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Entrevista: Ave Máquina volta com EP e show inspirados pelo sentimentos da pandemia

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Ventre, o EP novo da banda carioca Ave Máquina, é fruto de um crowdfunding, pelo qual a banda financiou a gravação e a produção feita por Jr Tostoi. Também é fruto da pandemia, já que duas faixas foram compostas durante o isolamento, e as canções escolhidas conversam com os sentimentos que o grupo teve nessa época. O Ave Máquina, influenciado desde sempre pela vanguarda da música popular brasileira, retorna também influenciado pelo steampunk (estilo da ficção científica que aborda o impacto das tecnologias) e por filmes como Waterworld – O segredo das águas e Mad Max, explorando imagens bastante apocalípticas.

“Nosso novo trabalho chega para dizer que com a pandemia ninguém passou ileso e todos nós mudamos de alguma forma”, diz a vocalista Katia Jorgensen, que divide a banda com Rafael Monteiro (baixo), Fiu (bateria) e Yuri Ribas (guitarrista). O disco chega a público nesta sexta (14) tanto nas plataformas como no show de lançamento no Teatro Cesgranrio, no Rio de Janeiro (mais infos sobre o show no Instagram da banda). Vai ser a última apresentação de Yuri, que passa as seis cordas do grupo para Rafael Oliveira. E nós batemos um papo com a banda sobre o disco.

Como foi contar com o apoio dos fãs no crowdfunding, numa época em que estava rolando uma crise braba no país (e no mundo, claro)? Houve algum momento em que pensaram: “pô, não vai dar certo…”?

Fiu: Foi lindo, emocionante. Acho que um sentimento de acolhimento, era uma oportunidade única e sem a ajuda deles não íamos conseguir. Dentro de um período tenso, perceber que tinham pessoas acreditando e apoiando o nosso projeto nos deu mais motivação pra acreditar. E sim, a princípio fiquei inseguro, até pela condição que eu me encontrava, que as pessoas ao meu redor se encontravam, era difícil acreditar que íamos conseguir. Descobrimos que temos um público maravilhoso e isso é especial demais.

Rafael: De fato deu uma insegurança. Mas tentamos ser realistas dentro do orçamento que poderíamos conseguir. Vimos o mínimo que precisávamos para lançar esse projeto com a qualidade que queríamos e fizemos uma campanha forte.

Mesmo com as novas tecnologias, vocês diriam que ainda é caro gravar bem um disco? No que o montante do crowdfunding foi aproveitado?

Fiu: Investir em música é caro. Parafraseando o Rodrigo Amarante, “pra ser músico no Brasil precisa ter dinheiro”. E o investimento começa desde ter um bom instrumento até pagar os ensaios. Gravar um single já é caro, um EP mais caro ainda e quem dirá um disco. A tecnologia até deixou as ferramentas mais acessiveis, além dos programas há bastante material, cursos e interesse. Temos o exemplo do rap, do funk.. A molecada se produz e se lança. Mas ainda sim a expertise, a experiência e os equipamentos profissionais disponíveis fazem a diferença no resultado final. Pudemos acompanhar isso nesse EP. O que conseguimos ganhar no crowdfunding foi somatizado com o que já tinhamos em caixa então foi possivel pagar a gravação e a masterização.

Como foi trabalhar com o Jr Tostoi no disco e como surgiu a ideia de chamá-lo?

Katia: Trabalhar com Tostoi já era um sonho de muito tempo. Sempre fui fã das guitarras, timbres e do bom gosto dele. Além de depois de ter conhecido ele e o achar o cara mais divertido de todos os tempos. Nos conhecemos nos bastidores de uma participação que eu faria no show do Fernando Holanda. Ele estava por lá na passagem de som e ficamos uns 10 minutos conversando. Parecia até que já nos conhecíamos! Depois disso, tentei fazer com que ele produzisse meu primeiro disco solo – que ainda sairá em algum momento, creindeuzpai – mas acabou não rolando o edital que esperávamos.

