Connect with us

Crítica

Ouvimos: Spread Joy – “III”

Published

on

Resenha: Spread Joy – “III”

RESENHA: No terceiro disco, o Spread Joy comprime punk, new wave, no wave e pós-punk em 17 minutos de guitarras rápidas, microfonias, beats nervosos e vocais quase falados.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Feel It Records
Lançamento: 4 de setembro de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O Spread Joy vem de Chicago e usa uma definição bem misteriosa em seu Bandcamp: “como fazer móveis sem usar ferramentas”. Talvez seja uma piada para o fato de que esse grupo não está nem aí para caminhos melódicos normais. III, terceiro disco deles, tem realmente algo de B-52’s e Talking Heads (como diz o release), só que totalmente acelerado desde o começo, e sempre cozido na microfonia.

Na real é tão acelerado que, somados, os três álbuns do Spread Joy alcançam pouco mais de 40 minutos de duração – o III tem exorbitantes 17 minutos e os outros dois, só 13. Vocais quase falados, palhetadas rápidas e beats que vão do punk a uma quase arritmia roqueira, dominam faixas como Vindicated by e Abolish chance. Cautionary tale e Left the house são o lado “new wave maldita” do grupo, enquanto Iambic pentameter abre num clima quase no wave – destacando as “microfonias” de um saxofone – tomando jeito pós-punk em seguida.

O Spread Joy soa como uma curiosa mescla de Sparks, Television e Stranglers (já sei o que você pensou: “tenho que ouvir isso!”) em (Why can’t) I. E une referências dessas duas últimas bandas à vibe punk-funk da Gang Of Four em Avoiding the issue – música na qual a cantora Briana Hernandez solta umas risadas de bruxa à moda de Yoko Ono. A marcial Entrance encerra o disco com baixo à frente, beat minimalista e vocais pseudo-operísticos. Ouça os três álbuns como se fosse um só e seja feliz.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Crítica

Ouvimos: URBN DK – “Mass grave” (EP – relançamento)

Published

on

Resenha: URBN DK – “Mass grave” (EP - relançamento)

RESENHA: O URBN DK, banda subterrânea de Chicago dos anos 1980, ganha relançamento em vinil de Mass grave, EP de punk cru e sombrio sobre violência, decadência urbana e desesperança.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Beer City
Lançamento: 10 de julho de 2026 (relançamento)

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Estupro, assassinato, suicídio / pessoas infelizes por dentro / para quem sofre de transtorno bipolar / a vida é sombria / cheia de dúvidas / as chances são mínimas / o mundo enlouqueceu, a pressão aumenta, a economia cai”.

Impossível imaginar que o narrador-personagem do texto acima tem alguma esperança no porvir – na verdade parece uma pessoa tão pra baixo que, só de ficar perto dela, todo mundo já começa a adoecer. Acontece que isso daí era a visão de punk rock do URBN DK, uma banda clássica e absolutamente subterrânea de Chicago nos anos 1980. E são os versos iniciais de World gone crazy, uma das quatro faixas do EP Mass grave, lançado por eles em 1982 e rapidamente transformadoo em raridade.

Mass grave acaba de ganhar relançamento em vinil, restaurado e remasterizado, pelo selo Beer City – para quem não puder comprar uma cópia (se ainda houver), resta o Bandcamp. O grupo tinha sido fundado pelo guitarrista Bob Grundy, um fã de blues (!) que não apenas aderiu ao punk, como também mexeu os pauzinhos para torná-lo uma experiência pesada e garageira, com recordações de bandas como Stooges e Cramps.

  • Mais sobre o URBN DK aqui.

Grundy ficou fã de punk quando se mudou para a Baía de São Francisco, mas acabu voltando para Chicago e montou a banda lá, mesmo com a dificuldade de achar músicos que curtissem suas ideias. Mas deixou raízes em SF a ponto de ter feito parte de uma banda que tocou, segundo ele, no casamento de Jello Biafra em 1981 (essa tal banda tinha uma música chamada URBN DK, – ou “urban decay”, decadência urbana – e ele aproveitou o nome para seu grupo).

