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Phoebe Bridgers está transformando seus shows em clubes de confiança

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“Durante seis anos, me peguei perguntando aleatoriamente: ‘Será que este é o ano em que Phoebe Bridgers finalmente lançará um novo álbum?’ A resposta sempre foi um sonoro ‘não'”, recorda Brian Kahn num artigo que ele escreveu pra revista Wired, publicado no site na última quinta-feira.

Phoebe, você deve recordar, lançou Punished, seu álbum mais recente, em 2020 – de lá para cá, saiu apenas The record (2023), álbum de estreia do Boygenius, banda formada por ela, Julie Baker e Lucy Dacus. Álbum solo que é bom, nada. Mas, na base do “haverá sinais”, algumas coisas começaram a mudar em maio, quando começaram a aparecer panfletos misteriosos anunciando shows em lugares pequenos. Sendo que justamente na última quinta, Phoebe fez um pop-upaço no… Madison Square Garden para 18 mil fãs, com oito músicas inéditas.

Esse show teve duas especificidades: foi patrocinado pela plataforma de música Tidal, teve ingressos a um dólar e toda a grana foi arrecadada em prol do Fundo de Liberdade de Títulos de Imigração da Community Justice Exchange (que fornece dinheiro para fiança para detentos do ICE comandado por Trump). Agora, todos os shows mais recentes de Phoebe têm OUTRA especificidade: quem comparece a eles, tem que guardar seu celular numa bolsa (como Bob Dylan tem feito em sua turnê recente). Gravações e filmagens são proibidas.

No caso do show do Madison, Jen Aswad, da Variety, afirmou que se trata do “primeiro show em arena sem celulares a que já assistimos, e possivelmente o maior de todos os tempos” (18 mil fãs compareceram). As regras do show foram publicadas “num comunicado em tom severo” no site do próprio MSG. Mais: “Os repórteres que cobriam o show foram informados de que canetas, lápis e papel também não eram permitidos, aparentemente porque letras e títulos de músicas incorretos estavam sendo publicados na internet”, escreveu Jen.

“É estranho não ter um celular, não é?”, disse Phoebe no show. “Eu adorei. Agradeço por permitirem que este seja um espaço livre de internet. E se algum de vocês enfiou um Apple Watch no rabo para gravar isso, por favor, não poste na internet — estou confiando em vocês”.

Pois é: ao que consta, Phoebe conseguiu transformar um local gigantesco num show acústico intimista, em que contava com a confiança dos fãs e se apresentava com apenas mais dois músicos no palco: o guitarrista Christian Lee Hutson, que também tocava uma peça de percussão com o pé (!) e o tecladista Nick White. Jan definiu a atmosfera do show como “muito Stranger things” (o cenário incluía um sofá coberto por uma manta de tricô estampada de gosto duvidoso, em que Phoebe e Christian estavam sentados, além de abajures de cada lado do sofá e uma TV antiga e quadrada).

Jan também escreveu sobre o que dava pra escrever sobre as músicas novas: a maioria lembra o som já popularizado dela (“suas melodias características, letras inteligentes e vulnerabilidade emocional; pelo menos uma parecia tratar de um término doloroso”), mas há uma música em tom country e uma outra com final ameaçador, em que Phoebe parece levar sua voz ao limite.

O que importa é que, como disse Brian na Wired, Phoebe está REALMENTE conseguindo estabelecer uma relação de confiança com os fãs, e que eles estão se tornando investigadores, tentando descobrir onde será o próximo show e se (ou quando) um novo álbum será lançado – com direito a alguns deles andando pela cidade em busca de flyers (eles aparecem sempre misteriosamente). Há até uma tese maluca de que Phoebe estava se apresentando em locais com histórico de avistamentos de OVNIs.

