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Cela transforma paixão silenciosa em indie rock no single “De graça”

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Cela (Foto: Divulgação)

Duas pessoas alegremente cantando Cachorrinho, hit de Kelly Key, num karaokê, em meio a luzes psicodélicas. O visualizer do indie soft rock De graça, de Cela, começa exatamente assim, e vai seguindo nesse clima até terminar, muito embora o clima da faixa seja bem diferente do funk da carioca. Curitibana vivendo em São Paulo, Cela usou referências que vão de Lola Young a Terno Rei, numa canção tranquila que basicamente fala sobre “a vulnerabilidade de gostar de alguém e perceber que já não consegue esconder”.

“Inspirada por um encontro marcante, a faixa retrata a mistura de admiração, nervosismo e expectativa que surge quando uma pessoa ocupa todos os seus pensamentos”, diz Cela. “Entre confissões contidas e sentimentos não correspondidos, a música transforma uma paixão silenciosa em um retrato íntimo de quem se entrega sem garantias: apenas estando ali, de graça”. Nada de “vem meu cachorrinho”, então; o lance ali é paixão assumida.

    • Ouvimos: Punchbag – I am obsessed (EP)
    • Ouvimos: Francis Of Delirium – Run, run pure beauty

Cela já havia aparecido no Pop Fantasma com seu primeiro single, Medo de ghosting. Pra 2027, ela já anuncia que vai sair seu primeiro disco de inéditas.

Foto: Divulgação

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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The Valery Trails revisita o próprio passado em novos singles

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The Valery Trails (Foto: Divulgação)

Tem banda que vive olhando para a frente. The Valery Trails resolveu fazer o contrário: olhou para trás e gostou do que viu. O grupo de Brisbane acaba de lançar Waiting e Fragment hanging primeiros singles do EP Down on Buffalo Speedway, que revisita o álbum Buffalo Speedway, de 2014. Não é uma simples remasterização nem uma coleção de sobras de estúdio: a ideia foi regravar algumas músicas como elas soam hoje, depois de anos sendo lapidadas no palco.

Faz sentido. Segundo o líder Andrew Bower, várias faixas daquele disco ganharam vida própria nos shows, especialmente depois que a banda ampliou sua formação com Tim Steward (do Screamfeeder) e Skye Staniford. As músicas mudaram com o tempo, e parecia inevitável registrá-las de novo.

Curiosamente, Waiting em particular nunca foi um dos destaques do álbum original. Não saiu como single, nem recebeu tratamento especial na época. Mas acabou virando uma daquelas canções que o público espera ouvir em qualquer apresentação – daquelas cuja ausência é percebida imediatamente.

“Hoje em dia, tocamos essa música ao vivo com uma pegada mais barulhenta, mais shoegaze, em vez da sonoridade mais limpa e cintilante da gravação original. Então queríamos registrar isso em uma nova versão”, explica Bower. É indie rock de guitarras ruidosas e melódicas, com ecos evidentes da geração que fez nomes como Swervedriver, Sonic Youth e Built to Spill transformarem barulho em emoção. O EP está sendo aguardado há um tempinho e deve sair em breve.

Foto: Divulgação

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Downset estreia no Brasil ao lado do H2O no Trick or Hardcore? Fest

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Downset (acima) e H20 (embaixo) - Fotos: Divulgação

Se o Halloween já costuma render shows barulhentos, São Paulo vai ganhar um motivo extra para colocar protetor de ouvido no dia 31 de outubro. O Trick or Hardcore? Fest, que acontece no Usine, acaba de confirmar duas atrações de peso: o Downset, que finalmente estreia no Brasil, e o H2O, um dos nomes mais queridos do hardcore nova-iorquino. O festival é organizado pela ND Productions.

A estreia do Downset por aqui chega com um certo atraso histórico. A banda surgiu ainda no começo dos anos 1990, quando misturar hardcore, metal e hip-hop ainda não era exatamente uma fórmula pronta para festivais. Vinda de Los Angeles e nascida a partir do grupo Social Justice, a formação sempre carregou para as músicas a realidade de uma cidade marcada por desigualdade, violência e tensão racial. O próprio nome da banda faz referência à ideia de começar a vida em desvantagem, conceito que acabou atravessando toda a sua trajetória.

