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Cultura Pop

Aquela época em que Ginger Baker foi baterista do Masters Of Reality

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Aquela época em que Ginger Baker foi baterista do Masters Of Reality

Nos anos 1980, as coisas não andavam nada fáceis para Ginger Baker (1939-2019). O baterista-monstro de bandas como Graham Bond Organisation, Cream e Blind Faith estava desaparecido, envolvido com drogas pesadas. Reaparecera de repente como um dos bateras do disco Album, do Public Image Ltd. Num período da década, chegou a morar na Itália, no meio das montanhas, desaparecido de todo o mercado musical. Por causa da amizade com alguns traficantes locais, passou a dormir com dois coquetéis molotov ao lado da cama, com medo de ser atacado pela máfia.

As coisas foram mudando no fim da década. Ginger começou a receber cartas de um empresário que o convenceu a virar ator (!) e resolveu morar nos Estados Unidos. Já morando numa estância em Agua Dulce, a 45 milhas de Los Angeles (fã de polo, Baker criava cavalos e levara vários animais da Itália para os EUA), o baterista retornou à mídia rapidamente por causa de uma matéria sensacionalista. Um paparazzo o fotografara carregando um balde de água na sua nova residência, e a imagem foi publicada com a chamada: “A ruína de um rock star”). Na tal carreira de ator, Baker chegou a trabalhar numa série de TV de relativo sucesso, The nasty boys.

Já nos anos 1990, as coisas mudaram mais ainda. Em 1993, o Cream, ex-banda de Ginger, entraria para o Rock And Roll Hall Of Fame – ele, Eric Clapton e Jack Bruce fizeram um show na premiação.

O mais inusitado aconteceria também na década de 1990: Ginger, um sujeito que desprezava bateristas habilidosos como Keith Moon (Who) e Charlie Watts (Rolling Stones), e que ficava puto da vida quando alguém lhe dizia que o Cream havia inventado o heavy metal, se tornaria baterista de uma banda da nova geração.

Era o Masters Of Reality, banda de rock pesado e psicodélico liderada pelo cantor e guitarrista Chris Goss, e que tinha formação variável (“não posso pagar pessoas para estarem sempre no grupo”, admitia o músico). Em 1988, quando o Masters gravou seu epônimo primeiro disco, era mais fácil chamar esse tipo de som de heavy metal, mesmo. A alcunha stoner rock ainda não havia sido inventada.

Em 1991, quando o Masters preparava seu segundo disco, Ginger entraria para a formação. O baterista conhecera o empresário da banda durante uma partida de polo e acabou sendo convencido a dar uma escutada no som. Gostou do som e acabou sendo convidado a entrar para o grupo, que na época tinha Goss, Daniel Rey (futuro produtor dos Ramones, guitarra) e Googe (baixo) na formação. Acostumado com as turnês luxuosas do Cream, Ginger viu-se de repente fazendo uma turnê “alternativa” num tour bus, abrindo para bandas que estourariam naquela década. Era novidade e informação demais.

Não por acaso, o segundo disco do Masters, gravado com Ginger, se chamou Sunrise on the suffer bus (1993). Olha aí Ginger alegrão na bateria de She got me (Whem she got her dress on).

Ginger chegou a ajudar Goss e os novos colegas no processo de composição. Olha aí Ants in the kitchen, uma das parcerias com o baterista.

Olha aí, em duas partes, uma das aparições de Ginger com o Masters of Reality na TV. O apresentador do programa faz piadas com ônibus de excursão e põe Ginger como um dos personagens principais da entrevista. O baterista toca usando duas caixas amontoadas.

Ginger e o Masters gravaram material suficiente para dois discos, mas o relacionamento do batera com a banda acabou por ali. Agora vai aí a dúvida: na época do Cream, Baker tinha brigas físicas com Jack Bruce que chegavam a deprimir o próprio Eric Clapton. Como era no caso de uma banda cujos integrantes tinham vinte anos a menos que o baterista?

“Não era nada difícil trabalhar com Baker, mas ele era difícil de lidar”, disse Chris Goss nesse papo aqui. “A gente poderia sentar numa sala e fazer música pra sempre”. O grande problema, segundo Goss, era um tanto quanto lógico: imagine botar um superbaterista como Baker (sendo ele ainda por cima um cara bastante temperamental) abrindo para o Alice In Chains ou o Soundgarden, e enfrentando uma plateia de moleques que poderiam lhe jogar garrafas caso não gostassem da banda de abertura? “Sempre apoiávamos um ao outro: se ele se irritasse com alguma coisa, eu também o faria. Se o fizesse, ele também. Ele era um bom parceiro para brigas. Havia momentos em que ele era um escroto, mas eu também era um escroto às vezes, então estava tudo bem”.

Se você chegou até aqui, pega aí Baker na cozinha do Masters of Reality em 1991, tocando John Brown ao vivo, num vídeo liberado há poucos dias pelo canal da então gravadora do grupo, Delicious Vinyl. Descanse em paz, Ginger Baker.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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