certamente não se importam, né?)!

A ILHA DOS HOMENS-PEIXE (Itália, 1979). Plágio descarado do clássico A ilha do Dr. Moreau. A única diferença é que no original um cientista maluco misturava seres humanos com os mais variados animais. Já aqui, como o título já entrega, só mesmo em peixes.
DESTAQUE: As fantasias de homens-peixe eram constrangedoras de tão mal feitas, mas imagino que os produtores ao menos eram pessoas conscientes. Só isso justifica o fato de eles aparecerem no máximo uns 15 minutos durante toda a película! Não basta ser ruim, tem que ser propaganda enganosa…

THUNDER, UM HOMEM CHAMADO TROVÃO (Itália, 1983). Você já viu Rambo? Se viu, não precisa ver esse, pois praticamente não há diferença. A única alteração relevante é que em vez de um veterano do Vietnã, aqui temos um índio que retorna a uma cidadezinha e toca o terror quando vê que o cemitério onde seus ancestrais estavam foi comprado por um conglomerado e colocado abaixo.
DESTAQUE: Na verdade, o mais engraçado se perde na versão dublada: como o filme é italiano, foi dublado em inglês para o mercado americano, mas o negócio foi tão mal feito que é de rolar de rir! Não raro personagens falam sem mexer a boca, e as vozes são afetadíssimas e exageradas… Ah, e é no mínimo estranho um índio ser interpretado pelo italiano Mark Gregory, mais branco que este que vos escreve (que é quase um palmito)!

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KERUAK , O EXTERMINADOR DE AÇO (Itália, 1986). Espécie de Exterminador do futuro com sérias restrições orçamentárias, o filme conta a história de Paco Queruak (sim, para piorar o título brasileiro está grafado de forma errada!), criado pra ser uma máquina de matar, mas que falha logo em sua primeira missão ao não conseguir eliminar um ecologista paralítico (é, a tecnologia italiana não é das mais confiáveis), passando o resto do tempo fugindo da polícia e da fúria de seu criador.
DESTAQUE: Há uma cena do filme que destoa de todas a bagaceirice dominante, onde nosso herói verifica os mecanismos do seu braço. Parece até que foi retirada do Exterminador do futuro original de tão bem feita… E FOI MESMO! Simplesmente os produtores de Keruak compraram uns takes não utilizados pela obra de James Cameron a preço de banana e enxertaram na cara de pau!

EXTERMÍNIO DE MERCENÁRIOS (EUA, 1987): Na minha modesta e humilde opinião, o clássico supremo do SBT! Exibido inúmeras vezes na emissora com os mais variados títulos (De Extermínio de mercenários a Isca mortal, passando por Danton – Sozinho e armado, e por aí vai) , é a mais perfeita definição da palavra “tosqueira”: Mike Danton é um cara que põe Rambo, Schwarzenegger e Chuck Norris TODOS no chinelo! Entre suas proezas, ele consegue botar um braço quebrado de volta no lugar com uma pedra embaixo do sovaco, mata um cara cravando um GRAVETO em seu peito, escapa ileso de tiros a queima-roupa disparados a centímetros dele, consegue ficar invisível na mata apenas pendurando uns galhos nos ombros (ficando igual uma passista de escola de samba)e por aí vai…como não virar fã?
DESTAQUE: A cena final, onde Danton arranca um braço do vilão e em seguida o mata USANDO O BRAÇO DECEPADO COMO PORRETE! Preciso dizer mais alguma coisa?

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A BATALHA FINAL (EUA, 1990). David A. Prior, o mesmo diretor de Extermínio de mercenários, nos brinda com mais essa tralha. Para acabar com a guerra entre EUA e URSS, as grandes potências têm uma ideia bem idiota: Escolher um soldado de cada país pra se enfrentar numa mata (no meio dos EUA, olha só que conveniente!). Sim, é só isso! Durante quase duas horas, um cara fica perseguindo o outro (isso quando não corta para a sala de controle, onde os soldados são monitorados). Minimalismo é isso aí!
DESTAQUE: O final, que foi uma das conclusões mais absurdas e imbecis da história da sétima arte e a dupla que monitora os passos dos guerrilheiros: Muitas vezes a mulher que deveria prestar atenção no americano deixa o protagonista em maus lençóis porque, ao invés de fazer o que foi designada para fazer, fica mais interessada em cantar o seu colega!