O URBN DK teve várias formações e fases – em 1993, numa dessas versões do grupo, eles gravaram Denial, disco produzido por Steve Albini. A do EP é sombria e direta, com frases soltas e gritadas sobre a tal decadência urbana, nas faixas Mass grave (“vala comum, crianças esfaqueadas, mulheres estupradas / ameaça a um é ameaça a todos, é genocídio financiado pela classe dominante / criança do gueto jaz morta, poça de sangue em sua cabeça”), World trade, World gone crazy e a desgraceira total de Future primitive (“mais um dia sem nada para comer / mais um dia com o calor escaldante do sol”).

Ouça quando estiver feliz, porque se for ouvir o URBN DK, puto / puta da vida, você pode acabar se tornando algo parecido com uma versão 2026 Travis Buckle (o taxista neurótico do filme Taxi driver). Especialmente quando perceber que aquela realidade de 1982 ainda está por aí.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Leandro Serizo – “Sol quimérico”

Published

on

Resenha: Leandro Serizo – “Sol quimérico”

RESENHA: Inspirado pelas queimadas da Amazônia, Leandro Serizo cria em Sol quimérico uma distopia futurista que mistura rock progressivo, metal, MPB e pós-hardcore.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Vintesete Records
Lançamento: 30 de julho de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Inspirado pelas imagens das queimadas da Amazônia em 2023, Leandro Serizo decidiu fazer não apenas um disco, mas um épico entre o rock progressivo, o metal e a MPB – e com referências pra lá de diferentes que, pode botar fé, cruzam-se sem muitos dilemas. Se você aguardava pelo dia em que conseguiria ver um artista unir influências de System Of A Down, Chico Buarque e pós-hardcore, e até fazer misturas de ritmos que passam pelo tango experimental a la Gotan Project (!), bateu na porta certa.

Sol quimérico conta uma história: em 2222, numa cidade chamada MΣGΛPΘLIS, governada por um ciborgue tirano (e o nome do monarca é exatamente esse, Ciborgue Tiyannus), ouve-se um som que ressoa o dia inteiro pelas ruas – na verdade, uma droga sonora que adormece todo mundo, mas impede a capacidade de sonhar. O zumbizamento da população, além de todos os desafios que surgem depois disso, são amarrados por temas como a passividade do povo, a transformação de sonhos em algoritmos, a destruição do planeta.

Vai daí que a história contada por Leandro tem uma musicalidade tão variada, que passa pela transformação do Clube da Esquina em post-rock e pós-hardcore (em faixas como Paradoxo do futuro, embelezada por corais e cordas, e Androide 2222), por uma espécie de Sepultura prog (G-HD, com Kim & Dramma), por uma espécie de tambor emo Midwest (Mosteiro do abismo, soando como se o American Football se encantasse pelas batidas do maculelê) e por criações que abrasileiram o som de bandas como Korn, System of a Down e Deftones (Cavaleiro negro, o metalzaço Cyborgue Tirannus e a indiana-latina faixa-titulo, em duas partes).

Beats de funk e climas quase jazzísticos surgem ao longo de Sol quimérico para pontuar algumas partes, como rola em músicas como Abutre, MΣGΛPΘLIS e MARIAKLÖSE. No geral, o importante é que Sol quimérico, mesmo correndo o risco de parecer confuso em alguns momentos, tem direção – e é a partir dela que o repertório é construído, sempre apontando para um universo em que a missão mais complexa sempre é buscar um lugar tranquilo e respirar aliviado.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Anderson Maia – “Caminhos da ladeira” (EP)

Published

on

Resenha: Anderson Maia – “Caminhos da ladeira” (EP)

RESENHA: Baterista, percussionista e musicoterapeuta, Anderson Maia estreia solo com Caminhos da ladeira, EP que cruza samba, jazz, forró e ritmos afro-brasileiros em memórias pessoais.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Caravela Records
Lançamento: 14 de agosto de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Originalmente, Anderson Maia não é cantor – é baterista, percussionista, educador e musicoterapeuta. Caminhos da ladeira, EP solo de estreia, veio da necessidade de colocar para fora alguns outros talentos e reminiscências, com faixas lembrando da infância em Petrópolis, de caminhadas por trilhas em Niterói, de momentos difíceis, de horas alegres e de ocasiões em que alguma força guiou a música.

