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Cultura Pop

The Gerogerigegege: sexo, vômito e cocô no palco, no Japão

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The Gerogerigegege: sexo, vômito e cocô no palco, no Japão

Bandas bizarras ao redor do mundo existem aos montes. Isso já não é novidade para ninguém. Às vezes até uma artista mainstream como a Lady Gaga recorre a esse artifício, mandando uma vomitada num show aqui ou ali. Mas a verdade é uma só: por mais que tentem, dificilmente alguém conseguirá ser tão extremo e elevar a insanidade ao patamar que The Gerogerigegege conseguiu.

Duvida? Então vamos lá. Fundada em Tóquio em 1985 por Juntaro Yamanouchi, um crossdresser filho de um pianista clássico – e fã de Ramones – a banda já começa absurda pelo nome, que é uma mistura das palavras “vômito” (“gero” em japonês), “diarreia” (“deri”) e da onomatopeia usada em mangás para representar risadas (“gegege”).

Nessa época Juntaro fazia shows em clubes de sadomasoquismo e/ou saunas gays no Japão que consistiam em urinar, defecar e vomitar no palco, rolar em cima e depois comer (argh!). Tudo ia “bem” quando um dia numa dessas apresentações ele esbarrou com Tetsuya Endoh, um exibicionista que também frequentava esses clubes para se masturbar enfiando seu pinto num aspirador de pó. E o chamou para formar uma banda, que virou o The Gerogerigegege. Detalhe: a única função do Tetsuya era se masturbar ao vivo! Uma espécie de GG Allin nipônico, enfim.

Uma infinidade de músicos passaram por ali, mas os únicos que permaneceram firmes e fortes durante todo o tempo foram Juntaro e seu fiel escudeiro Testuya. Se os shows do Gerogerigegege eram caóticos, com integrantes comendo e esfregando excrementos uns nos outros, o som também não ficava muito atrás… Ok, dizer que eles faziam “som” é muita bondade. Na maioria absoluta das vezes, o que rolava era uma barulheira insuportável e incompreensível, embora às vezes eles arriscassem um punk rock convencional. Isso aconteceu num EP chamado More shit.

Eles também fizeram tecnho. Ouve aí Life documents.

Tem também Night, disco que consiste, pasmem, numa gravação de Juntaro fazendo cocô.

E Showa, disco com pessoas transando tendo como fundo Kimi ga yo, o hino japonês.

E como se isso não fosse o bastante, eles ainda tiveram trabalhos conceituais como Art is over, que consistia numa caixa de fita K7 com um tentáculo de polvo dentro. E You are the noise maker, um K7 virgem sem nada gravado. E Ai-Jin, disco que teve uma tiragem de 2000 cópias e que foram praticamente todas queimadas num show. Apenas 25 sobreviveram para contar a história e, por isso, valem uma pequena fortuna entre os fãs – sim, eles existem! Para os fãs, quanto mais bizarro e inusitado, melhor.

Mas claro, ninguém aguenta ficar dando murro em ponta de faca, enfiando o pinto em aspiradores por muito tempo e/ou rolar em diarreia a vida inteira. Em 2001, após o lançamento de Saturday night big cock salaryman, tanto Juntaro como Tetsuya simplesmente desapareceram sem deixar vestígios. Diversas teorias surgiram: disseram que ambos haviam se suicidado, ou morrido num acidente automobilístico, ou que tinham enlouquecido e passado a viver numa instituição para doentes mentais. Mas quando menos se esperava, ambos reapareceram em 2016 com o disco Moena hai, tão louco quanto seus antecessores. É o álbum abaixo.

Para começar a “apreciá-los”, nada melhor que seu trabalho mais conhecido, Tokyo anal dynamite, com 75 (!!!) faixas praticamente iguais entre si:

E por último, esse momento lindo que é o Gerogerigegege fazendo covers do Rolling Stones, The Cure, The Doors e outros:

 

LUCIANO CIRNE é jornalista, flamenguista, casado, ama cachorros e aceita doações de CDs, DVDs, videogames e carrinhos!

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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