Aí pintou a ideia de chamá-lo pra produzir essas 4 faixas do EP, por meio de um crowdfunding e foi maravilhoso. Foi uma sinergia incrível. Alguns dias de muito encaixe, muita descoberta. Tostoi é de uma generosidade viciante. Ele dirige o trabalho de uma forma que parece que nada está acontecendo. Isso porque ele deixa as coisas fluírem da maneira certa. Ele sabe tirar o melhor de cada um. Um gênio mesmo na liderança de todo processo.

Rafael: Quando Kátia nos apresentou a ideia de trabalharmos com o Tostoi, já conhecia seu trabalho como artista e produtor, então claro que adorei a ideia. Antes de começarmos a gravar o EP, ele foi nos nossos ensaios e conversamos sobre música. Quando finalmente começamos a gravar a sintonia já era total. Ele é um cara muito criativo e aberto a novas ideias e soube bem como se conectar rapidamente com a banda. O resultado dessa energia é perceptível no som que fizemos.

Fiu: No início foi assustador. Nunca tinha trabalhado com um produtor que chegasse junto. Já parou pra olhar o currículo do cara? Mas desde o primeiro contato o Tostoi foi um cara super amoroso. Chegou pedindo licença, respeitando o nosso processo de criação e nos recebendo muito bem em seu estúdio. Saí dessa experiência apaixonado.

Falem um pouco de como o conceito do steampunk entrou na história de vocês.

Katia: O conceito steampunk entrou na minha vida há alguns anos por meio de um conhecido. Ele curtia essas vibes RPG, steam punk, games etc… Eu achei a estética muito foda. Depois que vivemos a pandemia, eu pensei que o visual da banda tinha que passar por esse lugar da destruição, da guerra, do apocalipse e lembrei muito do filme Waterworld e Mad Max primeira versão – acabei esbarrando na segunda com Charlize Theron e amei aquela figura feminina tão poderosa. Achei que as cores e todo visual tinham a ver com a proposta do EP e lembrei da teoria steampunk.

Começou a tudo se encaixar na minha cabeça. Essa teoria de que as máquinas seriam movidas a vapor me trouxe essa sensação de que o mundo precisaria se reinventar depois da pandemia, depois do “fim do mundo”. Me fez refletir sobre como os seres humanos podem renascer. E aí o visual apocalíptico, a reinvenção das máquinas, as engrenagens do steampunk, tudo isso se somou ao som reflexivo e quase melancólico do álbum. Surgiu então Ventre, que seria o renascimento desse novo ser humano depois do fim do mundo.

Tem três músicas feitas durante a pandemia no disco… Que aspectos da pandemia mais influenciaram a banda nessas composições?

Rafael: Na verdade apenas A outra mulher, da Kátia e Baque d’água, de minha autoria foram compostas totalmente durante a pandemia. As outras duas músicas foram escolhidas por acharmos que conversavam com os sentimentos que estávamos tendo que lidar naqueles tempos. Coisas como rotina, isolamento e solidão. Avenidas é uma música anterior ao grupo, mas tem uma melancolia e retrata uma solidão e uma necessidade de libertação que achei que encaixaria perfeitamente. O riff dessa música, esse sim, foi feito durante a pré produção do EP. Curiosamente ele foi composto pensando na música da Kátia. A Baque d’água foi a última canção composta e é a que abre o EP. É uma música inspirada nas canções praieiras do Dorival Caymmi e na música Meu baque é lento da Nação Porto Rico de Maracatu. Assim como Avenidas ela também usa a metáfora do mar e das águas como um caminho.

