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E o Faith No More vem aí (mas calma, ainda não é no Brasil)

E olha só essa: depois de anos de silêncio, cancelamentos e declarações que faziam parecer improvável um retorno, o Faith No More está oficialmente de volta aos palcos. A banda de Mike Patton anunciou seus primeiros shows desde 2016 e fará uma turnê conjunta com o System Of A Down no início de 2027, em uma série de apresentações em estádios na Austrália e na Nova Zelândia.
As quatro datas confirmadas acontecem em 22 de janeiro (Sydney), 27 de janeiro (Melbourne), 1º de fevereiro (Brisbane) e 7 de fevereiro (Wellington). Os shows são fruto de um acordo articulado pela produtora brasileira 30e, que hoje gerencia as turnês mundiais e a estratégia de apresentações das duas bandas. Mas antes que você possa terminar de cantar “you want it all but you can’t have it” (trecho do refrão do hit Epic), calma: segundo a empresa, novas datas em outros territórios devem ser anunciadas futuramente, mas ainda não existe confirmação de apresentações no Brasil.
O anúncio encerra um dos hiatos mais incertos do rock alternativo recente. O Faith No More chegou a preparar uma volta em 2020, interrompida pela pandemia. A agenda foi remarcada para 2021, mas acabou cancelada novamente quando Mike Patton decidiu se afastar dos palcos para cuidar da saúde mental. Mais tarde, o cantor falou publicamente sobre agorafobia e alcoolismo, enquanto mantinha atividades com projetos como Mr. Bungle, Dead Cross e Tomahawk.
Enquanto Patton seguia em atividade, o futuro do Faith No More parecia cada vez mais nebuloso. Bill Gould, Mike Bordin e Roddy Bottum deram entrevistas pouco animadoras nos últimos anos, e Bottum chegou a definir a situação da banda como um “hiato semipermanente”. A última movimentação relevante havia sido uma misteriosa publicação nas redes sociais em junho, que alimentou especulações sobre um possível retorno.
A banda não sobe ao palco desde a turnê de Sol invictus, álbum lançado em 2015 que marcou o fim de um intervalo de 18 anos sem discos inéditos. Em 2016, o grupo ainda fez uma participação especial ao lado do ex-vocalista Chuck Mosley, morto no ano seguinte.
A volta do Faith No More acontece ao lado de outro grupo cuja trajetória recente também foi marcada por longos intervalos entre apresentações. O System Of A Down, que retomou uma agenda esporádica de shows nos últimos anos, divide o palco com uma das bandas mais influentes do rock pesado moderno. Desde a chegada de Mike Patton, em 1988, o Faith No More ajudou a redefinir os limites entre metal, funk, rap, hardcore e rock alternativo, influenciando gerações com discos como The real thing (1989), Angel dust (1992) e King for a day… Fool for a lifetime (1995).
A empresa brasileira celebrou a novidade ao anunciar a turnê conjunta nas redes sociais. “Esse anúncio marca mais um passo da 30e na construção de projetos internacionais impulsionados pelos global deals firmados com as duas bandas. Diretamente do Brasil, seguimos ampliando a nossa atuação no mercado global de entretenimento ao vivo, conectando artistas, parceiros e públicos em diferentes territórios. É um orgulho para a 30e somar forças com System Of A Down e Faith No More para colaborar nos próximos capítulos de duas trajetórias tão relevantes para a música”.
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Vanguart mergulha na Nouvelle Vague em novo clipe

RESUMO: O Vanguart ganha um clipe em Super 8 para a música O mais sincero, com referências à Nouvelle Vague e a Godard. O vídeo também inaugura o Curta Set, projeto de formação audiovisual.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Frame do clipe
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O Vanguart ganhou um novo clipe para O mais sincero, faixa do álbum Estação Liberdade (2025). O vídeo também marca a estreia do Curta Set, projeto criado pela diretora executiva Michelè Neregato: em vez de preparar os participantes para trabalhar em um set, coloca todo mundo diretamente dentro de uma produção profissional.
O resultado da primeira edição, realizada em abril de 2026, em São Paulo, foi justamente o clipe do Vanguart, que teve participação de 15 integrantes do projeto. Visualmente, o clipe trabalha com Super 8, explorando a textura da película e sua associação com memória e passagem do tempo. A linguagem busca referências na Nouvelle Vague e em Jean-Luc Godard, com câmera livre, espaços urbanos e uma encenação menos preocupada em explicar. Os gestos e as imagens carregam o peso emocional da música.
A escolha de O mais sincero veio de uma relação antiga da banda com a faixa. “A gente lançou o (álbum) Estação Liberdade no fim do ano passado, e essa canção sempre foi uma das nossas queridinhas no estúdio, fora dele e nos shows. Quando recebemos o convite da Michelè e do Curta Set para fazer um clipe, foi natural pensar nela”, conta Hélio Flanders.
Reginaldo Lincoln, autor da canção e também vocalista do Vanguart, vê outro motivo para a escolha. “Fazia sentido uma canção que, de certa forma, eu escrevi a princípio, mas que a gente canta um para o outro nesse álbum de uma forma como nunca tínhamos cantado antes”.
Para Flanders, o projeto recupera uma relação antiga da banda com os videoclipes. “A gente cresceu com clipe na MTV, e os clipes salvaram a nossa vida, moldaram a gente como músico. Esse é o primeiro clipe de cinema mesmo para esse álbum, um reencontro com uma linguagem que foi muito importante pra gente”, afirma.
A parceria começou por intermédio do artista plástico Gen Duarte. “Foi muito fácil. Em uma conversa muito fluida, a gente já sentiu que ia ser incrível”, relembra Hélio. Reginaldo completa: “É importante confiar, porque a gente sabe que pode dar errado também. Mas a gente sabia que dessa vez ia dar certo. Foi muito tranquilo de aceitar”.
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Ouvimos antes: Azú – “Por fora”