ROBOT JOX – OS GLADIADORES DO FUTURO (EUA, 1990) :Stuart Gordon, o mesmo que nos brindou com a obra prima trash Reanimator, dirigiu este filme que tem uma premissa até semelhante com a do já citado A batalha final. A diferença é que aqui as superpotências têm um orçamento um pouco melhor e resolvem suas querelas em brigas com robôs gigantes!
DESTAQUE: Confesso que Robot Jox marcou muito a minha infância porque toda a vez que via a primeira cena de confronto entre os robôs, pensava que haviam gravado na Sapucaí, hahahaha! Sério, a arquibancada é idêntica!

POLICE STORY (China, 1985) : Até que enfim algo decente nessa lista: Jackie Chan é ídolo, não se discute e, nos áureos tempos da Sessão das dez foram exibidos vários filmes de sua fase mais prolífica, quando ainda era um completo desconhecido nos EUA e tanto ele quanto sua equipe de dublês arriscavam o pescoço em cenas absurdas que testavam os limites do corpo humano. Destes trabalhos, Police story certamente foi o que mais marcou.
DESTAQUE: Diversos momentos impressionam até hoje, mas sempre ressalto dois: No começo, quando os bandidos caem de um ônibus de dois andares direto no concreto (percebe-se na cena que Jackie ainda para e olha para os dublês como se quisesse se certificar que tudo está bem antes de seguir) e no final, quando Chan arrebenta as mãos ao deslizar diversos andares por um cano repleto de lâmpadas. Dói só de olhar!

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https://www.youtube.com/watch?v=zLS8F8ufVk0

O ÚLTIMO TUBARÃO (Itália, 1981): Essa picaretagem da grossa tem uma história engraçada: Foi lançado nos EUA como sendo uma continuação legítima do clássico do Steven Spielberg, mas é claro que, tirando o fato de ambos os filmes terem um tubarão como antagonista, não há ligação entre eles. Porém, sabe-se lá porque ele começou a dar uma boa bilheteria (reza a lenda que faturou mais até que Tubarão 2!!), o que deixou os produtores da obra original p**** da vida. Por causa disso, meteram um processo no diretor Enzo G. Castellari, forçando-o a retirar o filme dos cinemas de lá e proibindo-o a lançá-lo em VHS, DVD ou coisa que o valha, o que o tornou uma raridade disputada a tapa na terra do Tio Sam.
DESTAQUE: A estranha cena final, onde o tal tubarão ataca numa regata, mas curiosamente prefere devorar os barcos dos participantes do que os humanos (tem gosto pra tudo mesmo)! Vai entender…

OS SETE MAGNÍFICOS GLADIADORES (EUA, 1983): Outra obra com uma história pitoresca: Reza a lenda que o italiano Bruno Mattei (um dos piores diretores de todos os tempos) assinou um contrato pra dirigir um filme chamado Hércules 1987. Porém ao verem a porcaria que estava ficando, os produtores Menahem Golan e Yoran Globus resolveram minimizar o prejuízo dando um orçamento merreca pra ele fazer outro filme com o mesmo elenco e cenários de Hercules 1987. Mattei se animou e encomendou um roteiro copiado até a medula de Os sete samurais, mas ambientado na Antiguidade. O resultado é uma aventura paupérrima e hilária que era um dos meus favoritos quando moleque!
DESTAQUE: Além do óbvio constrangimento causado por ver Lou Ferrigno (que já teve dias melhores como o Hulk da série de TV) pagando mico como protagonista, vale ressaltar a pobreza dos cenários, que parecem saídos diretamente de um episódio do Chapolin…

https://www.youtube.com/watch?v=ZsjxG16QkaY

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O HOMEM COBRA (EUA, 1973): Não dava para terminar sem citar esse momento mágico da sétima arte que deixou muita criança sem dormir! O roteiro é genial: cientista cria um soro que transforma homens em cobras porque segundo ele a crise energética que assolava os anos 1970 faria o mundo se tornar inabitável em 50 anos, portanto a solução seria que todos fossem seres de sangue frio… Na verdade esse filme é surpreendentemente interessante, com um clima tenso constante até o final, onde parece que resolveram chutar o balde e a tosqueira que passa a dominar torne involuntariamente engraçado (a transformação do protagonista em cobra – sem querer soltar spoilers, mas pombas, é o que se espera de um filme com esse título, né? – é ridícula)… mas ainda assim considero-o um bom passatempo até hoje!
DESTAQUE: O título original em inglês é Ssssssssss!