Brian disse também que uma fã chamada LeAnna Chase Williams descobriu a data e o local de um desses shows misteriosos de Phoebe. Ela havia cantado em Chattanooga, Tennessee, e LeAnna decdiu vasculhar a agenda da casa indie The Burl, em Lexington, Kentucky – cidade universitária a pouco menos de cinco horas de Chatanooga.
No dia 22 de maio não havia nada marcado na casa, e ela supôs que Phoebe iria cantar lá. Aliás não apenas ela: quando LeAnna chegou ao The Burl, esperou na chuva por horas com dezenas de outros fãs que haviam feito a mesma aposta. Deu certo: Phoebe cantou para 200 fãs e LeAnna adorou a experiência de “show sem celulares”.

A ideia da cantora vem dando certo, mas… Bom, ainda há problemas. No reddit, os moderadores do canal r/phoebebridgers tiveram que remover, a pedido da equipe de Phoebe, postagens que faziam referência às letras das novas músicas, “dadas as rígidas medidas de privacidade e controle em torno dos shows”.

Muito cedo para falar que uma nova era no universo dos shows está surgindo, mas parece que a solução que Phoebe achou foi levar o conceito de “comunidade” às últimas consequências – de uma forma que até mesmo a liberdade dos fãs termine onde começa a dela (ou algo assim).

Foto: Reprodução Instagram

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British Birds mistura garage-punk e humor ácido em “Lie down with dogs, stand up with fleas”

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BRITISH BIRDS (Foto: Divulgação)

RESUMO: O British Birds antecipa Murmurate, oscillate com Lie down with dogs, stand up with fleas, faixa garage-punk que combina referências sixties, humor e crítica à passividade política inglesa.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Provavelmente, Lie down with dogs, stand up with fleas, single mais recente da banda British Birds, tem os melhores “oooohs” do ano (na tradição do “xiouuu” de Making plans for Nigel, do XTC). Funciona bem como canção de rock retrô, e como artigo pop. digamos assim. E esse som em clima meio garage-punk, meio sixties, com lembranças de B-52’s e Devo comprimidas num arranjo simples, abre caminho para o terceiro álbum da banda, Murmurate, oscillate, previsto para 16 de outubro pelo selo Skep Wax Records.

Vindos de Lancashire, Inglaterra, os irmãos Bobby e Emma Townson (que formam o grupo) decidiram colocar na música seu saco cheio com a passividade do povo inglês – no qual têm visto um comportamento meio barro, meio tijolo, todo mundo tendo comportamentos absolutamente bovinos diante da política bem estranha da Inglaterra. A ideia é tratar assuntos sombrios sem abandonar o senso de humor.

Os irmãos sempre operaram no total do it yourself: Bobby grava e mixa as músicas, enquanto Emma cuida das artes. Os dois primeiros discos foram lançados pela própria banda e vendidos principalmente em shows e em algumas lojas selecionadas. A Skep Wax, selo que vai lançar o próximo disco, é a gravadora de bandas como Heavenly, Foglights, Swansea Sound e Special Friend. A gravadora tá animada – até define os British Birds como uma banda que “não esperou por permissão para alçar voo. Eles simplesmente seguiram em frente”.

A onda dos British Birds ainda pega outros assuntos bem sérios: Polka dot eyes fala sobre rapazes de Lancashire que entram pro exército e voltam para casa traumatizados – uma música que a banda define como “perturbadora e engraçada ao mesmo tempo”. Just like them fala de pessoas introvertidas e Scary movie traz uma lembrança bem curiosa da infância dos dois: o avô de Bobby e Emma costumava mostrar filme de terror (!) a eles quando eram crianças. Já Lie down with dogs, stand up with fleas, você confere aí.

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She Has Gone Insane estreia com punk, metal, groove e crítica ao patriarcado

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She Has Gone Insane - Foto: Gabriel Cezars / Divulgação

RESUMO: A banda do ABC Paulista She Has Gone Insane estreia com Authority vendetta, single que mistura groove, metal, punk e hardcore para questionar rótulos impostos às mulheres.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Gabriel Cezars / Divulgação

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“Ela ficou louca” é o tipo de rótulo que aparece quando uma mulher sai do comportamento que esperam dela. É justamente essa ideia que está por trás de Authority vendetta, single de estreia da She Has Gone Insane, banda do ABC Paulista.