Fiu: Vou falar da Personagens de mim mesmo, que é uma música minha, criada antes da pandemia mas apresentada pra banda no momento em que decidimos tocar esse projeto do EP, durante a pandemia. Essa música tem como base questionar uma certa “romantização” do dia a dia. A vida não é uma novela, não é o filme que a gente gosta. É tão fácil se entupir de estímulos externos pra fugir de nós mesmos. É um olhar pra dentro, é compreender que tenho várias facetas, várias máscaras. Que com uns posso falar de um jeito, com outros me sinto mais a vontade, uns sabem que eu fumo e outros nem imaginam, olha quantos personagens… Na pandemia tivemos que, pela primeira vez, lidar com a gente mesmo, sem escolha. O mundo se acabando e todo mundo dentro de casa. O tanto de demônios que bateram na minha porta se apresentando, não foi brincadeira. Fui forçado a lidar com vários sentimentos, que facilmente a gente se desfaz numa pedalada. Então poder olhar pra si, como indivíduo mais também dentro de um coletivo. O que é ser para mim e o que sou para os outros?

A banda atualmente é o principal projeto dos integrantes? O que vocês vêm fazendo?

Katia: A banda tem um lugar de prioridade pra mim hoje. Pois tem muito trabalho autoral. Isso acaba me trazendo a vontade de que a banda cresça muito. Eu tenho alguns outros trabalhos paralelos. Atualmente sou idealizadora e diretora artística do Viva Gal, projeto dedicado a memória da minha ídola maior Gal Costa. Já tenho um trabalho de pesquisa sobre a Gal desde 2012 e depois com meu show Mãe em 2019, cantando só o repertório dela. Depois da morte da Gal eu resolvi fazer esse tributo e tem sido lindo. Tenho alguns singles lançados e feats nas plataformas. Também tenho projetos solos pro futuro mas por agora, Ave Máquina é minha prioridade

Rafael: Sou professor de música da rede pública do Rio de Janeiro. Então, além do privilégio que é ensinar música, posso me dar ao luxo de me dedicar artisticamente apenas ao que me interessa, sem ter que pensar num retorno financeiro rápido. Sendo assim, artisticamente a Ave Máquina é meu principal projeto, sim. Tenho também planos de lançar um álbum de um projeto de música infantil do qual sou um dos criadores, o Expresso Pindorama. O disco já está gravado, falta apenas uns detalhes finais.

Fiu: Infelizmente não. Apesar de amar muito essa banda o meu ganha pão é produzindo alimentos veganos e sendo feirante, pra complementar a renda. Mas sonho todos os dias poder um dia largar tudo pra viver dessa paixão que é a música.

O disco vai sair em formato físico? Como vocês estão pensando o lançamento?

Rafael: Não é uma ideia que descartamos, mas como grana é sempre uma questão delicada, preferimos investir na qualidade da gravação e deixar só no digital por enquanto. Dessa forma, o EP estará em todas as plataformas digitais a partir do dia 14 de abril.

Vocês foram influenciados pela vanguarda brasileira dos anos 1960 e 1970. O que essa geração tem pra ensinar a músicos novos, ainda mais nessa época em que tudo é algoritmo?

Fiu: Desde que conheci o tropicalismo – e isso me rendeu uma monografia – fiquei apaixonado com esse movimento de liberdade de expressão, da antropofagia atiçada, do canibalismo cultural. Nessa mistura de referências, não só no aspecto sonoro mas num todo. “É preciso estar atento..” e antenado.

Rafael: Uma coisa incrível dos tropicalistas e dos artistas de vanguarda que vieram na sequência é a capacidade de absorver elementos e influências que para a maioria pareceriam inconciliáveis. Misturaram o “brega” e o “erudito”, o “regional” e o “urbano” sem o menor pudor. Tudo é arte e tudo pode dialogar. Acho que isso é algo que eles tem nos ensinado desde então.

O que vocês têm ouvido ultimamente e o que tem entrado como influência no trabalho novo?

Rafael: Eu tenho me interessado cada vez mais pela música latino-americana de um modo geral. O Tostoi também tem esse interesse, então acho que rolou um alinhamento. Foi ideia dele dar aquele tempero latino em A outra mulher. De coisas mais atuais gosto muito da Natalia Lafourcade (México), Mon Laferte (Chile) e da Eruca Sativa (Argentina). Mas ando sobretudo fascinado pelo rock argentino. Caras como Charly García, Spinetta e as bandas que eles fizeram parte.