https://www.youtube.com/watch?v=OKzSbHevvDQ

CAÇADORES DE ATLÂNTIDA (Itália, 1983): Obra que mais parece uma viagem lisérgica do diretor Ruggero Deodato, consegue a façanha de misturar futuro pós-apocalíptico, punks, Atlântida, um submarino nuclear afundado, tiroteios a esmo, etc. Nada tem a ver com nada, e por isso mesmo (ou apesar disso, sei lá) é divertidíssimo!
DESTAQUE: São tantas pérolas que fica difícil pinçar uma, mas falas sem pé nem cabeça como “se você fosse uma ilha, onde estaria?” (sim, eles indagam isso uns aos outros ao invés de consultar um mapa para encontrar o local), o penteado brega dos tais punks (alguns parecem ter um floco de algodão doce ou um poodle na cabeça) e a música de abertura, que repete ad infinitum “Falling, Falling, Black Inferno / Rolling, Rolling, Black Inferno” grudam na cabeça e martelam por semanas… aliás, a quem interessar possa, os responsáveis por essa canção xarope foram os irmãos italianos Maurizio e Guido de Angelis, que fizeram muito sucesso por lá com o pseudônimo de – pasmem – Oliver Onions!

https://www.youtube.com/watch?v=sc51jjDnXjc

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A GANGUE DOS DOBERMANS (EUA, 1972): Quando esse texto foi postado originalmente, apareceu gente reclamando que não citei essa pérola, portanto venho aqui fazer um mea culpa e vestir a carapuça: Como pude vacilar dessa maneira? Perdoem-me, amigos leitores! Espécie de comédia involuntária, essa obra é sobre um ladrão fracassado que após algumas tentativas frustradas de assalto a bancos, tem uma brilhante ideia: adestra os cachorros para roubar por ele!
DESTAQUE: Na verdade é mais uma curiosidade: Sabiam que esse foi o primeiro filme da história da sétima arte a conter a mensagem “Nenhum animal foi machucado durante as filmagens” nos créditos finais?

https://www.youtube.com/watch?v=8p1XmNcdfpA

A MONTANHA DOS CANIBAIS (Itália, 1978): Nos anos 1970 e 1980 foi moda entre os italianos fazer filmes de terror sobre canibais; afinal eram fáceis de fazer e geralmente davam um belo retorno. A montanha dos canibais foi um dos precursores do gênero: Mulher organiza uma expedição para a selva da Papua Nova Guiné com o objetivo de encontrar o marido perdido, mas lá chegando ela e sua equipe são dizimados um a um pelos nativos.
DESTAQUE: Na verdade, se analisarmos friamente, esse filme é até bem chatinho, pois além de levar um tempão pra coisa engrenar, as mortes são fraquinhas, mal feitas e sem graça (se compararmos com o muito superior Holocausto canibal, então, chega a dar vergonha)… Se não tivesse tanta mulher pelada, daria pra ser exibido na Sessão da tarde atualmente sem problemas, mas os tais canibais ao menos são pitorescos, tem de tudo ali: brancos, negros, loiros, até anões! Isso sim é diversidade e inclusão!

https://www.youtube.com/watch?v=xjkfQ7pShNs

SHAOLIN CONTRA A BOXEADORA DE BALI (Indonésia, 1973): Caramba, peguei pesado agora, hein? Duvido que mais alguém além de mim lembrava dessa maravilha, que é o único da lista que foi presença garantida em dois canais: Antes do SBT, também foi exibido até cansar na antiga Sessão faixa-preta na Rede Globo! A sinopse (que eu tive que catar na internet) supostamente trata de uma mulher que parte para vingança contra um sujeito que matou seu pai e roubou sua espada, mas não precisam se atentar a isso, NADA faz sentido!
DESTAQUE: Sabem o Pânico na Band? Já viram quando eles editam uma cena e ficam repetindo ela até enjoar? Pois bem, provavelmente tiveram essa “brilhante” ideia após assistirem essa bagaça aqui! Tem figurante que morre mais de dez vezes, não é brincadeira!!

