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Wander Reisss: trap, guitarras e MPB em “Quem eu sou”

O rapper, cantor e produtor paulistano Wander Reisss parece fazer parte de uma geração que já não vê muito sentido em respeitar fronteiras entre gêneros. Seu novo single, Quem eu sou, passa pelo trap, flerta com o rock alternativo e ainda encontra espaço para um sample de MPB dos anos 1980 — uma combinação que soa menos improvável do que parece. Ao lado dele, Med Zentorno faz as vozes no refrão, e Ciamatto toca a guitarra da música.
Reisss produz beats desde 2016, mas só recentemente passou a investir de vez na carreira como artista, colocando a própria voz em primeiro plano. Integrante da Matilda Records, coletivo da zona leste de São Paulo, ele vem construindo uma identidade que aproxima referências do rap nacional dos anos 2000 e 2010, rock, metal e música brasileira sem tratar nenhuma delas como mera citação.
Em Quem eu sou, essa mistura aparece de forma bem direta. A base parte de um beat de plug, subgênero do trap conhecido por instrumentais mais melódicos, sintetizadores brilhantes e clima quase etéreo — um estilo que surgiu na cena de Atlanta no fim dos anos 2010 e acabou ganhando força entre artistas que preferem atmosferas mais leves às batidas pesadas do trap tradicional. Sobre essa estrutura entram solos de guitarra, vocais intensos e uma energia que remete ao rock de arena.
A letra também evita o caminho mais óbvio. Em vez de transformar uma desilusão amorosa em lamento, Reisss fala sobre seguir em frente, reafirmar a própria identidade e deixar o passado para trás. E a referência do rock fica maisevidente no clipe. Inspirado pelo visual extravagante do glam metal dos anos 1980, o vídeo busca referências em bandas como Bon Jovi e Mötley Crüe, levando o espírito exagerado da época para um contexto bem mais próximo do trap brasileiro atual.
Foto: Divulgação
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Yoses junta pós-punk e shoegaze em estreia marcada por reencontro

RESUMO: O duo espanhol Yoses, formado por dois amigos que voltaram a tocar juntos após 16 anos, mistura pós-punk e shoegaze nos singles que adiantam o álbum Somewhere.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Vindo de Granada, Espanha, o Yoses se define como uma banda de duas cabeças. E na verdade é um duo mesmo, formado por dois xarás, José Molero e José Ibáñez, que capricham nas guitarras atmosféricas e no clima entre o pós-punk e o shoegaze. Os dois primeiros singles, Tell my friends e Nine, já estão nas plataformas. Somewhere, o primeiro álbum, sai dia 18 de setembro.
Molero e Ibañez são amigos de adolescência e sempre foram parceiros musicais, mas estavam há quase duas décadas sem fazer coisas juntos, por causa da distância – Ibáñez desenvolveu sua carreira como produtor musical em Liverpool, enquanto José Molero continuou em Granada formando bandas, compondo e produzindo diferentes projetos. Ibañez voltou para a terra natal e os dois decidiram voltar a compor juntos. Daí, eles falam que Yoses nasceu não como banda, mas como um passo para “retomar uma conversa musical que havia sido interrompida por mais de dezesseis anos”.
Com referências confessas de Radiohead, The Smile, Sonic Youth, Fontaines D.C. e Minus the Bear, o Yoses aborda temas bem existenciais e pessoais. Como em Tell my friends, música sobre a libertação de uma pessoa que decide abandonar o medo da rejeição e parar de agir para se encaixar, e que entende que quem merecer ficar do seu lado, vai aceitar eu jeito de ser. “Mais do que uma ruptura com os outros, a canção propõe uma reconciliação consigo mesmo”, dizem eles.
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Body: dance-punk psicodélica e texturizada em “Bad joke”

RESUMO: Projeto “misterioso”, o Body une psicodelia, texturas, escapismo sonoro e climas a la Gang Of Four na dance-punk Bad joke.
Texto: Ricardo Schott – Texto: Divulgação
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O Body é, digamos, um projeto musical bem misterioso – e que não seja IA, porque Bad joke, o novo single, é meio viciante. Uma pérola de dance-punk bastante influenciada pela psicodelia, pelo escapismo sonoro e por uma onda próxima da Gang Of Four.
“É uma faixa experimental atmosférica e de desenvolvimento lento, construída em torno de imagens surreais do cotidiano: prédios governamentais, estacionamentos com máquinas de venda automática, rios de fogo e amizades se dissolvendo como cubos de gelo”, diz a turma do Body.
“Ela mistura a intimidade da palavra falada com sintetizadores flutuantes e um clima hipnótico e inquieto. A música se situa em algum lugar entre o ambient, o cinematográfico e o indie alternativo, explorando a sensação de estar perdido dentro da lógica de outra pessoa. Se você seleciona músicas texturais, emocionais ou ligeiramente enigmáticas, esta se encaixa no seu mundo”, continuam.
O Body ja tem alguns lançamentos, como o The Body EP, de 2025, e pôs em seu instagram recentemente teasers de sem próximo single, Building a building, que sai em 1º de setembro. Pelos vídeos, dá pra entender que vem por aí algo bem industrial e distorcido. Só vendo, e ouvindo.
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Gold Tides mistura pós-punk e sons desérticos em “Diner”

RESUMO: Em Diner, a banda de Santa Fe, no Novo México, mistura pós-punk, indie rock e surf music em uma ode à nostalgia, às viagens e à alegria em tempos difíceis.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Com um álbum sendo prometido já há um tempinho, a banda norte-americana Gold Tides segue divulgando o single Diner – uma pequena pérola meio pós-punk, meio indie rock anos 2000, com clima esparso, ecos nos riffs e solos de guitarra, e vocais “pra cima”. As influências confessas são de bandas como The Cure, Fur, Surf Curse, Beach Goons e No Vacation.
O grupo vem de Santa Fe, no Novo Mexico, e põe certo clima “desértico” em suas melodias e arranjos. Diner, por exemplo, traz em seu título “uma homenagem à histórica Rota 66, a ‘estrada mãe’, que atravessa o Novo México, EUA, onde a música foi composta”, além de climas de surf music criados “por uma banda que está a centenas de quilômetros da praia”.
“Essa música fala sobre encontrar alegria no caos dos momentos difíceis. É sobre se permitir fazer o que quiser e precisar quando as coisas ficam complicadas. Ela brinca com memórias alegres de viagens de carro, casos de amor e nostalgia”, diz o grupo, responsável por fazer “músicas felizes para pessoas tristes”. É a onda de Jeremy Brownstone (bateria), Lorenzo Aragon (guitarra), Rick Aragon (baixo) e Kohler (vocais), que formam o Gold Tides.
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