O nome do quarteto provoca: a vocalista Nico Modena explica que She Has Gone Insane ironiza a forma como a liberdade feminina costuma ser tratada – e muitas vezes, ela é vista como “loucura”. Tocar bateria, ter uma banda ou simplesmente viver fora do molde patriarcal… nada disso deveria ser tratado dessa forma.

Musicalmente, Authority vendetta também não escolhe uma única gaveta. A faixa junta as levadas do soul dos anos 1970 ao peso do metal, à velocidade do punk e ao hardcore. O resultado passa por riff pesado, baixo presente, bateria forte e vocais que alternam drive e groove.

A She Has Gone Insane reúne Nico Modena (vocal), André Alves (guitarra), Luisa Sauer (bateria) e Juliano Demarchi (baixo), músicos que já circulam por diferentes projetos da cena independente paulista. Authority vendetta é a primeira faixa da banda a sair oficialmente – em quatro meses, fizeram dez canções. O single sai pela Rookie Records, de Hamburgo. E a música já ganhou clipe

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Echo and The Bunnymen traz lembranças do groove dos Doors em novo single

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Ian McCulloch, do Echo and The Bunnymen (Foto: Fritz / Divulgação)

RESUMO: Echo and the Bunnymen lança mais uma do disco Apples for Isaac, primeiro álbum de inéditas em 12 anos: é Take me by the hand, com guitarras circulares, clima sombrio e lembranças de The Doors.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Fritz / Divulgação

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Como tá sua expectativa pro próximo disco do Echo and The Bunnymen? A nossa vai muito bem, obrigado: Apples for Isaac, primeiro disco de inéditas da banda em 12 anos, sai em 18 de setembro pela BMG, e o grupo acaba de divulgar o terceiro single do álbum – é a faixa de abertura do disco, Take me by the hand.

A nova música é repleta de grooves de guitarra, e tem uma onda bem ligada àquela época em que o Echo parecia se esforçar para reproduzir o groove e a vibe misteriosa e circular dos Doors. Ian McCulloch canta de forma mais áspera e a letra parece aludir à necessidade de simplificar a vida, num tempo cada vez mais caótico. O outros singles já lançados foram Brussels is haunted e The light that surrounds you.

Apples for Isaac foi produzido pelo vocalista Ian McCulloch, que também ficou responsável pela mixagem, juntamente com Alan Moulder e Andrea Wright. Levado adiante hoje em dia por Ian e pelo guitarrista Will Sargeant, o Echo contou também com o serviços de um outro baterista já “ido”: Clem Burke, do Blondie, morto em abril do ano passado, toca em dez das onze músicas.

“O poderoso e lendário Clem Burke – amigo de longa data do Mac – foi fundamental para a criação do álbum e, infelizmente, faleceu durante sua finalização… Te amamos, Clem X””., comentou a banda.

Apples for Isaac sucede Meteorites, de 2014, e a coletânea The stars, the oceans & the moon, lançada em 2018. Num papo com a Mojo, recentemente, Ian falou sobre o intervalo de mais de dez anos entre os dois discos. “O que nos atrasou? Acho que a Covid teve algo a ver com isso”, disse ele. “Mas eu também queria, liricamente, que tudo fizesse sentido — ou que fosse enigmaticamente importante. O que é uma baita frase”.

McCulloch acrescentou que “mais do que qualquer outro disco que eu me lembre, ele (Apples for Isaac) está soando exatamente como eu o imaginava. Eu simplesmente disse (pra mim mesmo): cante como você quer se ouvir”.

Você acha mais infos sobre o próximo disco do Echo aqui.

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