Urgente
E o Geese finalmente comenta a tal história da Chaotic Good e dos “fãs falsos”

RESUMO: O Geese comenta as suspeitas de uso de bots para impulsionar sua carreira e diz ter buscado respostas sobre a Chaotic Good. Cameron Winter também fala sobre a reação ao SNL.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Geese): Mark Sommerfield / Divulgação
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Demorou, mas o Geese finalmente comentou as tais acusações de que seu sucesso foi “fabricado”. A conversa rolou numa cover story da revista Rolling Stone, durante a qual a banda foi perguntada sobre seu relacionamento com a tal empresa Chaotic Good (se você nem sabe do que estamos falando, pode ir aqui ou começar a ler este texto pelo fim), que envolvia fazendas de bots impulsionando material da banda na internet após o didco Getting killed (2025), que fez sucesso.
Para a surpresa de muita gente, o Geese aparenta ter ficado igualmente surpreso com isso tudo – ou pelo menos fingiu bem, ou zoou tudo. Simon Vozick-Levinson, que entrevistou a banda para a Rolling Stone, perguntou ao cantor Cameron Winter como se sentiu em relação à afirmação de que o sucesso estrondoso de sua banda foi resultado de um obscuro programa de controle mental. E Cameron jura ter pensado “a mesma coisa, de verdade”, disse, rindo.
“Parecia uma explicação razoável. A gente ficou tipo, ‘Meu deus. Tudo isso é falso.’ Estávamos em pânico. Aí fomos até nossa gravadora por e-mail, os membros relevantes da equipe, e perguntamos: ‘Há quanto tempo todos os nossos fãs são falsos, seus filhos da puta?'”, disse. Em outro momento, Winter disse que nem ele entendeu direito o sucesso do álbum.
“Parece um momento e lugar estranhos para este disco ter um bom desempenho em uma escala maior, para ser o que faz todo mundo querer comprar ingresso para o show… Não sei. Provavelmente foram robôs ou algo assim”, afirmou. A banda afirma que foi mesmo atrás de respostas de sua equipe para aquela confusão toda – no meio do bolo, ouviram que a Chaotic Good havia sido contratada para compartilhar vídeos de shows do Geese, mas “não eram comentários, fãs falsos, bots ou nada do tipo”, disse Winter.
“Eram posts de baixa qualidade no Tik Tok, usados para impulsionar o algoritmo. Eles nos mostraram alguns exemplos, e isso me fez sentir melhor porque eram muito ruins”, continuou. O baixista Dominic DiGesu aproveitou para acrescentar: “Venham ao show e me digam quantos bots vocês viram”.
A aparição do grupo no Saturday Night Live no começo do ano deixou Cameron mais deprimido do que qualquer suposição ou ilação – o grupo apareceu lá, tocou as músicas Au pays du cocaine e Trinidad, e o público usual do programa entrou em choque com a musicalidade do Geese.
“Fiquei realmente perturbado com a forma como as pessoas reagiram mal. Claro, havia muitos fãs de música que adoraram, mas eu senti que o motivo pelo qual eles gostaram foi quase como uma provocação a essas pessoas comuns que simplesmente ligam o SNL depois do trabalho”, contou.
Ele acrescentou: “Isso me deixou muito deprimido, porque não era isso que eu estava tentando fazer. Não é como se eu quisesse tocar uma música numa métrica estranha, bem alta e repetitiva, e depois dizer: ‘Ha, ha, vocês não entendem como nós entendemos'”, disse. “Muitas das coisas que fazemos são vistas dessa forma. Não sei como mudar isso”.
CHAOTIC GOOD? Para quem não se recorda, uma turma enorme começou a desconfiar do sucesso que o grupo passou a fazer após o disco Getting killed, quando o Geese ganhou ares de “banda salvadora do rock”. Até que uma suposta resposta surgiu num episódio do podcast On the record, da Billboard, que apresentava um papo gravado ao vivo no SXSW com Andrew Spelman e Jesse Coren, da Chaotic Good Projects – uma empresa que, segundo seu instagram, oferece “experimentos digitais e caos musical”.
A ideia era criar redes de perfis em plataformas como Tik Tok, espalhar vídeos, inserir músicas como trilha, estimular comentários e fazer parecer que existe um burburinho orgânico. “Neste momento, conseguimos gerar impressões sobre qualquer coisa”, disse Spelman à Billboard. “Sabemos como viralizar. Temos milhares de páginas”. Logo depois, Adam Tarsia, cofundador da Chaotic Good, confirmou à Wired que sua empresa criou campanhas para Geese e para a carreira solo do cantor Cameron Winter.
Esse papo começou a rolar mais seriamente no dia 1º de abril (e veja lá que dia!), quando a cantora Eliza McLamb publicou em sua newsletter um texto chamado Fãs falsos, traçando a conexão entre Geese e a Chaotic Good, e discutindo sobre a ética duvidosa desse tipo de marketing.
“Se 100 pessoas acham sua música ruim, a Chaotic Good vai criar 200 pessoas que acharão sua música incrível”, contou ela, que chegou a temer por ameaças do fandom da banda, quando o texto começou a circular. Na real, a primeira reação da Chaotic Good foi fazer mudanças em seu site: removeram menções a artistas específicos (Geese e Cameron Winter entre eles) e as referências a “campanhas narrativas”.
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Urgente
Rolling Stones na onda das edições deluxe apressadas