Fiu: Tenho ouvido muito dois grandes produtores do rap, Madlib e J Dilla. Mas tenho o hábito de ouvir de Miles Davies, Pharonah Sanders, Paul Desmond a Anelis Assumpção, Candeia, Planet Hemp, Gilberto Gil… Acho que estar numa banda de rock sem pensar – somente – como uma banda de rock é a liberdade que preciso pra compartilhar minhas influências com a Ave Máquina.

Katia: Minhas referências são louquésimas. Escuto de Nina Simone a Slipmami. Adoro a música como um todo. Não só a letra, melodia e harmonia. Eu gosto do que a artista tem a dizer. E todo mundo precisa de um porta voz do seu nicho. Isso me encanta. Ouvir o que a galera jovem quer falar. Meu repeat no Spotify é sempre diferente. Letrux, Duda Beat, Micah, FKA Twigs, Feist, Fiona Apple, Silvia Machete, Mary J Blige, Rosalia… e por ai vai.

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Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

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Capa do disco Queen II

Acabou 2025! Bom, acabou pra você – no nosso coração ele continua vivo. Mas de qualquer jeito, vai aí o último Radar internacional do ano, destacando até mesmo uma canção natalina do Queen, que adianta um relançamento do grupo – e ainda não foi lançada oficialmente, mas você já ouve aqui. E ainda tem mais. Feliz ano novo!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Queen): Capa do discoo Que

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QUEEN, “NOT FOR SALE (POLAR BEAR)”. Queen II, o segundo álbum do grupo britânico, de 1974, vai voltar recauchutado às lojas e plataformas em 2026. O relançamento é adiantado por Not for sale (Polar bear), canção gravada durante as sessões do disco. Trata-se de uma canção feita pelo guitarrista Brian May para o Smile, sua banda pré-Queen – e algumas gravações piratas da canção com o Smile já rolaram por aí. Brian, que lançou a faixa num especial de Natal apresentado por ele na rádio britânica Planet Rock, apresentou a canção falando que “até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão”.

Aliás, essa música do Queen é uma canção de Natal. Daí o músico ter ficado na maior pressa para apresentar a canção, que nem sequer está ainda nas plataformas digitais – May disse também que a música ainda era “um trabalho em andamento”, mas “estou colocando isso de surpresa no meu especial da Planet Rock porque fiquei curioso para saber o que as pessoas acham”. Um detalhe curioso é que a letra não faz referência direta ao Natal. A data surge meio como um subtexto, na história da criança que olha vitrines e depara com um urso polar de brinquedo que “não está à venda”.

JACOB THE HORSE, “666 CHICKS”. Numa homenagem ao filme Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer, quatro garotas sanguinárias substituem os integrantes da banda punk de Los Angeles Jacob The Horse no clipe de 666 chicks, seu novo single. Não sem antes sequestrar os músicos, subjugá-los e comer os quatro vivos. O guitarrista e cantor Aviv Rubinstien canta que as mulheres “morrerão assassinando homens que tentam mantê-las acorrentadas” e revela uma história de sua família nos versos “minha avó Hannah costumava jogar coquetéis Molotov em nazistas / e eu pago dez dólares por um café / e escrevo poesia ruim / não há esperança para mim” (a avó dele realmente fazia isso – Aviv é judeu esquerdista e muito do repertório do Jacob The Horse é sobre a escalada do fascismo nos Estados Unidos). O irônico álbum At least it’s almost over, o próximo do grupo, sai em 20 de março.

MOON CONSTRUCTION KIT, “CHEMICALS”. O synthpop da Suíça vai bem, obrigado. O Moon Construction Kit é um projeto criado pelo músico Olivier Cornu, cuja sonoridade baseia-se em synths gélidos, algum peso nas guitarras e psicodelia como clima geral a envolver as músicas. Chemicals, o novo single, transita entre David Bowie e uma espécie de boogie art-rock, com arranjo e melodia contemplativos. “Chemicals é o som de sentir demais. Em algum momento, a única forma de lidar com isso é desligar. Eu queria que a faixa refletisse essa luta entre o caos e a necessidade desesperada de quietude”, conta Olivier.

