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Gui Hope transforma “Trava” em funk mineiro de desejo e afirmação

RESUMO: Em Trava, segundo single solo, Gui Hope mistura funk de Belo Horizonte, EDM e dubstep para falar de desejo, autoconfiança e ocupação de espaços na pista de dança.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Stephany Cartsounis e Gustavo Vittoraci / Divulgação
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O projeto solo de Gui Hope chega ao segundo single, Trava, faixa que mistura funk de Belo Horizonte, EDM e elementos do dubstep para falar de desejo, autoconfiança e ocupação de espaços. A música já ganhou até clipe.
A palavra que dá título à faixa funciona em dois sentidos: pode ser aquilo que paralisa alguém, mas também uma identidade que Gui assume com orgulho. A música parte justamente dessa ambiguidade para transformar a ideia de “travar” em uma demonstração de presença e poder.
“É uma forma de dizer que somos desejades, que temos presença e que, por onde passamos, transformamos o ambiente, deixando as pessoas de queixo caído”, conta. A letra brinca com a ideia de se colocar no centro da cena, mas a questão vai além da provocação. Gui relaciona essa postura à experiência de pessoas trans, historicamente empurradas para as margens e que, em Trava, aparecem como figuras de desejo e admiração.
Musicalmente, a faixa trabalha com graves marcados, pausas, repetições e construções de tensão que desembocam nos drops. A referência ao funk mineiro encontra a linguagem da música eletrônica que fez parte da formação musical de Gui pela internet, especialmente a EDM e o dubstep dos anos 2010.
Trava dá continuidade ao caminho apresentado no single Eu sei, lançado em julho. Naquela faixa, Gui trabalhava a ideia de deixar de colocar a opinião alheia no centro das próprias escolhas. Agora, essa autoconfiança ganha uma dimensão mais física e coletiva, pensada para a pista.
O videoclipe acompanha essa proposta e amplia a ideia de transformação presente na música. A faixa também reforça a pesquisa de Gui por diferentes linguagens da música brasileira e eletrônica, mantendo o funk como um dos principais pontos de partida do projeto.
Trava é, assim, uma continuação de Eu sei. Só que o foco muda: sai do processo individual de afirmação e leva essa confiança para o corpo, para o desejo e para o espaço compartilhado da pista de dança.
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Brunê transforma paixão secreta em bedroom pop no single “Eu tenho medo”

RESUMO: Em Eu tenho medo, Brunê transforma o medo de revelar uma paixão pelo melhor amigo em folk e bedroom pop — e cria um cartão virtual para quem vive esse dilema.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Julia Lemes / Divulgação
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Cantora e compositora radicada em Goiás, Brunê não apenas lançou o single Eu tenho medo – que fala sobre uma pessoa que se apaixona pelo melhor amigo, mas prefere não revelar o sentimento para não estragar a amizade – como também decidiu ajudar quem vive o mesmo problema. No site dela, eusoubrune.com, você pode mandar um cartão postal virtual para a pessoa que você ama em segredo.
O cartão é interativo, pode ser compartilhado nas redes e baixado. Antes do lançamento, Brunê publicou um trecho da canção nas redes sociais. A prévia recebeu compartilhamentos e comentários de pessoas que se identificaram com a história.
“A resposta mostrou que esse medo não era só meu. Muita gente já viveu essa dúvida entre falar o que sente e colocar uma amizade em risco”, diz Brunê, cuja música une camadas de vozes e synths ao lado do violão, compondo um ambiente sonoro que transita entre folk e bedroom pop. A produção da faixa é de Arthur Ornelas, e os arranjos são de Ornelas, Brunê e Douglas Sá.
“É uma música sobre carregar um sentimento grande demais para continuar escondido, mas assustador demais para ser dito. Existe o medo de abrir o jogo e perder alguém que já ocupa um lugar importante na sua vida”, afirma Brunê, que é artista independente desde os 17 anos.
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“Drowning”: National Playboys transforma saúde mental em art punk melancólico