RESUMO: Os Rolling Stones lançam Foreign tongues, loose lips em 27 de novembro, edição deluxe de Foreign tongues com cinco faixas extras, apenas quatro meses depois.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Mal deu tempo de ouvir Foreign tongues com calma e os Rolling Stones já entraram na onda das edições deluxe apressadas de álbuns recém-lançados. Não estamos falando daquelas segundas edições que saíam às vezes um ano depois, para dar uma segunda vida ao disco. A história agora é outra: lançar um álbum e, pouco depois, colocar no mercado uma segunda versão, com músicas bônus e outros atrativos para quem já ouviu – ou até comprou – a primeira.
O novo pacote se chama Foreign tongues, loose lips e chega em 27 de novembro, pouco mais de quatro meses depois do lançamento original, em 10 de julho. São cinco faixas adicionais: Where there’s a will, com Steve Winwood no órgão, Who you callin’ crazy, com o saxofonista Courtney Pine, Human tide, Bad luck hideaway e She still comes around.
- Resenhamos Foreign tongues aqui.
Uma delas, Bad luck hideaway, já havia aparecido como bônus no iTunes e depois como lado B de Mr. charm. A gravação traz Mick Jagger e Keith Richards dividindo os vocais, além de Charlie Watts na bateria. Já Who you callin’ crazy foi liberada antecipadamente como single.
O pacote terá versão digital, CD duplo com as 14 músicas originais e as cinco adicionais, e uma edição em vinil vermelho com as faixas extras, acompanhada do álbum original em CD. Pelo menos quem já comprou Foreign tongues não precisará necessariamente adquirir tudo de novo para ter as músicas adicionais em formato físico.
É uma prática que vem se tornando cada vez mais comum na indústria musical. E há casos ainda mais curiosos. Ellie Goulding, por exemplo, lançou I know too much em 4 de setembro, com dez músicas. Em apenas uma semana, o álbum praticamente se transformou em três: vieram We know too much, com 16 faixas, e You know too much, com 22. Ou seja, quem ouviu o disco original e gostou precisou correr atrás de outras 12 músicas para acompanhar tudo. E ainda saiu EG.0, um EP de dez faixas.
No caso de Ellie, como comentamos na resenha publicada aqui no POP FANTASMA, o mais curioso é que I know too much funciona muito bem com suas dez músicas. Tem começo, meio e fim, mas acabou quase escondido debaixo das próprias versões ampliadas. Afinal, qual deles é o disco de verdade?
No caso dos Stones, a ironia é maior: estamos falando de uma banda que passou boa parte da carreira numa época em que os álbuns tinham meses, às vezes anos, para circular antes de serem substituídos por outros lançamentos. Agora, até eles parecem sujeitos à pressa de uma indústria que não deixa os próprios discos envelhecerem.
É claro que cinco gravações a mais são uma boa notícia para quem acompanha os Stones. A questão é outra: se esse material já estava pronto, por que não lançá-lo junto com o disco? A resposta provavelmente tem mais a ver com a maneira como os álbuns são comercializados hoje do que com alguma necessidade artística. Foreign tongues mal começou a envelhecer e já ganhou uma segunda vida. E o ouvinte que se vire para acompanhar.
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Urgente
Flaming Lips: primeiro disco em sete anos, com nova formação, pelo selo de Jack White