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Cinema

Molly Ringwald em telefilme de 1998

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Molly Ringwald em telefilme de 1998

Os anos 1990 provocaram várias mudanças na vida de Molly Ringwald, um dos rostos mais populares do cinema da década anterior. A atriz fez um teste para o papel principal de nada menos que Ghost – mas o trabalho acabou mesmo foi com Demi Moore, como se sabe. Também houve uma lenda que rolou por anos, a de que Molly recusara o papel principal de Uma linda mulher – que, impossível não saber, foi parar nas mãos de Julia Roberts.

Bom há nove anos, Molly resolveu reaparecer num fórum do Reddit (usando uma foto atual para comprovar que era ela própria) e disse que não se recordava especificamente de ter recusado o papel. Falou apenas que leu um rascunho do roteiro – na memória dela, o filme tinha o working title de $3.000 – e que “o roteiro era bom, mas Julia Roberts é o que faz esse filme. Era a hora dela. Todo ator espera por um papel que os deixe brilhar assim”, contou.

O tal bate-papo com os fãs, por sinal, surgiu numa época em que o DVD dominava o mercado, vários filmes dos anos 1980 tinham já sido lançados no formato, e ninguém nem imaginava que iria aparecer um bando de malucos defendendo que fitas K7 e VHS são um item cool, bacana, descolado e saudosista. Ok, todo mundo já sabia há anos como se baixava filmes, o que ajudava.

Molly aproveitou para divulgar que falava um pouco de francês (humildade dela, já que Molly estudara no Lycée Français de Los Angeles e era fluente no idioma), que tinha três filhos e havia acabado de criar uma conta no Twitter. Também respondeu outras dúvidas dos fãs. Molly esclareceu, por exemplo, que houve uma rusga na filmagem de Clube dos cinco envolvendo ela, o diretor John Hughes e o ator Judd Nelson (que no filme interpretava o rebelde John Bender).

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“Acho que Judd estava fazendo o ator metódico durante os ensaios. Ele estava vestindo as roupas do Bender e tentando me irritar. Eu estava bem, mas John Hughes era muito protetor comigo”, contou. Outra pessoa perguntou a Molly como ela conseguia ficar mais sexy com a idade. “Eu bebo o sangue de Kristen Stewart”, brincou ela. Molly,  pouco antes disso, em 2008, declarara ao Los Angeles Times que seu visual vintage – modelo para várias garotas durante os anos 1980 – tinha uma explicação nada cool, bacana e descolada. “Eu usava aquele vintage todo porque meus pais me mantinham com mesada, então comprava roupas na Melrose (rede norte-americana de roupas com preços acessíveis, especializada em moda feminina durante os anos 1970 e 1980). Meu estilo era baseado na necessidade”, contou.

Molly pode não ter tido a mesma presença dos anos 1980 mas continuou fazendo filmes – esteve até nos filmes da sequência A barraca do beijo, bem recentemente. Também desenvolveu carreiras paralelas como escritora, tradutora e até cantora (lançou um disco de jazz em 2013, Except sometimes, e bem poderia ter aparecido no nosso podcast sobre não-cantores que cantam). Mas essa introdução enorme é só para avisar que recentemente subiram um item bem curioso da carreira de Molly no YouTube: um telefilme que ela fez em 1998 chamado Twice upon a time.

Segundo o reddit Obscure Media, a comédia (exibida originalmente pelo canal Lifetime) “não estava em lugar algum da internet”, até que foi subido há poucos dias. Na história, Molly interpreta uma moça que entra num universo paralelo, onde divide os dias com uma velha paixão de vários anos. Robert Ringwald, pianista de jazz e pai de Molly, faz uma ponta.

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Humphrey Bogart fazendo filme de terror antes de fazer Casablanca

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Humphrey Bogart fazendo filme de terror antes de fazer Casablanca

Se tava difícil pro Humphrey Bogart, imagina pra gente? Pouco antes de protagonizar o inesquecível Casablanca (1942), um dos maiores nomes da história de Hollywood gramava de filme B em filme B, sofria com problemas familiares e ainda não era tratado com muito respeito pela Warner, que o havia contratado. No fim dos anos 1930, a maior parte de seus trabalhos era em filmes de gângster, nos quais sempre fazia papéis secundários e violentos. A coisa só começou a mudar nos anos 1940, com filmes como O último refúgio e O falcão maltês.