RESUMO: O escocês National Playboys aborda a deterioração da saúde mental dentro dos relacionamentos em Drowning, single de art punk com guitarras melancólicas e violoncelo.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Kyle McFarlane (vocais), Anna Trost (guitarra, sintetizador e vocais), Ewen Kerr (guitarra), Dave Reed (baixo) e Megan Pollock (bateria) são os National Playboys, uma banda de art punk da Escócia, que acaba de lançar seu sétimo single, Drowning, falando sobre um problema silencioso: as realidades da saúde mental dentro dos relacionamentos.
“Esta música é uma história pessoal sobre a deterioração da saúde mental de um ente querido e a sensação de impotência em ajudá-lo a melhorar”, diz a banda. “Ver alguém definhar sob o peso de sua condição que piora e sentir-se impotente para impedir que piore. Isso foi a inspiração por trás desta faixa”.
Um tema duro e triste, que a banda leva adiante com guitarras distantes e com a presença de um violoncelo, tocado pelo convidado Graham Coe. Sonoramente, o grupo mistura vocais inspirados na new wave dos anos 80 com guitarras melancólicas, poesia surrealista e performances teatrais. “Nossas influências incluem artistas como Fat White Family, The Doors, Fontaines D.C., Idles e Joy Division”, avisa o quinteto.
O National Playboys explora essas referências e sonoridades no EP Violence dressed in fur, que tem sete faixas e sai em breve. Por enquanto, a imversiva Drowning tá aí.
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EP da série “Encontros Instrumentais” une Desirée Marantes, Romulo Alexis e Samara Líbano

RESUMO: Novo volume do EIN – Encontros Instrumentais, projeto do Selo Sesc, reúne Desirée Marantes, Romulo Alexis e Samara Líbano com quatro dias para criar um EP de três faixas.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Rubens Tamashiro / Divulgação
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O que acontece quando três músicos que nunca tocaram juntos entram em um estúdio com quatro dias para criar três músicas? Essa é a premissa do EIN – Encontros Instrumentais, projeto do Selo Sesc que chega à sexta edição reunindo Desirée Marantes, Romulo Alexis e Samara Líbano.
O trio trabalha sem repertório prévio e passa por todas as etapas do processo, da composição à gravação. A proposta, adotada desde a primeira edição, lançada em 2025, é justamente colocar músicos diante de uma situação pouco comum: ter um estúdio à disposição não para registrar algo já composto, mas para descobrir o que pode surgir dali.
“Meu medo era a gente não ter tempo de conseguir criar as três músicas, e aconteceu o contrário. Criamos as três no primeiro dia, no segundo gravamos, no terceiro lapidamos”, conta Samara. Ela toca cavaquinho e violões de seis e sete cordas e também assina a produção musical desta edição. Desirée participa no violino, beats e sintetizador, enquanto Romulo toca trompete, pedais e percussão.
O resultado está no EP EIN 006, lançado em 4 de setembro. A abertura é Natureza viva, faixa que combina dedilhados, sopros, eletrônicos e diferentes timbres em uma espécie de composição sonora sobre a natureza. “A gente fez uma coisa, que eu adoro, que é casar muita coisa orgânica com elementos mais eletrônicos”, diz Desirée. Para ela, a experiência também trouxe uma novidade: foi a primeira vez que criou um beat.
Bate e volta parte do trompete e de uma base mais rítmica, sobre a qual entram as cordas. Já Piscina platônica começa com uma combinação mais delicada de violino, violão e sopro e, aos poucos, incorpora efeitos eletrônicos e uma atmosfera psicodélica.
Mais do que um exercício de improvisação, o EIN funciona como um registro de um processo que normalmente fica fora do alcance do público. Os músicos chegam sem saber exatamente o que vão produzir e precisam tomar decisões juntos, em pouco tempo.
“São muito poucos os lugares disponíveis onde a pessoa vai pra ver uma coisa que não conhece e aqui as pessoas estão sendo convidadas a ouvir coisas que não existiam antes, que estão sendo criadas pra este contexto”, afirma Romulo.
O EIN 006 está disponível nas plataformas de áudio. As cinco edições anteriores do projeto também podem ser ouvidas, e um minidocumentário sobre o processo desta edição está no YouTube do Selo Sesc.
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