RESUMO: Flaming Lips anunciam The teardrop throbs para janeiro de 2027, primeiro disco sem Michael Ivins e Steven Drozd. Novo single aposta na psicodelia.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Blake Studdard / Divulgação
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Os Flaming Lips estão de volta com disco novo, mudanças na formação e uma nova casa. A banda de Wayne Coyne anunciou The teardrop throbs, seu 17º álbum de estúdio, que chega em 22 de janeiro de 2027 pelo selo Third Man Records, de Jack White, Ben Blackwell e Ben Swank. É o primeiro trabalho do grupo desde American head, de 2020, e também o primeiro sem dois integrantes de longa data: Michael Ivins e Steven Drozd.
Produzido pela própria banda ao lado de Dave Fridmann, Taylor Johnson e Scott Booker, The Teardrop Throbs tem como ponto de partida uma mistura de assuntos que combina bastante com o universo dos Flaming Lips. Segundo Coyne, as músicas passam pela experiência da paternidade, reflexões sobre a vida e a morte, acontecimentos surreais do cotidiano e referências ao cinema clássico.
A primeira amostra já está disponível: God will control the werewolves, música que começa devagar, conduzida pelo piano e por uma ambientação meio suspensa, até ganhar corpo com uma levada psicodélica e os vocais suaves de Coyne. É o tipo de canção que os Flaming Lips vêm fazendo há décadas, misturando estranheza e melodias quase grandiosas. Só que tem uma pegadinha: a faixa termina abruptamente, sem qualquer conclusão, dando a impressão de que a música seguinte pode começar exatamente de onde ela parou.
Para apresentar o disco, os Flaming Lips também prepararam uma série de shows especiais em casas menores, passando por Nashville, Nova York, Los Angeles, Chicago e Londres, entre janeiro e abril de 2027. Serão duas apresentações em cada cidade, com repertórios diferentes.
Na primeira noite, a banda tocará The teardrop throbs na íntegra e depois fará um passeio pelo repertório do século 20, com músicas lançadas entre 1986 e 1999. Na segunda, as faixas do álbum novo ganharão versões reinventadas, seguidas por uma seleção de músicas do século 21, cobrindo o período de 2002 a 2020.
A promessa é tirar do baú canções que não são tocadas há décadas e até apresentar algumas que nunca foram executadas ao vivo. Para quem acompanha os Flaming Lips desde os tempos mais barulhentos e esquisitos da banda, pode ser uma boa oportunidade de reencontrar esse repertório. E abaixo você confere o novo single, a capa do álbum e a lista de faixas.

LISTA DE FAIXAS:
01. Throb
02. God will control the werewolves
03. Titan
04. Every teardrop cried
05. Hooray
06. Instructions on how to draw an eyeball or how to deal with a loved one who is addicted to drugs
07. You see you in me
08. You’ve got brain damage
09. At the end of the day
10. The trees are getting their leaves / Ceasefire in the city of singing flame
11. Ego tripping at the gates of hell part two
12. A sunset far away
13. Now I understand
Urgente
Meyot critica a obsessão por produtividade em “Neoindustrial”

RESUMO: Inspirada no livro Realismo capitalista, de Mark Fisher, a banda paulistana Meyot lança Neoindustrial, rock alternativo sobre trabalho, tecnologia e alienação.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Raffa Almeida / Divulgação
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A vida de quem passa o dia inteiro num escritório, cercado de cobranças, metas e exigências de produtividade, virou assunto para a banda paulistana Meyot. Em Neoindustrial, novo single que ganhou clipe dirigido por Gabriel Mendes e Taline Caetano, o grupo fala sobre a transformação do trabalhador numa espécie de máquina, programada para produzir cada vez mais e pensar cada vez menos.
A música foi inspirada em Realismo capitalista, livro do crítico cultural britânico Mark Fisher, que discutia como o capitalismo passou a influenciar até mesmo nossa capacidade de imaginar outras maneiras de viver. A letra acompanha um personagem preso à rotina corporativa, num ambiente em que tudo parece planejado para aumentar a eficiência e reduzir qualquer possibilidade de criatividade. Há também um trecho de poesia falada adaptado de um texto de Fisher.
No clipe, os diretores apostam numa linguagem próxima da videoarte, com interferências, ruídos visuais e filtros que ajudam a representar o desgaste provocado pelo excesso de trabalho e pela presença constante da tecnologia. A ideia é mostrar como o corpo e a mente vão se adaptando às exigências de um cotidiano cada vez mais automatizado.
Neoindustrial também apresenta uma nova formação da Meyot, agora com Inefável Errante na guitarra, Pedro Valdetaro no baixo, Marco Trintinalha na bateria e Arthur Montenegro nos vocais e na guitarra. É o primeiro lançamento do grupo desde a reformulação.
A banda promete seguir por um caminho mais agressivo e áspero do que em seu trabalho anterior, lançado em 2023. O single antecipa um EP com outras duas músicas inéditas, previsto para sair ainda em 2026. A proposta é abordar um cotidiano mais frio e desgastante, com o rock alternativo da Meyot acompanhando essa mudança de clima.
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