Foi nessa corrida de papel em papel até o estrelato, que Bogart fez o que você talvez jamais imaginasse: um filme de terror, chamado A volta do Doutor X (1939). Nele, o futuro galã interpretava um estranho médico-assistente, Marshall Quesne, que era a reencarnação do falecido médico Dr. Maurice Xavier.

A história envolve o trabalho de um jornalista, Walter Garrett (Wayne Morris), que quer solucionar um mistério envolvendo uma série de assassinatos e amostras de sangue sintético. Ele acaba chegando ao hematologista Francis Flegg (John Litel), e percebe a semelhança entre Quesne, assistente dele, e o tal Dr. Xavier. Flegg admite que usa sangue sintético para conseguir fazer Xavier “baixar” em Quesne. Começa a confusão, porque o assistente precisa do raro Tipo Um de sangue para completar a mistura – o que explica tantos assassinatos.

Um detalhe curioso é que Bogart nem sequer era a primeira opção para o filme. A Warner havia pensado inicialmente em Bela Lugosi, mas esbarrou na agenda dele. Pensaram logo depois no britânico James Stephenson, mas ele também estava ocupado. Bogart teria sido apenas a terceira opção, e teria ido parar lá como punição ao fato de recusar um monte de papeis.

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Segundo o livro Golden horrors: An illustrated critical filmography of terror cinema, 1931-1939, de Bryan Senn, o diretor de Doutor X, Vincent Sherman, já conhecia Bogart de outros carnavais. Uma vez Sherman tinha ido dar uma passada na sala do chefão Jack Warner e ouviu os resmungos dele: “Não sei o que fazer com esse Bogart, ele só consegue fazer filmes de gângster”.

O diretor decidiu experimentar o futuro galã no papel, mas vale dizer que Bogart não ficou nada satisfeito com o cumprimento do seu novo dever. Disse que deveria ter pedido mais dinheiro para Jack Warner, e que seu papel seria mais apropriado para Bela Lugosi ou Boris Karloff.

“Eu fazia o papel desse médico e a única coisa que nutria esse desgraçado era sangue. Se fosse o sangue de Jack Warner, eu não teria pensado duas vezes. Só que eles estavam bebendo meu sangue e eu estava fazendo esse filme fedorento”, reclamou.

O retorno do Dr. X não está inteiro no YouTube. Mas tem umas lembranças espalhadas dele por lá. Segue aí.

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E tem um texto bem legal do site Rebeat Mag detalhando tudo do filme para quem nunca viu.

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Cinema

“Meu nome é Bagdá”: skate feminino nos cinemas

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"Meu nome é Bagdá": skate feminino nos cinemas

O skate feminino chega ao cinema – aliás numa produção realizada antes das medalhas na Olimpíada. Meu nome é Bagdá, dirigido por Caru Alves de Souza, já estreou quinta-feira no Rio e em SP, e leva para as telas o dia a dia da adolescente Bagdá (Grace Orsato), uma skatista de 17 anos da Freguesia do Ó. Ela pratica o esporte ao mesmo tempo em que contesta o machismo das pistas, já que seu grupo de amigos tem apenas uma menina além dela. O filme foi lançado mundialmente no Festival de Berlim de 2020, onde conquistou o prêmio de melhor filme da mostra Generation 14plus.

No dia a dia, Bagdá (cujo nome verdadeiro, Tatiana, é revelado ao longo da trama numa situação em que a personagem é desrespeitada e humilhada) convive com uma família formada apenas por mulheres. A cantora Karina Buhr interpreta Micheline, mãe das três irmãs, Bagdá, Joseane (Marie Maymone) e a pequena Bia (Helena Luz). “Absorvemos muito do que os atores trouxeram para os personagens”, conta Caru, explicando que o roteiro foi sofrendo modificações a partir da convivência com atores.