LAPTOP, “CHRISTMAS CARD FROM A HOOKER IN MINNEAPOLIS”. Jesse Hartman é um sujeito experiente: tocou com Richard Hell, teve uma banda de indie rock chamada Sammy (que nos anos 1990 gravou discos na Geffen, e montou depois o Laptop, banda que começou lá pelos anos 2000, e que hoje divide com sseu filho Charlie. O grupo lançou o single Indie hero recentemente, mas despede-se de 2025 com um single natalino: é a versão deles para Christmas card from a hooker in Minneapolis, sucesso de Tom Waits.

“Essa foi a primeira música que me mostrou que dava para misturar tristeza e humor na mesma frase. Ela basicamente me formou. Essa música é a planta-baixa do Laptop, eu sabendo disso ou não”, conta Jesse, que tocava a faixa desde os 13 anos no piano da família, antes de montar qualquer banda.

DEAD AIR NETWORK, “THIS MIGHT HAVE HAPPENED BEFORE”. “O Dead Air Network mistura punk retrô, new wave e influências góticas para criar uma experiência sonora única, que dialoga tanto com fãs nostálgicos quanto com novos ouvintes”, faz questão de esclarecer esse grupo punk de New Jersey, que na faixa This might…, volta esbanjando referências de Hüsker Dü. A música está no EP The fifth of october.

THE LEGAL MATTERS, “EVERYBODY KNOWS”. Muito romantismo e um clima que faz lembrar bandas como Badfinger e Wings – é o som de Everybody knows, música nova dessa banda de power pop do Michigan. Uma música cuja letra fala a respeito de sons que lembram momentos legais do passado e os lugares dos quais você veio – você pode viver para sempre numa lembrança, numa fotografia ou em algo que te lembre coisas boas. Uma canção de Natal, embora nem seja esse o objetivo da banda, já que a data festiva nem é citada.

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Lançamentos

Radar: Ebony, Marina Sena e Psirico, Tenório, Favourite Dealer, SantiYaguo, Zé Manoel

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Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

Hoje é o último Radar nacional do ano – em 2026 tem mais. O single novo de Ebony, que abre caminho para a versão deluxe do ótimo disco KM2, encabeça a lista, que está variadíssima como sempre. Ouça e passe adiante!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

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EBONY, “DONA DE CASA”. “Essa foi a primeira música escrita para KM2, e acabou ficando de fora da versão experimental. Ela foi pensada para ser uma forma de interlúdio, mas acabou sendo um dos versos mais potentes que já fiz na vida, e a escolhi para anunciar a versão completa do álbum”, conta Ebony, que lança em breve nas plataformas a versão deluxe de seu ótimo álbum KM2 (resenhado pela gente aqui).

Dona de casa, a tal música que ficou de fora, abre caminho para a nova versão do álbum, e detalha a luta de Ebony para chegar onde chegou – e o “onde chegou”, vale dizer, inclui datas já agendadas para divulgar o KM2 deluxe, levando seu rap feminista e aguerrido adiante. Aliás, confira abaixo as datas da KM2 deluxe, a tour.

 

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MARINA SENA feat PSIRICO, “CARNAVAL”. Em 2025, Marina Sena lançou seu terceiro disco, Coisas naturais – seu melhor lançamento até agora, conforme falamos em nossa resenha. E ela encerra o ano com um lançamento especial de verão, o EP Marinada vol. 1 – projeto multimídia que se estende ao audiovisual, cabendo um videoclipe oficial da versão estendida de Carnaval e cinco lyric videos, todos dirigidos por Marcelo Jarosz e Vito Soares. A tal nova versão de Carnaval ganha a participação de Marcio Vitor (Psirico), e mais foco ainda no batuque e na diversão.

