Cultura Pop
Hilda Hilst falando com mortos no “Fantástico”

A escritora, dramaturga e poeta Hilda Hilst (1930-2004) não tinha ligação com nenhuma religião. Mas algo mudou na cabeça dela após 1974: ela deu um tempo nos escritos, trancou-se em casa (a espaçosa Casa do Sol, onde vivia em Campinas) e dedicou-se por alguns anos a pesquisar registros de outras dimensões. Inspirando-se nos experimentos do sueco Friedrich Jurgenson, passou a tentar gravar vozes de pessoas que já haviam morrido, usando um gravador, fones de ouvido e um rádio sintonizado no espaço entre duas estações.
Essas experimentações de Hilda com o além renderam mais de cem horas de gravação (que, em 2018, deram origem ao documentário Hilda Hilst pede contato, da cineasta Gabriela Greeb) e, em 1979, apareceram numa reportagem do Fantástico que deixou muitas crianças (eu, entre elas) sem dormir.
Para começar porque o Fantástico, naquela época, deixava todas as matérias com um clima meio tenso. Boa parte delas lembrava reportagens de rádio – já falamos disso aqui e aqui. As imagens eram exaustivamente narradas, quase sempre apenas serviam de apoio para os textos, e a direção das reportagens apostava num clima meio ~psicodélico~.
Vista anos depois, vá lá, a reportagem é super tranquila. Abre com umas imagens lisérgicas de araque, segue com uma trilha sonora que lembra algum som perdido do Tangerine Dream, prossegue com The robots, do Kraftwerk no fundo musical e… traz Hilda surpreendentemente de boa, afirmando que a tal conversa com os mortos não tem nada de ameaçadora ou aterradora.
“Os mortos têm muito humor. É importante dissociar essa experiência de qualquer ideia de terror”, contou ela. Na época, rodava nos cinemas um filme que parecia fazer um jazz aterrador em cima da história de Hilda, As filhas do fogo, de Walter Hugo Khouri, sobre um casal de garotas que conhece uma mulher que realiza experimentos em parapsicologia e ouve vozes de pessoas mortas.
Olha a matéria aí.
No começo, Hilda captava vozes que diziam apenas o nome dela e mais nada. Depois os diálogos foram aumentando e ficou claro que as vozes queriam fazer contato. O repórter do Fantástico pergunta se ela mantinha contato com cientistas e Hilda, com um sorriso irônico, diz que, sim, tinha muitos amigos cientistas e “a gente dá muita risada (!)”. Os risos eram porque se tratava de um fenômeno que a própria ciência tinha dificuldade de entender ou explicar, mas que acontecia.
Lá pelas tantas, um parapsicólogo diz que as vozes de Hilda devem existir apenas na cabeça dela. A poeta retruca dizendo que fazia contato com pesquisadores e cientistas fora do país. Esse lado místico de Hilda, vale citar, é visto com certo preconceito por muita gente, inclusive antigos estudiosos de sua obra.
Nesta reportagem da revista Cult diz que
Hilda tentava reproduzir os experimentos de Jurgenson todos os dias, por cerca de nove horas, e há registros de tentativas de contato com Clarice Lispector, Albert Camus e Cacilda Becker.
E que:
Além da busca por respostas para os mistérios da morte, estudiosos enxergam essas experimentações psíquicas como uma espécie de metáfora pessoal de Hilda em sua procura pelo outro: sabe-se que a autora se considerava pouco lida, quase nada compreendida pelos leitores e ignorada pelo mercado editorial. Ao se lançar nessas experiências, buscava um diálogo que não conseguia manter com o próprio meio literário.
Em tempo: a tal abertura psicodélica de araque da reportagem do Fantástico, se você não percebeu, é o clipe de Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas, totalmente distorcido.
E Hilda Hilst pede contato está inteirinho no YouTube, para streaming pago.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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