“Eu estava fazendo um filme sobre skate e eu mesma não ando de skate, então me coloquei num papel mais de escutar do que de dizer como tudo deveria ser feito”, conta ela, que fez questão de, no filme, colocar mulheres em papeis que seriam predominantemente masculinos no dia a dia.

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Paulette Pink (E), Grace Orsato e Karina Buhr

“A Micheline, por exemplo, não está num papel exatamente masculino, mas ela toma conta de uma família, segura o rojão sozinha. É uma mulher muito livre, que não aceita desaforo”, conta Caru, explicando que chegou até Karina quando procurava alguém com o punch da personagem, que cuida sozinha de três meninas e trabalha num salão de beleza, comandado por Gilda (Paulette Pink). “E ela trouxe muita dignidade para a personagem, questionava algumas coisas. No roteiro original, a Micheline era mais down”.

O SKATISTA

O filme foi inspirado num livro de Tony Brandão, mas algumas coisas eram bem diferentes na história original – tanto que o livro se chama Badgá, o skatista. Ainda nos primeiros argumentos, a ideia era que o personagem fosse um menino. Caru participou de um laboratório de roteiro e se deu conta de que queria escrever o roteiro a partir do ponto de vista da prima da Bagdá, Tati.

“Foi um longo processo onde eu me dei conta da história que eu queria contar. Inevitavelmente fui contaminada por toda a discussão da representatividade das mulheres no cinema, mas acho que isso também foi orgânico, de me perguntar porque é que a skatista não poderia ser uma mulher”, conta ela, que ao lado da produtora Rafaella Costa, foi testemunhando o crescimento do skate feminino no Brasil, e incluiu tudo isso no filme.

“Logo que a Bagdá virou uma skatista, o filme ficou muito centrado no embate dela com os meninos, de como era difícil ocupar este lugar de uma menina skatista num ambiente muito masculino. Mudamos o filme, começamos a buscar quem faria a Bagdá, conhecemos todas as meninas que estão no filme e muitas delas estão num coletivo de skate feminino”, diz ela.

Na pesquisa, Caru e Rafaella chegaram ao coletivo Britney’s Crew, do Rio, e a Grace Orsato, que andava de skate há dois anos quando o filme começou a ser rodado. “Tenho uma história similar à da Bagdá porque quando comecei a andar, fui para a pista e só conheci meninos. Depois comecei a me familiarizar com a problemática do skate feminino, o que as meninas passavam”, conta a atriz de 23 anos, que ajudou na construção do roteiro apontando questões importantes para a comunidade.

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Ela vê a Bagdá como “uma menina forte, que não tem medo de sofrer na rua, porque independentemente do que aconteça, vão ouvir a versão dela em casa”, conta, dizendo que teve aprender a ser um pouco mais igual a ela. “Ela tem 16 anos, eu tenho 23. Ela falava o que queria, gritava aos quatro cantos na rua. Ela tem essa energia para gastar, eu sou mais quieta. Mas ela é forte por causa desse apoio familiar. Ela tem uma família de mulheres, com várias representações de feminilidade, não é uma família padrão”.

Grace diz que, após o skate feminino na Olimpíada, o cenário mudou. “Vejo muita menina andando de skate. E as mulheres não se intimidam mais. Antes um cara chegava e falava: ‘Você é poser’ e elas falavam: ‘Eu nunca mais vou andar de skate na vida’. Hoje elas já respondem: ‘Ah, sai daqui, cara!’”, diz. “Como skatista, eu sempre falo que skate não é só Olimpíada, é um estilo de vida que muda a pessoa em vários níveis”.

TEATRO E FAMÍLIA

O filme tem momentos de pura espontaneidade no relacionamento familiar de Bagdá com a mãe e as irmãs, e com a turma do skate. Há cenas mais teatralizadas e coreografadas que, aponta Caru, servem como um respiro. “Quando a Bagdá não consegue responder à altura, ela transbora na coreografia”, diz a cineasta.

No caso das cenas com amigos, irmãs, mãe, tudo surgiu de muita preparação e de trabalho em cima do roteiro, até para que o improviso ficasse bem feito. “Discutimos cena a cena, para tentar entender o que fazia sentido, o que não fazia”, diz Caru. “A Caru foi muito sensível. A gente às vezes improvisava e se o improvisado ficasse melhor, ela selecionava”, diz Grace.

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