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O disco de estreia, downset. (1994), virou um marco justamente por colocar riffs pesados lado a lado com vocais rimados e o balanço do hip-hop. Faixas como Anger ajudaram a definir essa identidade. Depois vieram Do we speak a dead language? (1996), considerado um dos trabalhos centrais da carreira, além de Check your people (2000), Universal (2004), One blood (2014) e Maintain (2022), o álbum mais recente.

A outra atração internacional confirmada é o H2O, criado em Nova York por Toby Morse depois de sua passagem como roadie do Sick of It All. Desde meados dos anos 1990, a banda construiu uma reputação baseada em hardcore rápido, refrões prontos para serem cantados em coro e letras sobre amizade, lealdade, responsabilidade e a própria cultura hardcore.

O grupo também chega celebrando Go (2001), álbum que ampliou seu alcance ao aproximar o hardcore de elementos do pop-punk sem perder a intensidade. No repertório também devem aparecer músicas de Nothing to prove (2008), disco que marcou uma nova fase da banda e serviu de base para sua última passagem pela América do Sul.

A formação atual do H2O ainda traz um detalhe que interessa aos fãs mais antigos: o guitarrista Matt Henderson, conhecido por trabalhos com Madball e Agnostic Front, voltou à banda, enquanto Max Morse, filho de Toby, assumiu a bateria. O resultado é um encontro entre veteranos e uma nova geração em um festival que promete reunir duas bandas fundamentais para entender como o hardcore expandiu seus limites nas últimas décadas.

Downset (acima) e H20 (embaixo) – Fotos: Divulgação

SERVIÇO
New Direction Productions orgulhosamente apresenta
H2O e Downset em São Paulo – Trick or Hardcore Fest?
Data: 31 de outubro de 2026 (sábado)
Local: Usine
Endereço: Rua Barra Funda, 973 – São Paulo, SP
Ingressos aqui

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Amigos criam campanha de arrecadação para ajudar no tratamento de Jennifer Finch, do L7

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Jennifer Finch (Foto: Diego Castanho / Reprodução GoFundMe)

A baixista Jennifer Finch, do L7, foi diagnosticada com uma forma agressiva de câncer no cérebro. A informação foi divulgada pela própria banda, que explicou que, num primeiro momento, os médicos acreditavam que o tratamento com radioterapia seria suficiente. O quadro, porém, acabou se complicando, e a musicista de 59 anos precisou passar por várias cirurgias.

Segundo o comunicado, Jennifer está em casa e segue em recuperação, recebendo cuidados médicos e fazendo reabilitação. Amigos e familiares também organizaram uma campanha de arrecadação no GoFundMe para ajudar a cobrir os custos do tratamento. Em comunicado oficial, a vocalista e guitarrista Donita Sparks escreveu: “Estamos todas devastadas pela notícia e estamos a cercando de amor, protegendo sua privacidade e dignidade enquanto levantamos os recursos necessários para os cuidados adiante. Jennifer é família e queremos que ela sinta a força coletiva da comunidade que a amor e a apoiou por tantos anos”.

Por causa da doença, Finch ficará de fora da Last Hurrah Tour, turnê de despedida do L7. Ainda assim, a série de shows será realizada, atendendo a um desejo da própria baixista. Quem assume seu lugar no palco é Tsuzumi Okai, conhecida por ter tocado com o Limp Bizkit durante um período em 2018.

Jennifer Finch começou sua trajetória musical na banda Sugar Babydoll, de San Francisco, grupo que também teve em sua formação Courtney Love e Kat Bjelland, mais tarde integrante do Babes in Toyland. Ela entrou para o L7 em 1986, permaneceu até 1996 e voltou quando a banda retomou as atividades, em 2014. Além da carreira na música, Jennifer também é reconhecida pelo trabalho como fotógrafa, com imagens que chegaram a ser exibidas no Rock and Roll Hall of Fame em 2007.

Foto: Diego Castanho / Reprodução GoFundMe

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