RESUMO: O Azú transforma sophisti-pop em uma mistura de groove, eletrônica e metais em Por fora, single que une Stevie Wonder e Jorge Ben Jor a uma letra sobre as sombras que escondemos.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Alicia Abe / Divulgação
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Ontem no Instagram do Pop Fantasma, a gente recordou as maravilhas do sophisti-pop. E lá vem o duo Azú dar sua contribuição ao tema com o single Por fora, que sai nesta quinta (20) e que a gente adianta com exclusividade no Pop Fantasma.
Depois de apresentar o single Aonde vamos daqui, o duo de Luíza Abe e Rodrigo Zanettini dá andamento ao lançamento de seu álbum de estreia (cujo nome também é Aonde vamos daqui), com uma música inspirada em Stevie Wonder, Snarky Puppy e Jorge Ben.
No arranjo, metais, sopros e bases rítmicas marcantes, além de uma onda que junta eletrônica e groove. Já a letra da faixa, dizem eles, “transita entre a crueza e o apelo pop”, falando de uma pessoa que parece alegre e carismática – mas que esconde algo beeeeem sombrio.
“Muitas pessoas conhecem esse padrão de comportamento, inclusive é comum que seja difícil identificar esse padrão em si mesmo. Afinal, todo mundo tem sombras dentro de si”, conta o duo.
“Por fora aparentemente é sobre uma dor do eu-lírico mal resolvida, mas tenta oferecer uma proposta de resolução a esse amargor utilizando de conceitos filosóficos e até mágicos como do Caibalion (livro da Yogi Publication Society que traz a esseência dos pensamentos de Hermes Trimegistro, aquele mesmo que inspirou o álbum A tábua de esmeralda, de Jorge Ben, lançado em 1974). Isso tudo regado a uma musicalidade “disco” atualizada para 2026 com grooves que misturam o orgânico com o eletrônico”, continuam.
A nova música tem produção assinada por Gudino Miranda, masterização de Frederico Pacheco e arte de capa de Alícia Abe – e, frisam Luíza e Rodrigo, é a faixa de entrada para o público novo. “É pop, dançante, mas a letra é amarga. Existe contradição. Quem é o pior de nós dois? Você que é assim ou eu que me entreguei?”, completam.
E tá aí Por fora.
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Guandu mostra seu lado romântico e ensolarado em “Véspera”

RESUMO: O Guandu deixa de lado o clima 100% invernal em Véspera, uma canção romântica e ensolarada que mistura lo-fi, emo e slowcore. Gravada em fita K7, a faixa anuncia o segundo álbum, a ser lançado em 2026.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Se você conhece o som do Guandu (já resenhado algumas vezes por aqui) e acha tudo bem invernal, vai se surpreender quando escutar Véspera, o single novo, que vem num clima mais romântico e ensolarado que o comum deles. A faixa nova é definida por eles como “uma canção despretensiosa e aconchegante” – e é mesmo.
“Nessa faixa, o ritmo é mais quebrado que o habitual e as guitarras dialogam entre riffs. Ao mesmo tempo que a letra carrega uma melancolia apaixonada, a música possui percalços e intensidade, afinal, nem sempre é fácil lidar com a paixão”, avisam – e vale lembrar que o “não sei do que ela gosta / mas sei que eu gosto dela” de um dos versos de Véspera caminha entre Mutantes, Jorge Ben e Charlie Brown Jr.
E tem clipe, que é “inteiramente gravado apontando para o céu. Sem nuvens, o sol brilhante e opaco, incolor mas vibrante. As cenas transitam entre os músicos tocando e cantando, entre o superaquecimento da câmera e o suor dos três”, contam Caique Lima (bateria), cleozinhu (voz e guitarra) e João Corte (voz e guitarra), que variam entre estilos como lo-fi, emo e slowcore.
Mesmo com as mudanças perceptíveis, o Guandu continua gravando tudo em fita K7, num gravador Tascam de 4 canais. “No processo analógico, as texturas e a imprevisibilidade são inevitáveis. E são essas características que formam a identidade da banda”, dizem.
“Como referência de produção, temos diversas bandas indie dos anos 80 e 90, como Fellini, Duster, Daniel Johnston, e também os trabalhos da Transfusão Noise Records, idealizada por Lê Almeida. Todas essas influências resultam no segundo disco da banda, que será lançado ainda em 2026”, anunciam. Só esperar.
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