TENÓRIO, “PEGA, MATA E COME”. Jazz também combina com perigo e tensão – a banda Tenório, que une improvisos, solos e experimentalismos, já havia mostrado isso com o single Pedra do rio não sabe que montanha é quente. Com Pega, mata e come, o segundo single, a coisa ganha contornos mais selvagens, soando como um bicho atrás de sua presa. Na formação do Tenório, Filipe Consolini (piano), Henrique Meyer (guitarra), Victor José (baixo) e Felipe Marques (bateria). Em 2026 sai o primeiro álbum.

FAVOURITE DEALER, “WAVES”. Destaque de uma cena de bandas nacionais que revitalizam o shoegaze, esse grupo curitibano já havia lançado dois singles em 2025, Frustrating e Drowning. O ano encerra para eles com Waves, faixa que destaca os vocais tranquilos, o clima quase psicodélico e as guitarras sujas – algo no meio do caminho entre o stoner e sons mais melódicos. E já tem clipe.

SANTIYAGUO, “T.O.C.”. Voltado para o metal + hard rock de terror, SantiYaguo (ou Santiago Miquelino, seu nome verdadeiro) pegou um blues-rock feito por ele com Tiago Teixeira, transformou em metal, e lá veio o single T.O.C.. A música ganhou um clipe bastante criativo, dirigido por Fabiano Soares, em que uma mulher é exorcizada por um padre fã de Black Sabbath (que usa Iron man, autobiografia de Tony Iommi, como Bíblia Sagrada).

ZÉ MANOEL, “CORAL” (CLIPE). Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Samba de Véio da Ilha do Massangano surge em Coral, contrapartida audiovisual da faixa-título do novo disco de Zé Manoel – é até bem mais do que um clipe, com uma linguagem de curta-metragem. No vídeo, dirigido por Tiago Di Mauro, Zé Manoel chama a atenção para o corpo como território sagrado, casa da voz e da memória ancestral. “O corpo é o meu primeiro instrumento. Antes de qualquer canto, há o silêncio e o som da pele. O clipe de Coral é um ato de reconciliação com a própria natureza. É um renascimento, uma oferenda às águas e às minhas origens”, afirma. Tudo é bastante sensorial, e a água surge de maneira quase ritualizada ao longo do clipe (e resenhamos o álbum Coral aqui).

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Radar: Alex Vanderville, The Dreaming Void, I Smell Burning – e mais sons do Groover

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Foto (Alex Vanderville): Divulgação

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som de Alex Vanderville

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Alex Vanderville): Divulgação

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ALEX VANDERVILLE, “LOBOS”. Vindo do México, Alex faz rock enérgico, influenciado por punk, grunge e sons oitentistas (nomes como Nirvana, Nine Inch Nails, Soundgarden, Jeff Buckley, Stone Temple Pilots, INXS e Duran Duran estão entre suas referências), mas que busca nunca escapar do pop na hora de fazer melodias. O single Lobos tem até um ar gótico no arranjo e até mesmo no clipe – e une punk e synthpop.

THE DREAMING VOID, “DANGEROUS TOYS”. Essa banda britânica tem muito do pós-britpop em seu sóm – mas sem deixar de lado as referências do pós-punk e dos anos 1980. Dangerous toys, um de seus novos singles, tem dois segmentos, e une a tranquilidade de bandas como Starsailor e R.E.M. a um clima gelado que faz às vezes lembrar The Cure e Echo & The Bunnymen. Destaque para a voz de Amy Hart.

I SMELL BURNING, “BLUE PARADE”. Esse misterioso grupo-projeto britânico soa como um David Bowie meio sombrio e metálico, no single Blue parade – uma faixa que eles afirmam ser uma das favoritas dos fãs nos shows. A vibe meio soul da música (que tem andamento lembrando Heroes, de Bowie) com certeza deve dar uma bela animada nas plateias da banda.