O som das cinco faixas é bem variado, indo do samba com toques de jazz (em Ladeira acima, com a voz de Roberta Keller ao lado da de Anderson), à mescla de “xote, xaxado, maracatu, maxixe, baião, ijexá e mais alguma coisa” de Tatá mirim. Metais, percussão e piano ganham protagonismo em meio às canções e têm seus momentos no EP – vale citar o nome de Roberto Stepheson, que produziu, mixou e fez arranjos no disco.

O material de Caminhos da ladeira passa por experiências pessoais – letras como a de Ladeira acima e a do soul-jazz Amigo ouvinte são repletas de observações, insights, conselhos e armadilhas da vida – e por metáforas com a natureza, como no samba de gafieira Jequitibá e nas fagulhas da bela Tatá mirim, também com a voz de Roberta Keller. O forró Ladeira abaixo, por sua vez, é o tipo de instrumental que diz tanto que não precisa de letra: o sobe e desce de notas imaginado por Anderson acabou dizendo mais a ele sobre sua vida do que qualquer verso.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Acompanhe pos RSS

Resenha: Spread Joy – “III”
Crítica15 minutos ago

Ouvimos: Spread Joy – “III”

Resenha: URBN DK – “Mass grave” (EP - relançamento)
Crítica18 minutos ago

Ouvimos: URBN DK – “Mass grave” (EP – relançamento)

Resenha: Leandro Serizo – “Sol quimérico”
Crítica19 minutos ago

Ouvimos: Leandro Serizo – “Sol quimérico”

Resenha: Anderson Maia – “Caminhos da ladeira” (EP)
Crítica19 minutos ago

Ouvimos: Anderson Maia – “Caminhos da ladeira” (EP)

E o Soundgarden, que se reuniu mais uma vez em Seattle com Taylor Momsen nos vocais?
Urgente4 horas ago

E o Soundgarden, que se reuniu mais uma vez em Seattle com Taylor Momsen nos vocais?

Parque da São - Foto: Antonia Muricy Leite / Divulgação
Urgente4 horas ago

Parque da São canta a “estranha nostalgia de um videogame de futebol” em “FIFA 06”

Nóis'Y Vendel inventa o “rock baiônico” falando de assombrações em single novo
Urgente4 horas ago

Nóis’Y Vendel inventa o “rock baiônico” falando de assombrações em single novo

The War On Drugs volta com “Who’s that”, primeira música inédita em quatro anos
Urgente14 horas ago

The War On Drugs volta com “Who’s that”, música escrita “em dez minutos”

Azul Marine - Foto: Isadora Tricerri / Divulgação
Urgente20 horas ago

Azul Marine transforma reconstrução pessoal em “Cura”

Resenha: Scrambled Heads – “Inward, then apart” (EP)
Crítica23 horas ago

Ouvimos: Scrambled Heads – “Inward, then apart” (EP)

Resenha: 14 Flamingos – “Fine art” (EP)
Crítica23 horas ago

Ouvimos: 14 Flamingos – “Fine art” (EP)

Resenha: Cella – “Efeito borboleta”
Crítica23 horas ago

Ouvimos: Cella – “Efeito borboleta”

Resenha: Manacá da Serra – “Déjà vu”
Crítica23 horas ago

Ouvimos: Manacá da Serra – “Déjà vu”

Cherokee Dreams transforma imperfeição em psicodelia, no wave e shoegaze, tudo junto
Urgente1 dia ago

Cherokee Dreams transforma imperfeição em psicodelia e no wave, tudo junto

Katy da Voz e As Abusadas falam da tour recente pela Europa em novo single
Urgente1 dia ago

Katy da Voz e As Abusadas falam da tour recente pela Europa em novo single

Lemonheads grava single novo com... Almir Sater na viola!
Urgente1 dia ago

Lemonheads grava single novo com… Almir Sater na viola!

Rooftime - Foto: Rodrigo Birai / Divulgação
Urgente2 dias ago

Em “Rainbow”, Rooftime faz dançar falando de obsessão por coisas que sempre parecem distantes

Newmind: banda curitibana agora faz som nublado com letras em português
Urgente2 dias ago

Newmind: banda curitibana agora faz som nublado com letras em português