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Cultura Pop

Ednaswap: a banda que gravou Torn antes da Natalie Imbruglia

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Ednaswap: a banda que gravou Torn antes da Natalie Imbruglia

Sabe o Ednaswap? Não? Vamos por partes.

Desconfio que isso não era novidade para muita gente, mas lá vai: Torn, primeiro sucesso da cantora australiana Natalie Imbruglia, não era uma música feita por ela. Alias sequer tinha sido feita com exclusividade para ela. A canção já tinha sido gravada três vezes antes de ganhar a versão que a tornou famosa de verdade –  e que saiu em 1997 como single e no disco de estreia de Natalie, Left of the middle.

Já tem gente comparando o som de Solar power, novo disco da Lorde, com o de Natalie. E a própria Lorde apareceu no Fantástico cantando a música que tornou a australiana famosa. Aliás o clipe de Natalie, no qual ela aparece dando um beijo nada técnico no ator britânico Jeremy Sheffield, rolou tanto na MTV que enfiou a música à força na cabeça de todo mundo, Brasil inclusive.

A música foi parar na mão de Natalie porque Left of the middle tinha um sujeito chamado Phil Thornalley na lista de produtores. Phil produziu o Pornography, do Cure (1982) e, numa saída do hoje igualmente “saído” Simon Gallup, assumiu o baixo da banda durante 18 meses. Em suas andanças como produtor e compositor de aluguel, acabou compondo Torn ao lado de dois integrantes de uma nova banda dos Estados Unidos chamada Ednaswap: a cantora Anne Preven e o guitarrista Scott Cutler.

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Torn inicialmente seria uma canção solo de Anne, mas acabou indo parar no repertório do Ednaswap, que existia desde 1993 e fazia um som que poderia ser acondicionado tranquilamente na gaveta do grunge, ou pós-grunge. Apesar da letra da canção trazer várias amarguras sobre o fim de um relacionamento, a inspiração dos autores foi uma viagem de avião para Londres que deixou ambos com fuso horário trocado. Juntaram tudo isso e acabaram fazendo um hino do pé na bunda e do fim de namoro.

O Ednaswap demorou para gravar a própria música, e Torn demorou para virar sucesso mundial. Tanto que a primeira versão, em 1993, foi em… idioma dinamarquês, com o nome de Brændt (“queimado”, em bom português). A responsável pela versão foi a cantora Lis Sørensen, que já fazia bastante sucesso local desde 1983. A canção na voz dela teve até clipe.

Não era bem o grande sucesso com o qual a dupla sonhava, mas ainda havia a possibilidade de o Ednaswap cantar a própria música. Foi o que fizeram em 1995 no disco Ednaswap. A versão deles vem em tons bem mais deprê e o que parecia uma quase-superação de fim de relacionamento na releitura de Natalie ganha ares de corneira real oficial.

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Muita gente até hoje acha que a própria Natalie fez Torn. Ou seja: dá para dizer que a “versão do autor” do Ednaswap não saiu do quase. E olha que o Edna ainda fez outra tentativa regravando a faixa no segundo disco, Wacko magneto (1997). Contratado pela Island nessa época, o grupo começou a caminhar na prancha do pirata na gravadora e ficou lá só por mais um álbum, Wonderland park (1998), em cuja capa posam de Cranberries, dividindo o mesmo assento. Depois acabou.

Antes de Natalie fazer sua gravação, ainda teve a versão da cantora americana de ascendência norueguesa Trine Rein. Foi em 1996.

A versão de Natalie, finalmente, deu a Torn o sucesso que merecia. Anne e Scott ficaram inicialmente de nariz torcido para a leitura da australiana e rolou certa amargura porque “pô, a versão não é a nossa…”. Só que receberam um telefonema avisando que a canção havia atingido o número 1 no Reino Unido. Ou seja: vinha grana aí. E veio mesmo. Em vinte anos de sucesso, a dupla abiscoitou uma média de trezentos mil dólares.

Deu tão certo que os dois pararam com a banda e resolveram se concentrar numa produtora de canções. “A música mudou tanto a minha vida quanto a de Scott em termos de tudo. Isso nos mostrou que devemos nos limitar a escrever canções e não perder muito tempo na banda”, afirmou Anne Preven ao Daily Mail. De lá para cá, ela já fez músicas com Demi Lovato, Pixie Lott, Adam Lambert, Katy Perry, Miley Cyrus e uma turma aí. Só Torn que muita gente não sabia que era dela e de Scott.

Ah, sim, quando os dois eram apenas integrantes do Ednaswap, Scott e Anne fizeram uma música junto com Madonna para um disco dela, Bedtime stories (1994). Era Sanctuary. Pega aí.

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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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