DIMA ZOUCHINSKI, “LATER FATE”. Compositor e cantor que diz ter mais de cem canções compostas, Dima é filho de pais russos, mas nasceu na Inglaterra e sempre viveu por lá. Ele diz que seu estilo é “Ian Dury encontra Lemmy nas encruzilhadas do blues”, e tem uma onda assumidamente Billy Bragg em seu som – dá para perceber isso de cara na poderosa Later fate, uma de suas músicas mais recentes.

THE DRONES, “NIGHTINGALE”. Pós-punk zoeiro com vocais de desenho animado, e som que tem o maior jeitão de terror de desenho animado também – na real é uma canção gótica-shoegaze feita em clima de demo, com gravação envelhecida. Uma das faixas do novo álbum do The Drones, que se chama justamente Nightingale.

CRONOS MATTER, “CELEBRITY BOILED”. Esse projeto se define como um encontro entre Nirvana e Soundgarden – uma banda com guitarras pesadas, vocal dramático e clima ligeiramente cinematográfico e aterrorizante. O grupo afirma que a ideia de Celebrity boiled é falar dos descontentamentos e desilusões modernas – a letra fala sobre a verdadeira máquina de moer carne das redes sociais, em que todo mundo fica se comparando, e também sobre relacionamentos abusivos.

PANKOW_77C, “PRECINT 13 DEATH BRIGAD4S”. Esse projeto audiovisual italiano costuma meter bronca mais em vídeos que se assemelham a games – e dessa vez, no single novo, investem no cyberpunk cheio de erros propositais de gravação, peso eletrônico e ligações pouco usuais, já que William Burroughs e Gilles Deleuze são citados como referências misturadas no caldeirão deles. “Filosofia com batida forte. Sem revivalismos. Sem modismos. Esta é uma insurgência sonora construída sobre suor, distorção e memória. Uma trilha sonora para aqueles que se movem para sobreviver”, definem.

SLY SUGAR, “VIDA LOKA”. Esse grupo veio da Ilha da Reunião (departamento pertencente à França), e une reggae, rock, eletrônicos e tudo que você puder imaginar. Vida loka tem uma expressão em português no título, e letra igualmente em português, lembrando o pop nacional dos anos 1990.

EYAL ERLICH, “SENTIMENTAL CAPE”. Com um monte de singles gravados ao vivo – e preparando um álbum – Eyal faz um som voltado para o indie rock, e para canções que exploram “amor, perdas e questões não respondidas”, sempre “em algum lugar entre a atitude punk suave e a vulnerabilidade de cantor-compositor”, conta.

MI6, “THE MIND MACHINE”. Projeto criado por músicos experientes do som eletrônico e da cena gótica, o MI6 é baseado em “new wave, old wave, cold wave, dark wave, com toques de doom, goth, ebm e punk”, cabendo originais e covers no repertório. The mind machine é o primeiro single, um pós-punk gótico com vocais graves feito pelo integrante Dominique Nuydt. Porrada.

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Ouvimos: Emicida – “Emicida Racional VL.3: As aventuras de DJ Relíquia e LRX” (mixtape) / “Emicida Racional VL.2: Mesmas cores e mesmos valores”

Nigéria Futebol Clube mistura noise e no-wave para confrontar o rock, narrar histórias de negritude e de raiva urbana em dois discos radicais e políticos.
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Como duo, o francês Pamplemousse mistura stoner, punk, grunge, psicodelia e vários experimentos sonoros em Porcelain.
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Em Factory reset, Retail Drugs faz eletropunk ruidoso com baixo distorcido e ironia ácida sobre trabalho, redes sociais e a vida real.
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Em Novo testamento, Ajuliacosta faz um manifesto em rap e r&b: existencial, direto e vingativo, criticando machismo, mercado, fama e relações.
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Sea change, segundo disco do Lovepet Horror, mistura pós-punk, dream pop e ecos 80s em clima imersivo, dançante e sombrio, com guitarras ecoadas.
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Após seis anos, Of Monsters And Men volta com um disco indie folk mais real e celestial, que fala de saúde mental, amor em desgaste e franqueza emocional.
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